{"id":14999,"date":"2026-02-14T16:57:00","date_gmt":"2026-02-14T19:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14999"},"modified":"2026-02-17T07:46:52","modified_gmt":"2026-02-17T10:46:52","slug":"a-voz-que-ecoa-no-silencio-do-mundo-por-frei-betto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/a-voz-que-ecoa-no-silencio-do-mundo-por-frei-betto\/","title":{"rendered":"\u00a0 A VOZ QUE ECOA NO SIL\u00caNCIO DO MUNDO &#8211; Por\u00a0Frei Betto"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>A VOZ QUE ECOA NO SIL\u00caNCIO DO MUNDO &#8211; Por&nbsp;Frei Betto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Frei-Betto-A-voz-que-ecoa-no-silencio-do-mundo-09-fev-202.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15000\" width=\"782\" height=\"437\"\/><figcaption>Frei Beto. Reprodu\u00e7\u00e3o Redes Virtuais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; H\u00e1 vozes que n\u00e3o deveriam ecoar. Vozes que carregam, no tremor infantil, todo o peso de um mundo que desmorona. A voz de Hind Rajab \u00e9 uma delas \u2013 um registro real e angustiante de uma crian\u00e7a de seis anos presa em um carro sob fogo em Gaza, com os corpos de cinco pessoas da fam\u00edlia j\u00e1 mortas, implorando por socorro. O filme que leva seu nome n\u00e3o \u00e9 apenas uma obra de arte; \u00e9 um grito filmado contra a indiferen\u00e7a.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A diretora Kaouther Ben Hania, ao ouvir aquela grava\u00e7\u00e3o em um aeroporto, sentiu-se interpelada: &#8220;Parecia que ela me pedia para salv\u00e1-la&#8221;. O que Ben Hania criou n\u00e3o \u00e9 uma reconstitui\u00e7\u00e3o espetacular da viol\u00eancia, mas um claustrof\u00f3bico retrato da impot\u00eancia. A c\u00e2mera fica no centro de emerg\u00eancia do Crescente Vermelho em Ramallah, na Cisjord\u00e2nia, onde socorristas \u2013 maravilhosamente interpretados por um elenco de origem palestina \u2013 tentam, em v\u00e3o, coordenar um resgate enquanto negociam com uma burocracia infernal. A brutalidade est\u00e1 no que ouvimos: a voz real de Hind, entrecortada por tiros, desvanecendo-se lentamente.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O g\u00eanio e a perturba\u00e7\u00e3o do filme est\u00e3o justamente nessa escolha. Nos coloca no lugar daqueles que tudo ouvem e nada podem fazer, espelhando nossa pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o diante do conflito. \u00c9 um convite desconfort\u00e1vel e necess\u00e1rio \u00e0 solidariedade com o povo palestino. Aplaudido por 23 minutos em Veneza e tendo como produtores executivos nomes como Brad Pitt e Joaquin Phoenix, o filme cumpre o desejo da m\u00e3e de Hind: que sua filha n\u00e3o seja esquecida.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Indicado ao Oscar, o filme concorre com \u201cO Agente Secreto\u201d como melhor produ\u00e7\u00e3o estrangeira. \u201cA Voz de Hind Rajab&#8221; \u00e9 um monumento sonoro. Faz ecoar, para al\u00e9m das fronteiras de Gaza, o lamento de uma entre dezenas de milhares de mortos, feridos e desalojados. Nos lembra que, por tr\u00e1s das estat\u00edsticas, h\u00e1 hist\u00f3rias. E que, por tr\u00e1s da hist\u00f3ria de Hind, h\u00e1 perguntas que nos perseguem: at\u00e9 quando o mundo se far\u00e1 de surdo? At\u00e9 quando suportaremos o genoc\u00eddio promovido pelo governo de Israel sobre o povo palestino? At\u00e9 quando o horror?<\/p>\n\n\n\n<p><br>Frei Betto \u00e9 escritor, autor de \u201cQuando fui pai de meu irm\u00e3o\u201d (AltaBooks), entre outros livros.<br>Visite minha Livraria virtual:&nbsp;<a href=\"http:\/\/freibetto.org\/\">freibetto.org<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A VOZ QUE ECOA NO SIL\u00caNCIO DO MUNDO &#8211; Por&nbsp;Frei Betto &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; H\u00e1 vozes que n\u00e3o deveriam ecoar. Vozes que carregam, no tremor infantil, todo o peso de um mundo que desmorona. A voz de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15000,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-14999","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14999","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14999"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14999\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15003,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14999\/revisions\/15003"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15000"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14999"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14999"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14999"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}