{"id":14976,"date":"2026-01-24T08:36:08","date_gmt":"2026-01-24T11:36:08","guid":{"rendered":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14976"},"modified":"2026-01-24T08:55:17","modified_gmt":"2026-01-24T11:55:17","slug":"diversidade-religiosa-dom-divino-para-a-humanidade-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/diversidade-religiosa-dom-divino-para-a-humanidade-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"DIVERSIDADE RELIGIOSA, DOM DIVINO PARA A HUMANIDADE &#8211; Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>DIVERSIDADE RELIGIOSA, DOM DIVINO PARA A HUMANIDADE<\/strong> &#8211; Por Marcelo Barros<\/p>\n\n\n\n\n\n<p>A ONU consagra o 21 de janeiro como \u201c<em>dia mundial das religi\u00f5es\u201d<\/em>.&nbsp; Essa data se tornou importante em um mundo cada vez mais marcado pela diversidade cultural e religiosa. No Brasil, onde, &nbsp;historicamente, as religi\u00f5es de matriz africana e as tradi\u00e7\u00f5es espirituais ind\u00edgenas, sempre foram marginalizadas e hostilizadas, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, vimos crescer a\u00e7\u00f5es de preconceitos e viola\u00e7\u00f5es aos direitos dos grupos religiosos considerados minorit\u00e1rios. Por isso, a Lei n\u00ba 7.716, de 5 de janeiro de 1989, alterada pela Lei n\u00ba 9.459, de 15 de maio de 1997, &nbsp;considera crime a pr\u00e1tica de discrimina\u00e7\u00e3o ou preconceito contra religi\u00f5es. Apesar disso, em todo o pa\u00eds, diariamente, ocorrem ataques a templos de cultos afro-brasileiros e agress\u00f5es a comunidades que os praticam.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 21 de janeiro de 2000, Gild\u00e1sia dos Santos, conhecida como M\u00e3e Gilda de Ogum, Ilyaorix\u00e1 do Il\u00ea Abass\u00e1 em Salvador, BA, morreu em decorr\u00eancia de agress\u00f5es e humilha\u00e7\u00f5es sofridas por parte de grupos neopentecostais. Em sua mem\u00f3ria, em 2007, Lula, ent\u00e3o Presidente da Rep\u00fablica, instituiu o 21 de janeiro como o <em>Dia de combate \u00e0 intoler\u00e2ncia religiosa<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que n\u00e3o basta combater a intoler\u00e2ncia e viver a toler\u00e2ncia. As pessoas toleram aquilo que n\u00e3o podem evitar. A lei pede respeito. S\u00f3 uma cultura aberta \u00e0 pluralidade e uma espiritualidade amorosa suscita abertura de cora\u00e7\u00e3o para aprender uns dos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>De 2007 at\u00e9 hoje, em v\u00e1rios estados do pa\u00eds, criaram-se comiss\u00f5es de defesa da diversidade. Apesar disso, em todo o Brasil, continuam a ocorrer atos de discrimina\u00e7\u00e3o e de viol\u00eancia, principalmente contra religi\u00f5es e cultos de matriz africana. \u00c0s vezes, a intoler\u00e2ncia \u00e9 clara, outras vezes, camuflada sob o pretexto de protesto contra barulho dos tambores ou contra sacrif\u00edcio de animais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todo o pa\u00eds, a cultura vigente ainda tem resqu\u00edcios dos tempos nos quais a religi\u00e3o dos senhores brancos era a \u00fanica aceita e condenava \u00e0s religi\u00f5es negras e ind\u00edgenas.&nbsp; Hoje, isso configura-se como racismo religioso e precisa ser denunciado e combatido. Infelizmente, nos dias de hoje, grupos pentecostais e tamb\u00e9m cat\u00f3licos parecem herdar da velha Cristandade sua heran\u00e7a mais negativa e tr\u00e1gica: a pretens\u00e3o de ser religi\u00e3o dominante. Alguns grupos religiosos ainda vivem a f\u00e9 como ideologia de conquista guerreira que n\u00e3o admite o direito do outro e do diferente. Querer que o Brasil seja cat\u00f3lico ou pentecostal \u00e9 n\u00e3o somente desrespeito \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o Federal que prescreve a laicidade, aberta a todas as formas de cren\u00e7a, como \u00e9 contr\u00e1rio ao que a pr\u00f3pria espiritualidade crist\u00e3 prop\u00f5e: amor universal e o profundo respeito pelas diferen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o evangelho, o pr\u00f3prio Jesus advertiu: \u201c<em>Na casa do meu Pai, h\u00e1 muitas moradas<\/em>\u201d (Jo 14, 1). Em outro texto, apesar de, no in\u00edcio, ter rejeitado, Ele acabou por aceitar curar a filha da mulher s\u00edrio-fen\u00edcia que tinha outra religi\u00e3o e chegou a elogiar a sua f\u00e9 (Mc 7, 24- 30). Curou o filho do oficial romano e predisse que muitos vir\u00e3o do Ocidente e do Oriente e se sentar\u00e3o \u00e0 mesa de Deus, enquanto alguns que se consideram fieis, ficar\u00e3o de fora (Mt 8, 11- 12).<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as religi\u00f5es pregam amor, compaix\u00e3o e miseric\u00f3rdia. Entretanto, quando se tornam dogm\u00e1ticas e autorit\u00e1rias, transformam-se em instrumentos de fanatismo e canais de intoler\u00e2ncia. Confundem a verdade com uma forma cultural de expressar a verdade. Absolutizam dogmas e acabam justificando conflitos e guerras em nome de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, a diversidade cultural e religiosa n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um fato que, queiramos ou n\u00e3o, se imp\u00f5e \u00e0 humanidade. \u00c9 principalmente gra\u00e7a divina e b\u00ean\u00e7\u00e3o para todas as tradi\u00e7\u00f5es religiosas. Para que entre as religi\u00f5es, o di\u00e1logo possa ser profundo, cada grupo tem de reconhecer o que Deus lhe revela, n\u00e3o s\u00f3 a partir da sua pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o, mas do caminho religioso do outro. No tempo do nazismo, de uma pris\u00e3o alem\u00e3, escrevia o pastor Dietrich Bonhoeffer, te\u00f3logo luterano: \u201c<em>Deus est\u00e1 em mim, mas para me abrir ao outro. Em mim, \u00e9 uma presen\u00e7a fraca para mim mesmo e \u00e9 forte para o outro. Ele est\u00e1 no diferente, mas a sua presen\u00e7a \u00e9 para mim. Assim, Deus \u00e9 amor e se encontra quando encontramos o outro, o diferente<\/em>\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DIVERSIDADE RELIGIOSA, DOM DIVINO PARA A HUMANIDADE &#8211; Por Marcelo Barros A ONU consagra o 21 de janeiro como \u201cdia mundial das religi\u00f5es\u201d.&nbsp; Essa data se tornou importante em um mundo cada vez mais marcado<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-14976","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14976","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14976"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14976\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14977,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14976\/revisions\/14977"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14976"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14976"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14976"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}