{"id":14994,"date":"2026-02-07T16:51:49","date_gmt":"2026-02-07T19:51:49","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14994"},"modified":"2026-02-07T16:51:54","modified_gmt":"2026-02-07T19:51:54","slug":"ser-sal-e-luz-em-uma-sociedade-insossa-e-tenebrosa-mt-513-16-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/ser-sal-e-luz-em-uma-sociedade-insossa-e-tenebrosa-mt-513-16-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"SER SAL E LUZ EM UMA SOCIEDADE INSOSSA E TENEBROSA (Mt 5,13-16) \u2013 Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>SER SAL E LUZ EM UMA SOCIEDADE INSOSSA E TENEBROSA<\/strong> (Mt 5,13-16) \u2013 Por Marcelo Barros<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"530\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image_processing20221226-11986-xk0m6d.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14995\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image_processing20221226-11986-xk0m6d.jpeg 800w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image_processing20221226-11986-xk0m6d-300x199.jpeg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image_processing20221226-11986-xk0m6d-768x509.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Padre Marcelo Barros. Reprodu\u00e7\u00e3o Redes Virtuais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Neste 5\u00ba domingo comum, o evangelho (Mateus 5, 13- 16) continua a palavra de Jesus na montanha. As bem-aventuran\u00e7as teriam sido proclamadas a todo o povo. A seguir, Jesus d\u00e1 recomenda\u00e7\u00f5es mais espec\u00edficas para o grupo dos seus disc\u00edpulos e disc\u00edpulas. O evangelho usa duas palavras chaves para explicar a miss\u00e3o que Jesus confia a seus disc\u00edpulos e disc\u00edpulas: o sal e a luz. Esses s\u00edmbolos t\u00eam, ao mesmo tempo, v\u00e1rios sentidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para as culturas antigas, o sal era elemento t\u00e3o precioso que, antes de existir dinheiro, as coisas se compravam com sal. O sal servia de moeda de compra e venda. At\u00e9 hoje, nos empregos, o pagamento chama-se sal\u00e1rio, termo que vem de sal. Al\u00e9m disso, nas culturas antigas, pelo fato de conservar a comida e temper\u00e1-las, o sal tornou-se s\u00edmbolo de amizade e alian\u00e7a imperec\u00edveis.&nbsp; A B\u00edblia judaica lembra um rito de alian\u00e7a com sal (Cf. Lv 2, 13).&nbsp;Em territ\u00f3rios onde a \u00e1gua \u00e9 salobra \u00e9 porque h\u00e1 um pouco mais de sal na terra e a presen\u00e7a de sal na terra a faz f\u00e9rtil.<\/p>\n\n\n\n<p>O evangelho de hoje fala do sal da terra. A gente liga logo com o sal da cozinha e com o sabor dos alimentos. Outros evangelhos falam disso. Dizem que se falta o sal, tudo fica desarrumado ou louco (esse \u00e9 o termo grego). No entanto, o Evangelho de Mateus fala do &#8220;sal da terra&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Provavelmente, quando foram ditas, essas palavras de Jesus faziam refer\u00eancia a um costume da Galileia daqueles tempos. Naquela regi\u00e3o, os pastores levavam as ovelhas para o campo e, durante o dia, deixavam que elas pastassem, soltas. \u00c0 noite, elas deviam voltar ao aprisco, uma esp\u00e9cie de curral, para n\u00e3o serem presas das feras. Como na hist\u00f3ria infantil de Jo\u00e3o e Maria, as ovelhas voltavam ao aprisco pelo caminho que os pastores deixavam jogando sal pelo ch\u00e3o, para reconduzi-las ao lugar seguro. Elas voltavam comendo o sal, frequente na beira do lago de Tiber\u00edades e do Mar Morto. Assim, quando Jesus disse: \u201cVoc\u00eas s\u00e3o o sal da terra\u201d, n\u00e3o refere-se ao sal da cozinha. Parece que ele quer dizer: <em>\u201cAssim como o sal da terra ajuda as ovelhas a voltarem pelo caminho certo para o aprisco, voc\u00eas que s\u00e3o meus disc\u00edpulos e disc\u00edpulas t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de reunir as pessoas dispersas pelo mundo na dire\u00e7\u00e3o do aprisco do Pai, para que n\u00e3o se percam, nem sejam presas das feras do mundo\u201d. E tamb\u00e9m porque terra com presen\u00e7a de sal \u00e9 terra f\u00e9rtil. Assim, Jesus dizia aos disc\u00edpulos para serem f\u00e9rteis no testemunho do projeto do reinado divino.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Neste momento do mundo no qual a humanidade e aqui no Brasil, o povo encontra-se muito dividido e polarizado, social, religiosamente e politicamente, \u00e9 importante compreender essa palavra do evangelho em seu sentido original. A miss\u00e3o dos disc\u00edpulos e disc\u00edpulas \u00e9 unir a humanidade no reino do Pai.&nbsp;Al\u00e9m de servir para reunir as pessoas, o sal tamb\u00e9m \u00e9 o elemento que re\u00fane, congrega e unifica no \u00edntimo da pessoa a parte luminosa que cada um de n\u00f3s tem dentro de si e a parte de trevas que tamb\u00e9m est\u00e1 em n\u00f3s. Por isso, Jesus fala em sal e luz.<\/p>\n\n\n\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o religiosa do Juda\u00edsmo, essa propriedade de ser sal e luz competia aos rabinos e doutores. A partir de agora, Jesus proclama que todos n\u00f3s temos de ser sal e luz do mundo. E adverte: \u201c<em>N\u00e3o enlouque\u00e7am!\u201d <\/em>(o termo original grego \u201c<em>morainein<\/em>\u201d n\u00e3o quer dizer \u201ctornar-se insosso\u201d e sim \u201cenlouquecer\u201d). Nessa sociedade em que vivemos, podemos enlouquecer. Todo mundo sabe que o \u00edndice de doen\u00e7as nervosas, de ansiedade, de depress\u00e3o e de problemas mentais t\u00eam aumentado muito. Jesus diz que se cumprirmos a miss\u00e3o de viver como sal e luz para os outros,&nbsp; n\u00e3o enlouqueceremos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, \u00e9 importante sabermos&nbsp; que, para cumprir a sua fun\u00e7\u00e3o, o sal tem de se dissolver, tem de anular-se. Ser\u00e1 que estamos dispostos a viver essa miss\u00e3o que nos faz desaparecer para que a vida e a sociedade tomem novo sabor?&nbsp;O sal fertiliza a terra porque se entrega \u00e0 terra. O sal salga a comida porque se entrega e penetra na comida. \u00c9 por liga\u00e7\u00e3o org\u00e2nica que o sal salga e a luz ilumina. Se o sal e a luz ficarem desconectados do humano, separado, n\u00e3o v\u00e3o salgar e nem iluminar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde, no mundo grego, a imagem do sal ser\u00e1 usada com outro simbolismo. O sal \u00e9 o que d\u00e1 sabor. O sabor da vida \u00e9 adquirido pela sabedoria. \u201cTer sal\u201d significaria: \u201cTer sabedoria\u201d. O sal tornou-se s\u00edmbolo da sabedoria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus prop\u00f5e que sejamos sal e luz. O s\u00edmbolo da luz tamb\u00e9m era usado para a comunidade de Israel. J\u00e1 os c\u00e2nticos do Servo Sofredor diziam que o servo deveria ser luz para o mundo todo (Is 49, 6). Agora, Jesus aplica \u00e0s comunidades dos seus disc\u00edpulos e disc\u00edpulas. As comunidades devem ser mission\u00e1rias nesse sentido de iluminar a humanidade com a luz do reinado divino.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto que est\u00e1 na met\u00e1fora do sal e da luz \u00e9 que \u00e9 pouco sal que salga a comida e uma pequena l\u00e2mpada ilumina, incomoda e afugenta as trevas. Jesus nos chama para sermos pequenos no meio da multid\u00e3o. E o sal e a luz incomodam a terra, a comida e as trevas. Sem incomodar quem \u00e9 insosso e gera trevas com corrup\u00e7\u00e3o, opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 como salgar e nem iluminar. Jesus n\u00e3o pede que toda o povo seja sal e luz; pede aos disc\u00edpulos e disc\u00edpulas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um mundo dominado pelo individualismo, no qual as pessoas s\u00e3o estimuladas \u00e0 competi\u00e7\u00e3o, esse evangelho prop\u00f5e que construamos grupos e comunidades como par\u00e1bolas de um novo modo de organizar o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas comunidades, que algu\u00e9m chamou de &#8220;<em>cen\u00e1culos de resist\u00eancia<\/em>&#8221;&nbsp; devem ser laicais e aut\u00f4nomas, mas ao mesmo tempo, articuladas como sacramentos vivos do projeto divino no mundo. A miss\u00e3o das pessoas crist\u00e3s e das Igrejas seria constituir-se como comunidades que sejam par\u00e1bolas deste projeto divino e, mais do que nunca, suscitar e apoiar a forma\u00e7\u00e3o de grupos e comunidades independentes e diversificadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos traduzir a palavra de Jesus como:&nbsp; \u201c<em>Mantenham em voc\u00eas o calor, a capacidade de aquecer a vida\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A insist\u00eancia de Jesus \u00e9 para que os seus disc\u00edpulos e disc\u00edpulas assumam a fun\u00e7\u00e3o que, conforme as profecias do Servo Sofredor, todo o povo tinha de ser sal e luz. Cada pessoa humana tem uma \u201creserva de luz\u201d. Esse potencial luminoso est\u00e1 como que inscrito em nossas c\u00e9lulas e precisa ser desenvolvido. A imagem da cidade colocada sobre o monte \u00e9 imagem da nova sociedade que queremos organizar.&nbsp;H\u00e1 luz em n\u00f3s. Brilhemos! Que a luz que ilumina irradie em n\u00f3s que tenhamos a gra\u00e7a de ver a luz que brilha nos outros tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cLuz, minha luz,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>luz que preenches o mundo,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>luz que beijas os olhos,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>luz que enterneces o cora\u00e7\u00e3o,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>as borboletas desdobram<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>as suas velas sobre o mar da luz,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>os rios do c\u00e9u se encheram<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>e inundaram o mundo de alegria. (,,,)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Meditemos sobre a luz,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>a luz ador\u00e1vel do sol,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>que essa estimule nosso amor<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>e nosso pensamento\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>(Poema de R. Tagore,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>poeta e m\u00edstico hindu, s\u00e9culo XX)<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Cf. citado por G. RAVASI, <strong>ll Llibro dei Salmi, vol. II (del salmo 51 a 100), <\/strong>Bologna, EMI, 1986, p. 1009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SER SAL E LUZ EM UMA SOCIEDADE INSOSSA E TENEBROSA (Mt 5,13-16) \u2013 Por Marcelo Barros Neste 5\u00ba domingo comum, o evangelho (Mateus 5, 13- 16) continua a palavra de Jesus na montanha. 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