{"id":15023,"date":"2026-02-28T09:54:32","date_gmt":"2026-02-28T12:54:32","guid":{"rendered":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=15023"},"modified":"2026-02-28T09:54:33","modified_gmt":"2026-02-28T12:54:33","slug":"jesus-e-as-transfiguracoes-nossas-e-da-vida-mt-171-9-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/jesus-e-as-transfiguracoes-nossas-e-da-vida-mt-171-9-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"JESUS E AS TRANSFIGURA\u00c7\u00d5ES\u00a0 NOSSAS E DA VIDA (Mt 17,1-9) &#8211; Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>JESUS E AS TRANSFIGURA\u00c7\u00d5ES\u00a0 NOSSAS E DA VIDA<\/strong> (Mt 17,1-9) &#8211; Por Marcelo Barros<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"900\" src=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/unnamed-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15024\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/unnamed-1.jpg 900w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/unnamed-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/unnamed-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/unnamed-1-768x768.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00a0Padre e monge Marcelo Barros. Reprodu\u00e7\u00e3o Redes Virtuais<\/p>\n\n\n\n<p>Neste 2\u00ba domingo da Quaresma, escutamos a narrativa evang\u00e9lica conhecida como a transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus, segundo o Evangelho de Mateus (Mt 17,1-9).<\/p>\n\n\n\n<p>O evangelho de Mateus situa a hist\u00f3ria como tendo ocorrida \u201cseis dias depois\u201d. Depois de qu\u00ea? Do an\u00fancio que Jesus fez aos disc\u00edpulos de que iria a Jerusal\u00e9m e l\u00e1 seria preso e assassinado. O texto diz que seis dias depois, Jesus toma os tr\u00eas disc\u00edpulos mais pr\u00f3ximos a ele, Pedro, Tiago e Jo\u00e3o, que, do grupo dos disc\u00edpulos, s\u00e3o os mais ligados ao projeto messi\u00e2nico mais pol\u00edtico&nbsp; e dentro da perspectiva judaica. Mais do que todos os outros, eles tr\u00eas s\u00e3o os disc\u00edpulos que mais poderiam ficar mais frustrados e escandalizados quando enfrentassem a tristeza de ver Jesus ser condenado \u00e0 morte pelos romanos e crucificado como um escravo rebelde.<\/p>\n\n\n\n<p>A transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 o relato de um \u00eaxtase espiritual, um transe m\u00edstico. Jesus recebeu o Esp\u00edrito, fen\u00f4meno semelhante ao que, com outros nomes e de outras formas, ocorrem nos cultos de matriz africana e em muitas tradi\u00e7\u00f5es espirituais da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o que \u00e9 pr\u00f3prio da <strong>transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 que esse momento mais m\u00edstico da vida dele ocorre, justamente, quando ele decide assumir o conflito social.<\/strong> <strong>Como profeta, ele decide ir a Jerusal\u00e9m para enfrentar as autoridades pol\u00edticas, econ\u00f4micas e religiosas, com plena consci\u00eancia de que iria ser preso e condenado \u00e0 morte de cruz. \u00c9 nesse momento que ele faz a sua experi\u00eancia de intimidade com o Pai e de di\u00e1logo com Mois\u00e9s e Elias, os seus antepassados na profecia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O evangelho conta que os disc\u00edpulos reconhecem Jesus como filho de Deus, mas, por isso mesmo, n\u00e3o aceitam que ele possa sofrer e ser rejeitado pelo mundo. Ligam Deus com poder e gl\u00f3ria e n\u00e3o como amor infinito que passa por fragilidade e sofrimento. Pedem a Jesus que n\u00e3o siga esse caminho. Querem um Messias forte, vitorioso, com poder para mudar as coisas e que nunca poderia ser mais um pobre entre os pobres do mundo. No entanto, Jesus rejeitou essa proposta como tenta\u00e7\u00e3o do advers\u00e1rio. S\u00e3o os pr\u00f3prios disc\u00edpulos que dizem o que Satan\u00e1s teria dito a Jesus: \u201c<em>Se tu \u00e9s o Filho de Deus<\/em>&#8230;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>No domingo passado, vimos que Jesus considera a religi\u00e3o baseada no milagre e no poder como tenta\u00e7\u00e3o do diabo. Hoje, muitos grupos e Igrejas crist\u00e3s curtem e propagam essa falsa forma de espiritualidade. Gostam de exercer o poder, com o dinheiro e usam o nome de Jesus para seus interesses grupais.&nbsp;Jesus abre aos disc\u00edpulos a sua experi\u00eancia de intimidade com o Pai,&nbsp; exatamente, quando assume sua fragilidade e caminha para a doa\u00e7\u00e3o da sua vida, por amor, culminando em morte na cruz.&nbsp; A cruz de Jesus, assim como tamb\u00e9m a marginalidade dos movimentos sociais s\u00e3o consequ\u00eancias do fato que o mundo \u00e9 organizado de forma contr\u00e1ria ao projeto divino da justi\u00e7a ecossocial e da Paz.<\/p>\n\n\n\n<p>A cena da transfigura\u00e7\u00e3o no evangelho \u00e9 para nos dar for\u00e7a de viver a miss\u00e3o e a inser\u00e7\u00e3o nessa realidade. No alto daquele monte que lembra o monte da alian\u00e7a com o povo hebreu, o Sinai, Jesus refaz com os tr\u00eas amigos, a alian\u00e7a que Deus Pai quer reviver com a humanidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A cena \u00e9 luminosa e alegre, como para dizer que temos direito a sentir alegria com a presen\u00e7a de quem amamos. \u00c9 como um momento de \u00eaxtase e de gozo profundo do corpo e do esp\u00edrito. \u00c9 nesse clima que Jesus quer confirmar aos disc\u00edpulos que a trag\u00e9dia da hist\u00f3ria humana, a cruz que ele vai sofrer, pode ser vista a partir de outro \u00e2ngulo e esse olhar nos \u00e9 dado pelo pr\u00f3prio Deus. Assim como, antes, Pedro tinha proclamado a sua f\u00e9 em Jesus, agora, ali no alto do monte, \u00e9 o Pai que revela: \u201c<em>Este \u00e9 o meu Filho amado. Escutem-no<\/em>\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De certa forma, transfigura\u00e7\u00e3o \u00e9 uma experi\u00eancia espiritual vivida nas religi\u00f5es de matriz africana e em algumas tradi\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. Pode-se se chamar de \u201cincorpora\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201creceber santo\u201d. Jesus vive o seu momento de transe quando se relaciona com seus ancestrais Mois\u00e9s e Elias, com os quais conversa como se eles fossem duas pessoas vivas. Para as tradi\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e afrodescendentes, a rela\u00e7\u00e3o com os ancestrais \u00e9 tamb\u00e9m essencial para a experi\u00eancia espiritual.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 crist\u00e3os que n\u00e3o aceitam ler o evangelho a partir das outras experi\u00eancias espirituais. Deveriam dizer claramente que s\u00e3o contr\u00e1rios ao fato de que \u201c<em>a Palavra de Deus se fez carne e armou sua tenda no meio de n\u00f3s\u201d <\/em>(Jo 1, 14). Jesus assumiu tudo o que \u00e9 humano e quer que n\u00f3s o assumamos tamb\u00e9m. Para Jesus, conversar com Mois\u00e9s e Elias significa trazer para a intimidade daquele momento de amizade a experi\u00eancia libertadora do \u00caxodo, a dimens\u00e3o pol\u00edtica da f\u00e9, a decis\u00e3o de assumir sua miss\u00e3o, como o servo de Deus que, no tempo do profeta Isa\u00edas, ouviu a voz divina:&nbsp; \u201c<em>Este \u00e9 o meu servo (Jesus ouve: meu filho) amado. Escutem-no!\u201d.<\/em>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o evangelho, o Pai revela sua presen\u00e7a (sua gl\u00f3ria) na pessoa de Jesus que, por amor ao pr\u00f3ximo, marcha para Jerusal\u00e9m, para a cruz. N\u00e3o porque o Pai queira que seu Filho morra. Se fosse assim, seria um Deus s\u00e1dico e cruel.<\/p>\n\n\n\n<p>A cruz \u00e9 provocada pelo imp\u00e9rio do mundo. Deus acompanha o seu Filho e revela que est\u00e1 com ele at\u00e9 a cruz. Como est\u00e1 conosco, quando escolhemos o caminho de doa\u00e7\u00e3o e de espiritualidade s\u00f3cio-pol\u00edtica libertadora.&nbsp;Jesus nos chama para irmos al\u00e9m das transfigura\u00e7\u00f5es excepcionais no alto da montanha e vivermos uma f\u00e9 prof\u00e9tica despojada e sem vis\u00f5es no cotidiano da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o evangelho, Pedro diz a Jesus: \u201cSenhor, \u00e9 bom ficarmos aqui. Se queres, fa\u00e7amos aqui tr\u00eas tendas: uma para ti, outra para Mois\u00e9s, e outra para Elias.\u201d (Mt 17,4). Provavelmente, ele lembra o costume das fam\u00edlias judaicas armarem tendas para morar durante os dias da Festa das Tendas (Sucot). Seja como for, ele quer prolongar a alegria daquele momento. O evangelho conta essa cena em um tempo no qual Jesus tinha deixado a Galileia, portanto, a casa que o evangelho chama de sua, em Cafarnaum, e vivia pelas estradas, como ele diz a um disc\u00edpulo, sem ter nem onde encostar a cabe\u00e7a (Mt 8, 20). Hoje, no Brasil, calculam-se em&nbsp; seis milh\u00f5es as pessoas que n\u00e3o t\u00eam onde morar.&nbsp; Al\u00e9m disso, 26 milh\u00f5es vivem em habita\u00e7\u00f5es inadequadas e 300 mil pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua. Essa realidade \u00e9 consequ\u00eancia de um modo injusto de organizar a sociedade e desafia a nossa f\u00e9. Assim como Jesus, n\u00f3s tamb\u00e9m somos chamados e chamadas a viver a experi\u00eancia da intimidade com o Amor Divino nos comprometendo com as iniciativas para transformar a realidade e garantir, como propunha o saudoso Papa Francisco: teto, terra e trabalho para todos e todas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Poema a partir do evangelho da Transfigura\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em><br>Pedir que te transfigures em n\u00f3s<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Te pedimos sempre,<br>de tal modo<br>que nossa presen\u00e7a<br>seja tua presen\u00e7a,<br>e sejas Tu<br>quem veja,<br>quem ou\u00e7a,<br>quem fale,<br>quem ande,<br>quem viva,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>atrav\u00e9s de n\u00f3s,<br>pobres instrumentos,<br>colocados a teu disp\u00f4r<br>e prolongando tua<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Encarna\u00e7\u00e3o Redentora&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;Hoje, te pedimos mais:<br>transfigura o Universo!<br>Todas as coisas<br>\u2013 as grandes e as pequenas,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>as belas e as feias,<br>os chamados nobres<br>e as tidas como vis \u2013 sem exce\u00e7\u00e3o,<br>tem vida e santidade&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Que a vida oculta<br>e a santidade escondida<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>venham \u00e0 tona,<br>se transfigurem,<br>como aconteceu contigo,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;ante os olhos extasiados<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>de Pedro, Tiago e Jo\u00e3o&#8230;<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Dom Helder Camara &#8211; Recife, 26\/27.2.1972 (357\u00aa Circular \u2013 26\/ 27. 2. 1972).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JESUS E AS TRANSFIGURA\u00c7\u00d5ES\u00a0 NOSSAS E DA VIDA (Mt 17,1-9) &#8211; Por Marcelo Barros \u00a0Padre e monge Marcelo Barros. 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