{"id":14965,"date":"2026-01-20T11:53:04","date_gmt":"2026-01-20T14:53:04","guid":{"rendered":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14965"},"modified":"2026-01-20T22:28:02","modified_gmt":"2026-01-21T01:28:02","slug":"jesus-inicia-sua-missao-publica-se-aproximando-dos-ultimos-e-com-eles-irradia-justica-mt-412-23-por-frei-gilvander","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/jesus-inicia-sua-missao-publica-se-aproximando-dos-ultimos-e-com-eles-irradia-justica-mt-412-23-por-frei-gilvander\/","title":{"rendered":"JESUS INICIA SUA MISS\u00c3O P\u00daBLICA SE APROXIMANDO DOS \u00daLTIMOS E COM ELES IRRADIA JUSTI\u00c7A (Mt 4,12-23) &#8211; Por frei Gilvander"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>JESUS INICIA SUA MISS\u00c3O P\u00daBLICA SE APROXIMANDO DOS \u00daLTIMOS E COM ELES IRRADIA JUSTI\u00c7A (Mt 4,12-23)<\/strong> &#8211; Por frei Gilvander Moreira[1]<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"563\" src=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/chamado_discipulos_-_Copia.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14966\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/chamado_discipulos_-_Copia.jpg 1000w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/chamado_discipulos_-_Copia-300x169.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/chamado_discipulos_-_Copia-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption>Jesus chamando os primeiros disc\u00edpulos. Reprodu\u00e7\u00e3o Redes Virtuais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Nos dois primeiros cap\u00edtulos do Evangelho de Mateus fala-se das origens de Jesus. Mateus 1-2 \u00e9 para explicar para as comunidades crist\u00e3s oriundas principalmente da cultura judaico-semita Marcos 1,1, isto \u00e9, para dizer que \u201cJesus \u00e9 o Cristo, Filho de Deus, Messias\u201d, mas n\u00e3o messias conforme esperado pelos saduceus \u2013 \u201cmessias da ideologia do dom\u00ednio e da prosperidade\u201d -, pelos fariseus \u2013 \u201cmessias legalista cumpridor de leis\u201d &#8211; e nem pelos chefes dos sacerdotes &#8211; \u201cmessias da pureza cultual\u201d &#8211; , mas um Messias que vem do meio do povo marginalizado, \u201cgente da gente\u201d, que s\u00f3 nasceu porque houve gente, principalmente mulheres, que rompeu com o lugar que a sociedade patriarcal e machista lhes impunha. Um Messias que provoca o p\u00e2nico no poder estabelecido e nos Herodes de plant\u00e3o, apenas por ter nascido. Um Messias que refaz o caminho do povo libertando-se da escravid\u00e3o do imperialismo eg\u00edpcio e que convoca seus seguidores e suas seguidoras a fazer o mesmo caminho libertador.<\/p>\n\n\n\n<p>Inspirando-se na caminhada libertadora dos povos oprimidos no deserto em busca da terra prometida, em Mateus 3,1-12, temos a atua\u00e7\u00e3o do profeta Jo\u00e3o Batista, chamando \u00e0 convers\u00e3o e ao acolhimento do \u201creino dos c\u00e9us que est\u00e1 pr\u00f3ximo\u201d, batizando e animando para a pr\u00e1tica da justi\u00e7a. Jesus embarca na miss\u00e3o proposta por Jo\u00e3o Batista, pede para ser batizado e \u00e9 confirmado por \u201cuma voz do c\u00e9u\u201d como Filho muito amado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Mateus 4,1-11, Jesus, por \u201cquarenta dias\u201d, supera as grandes tenta\u00e7\u00f5es e diz um n\u00e3o contundente \u00e0 idolatria do poder, \u00e0 vis\u00e3o m\u00e1gica segundo a qual com um poder n\u00e3o humano se resolveria em um passe de m\u00e1gica a fome do povo e refuta com firmeza tamb\u00e9m a idolatria religiosa que mente ao dizer que \u201cpessoas ungidas\u201d s\u00e3o protegidas de forma especial por Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sintonia com o exposto acima, em Mt 4,12-23, Evangelho do Terceiro Domingo do Tempo Comum (Ano A), se narra como foi o in\u00edcio, onde e como Jesus iniciou sua miss\u00e3o p\u00fablica. Antenado com os acontecimentos da realidade \u201cao saber que o profeta Jo\u00e3o Batista tinha sido preso, Jesus voltou para a Galileia, deixou Nazar\u00e9 e foi morar em Cafarnaum, \u00e0 beira-mar, nos confins de Zabulon e Neftali\u201d (Mt 4,12-13). Um acontecimento pol\u00edtico, a pris\u00e3o de um profeta, ato repressor do Estado, foi o que deu o estalo na consci\u00eancia de Jesus de que era chegada sua hora de arrega\u00e7ar as mangas e abra\u00e7ar pra valer a bandeira empunhada pelo profeta Jo\u00e3o que acabara de ser preso e, segundo pesquisas arqueol\u00f3gicas e informa\u00e7\u00f5es do historiador Fl\u00e1vio Josefo, provavelmente jogado algemado em uma pris\u00e3o de seguran\u00e7a m\u00e1xima.<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus poderia ter fugido como outros disc\u00edpulos de Jo\u00e3o fugiram, mas, ao contr\u00e1rio, envolvido por uma ira santa, Jesus viu a voz de Deus o chamando naquela repress\u00e3o pol\u00edtico-militar que tentava abafar um movimento popular religioso que se dedicava lutar por justi\u00e7a social e combater as desigualdades socioecon\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus n\u00e3o se faz neutro diante dos conflitos pol\u00edticos e socioecon\u00f4micos da sociedade. Jesus se posiciona ao lado de quem luta por justi\u00e7a, mesmo sabendo que poder\u00e1 ser preso como foi o mestre Jo\u00e3o Batista. Jesus n\u00e3o aceita as desculpas religiosas levantadas por pessoas que se dizem religiosas e que s\u00e3o c\u00famplices das opress\u00f5es pol\u00edticas e das explora\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus n\u00e3o inicia sua miss\u00e3o pela capital, pela classe dominante, nem pela pequena burguesia eufemisticamente chamada de \u201cclasse m\u00e9dia\u201d, nem pelos religiosos de v\u00e1rias matizes. Jesus sabe que seria \u201cbater em ferro frio\u201d, pois em uma sociedade desigual, que cultua a mentira que \u00e9 a meritocracia, \u201cquem est\u00e1 na sombra\u201d curtindo algum privil\u00e9gio, n\u00e3o vai, salvo raras exce\u00e7\u00f5es, por iniciativa pr\u00f3pria, partilhar a sombra com quem se queima no sol escaldante. Jesus vai para a \u201cbeira-mar\u201d, nos \u201cconfins da Galileia\u201d, &#8211; de onde nada se espera -, se aproxima e come\u00e7a a conviver com trabalhadores manuais artesanais, pescadores, que conquistam o p\u00e3o cotidiano com o pr\u00f3prio suor do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus tece alian\u00e7a com as pessoas que estavam marginalizadas, na \u201cGalileia das Na\u00e7\u00f5es\/gentios\u201d, regi\u00e3o perif\u00e9rica longe do centro econ\u00f4mico, pol\u00edtico e religioso do pa\u00eds. Ao conviver e reconhecer a dignidade de quem era considerado \u201cpovos das trevas\u201d, Jesus \u00e9 compreendido como \u201cuma grande luz\u201d. Esta conviv\u00eancia desperta seguimento e, por outro lado, desperta o \u00f3dio e a intoler\u00e2ncia de quem ganha ao manter o povo explorado nos \u201cconfins\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Este Evangelho acontece atualmente pelo mundo afora, por exemplo, com o padre J\u00falio Lancellotti no meio do povo em situa\u00e7\u00e3o de rua na capital de S\u00e3o Paulo. Padre J\u00falio, luz para o povo da rua, mas execrado por quem insiste em violar e pisotear na dignidade de milhares de pessoas for\u00e7adas a sobreviver nas ruas por muitos motivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Qual a mensagem de Jesus neste in\u00edcio de miss\u00e3o? \u201cConvertei-vos, porque o Reino dos C\u00e9us est\u00e1 pr\u00f3ximo\u201d (Mt 4,17). Se Jesus tivesse absorvido a ideologia dominante, diria: \u201cAbandonem o movimento de Jo\u00e3o Batista, pois voc\u00eas podem ser presos e terem o mesmo destino dele. Cultivem a pureza, pois o mundo est\u00e1 acabando, o julgamento est\u00e1 chegando.\u201d Entretanto, ouvindo a voz divina nas entranhas dos acontecimentos, Jesus intui no meio de grav\u00edssimo conflito e de crise existencial inclusive que era hora de fazer autocr\u00edtica, mudar o jeito de pensar e de agir, se libertar do que aprisionava e se irmanar na constru\u00e7\u00e3o do reinado divino. Este era o apelo a ser seguido.<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus descobre que \u00e9 ignor\u00e2ncia agir sozinho e procura construir seu movimento inspirando-se em parte no movimento popular religioso de Jo\u00e3o Batista. No meio do povo trabalhador, convivendo, Jesus chama dois, Sim\u00e3o (Pedro) e Andr\u00e9, que eram pescadores artesanais. A partir do mundo deles Jesus prop\u00f5e: Venham comigo e vamos juntos \u201cpescar\u201d pessoas para o reinado divino. Estes deixam sua profiss\u00e3o o seguem imediatamente. O mesmo se deu com outros dois irm\u00e3os, Tiago e Jo\u00e3o, que deixando o barco e seu pai\/sua fam\u00edlia, seguem Jesus. Para seguir Jesus de verdade \u00e9 preciso se libertar de amarras que muitas vezes a sociedade injusta nos imp\u00f5e.<\/p>\n\n\n\n<p>A express\u00e3o \u201cpescar homens&#8230;\u201d, \u00e0 primeira vista, tem tom pejorativo, pois insinua fazer proselitismo e fisgar o outro para \u201cmeu barco\u201d, minha igreja, minha religi\u00e3o. E pior, se pensarmos que a pesca implica sempre na morte dos peixes. Mas exegeticamente n\u00e3o \u00e9 este o sentido proposto pelo Evangelho de Mateus. Na maioria das narrativas b\u00edblicas envolvendo acontecimento no mar, normalmente, o mar \u00e9 considerado o lugar das for\u00e7as do mal. Assim sendo, \u201cpescar pessoas\u201d retirando-as do \u201cmar\u201d indica salvar as pessoas de l\u00f3gicas e estruturas opressoras e exploradoras, ou seja, libert\u00e1-las para participar de uma sociabilidade com justi\u00e7a, respeito, amor e paz. N\u00e3o \u00e9 buscar o\u00e1sis no mundo, mas transformar o mundo criando rela\u00e7\u00f5es humanas e sociais justas, \u00e9ticas, solid\u00e1rias, de justi\u00e7a e paz, de empatia pelo outro principalmente pelos mais enfraquecidos\/as.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a partir dos \u00faltimos e com eles, Jesus ensina nas sinagogas da Galileia periferizada, anuncia o reinado divino e cura doen\u00e7as e enfermidades. Jesus ensina o que nos liberta e pratica o que ensina, tem coer\u00eancia entre discurso e postura pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualizando, podemos dizer que \u201cde onde menos se espera\u201d vem liberta\u00e7\u00e3o, amorosidade, respeito, \u00e9tica, empatia, solidariedade, amor gratuito&#8230; Podemos perceber este Evangelho de Mt 4,12-23 acontecendo no meio dos Povos Ind\u00edgenas, no meio dos Povos Tradicionais, Quilombolas, no Povo em situa\u00e7\u00e3o de rua, nos povos das favelas, de ocupa\u00e7\u00f5es urbanas e camponesas, em mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia, em pessoas com orienta\u00e7\u00e3o homoafetiva v\u00edtimas de homofobia, em pessoas de Terreiros de Candombl\u00e9, de Umbanda&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, no meio de pessoas discriminadas, muitas vezes a luz divina brilha e o amor divino \u00e9 testemunhado. \u00c9 preciso termos a sensibilidade de captar esta luz no meio de tantos que s\u00e3o empurrados para \u201cas trevas\u201d. Eis o caminho que liberta e salva. Jesus e os primeiros pescadores nos deram o exemplo. Feliz quem segue neste caminho de contram\u00e3o do que \u00e9 hegem\u00f4nico e enaltecido pelos arautos do status quo opressor.<\/p>\n\n\n\n<p>A op\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria de Jesus pelos exclu\u00eddos, desprezados, &#8220;impuros&#8221;, indica para a defesa da vida, para a luta pela liberta\u00e7\u00e3o de todos os males que ferem a dignidade de filhos e filhas de Deus. Seguir Jesus implica em comprometer-se com essa causa. Que tenhamos a coragem necess\u00e1ria de assumir verdadeiramente nossa miss\u00e3o de crist\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>20\/01\/2026, dia de S\u00e3o Sebasti\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JESUS INICIA SUA MISS\u00c3O P\u00daBLICA SE APROXIMANDO DOS \u00daLTIMOS E COM ELES IRRADIA JUSTI\u00c7A (Mt 4,12-23) &#8211; Por frei Gilvander Moreira[1] Nos dois primeiros cap\u00edtulos do Evangelho de Mateus fala-se das origens de Jesus. 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