{"id":15037,"date":"2026-03-07T10:15:02","date_gmt":"2026-03-07T13:15:02","guid":{"rendered":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=15037"},"modified":"2026-03-07T10:15:03","modified_gmt":"2026-03-07T13:15:03","slug":"palavra-de-mulher-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/palavra-de-mulher-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"PALAVRA DE MULHER \u2013 Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>PALAVRA DE MULHER<\/strong> \u2013 Por Marcelo Barros<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"250\" height=\"333\" src=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Marcelo_Barros_OSB.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15039\" style=\"width:780px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Marcelo_Barros_OSB.jpeg 250w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Marcelo_Barros_OSB-225x300.jpeg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Irm\u00e3o Marcelo Barros. Reprodu\u00e7\u00e3o Redes Virtuais<\/p>\n\n\n\n<p>A cada ano, a humanidade celebra o dia internacional da mulher e constata que, na sociedade, a condi\u00e7\u00e3o feminina ainda n\u00e3o foi radicalmente transformada. No Brasil, as estat\u00edsticas mostram que, apesar de leis mais claras e at\u00e9 de um Minist\u00e9rio das Mulheres, como organismo de governo e muito competentemente dirigido pela querida irm\u00e3 e companheira M\u00e1rcia Lopes, muitas mulheres ainda sofrem abusos e viol\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, as religi\u00f5es que deveriam ser instrumentos de humaniza\u00e7\u00e3o e justi\u00e7a, quase todas t\u00eam sido injustas com as mulheres. &nbsp;Desenvolvem uma vis\u00e3o patriarcal de Deus e da f\u00e9. Fazem leitura fundamentalista de textos sagrados, escritos em antigas culturas patriarcais. Por isso, sustentam que o homem deve ser o chefe da fam\u00edlia e discriminam a mulher no acesso aos minist\u00e9rios de coordena\u00e7\u00e3o eclesial. No Juda\u00edsmo, s\u00f3 na corrente mais aberta, as mulheres podem ser rabinas e ainda n\u00e3o s\u00e3o muitas as que conseguem. Na B\u00edblia, os primeiros textos prof\u00e9ticos vieram de mulheres e foram redigidos em forma de poemas e can\u00e7\u00f5es: o c\u00e2ntico de M\u00edriam, irm\u00e3 de Mois\u00e9s (Ex 15, 20 \u2013 21); o c\u00e2ntico de D\u00e9bora, a ju\u00edza que, em tempos de fixa\u00e7\u00e3o na terra, teria dirigido o povo b\u00edblico nas lutas contra seus inimigos (Jz 5), o c\u00e2ntico de Ana, m\u00e3e do profeta Samuel (1 Sm 2). Tamb\u00e9m no Novo Testamento, de acordo com o evangelho, as primeiras manifesta\u00e7\u00f5es prof\u00e9ticas ocorreram no encontro de Maria, m\u00e3e de Jesus e Isabel, m\u00e3e de Jo\u00e3o Batista (Lc 1, 39 &#8211; 47).<\/p>\n\n\n\n<p>No Isl\u00e3, em geral, os im\u00e3s s\u00e3o homens. No Hindu\u00edsmo n\u00e3o existem mulheres reconhecidas como lamas (gurus). No Cristianismo, as Igrejas orientais e a Cat\u00f3lica n\u00e3o aceitam o sacerd\u00f3cio feminino. Igrejas evang\u00e9licas aceitam, mas em um modelo de minist\u00e9rio, ainda pensado a partir do masculino e dentro de uma Igreja ainda patriarcal.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da marginaliza\u00e7\u00e3o injusta que as mulheres sofrem por parte da maioria das religi\u00f5es, nas diversas tradi\u00e7\u00f5es espirituais, elas formam a maioria das comunidades e, nelas, assumem responsabilidades.<\/p>\n\n\n\n<p>As religi\u00f5es de matriz africana s\u00e3o quase as \u00fanicas, nas quais as mulheres sempre tiveram papel importante. V\u00e1rios templos do Candombl\u00e9 s\u00e3o coordenados por Yalorix\u00e1s, ou m\u00e3es de santo, reconhecidas como sacerdotisas e guardi\u00e3s das culturas afrodescendentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre todas as grandes mudan\u00e7as sociais, caracter\u00edsticas do s\u00e9culo XX, o feminismo foi uma das principais conquistas da sociedade. Foi a maior revolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica da nossa hist\u00f3ria recente. O feminismo nasceu fora das religi\u00f5es, transformou a democracia e os direitos humanos individuais e coletivos. Incluiu as mulheres como protagonistas da hist\u00f3ria e da liberta\u00e7\u00e3o da humanidade e da M\u00e3e-Terra. O feminismo surgiu na sociedade civil, mas acabou contagiando a caminhada das comunidades &nbsp;das principais tradi\u00e7\u00f5es espirituais.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 1970, o Ecofeminismo \u00e9 uma corrente do feminismo que liga a explora\u00e7\u00e3o da natureza com as opress\u00f5es que as mulheres sofrem. S\u00e3o opress\u00f5es, todas enraizadas na cultura patriarcal e capitalista. Esse movimento mostra que a domina\u00e7\u00e3o masculina e patriarcal sobre a natureza e sobre o corpo feminino tem a mesma l\u00f3gica. Por isso, o ecofeminismo prop\u00f5e justi\u00e7a socioambiental, que valorize o cuidado com as pessoas, a sustentabilidade ecossocial e n\u00e3o mais a maximiza\u00e7\u00e3o do lucro<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, em diversas religi\u00f5es e, especialmente, nas Igrejas, desenvolvem-se teologias feministas que ressaltam a profecia da mulher nas Igrejas e no mundo. Reescrevem a hist\u00f3ria das religi\u00f5es e das espiritualidades, a partir da perspectiva de g\u00eanero e d\u00e3o voz e protagonismo \u00e0s mulheres. Assim, era normal que, no mundo inteiro, surgisse, tamb\u00e9m, uma teologia ecofeminista, que liga \u00e0 luta pela liberta\u00e7\u00e3o da mulher \u00e0 opress\u00e3o que a terra e a natureza t\u00eam sofrido<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 1960, &nbsp;em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, surgiu a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, a partir das experi\u00eancias de participa\u00e7\u00e3o de crist\u00e3os e crist\u00e3s nos movimentos de liberta\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica. Esse movimento teol\u00f3gico nasceu em Igrejas de cultura patriarcal e no mundo, no qual, mesmo os grupos considerados de esquerda, eram machistas. Por isso, infelizmente, os te\u00f3logos que iniciaram a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o levantaram a quest\u00e3o das classes e das opress\u00f5es sociais, mas s\u00f3 despertaram para a iniquidade que \u00e9 o patriarcalismo e todas as suas consequ\u00eancias, a partir do momento em que abriram o estudo da teologia \u00e0s mulheres e, nos organismos teol\u00f3gicos, serem por elas liderados. Por isso, no nosso continente, com toda raz\u00e3o, algumas das primeiras te\u00f3logas feministas acusaram a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o de ser ainda uma constru\u00e7\u00e3o patriarcal e n\u00e3o suficientemente atenta \u00e0s quest\u00f5es de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>As te\u00f3logas feministas latino-americanas converteram os seus irm\u00e3os da Teologia da liberta\u00e7\u00e3o e revelaram que a causa da igualdade de g\u00eaneros e da defesa da mulher \u00e9 tarefa de mulheres e homens que, juntos, aprendem vida e teologia. Embora com enfoques que podem ser diversos, a causa \u00e9 a mesma. Atualmente, as teologias da liberta\u00e7\u00e3o expressam-se em v\u00e1rias correntes, como a ecoteologia, as teologias negras, ind\u00edgenas, feministas e outras. Se um te\u00f3logo (homem) n\u00e3o assumir as causas da teologia feminista, como sendo causa sua, esse te\u00f3logo pode fazer pesquisa sobre teologia da liberta\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 te\u00f3logo da liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma anedota judaica conta que, no in\u00edcio de tudo, Deus tinha criado a mulher. Como esta sentiu-se sozinha, pediu a Deus um companheiro e este hesitou:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Voc\u00ea sabe que, por natureza, o homem (macho) \u00e9 arrogante. Tem sempre a sensa\u00e7\u00e3o de ser o primeiro. Quer ser mais importante de tudo. N\u00e3o se conformar\u00e1 em ser o segundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A mulher respondeu:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Ent\u00e3o, isso fica um segredo entre n\u00f3s. E para mim mesmo viver sossegada, \u00e9 melhor que ele pense que foi o primeiro a ser criado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Deus aceitou:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Tudo bem. Guardemos ent\u00e3o esse segredo e deixemos o homem pensar que foi o primeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A mulher quis garantir:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Ent\u00e3o, voc\u00ea, Deus, promete mesmo manter esse segredo? D\u00e1-me a sua palavra de que guardar\u00e1 isso s\u00f3 para n\u00f3s?<\/p>\n\n\n\n<p>Deus respondeu:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Prometo. Palavra de Mulher!<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> &#8211; Marcelo Barros \u00e9 monge, te\u00f3logo feminista da liberta\u00e7\u00e3o e assessor de movimentos populares e comunidades eclesiais de base. Entre seus 67 livros publicados, o mais recente, escrito em coautoria com Rosemary Fernandes, \u00e9 <strong>A proposta revolucion\u00e1ria da Ceia de Jesus<\/strong> \u2013 <em>Encher o mundo de \u00e1gapes de amor. <\/em>Rio de Janeiro: Editora Metanoia, 2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> CF. D\u2019EAUBORNNE, Fran\u00e7oise. <strong>Feminismo ou Morte. <\/strong>Editora Bazar do Tempo, 2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> &#8211; Cf. GEBARA, Ivone. <strong>Teologia Ecofeminista. <\/strong>S\u00e3o Paulo: Editora Olho d\u2019\u00c1gua, 2008.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PALAVRA DE MULHER \u2013 Por Marcelo Barros[1] Irm\u00e3o Marcelo Barros. 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