{"id":195,"date":"2012-10-07T12:27:44","date_gmt":"2012-10-07T15:27:44","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=195"},"modified":"2012-10-07T12:27:44","modified_gmt":"2012-10-07T15:27:44","slug":"o-profeta-elias-na-biblia-e-na-tradicao-carmelitana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/o-profeta-elias-na-biblia-e-na-tradicao-carmelitana\/","title":{"rendered":"O PROFETA ELIAS NA B\u00cdBLIA E NA TRADI\u00c7\u00c3O CARMELITANA."},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"color: #800080;\"><strong>O PROFETA ELIAS <\/strong><strong>NA B\u00cdBLIA E NA TRADI\u00c7\u00c3O CARMELITANA.<\/strong><\/span><\/span><strong> <\/strong><\/p>\n<p align=\"center\">Frei Carlos Mesters, frade carmelita e biblista do CEBI.<\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>(Obs.:<\/strong> Esse artigo \u00e9 o 3\u00ba de uma s\u00e9rie de 10 artigos de frei Carlos Mesters que disponibilizaremos na internet, em <a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/\">www.gilvander.org.br<\/a> , em breve.)<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Profeta Elias encarna a profecia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As hist\u00f3rias do profeta Elias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Fam\u00edlia Carmelitana nasce ao redor da figura do Profeta Elias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O PONTO DE PARTIDA: <\/strong><strong>A SITUA\u00c7\u00c3O QUE MOTIVOU A CAMINHADA DE ELIAS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. No tempo de Elias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. No tempo do cativeiro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. No tempo de hoje<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A CAMINHADA: <\/strong><strong>CARIT, O LUGAR ONDE SE INICIA O NOVO EXODO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sequencia das hist\u00f3rias de Elias e a evoca\u00e7\u00e3o do \u00caxodo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAP\u00cdTULO 17:\u00a0 A Prepara\u00e7\u00e3o do Profeta<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAP\u00cdTULO 18:\u00a0 A Defesa da Alian\u00e7a<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAP\u00cdTULO 19:\u00a0 A crise a e maneira de super\u00e1-la<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAP\u00cdTULO 21:\u00a0 A den\u00fancia e a luta pela justi\u00e7a<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAP\u00cdTULO 1:\u00a0 O Homem de Deus e do Fogo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAP\u00cdTULO 2:\u00a0 Continuidade da miss\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As hist\u00f3rias do profeta Elias e a caminhada do \u00caxodo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O PONTO DE CHEGADA: <\/strong><strong>CAMINHAR COM DEUS NO PROVIS\u00d3RIO, AT\u00c9 O FIM<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ponto de chegada continua em aberto<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viver no provis\u00f3rio, at\u00e9 o fim<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NA VIDA DOS CARMELITAS: <\/strong><strong>OLHANDO NO ESPELHO DAS HIST\u00d3RIAS DE ELIAS <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. Elias, o homem do Caminho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Elias, o homem da Palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Elias, o homem do deserto<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Elias, \u201chomem fraco como n\u00f3s\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5. Elias, o homem da experi\u00eancia de Deus na Noite Escura<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6. Elias, o homem da ora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7. Elias, o homem do fogo do Esp\u00edrito<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8. Elias, o homem da luta e do conflito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9. Elias, o homem da reconstru\u00e7\u00e3o da vida em comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10. A nova experi\u00eancia de Deus que se irradia a partir de Elias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONCLUS\u00c3O: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As v\u00e1rias dimens\u00f5es da Tradi\u00e7\u00e3o Eliana<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carit, primeiro passo de uma longa caminhada<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O PROFETA ELIAS <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NA B\u00cdBLIA E NA TRADI\u00c7\u00c3O CARMELITANA <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>UMA CHAVE DE LEITURA PARA AS HIST\u00d3RIAS DO PROFETA ELIAS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cLevanta-te e come, porque o caminho \u00e9 longo\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1Rs 19,7)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Profeta Elias encarna a profecia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No epis\u00f3dio da Transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus (Lc 9,30), o Antigo Testamento est\u00e1 representado por Mois\u00e9s e Elias. Mois\u00e9s encarna a Lei; Elias, a profecia. Apesar de ele ser considerado o primeiro dos grandes profetas e de encarnar a profecia, n\u00e3o existe na B\u00edblia o <em>Livro do Profeta Elias<\/em>. Outros profetas, bem menos importantes, t\u00eam um livro: Jonas, Naum, Ageu, etc. Por qu\u00ea?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As hist\u00f3rias de Elias est\u00e3o no primeiro e segundo livro dos Reis, que n\u00f3s chamamos de <em>Livros Hist\u00f3ricos<\/em>. A B\u00edblia Hebraica chama estes livros de <strong><em>Profetas<\/em><\/strong> <em>Anteriores<\/em>. Este nome mostra que a eles n\u00e3o interessava conhecer s\u00f3 a <strong><em>hist\u00f3ria<\/em><\/strong> dos reis. Eles queriam conhecer a hist\u00f3ria enquanto interpretada com um olhar <strong><em>prof\u00e9tico<\/em><\/strong>. Por isso chamam esses livros de <em>Profetas<\/em> ou <em>Prof\u00e9ticos<\/em>. Isto os ajudava a discernir melhor os apelos de Deus dentro dos fatos da sua pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de Elias j\u00e1 houve muitos profetas, pois o movimento prof\u00e9tico era um fen\u00f4meno comum que fazia parte da cultura da \u00e9poca. Todos os reis tanto de Israel e de Jud\u00e1 como dos outros povos, cada um no seu reino, tinham os seus profetas para legitimar o poder real diante do povo. Apoiado pelos profetas, cada rei governava seu povo em nome da sua divindade. Mas Elias era um profeta diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Elias a profecia irrompe aut\u00f4noma e cria liberdade frente ao sistema da monarquia. Ele \u00e9 o primeiro que, a partir da sua experi\u00eancia de Deus como <strong><em>Jav\u00e9<\/em><\/strong>, (presen\u00e7a libertadora), teve a coragem de enfrentar o poder absoluto e pretensamente divino da monarquia e de denunciar as injusti\u00e7as cometidas pelo rei Acab e pela rainha Jezabel. Atrav\u00e9s de Elias, <em>o carisma come\u00e7a a questionar o poder<\/em>. Por isso, ele tornou-se o s\u00edmbolo da a\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica em Israel! A partir dele se come\u00e7a a ler a hist\u00f3ria dos reis com um olhar prof\u00e9tico, nascido da f\u00e9 em Jav\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As hist\u00f3rias do profeta Elias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias viveu no s\u00e9culo IX antes de Cristo. Desde aquela \u00e9poca , as hist\u00f3rias da sua atua\u00e7\u00e3o como profeta eram transmitidas oralmente ao longo das gera\u00e7\u00f5es. A organiza\u00e7\u00e3o mais sistem\u00e1tica destas hist\u00f3rias, da maneira como elas agora se encontram no livro dos Reis, s\u00f3 teve in\u00edcio durante o cativeiro da Babil\u00f4nia no s\u00e9culo VI aC. Durante o cativeiro, o povo exilado come\u00e7ou a despertar sua mem\u00f3ria e recordar as hist\u00f3rias do seu passado para nelas encontrar luz e for\u00e7a diante dos graves problemas que estava vivendo. Foi neste ambiente de revis\u00e3o, que as hist\u00f3rias de Elias come\u00e7aram a ser redigidas para ajudar o povo do cativeiro a descobrir a causa da crise e oferecer-lhe um projeto de reconstru\u00e7\u00e3o da sua identidade como Povo de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As hist\u00f3rias do profeta Elias s\u00e3o muito mais que s\u00f3 hist\u00f3ria. O povo do cativeiro olhava para elas como num espelho para descobrir a\u00ed a sua miss\u00e3o. Elas eram narradas para despertar nos ouvintes uma consci\u00eancia mais cr\u00edtica, tanto frente \u00e0 monarquia de Israel, quanto frente \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o sedutora dos \u00eddolos do imp\u00e9rio da Babil\u00f4nia na \u00e9poca do cativeiro. Transmitidas de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, estas hist\u00f3rias faziam parte da identidade do povo. Seu objetivo era provocar no povo a mesma a\u00e7\u00e3o em defesa da Alian\u00e7a que tinha caracterizado o profeta Elias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As hist\u00f3rias de Elias s\u00e3o <em>hist\u00f3rias populares<\/em>. Aqui vale o que acontece em todas as hist\u00f3rias populares: <em>Quem conta um conto aumenta um ponto.<\/em> De t\u00e3o usadas e narradas ao longo dos s\u00e9culos, as hist\u00f3rias de Elias se parecem com aquele livro que, por causa do uso freq\u00fcente, foi perdendo as capas da frente e de atr\u00e1s. Na hist\u00f3ria de Elias faltam o come\u00e7o e o fim. A B\u00edblia n\u00e3o conta o nascimento nem a morte do profeta. S\u00f3 sobraram seis hist\u00f3rias que agora ocupam seis cap\u00edtulos nos dois livros dos Reis. Parece um \u00e1lbum com seis grandes fotografias. Cada foto, cada cap\u00edtulo traz um assunto bem determinado. Eis a sequencia:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1Rs 17: Na torrente <strong>Carit <\/strong>e em <strong>Sarepta<\/strong>: a prepara\u00e7\u00e3o do profeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua ida para Carit no outro lado do Jord\u00e3o e para Sarepta na casa da vi\u00fava, da qual recebeu sua confirma\u00e7\u00e3o como Homem de Deus que comunica ao povo a Palavra de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1Rs 18: No Monte <strong>Carmelo<\/strong>, perto da fonte: a defesa da Alian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atua\u00e7\u00e3o como profeta no Monte Carmelo. Para defender a Alian\u00e7a Elias enfrenta o Rei e os falsos profetas. No fim, recebe a confirma\u00e7\u00e3o do povo, desfaz a seca e traz chuva de volta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1Rs 19: No deserto e no Monte <strong>Horeb<\/strong>: a crise e a maneira de super\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias foge de Jezabel e quer morrer, mas o anjo o alimenta e o ajuda a caminhar. Na Brisa Leve, ele se converte e se reencontra consigo, com Deus e com a miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1Rs 21: Na vinha de <strong>Nabot<\/strong>: a den\u00fancia e a luta pela justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A injusti\u00e7a do sistema dos Reis se manifesta no roubo das terras, na manipula\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o pelo rei e no assassinato de Nabot. Elias enfrenta o Rei e denuncia a injusti\u00e7a cometida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2Rs 01: No alto do <strong>Monte<\/strong>: o homem de Deus e do fogo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sentado no alto do Monte, na solid\u00e3o, Elias faz descer um raio do c\u00e9u contra os que n\u00e3o reconhecem a Jav\u00e9 como o Deus da vida. Mas acolhe o pedido de quem quer preservar a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2Rs 02: Na travessia do Jord\u00e3o e no <strong>Carro de fogo<\/strong>:\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 a continuidade da miss\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Arrebatado em Esp\u00edrito. Elias deixa uma dupla por\u00e7\u00e3o do seu esp\u00edrito para Eliseu. Eliseu invoca Jav\u00e9 como \u201co Deus de Elias\u201d. Elias continua sua miss\u00e3o nos filhos dos profetas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o seis hist\u00f3rias bem populares onde o povo olhava como num espelho para descobrir sua miss\u00e3o. Elas eram transmitidas de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o para despertar a consci\u00eancia e provocar nos ouvintes a mesma a\u00e7\u00e3o em defesa da Alian\u00e7a e da Vida. Por isso, Elias tornou-se o Santo mais popular do povo da B\u00edblia. S\u00edmbolo da a\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica! Ele entrou na imagina\u00e7\u00e3o popular como o santo dos imposs\u00edveis. Na Palestina ele \u00e9 at\u00e9 hoje o santo mais venerado de Crist\u00e3os, Judeus e Mu\u00e7ulmanos. \u00c9 um santo ecum\u00eanico!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 por isso que na B\u00edblia existem tantos textos espalhados sobre o profeta Elias. Eles mostram a variedade com que ele era venerado pelo povo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. O livro do Eclesi\u00e1stico valoriza nele o Homem obediente \u00e0 Palavra(Eclo 48,1-11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Malaquias espera a volta de Elias como o Homem da Alian\u00e7a(Mal 2,23-24).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Nos evangelhos Elias aparece como o homem que deve reorganizar o povo(Lc 1,17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Na Transfigura\u00e7\u00e3o Elias aparece ao lado de Mois\u00e9s como s\u00edntese da profecia do AT.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5. Para S\u00e3o Paulo Elias \u00e9 o Homem que denuncia a infidelidade do povo(Rom 11,2-4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6. A carta de Tiago resume a vida de Elias como Homem da Ora\u00e7\u00e3o(Tiago 5,17-18)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7. No Apocalipse Elias aparece como o homem do testemunho at\u00e9 \u00e0 morte(Apoc 11,3.5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8. A tradi\u00e7\u00e3o rab\u00ednica conserva de Elias a imagem do homem do deserto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9. A devo\u00e7\u00e3o popular invoca Elias como o Santo dos imposs\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10. A tradi\u00e7\u00e3o carmelitana acentua o homem do Caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Fam\u00edlia Carmelitana nasce ao redor da figura do Profeta Elias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Ordem do Carmo nasceu no Monte Carmelo em torno do ano de 1200. O Monte Carmelo atra\u00eda os peregrinos por causa da mem\u00f3ria do profeta Elias que ali vigorava. Por isso, desde o come\u00e7o, a figura do profeta Elias marca a espiritualidade carmelitana. Queremos aprofundar quem devemos ser como carmelitas e qual a nossa miss\u00e3o hoje no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O eixo central que atravessa e unifica as hist\u00f3rias de Elias \u00e9 a imagem do <em>homem que caminha<\/em>. Caminhar sempre! A interven\u00e7\u00e3o constante da Palavra de Deus obriga Elias a sair do lugar onde se encontra para o lugar onde Deus o quer: &#8220;Vai-te daqui!&#8221; (1Rs 17,2; cf 1Rs 17,9; 18,1.12.46; 19,7.11.15; 21,18; 2Rs 1,3.15; 2,2.3.4.5.6.11). Elias deve <strong>caminhar<\/strong>. Ele j\u00e1 n\u00e3o se pertence. Sua vida tornou-se uma despedida cont\u00ednua. E invariavelmente a resposta \u00e9 esta: &#8220;E Elias partiu e fez como Jav\u00e9 tinha mandado!&#8221; (1Rs 17,5; cfr 1Rs 17,10;18,2.15; 19,8.13.19; 2R 1,4.15; 2,2.4.6). A caminhada de Elias come\u00e7a com o chamado de Deus para ir esconder-se na torrente <strong>Carit<\/strong>. <em>Carit \u00e9 o in\u00edcio, a primeira etapa, de uma longa caminhada em busca de uma conviv\u00eancia humana mais justa e mais fraterna. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este caminhar constante de Elias, motivado pela Palavra, era o espelho onde o povo do cativeiro encontrava luz e for\u00e7a para caminhar e n\u00e3o desanimar. Era o espelho onde os primeiros carmelitas encontravam refletido o <strong><em>itiner\u00e1rio m\u00edstico<\/em><\/strong> que os orientava na sua busca de Deus. \u00c9 o espelho, onde n\u00f3s, hoje, encontramos algo de n\u00f3s mesmos, dos nossos problemas e aspira\u00e7\u00f5es e da nossa esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A import\u00e2ncia da Tradi\u00e7\u00e3o Eliana da Ordem, desde a sua origem, transparece no &#8220;<strong>Liber Institutionis Primorum Monachorum<\/strong>&#8220;. Em cada per\u00edodo da nossa hist\u00f3ria, os Carmelitas souberam reler a figura do profeta Elias, para que inspirasse o Carmelo na observ\u00e2ncia e na viv\u00eancia da Regra de Santo Alberto. A tradi\u00e7\u00e3o Eliana acompanhava a evolu\u00e7\u00e3o e as exig\u00eancias da Ordem em cada \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O PONTO DE PARTIDA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A SITUA\u00c7\u00c3O QUE MOTIVOU A CAMINHADA DE ELIAS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1. <span style=\"text-decoration: underline;\">No tempo de Elias<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O profeta Elias entrou em a\u00e7\u00e3o na \u00e9poca de Acab, rei de Israel. Amri, o pai de Acab, subiu ao poder por um golpe militar contra o rei Zimri (886-885). O governo de Amri durou doze anos\u00a0 (885-874). Com ele come\u00e7ou um per\u00edodo de progresso econ\u00f4mico, continuado pelo filho Acab, que governou vinte e dois anos (874-853 aC). Durante os trinta e quatro anos destes dois reis, toda a pol\u00edtica, tanto interna quanto externa, era dirigida para uma estabiliza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e um aumento do poder econ\u00f4mico. Estes dados s\u00e3o confirmados pela arqueologia e pela leitura hist\u00f3rico-cr\u00edtica do texto. Por\u00e9m, a leitura <em>prof\u00e9tica<\/em> destes mesmos fatos, conservada no livro dos Reis, \u00e9 diferente. Ela tem outros crit\u00e9rios de an\u00e1lise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis o texto que, na B\u00edblia, traz um resumo do governo de Acab e oferece aos leitores o quadro de refer\u00eancias para introduzir a a\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica de Elias:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8220;Acab, filho de Amri, subiu ao trono de Israel no ano trinta e oito do reinado de Asa, rei de Jud\u00e1. Reinou sobre Israel em Samaria, vinte e dois anos. Acab filho de Amri, fez o que Jav\u00e9 reprova, mais do que todos que vieram antes dele. Al\u00e9m de imitar os pecados de Jerobo\u00e3o, filho de Nabat, casou-se com Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sid\u00f4nios. E come\u00e7ou a servir e a adorar Baal. Chegou a construir em Samaria um templo e um altar para Baal. Acab levantou tamb\u00e9m um poste sagrado e cometeu outros pecados, irritando Jav\u00e9, o Deus de Israel, mais do que todos os reis de Israel que viveram antes dele. No seu tempo, Hiel de Betel reconstruiu Jeric\u00f3: os alicerces lhe custaram a vida do seu filho Abiram, e as portas custaram a vida de Segub, seu filho ca\u00e7ula, como Jav\u00e9 havia predito por meio de Josu\u00e9, filho de Nun&#8221; (1Rs 16,29-34).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta texto, a leitura <em>prof\u00e9tica<\/em> dos fatos acentua n\u00e3o o progresso material realizado pelo governo de Amri e Acab, mas sim as consequ\u00eancias negativas da pol\u00edtica dos reis. Os seis cap\u00edtulos da hist\u00f3ria de Elias oferecem detalhes concretos com rela\u00e7\u00e3o a estes aspectos negativos. Eis alguns:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. As mudan\u00e7as culturais: A terra j\u00e1 n\u00e3o era vista como fonte de identidade nem como heran\u00e7a intransfer\u00edvel de Jav\u00e9, mas apenas como meio de troca e de lucro (1Rs 21,2). Isto trouxe consigo um conflito entre os interesses da monarquia e os costumes tribais (1Rs 21,3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Manipula\u00e7\u00e3o do poder: A hist\u00f3ria da vinha de Nabot \u00e9 uma prova deste abuso (1Rs 21,1-16). Na seca, quando a fome apertava a todos, o rei n\u00e3o se preocupou com o povo, mas sim com os cavalos e jumentos que lhe garantiam o com\u00e9rcio e o transporte da produ\u00e7\u00e3o (1Rs 18,5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Desmando, arb\u00edtrio e injusti\u00e7a. O rei n\u00e3o tinha medo de usar a for\u00e7a do ex\u00e9rcito (2R 1,9.11.13), de manipular as institui\u00e7\u00f5es tribais (1Rs 18,19), de exigir juramentos, decretar leis (1Rs 18,10; 21,9) e praticar roubo e assassinato (1Rs 18,12; 21,10-14; 19,1-2) para defender seus interesses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Manipula\u00e7\u00e3o dos costumes religiosos: o jejum (1Rs 21,9), o culto ao deus Baal (1Rs 16,31), profetas de Baal (1Rs 18,19), prostitui\u00e7\u00e3o sagrada e o sacrif\u00edcio de vidas humanas (1Rs 16,34). Os profetas de Jav\u00e9 tentaram reagir, mas foram perseguidos e mortos (1Rs 18,13). Elias era um dos poucos que sobraram (1Rs 19,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta era a situa\u00e7\u00e3o, de onde parte o profeta Elias. Situa\u00e7\u00e3o estruturalmente contr\u00e1ria \u00e0 Alian\u00e7a. Assim, terminada a breve descri\u00e7\u00e3o do governo de Acab com seus desvios e pecados (1Rs 16,29-34), o livro dos Reis introduz o profeta Elias interpretando a seca como castigo de Deus pelos desmandos do Rei (1Rs 17,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cElias, o tesbita de Tesbi de Galaad, disse ao rei Acab: Pela vida de Jav\u00e9, o Deus de Israel, a quem sirvo: nestes anos n\u00e3o haver\u00e1 orvalho nem chuva, a n\u00e3o ser quando eu o mandar\u201d (1Rs 17,1) <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2. <span style=\"text-decoration: underline;\">No tempo do cativeiro<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nabucodonosor, rei da Babil\u00f4nia, invadiu a Palestina e avan\u00e7ou at\u00e9 \u00e0 cidade de Jerusal\u00e9m. No m\u00eas de agosto de 587 antes de Cristo, ap\u00f3s um longo cerco, Jerusal\u00e9m foi tomada e destru\u00edda, o Templo foi profanado, as casas do povo foram incendiadas, as fam\u00edlias desintegradas, e milhares de pessoas foram levadas para o ex\u00edlio na Babil\u00f4nia. Perderam tudo. Diziam que Deus os havia abandonado (Is 40,27; 49,14; Jer 33,23-24).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo que tinha sido o fundamento da sua f\u00e9 e o sinal vis\u00edvel da presen\u00e7a de Deus, foi destru\u00eddo: <strong>O Templo<\/strong>, morada de Deus para sempre (1Rs 9,3), foi incendiado (2Rs 25,9). <strong>O Culto, <\/strong>institu\u00eddo como sinal perp\u00e9tuo, estava interrompido (Lam 2,6-7). Os Sacerdotes foram massacrados (Jer 52,24-27) ou levados para o cativeiro (Sl 79,1-3; Lam 4,16). <strong>A Monarquia<\/strong>, da qual Deus tinha dito que sempre haveria um descendente de Davi no trono (2Sam 7,16), j\u00e1 n\u00e3o existia mais (2Rs 25,7). <strong>Jerusal\u00e9m<\/strong>, que Deus desejou para ser sua resid\u00eancia para sempre (Sl 132,13-14), estava destru\u00edda (Lam 1,6; 2,1-10). <strong>A Terra<\/strong>, cuja posse tinha sido garantida para sempre (Gen 13,15), passou a ser a propriedade dos inimigos, que a distribu\u00edram aos pobres (2Rs 25,12; Jer 39,10; 52,16). O povo de Deus perdeu a posse e foi para o ex\u00edlio na Babil\u00f4nia, o antigo Ur dos Caldeus (Jer 52,28-30). Estava de volta no mesmo pa\u00eds, de onde, em 1800 antes de Cristo, Abra\u00e3o tinha sa\u00eddo para seguir o chamado de Deus (Gen 11,31).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria foi terminar, tragicamente, no mesmo lugar onde havia come\u00e7ado, mil e trezentos anos atr\u00e1s. A grande pergunta era esta: \u201cComo entender esta trag\u00e9dia? Por que tudo isto nos aconteceu? Por que Deus nos castigou tanto? O que fizemos de errado? O que fazer agora? Qual a sa\u00edda?\u201d (Sl 44,18-25; Sl 77,6-10; 89,39-47). Tr\u00eas respostas eram dadas, misturadas entre si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns achavam que era melhor saltar fora do barco antes que afundasse inteiramente. Liam a realidade a partir do ponto de vista da ideologia do imp\u00e9rio. Eles se acomodaram no ex\u00edlio e se adaptaram \u00e0 nova situa\u00e7\u00e3o. Como no tempo de Elias, abandonaram Jav\u00e9 e adotaram os \u00eddolos e o jeito de viver dos opressores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros achavam que deviam reagir e lutar. Insistiam em ler a realidade a partir do ponto de vista da monarquia, dos reis derrotados. Queriam voltar para a terra, vingar o mal que lhes tinha sido feito, reconstruir o templo e restaurar a monarquia tal como tinha sido no passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros ainda achavam que a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o era voltar ao passado nem se acomodar no presente, mas sim aprender a ler com outros olhos a nova situa\u00e7\u00e3o em que se encontravam. Procuravam ler a realidade a partir dos pr\u00f3prios p\u00e9s. Eles se perguntavam: \u201cO que ser\u00e1 que Deus nos quer ensinar por meio destes fatos t\u00e3o tr\u00e1gicos em que nos encontramos agora? Qual o apelo de Deus para n\u00f3s?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram estes \u00faltimos que come\u00e7aram a investigar o passado em busca de uma pista de sa\u00edda. \u00c9 a partir deles que come\u00e7a a releitura e a reda\u00e7\u00e3o das hist\u00f3rias de Elias para encontrar nas a\u00e7\u00f5es do profeta uma resposta para as perguntas e problemas do povo exilado. A situa\u00e7\u00e3o do povo na \u00e9poca de Elias tornou-se para eles um espelho cr\u00edtico. A pol\u00edtica de Acab e Jezabel evocava a sedu\u00e7\u00e3o insidiosa da idolatria com que se defrontavam no cativeiro da Babil\u00f4nia (cf Is 44,9-20; Bar 6,1-72).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2. <span style=\"text-decoration: underline;\">No tempo de hoje<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, a mis\u00e9ria crescente do povo, a injusti\u00e7a impune, a corrup\u00e7\u00e3o galopante, o sofrimento dos que nunca cometeram nenhum mal, o abandono, o desemprego, a desigualdade social, a exclus\u00e3o, a solid\u00e3o, os desastres naturais, a amea\u00e7a ecol\u00f3gica, tsunami, furac\u00f5es, ciclones, terremotos, aids, o desamor, a viol\u00eancia, o terrorismo que desintegra a conviv\u00eancia humana, &#8230;!\u00a0 Tudo isso provoca em n\u00f3s um forte questionamento: \u201cO que fazer? Parece um t\u00fanel escuro, cativeiro pior do que aquele da Babil\u00f4nia! Tem sa\u00edda? Como salvar a vida humana? Como encontrar Deus no meio de tudo isso?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como no tempo do cativeiro, alguns dizem: \u201cPaci\u00eancia! Essas coisas acontecem. Quem somos n\u00f3s para mudar o rumo da hist\u00f3ria? O que podemos fazer? Nada! N\u00f3s, pobres indiv\u00edduos, n\u00e3o temos poder\u201d. Eles se acomodam no sistema neoliberal. V\u00e3o \u00e0 Missa, rezam, assistem \u00e0 hist\u00f3ria humana pela TV, sabem tudo que se passa no mundo, mas n\u00e3o sabem como reagir. Sua f\u00e9 perdeu a lucidez cr\u00edtica e a for\u00e7a transformadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros dizem: \u201cH\u00e1 esperan\u00e7a! Existe luz no fim do t\u00fanel. Devemos continuar a lutar para mudar a situa\u00e7\u00e3o!\u201d Dizendo que existe luz no fim do t\u00fanel, eles acham que, dentro do t\u00fanel n\u00e3o existe luz. L\u00e1 dentro s\u00f3 existe escurid\u00e3o. Eles s\u00f3 conhecem um \u00fanico tipo de luz, aquela de antigamente que conheceram antes de entrar no t\u00fanel. Avaliam a situa\u00e7\u00e3o atual com os crit\u00e9rios do passado, de antes e de fora do t\u00fanel, em que agora nos encontramos todos. Querem restaurar o passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros ainda dizem: \u201cExiste luz <em>dentro<\/em> do t\u00fanel! Temos que descobri-la! Temos que descobrir o povo que h\u00e1 muito tempo vive dentro do t\u00fanel, e aprender dele como lutar e sobreviver. Pois este povo que vive no t\u00fanel sabe como resistir sem desintegrar-se!\u201d Elias pode oferecer uma pista, pois ele soube encontrar uma luz naquela escurid\u00e3o em que vivia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A situa\u00e7\u00e3o de onde Elias devia partir era, como hoje, uma situa\u00e7\u00e3o de crise que estourou em todos os n\u00edveis da vida: econ\u00f4mico, social, pol\u00edtico, ideol\u00f3gico, cultural, religioso. Uma crise semelhante estourou na vida do povo que foi levado para o cativeiro. \u00c9 nesses momentos de crise profunda que a Palavra de Deus se faz presente chamando a todos para fazer uma ruptura e dar o primeiro passo em dire\u00e7\u00e3o a Carit:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u201cSaia daqui, dirija-se para o oriente<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em> e esconda-se junto ao c\u00f3rrego Carit,<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em> que fica a leste do Jord\u00e3o.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em> Voc\u00ea poder\u00e1 beber \u00e1gua do c\u00f3rrego.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em> Eu ordenei aos corvos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em> que levem comida para voc\u00ea&#8221;<\/em><\/strong> (1 R 17,3-4).<strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A CAMINHADA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CARIT, O LUGAR ONDE SE INICIA O NOVO EXODO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A sequencia das hist\u00f3rias de Elias e a evoca\u00e7\u00e3o do \u00caxodo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 dif\u00edcil reconstruir a cronologia exata da caminhada de Elias. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante para o nosso objetivo. As hist\u00f3rias de Elias n\u00e3o eram usadas como relat\u00f3rios de viagens, mas sim como s\u00edmbolo ou espelho. Da maneira como agora est\u00e3o redigidas nos livros dos Reis, elas s\u00e3o, ao mesmo tempo, <em>hist\u00f3ria<\/em> e <em>alegoria<\/em>. Nelas o passado \u00e9 evocado n\u00e3o como lembran\u00e7a saudosista, mas como tarefa e miss\u00e3o para o povo exilado, ao qual ofereciam um horizonte de esperan\u00e7a naquela situa\u00e7\u00e3o de desespero. Mais do que n\u00f3s hoje o povo daquele tempo tinha sensibilidade para perceber o valor simb\u00f3lico das hist\u00f3rias do passado. Eles descobriam a si mesmos nas coisas que liam ou ouviam sobre as fa\u00e7anhas de Elias. Encontravam nele o modelo de como refazer a hist\u00f3ria para poder criar um novo futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, para eles, a ida de Elias para a torrente Carit representava um novo come\u00e7o da hist\u00f3ria. Elias volta ao deserto para refazer o \u00caxodo e iniciar o processo da reconstru\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a que vai culminar no reencontro com Deus no Monte Horeb e terminar na travessia do Jord\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra Prometida. Os exilados e todos n\u00f3s somos convocados a fazer o mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria d \u00caxodo \u00e9 evocado ao longo dos seis cap\u00edtulos das hist\u00f3rias de Elias. A releitura do passado usando o esquema b\u00e1sico do \u00caxodo era muito comum naquele tempo, pois todos conheciam a hist\u00f3ria do \u00caxodo. Sabiam como ela tinha come\u00e7ado, quais tinham sido as etapas da caminhada pelo deserto, quais as crises e purifica\u00e7\u00f5es e como tinha terminado levando o povo \u00e0 posse da terra prometida. Esta maneira de reler a hist\u00f3ria fazia com que o povo se sentisse envolvido por um novo e definitivo \u00eaxodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As hist\u00f3rias de Elias usam o esquema do \u00caxodo n\u00e3o no sentido de seguir cronologicamente, ponto por ponto, todas as suas etapas, mas no sentido de evocar fatos e acontecimentos significativos do mesmo. Bastava algu\u00e9m falar de travessia, caminhada pelo deserto, alian\u00e7a, murm\u00fario do povo, reclama\u00e7\u00f5es contra Deus e contra Mois\u00e9s, pragas, Montanha de Deus, terremoto, man\u00e1, etc, e todos j\u00e1 sabiam que se tratava do \u00caxodo. Para o bom entender meia palavra basta. Vejamos de perto, cap\u00edtulo por cap\u00edtulo, as hist\u00f3ria de Elias:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CAP\u00cdTULO 17:\u00a0 A Prepara\u00e7\u00e3o do Profeta<\/strong><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Entrada no Deserto de Carit (1Rs 17,2-3)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de ter anunciado a seca, Elias recebe a ordem: \u201cSaia daqui, dirija-se para o oriente e esconda-se junto ao c\u00f3rrego Carit, que fica a leste do Jord\u00e3o. Voc\u00ea poder\u00e1 beber \u00e1gua do c\u00f3rrego. Eu ordenei aos corvos que levem comida para voc\u00ea&#8221; (1 R 17,3-4). Obediente \u00e0 Palavra de Deus, \u201cElias partiu e fez como Jav\u00e9 ordenara indo morar na torrente de Carit, a leste do Jord\u00e3o\u201d (1Rs 17,5). \u00c9 o come\u00e7o da caminhada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00caxodo, a travessia do rio Jord\u00e3o para entrar na Terra Prometida marcou o fim da caminhada de quarenta anos pelo deserto (Jos 3,14-17). Na hist\u00f3ria de Elias, acontece o contr\u00e1rio. Ele atravessa o Jord\u00e3o, mas \u00e9 para sair da Terra Prometida e voltar para o tempo do deserto, pois a alian\u00e7a estava quebrada, a liga\u00e7\u00e3o com Deus estava interrompida. Tudo devia ser refeito!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A bondade de Deus \u00e9 maior que a infidelidade do povo. Ele sempre oferece uma nova oportunidade. Assim, desde os tempos do profeta Os\u00e9ias cresce no povo o desejo de voltar ao deserto, ao tempo do noivado: \u201cQuando Israel era crian\u00e7a, eu o amei!\u201d (Os 11,1). \u201cVou seduzi-la de novo e conduzi-la ao deserto para falar-lhe ao cora\u00e7\u00e3o\u201d (Os 2,10). \u201cEu sou teu Deus desde o Egito e te farei habitar novamente em tendas\u201d (Os 12,10). \u201cEu me lembro de seu afeto de jovem, de seu amor de noiva, quando voc\u00ea me acompanhava pelo deserto\u201d (Jer 2,2). O povo deve voltar ao deserto, voltar sempre, para experimentar de novo o primeiro amor! (cf Apoc 2,4) Elias \u00e9 convidado a iniciar este retorno. Carit \u00e9 a primeira etapa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Elias \u00e9 alimentado no deserto (1Rs 17,4-6; 19,5-8)<\/strong> <strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e1 no Carit, Elias \u00e9 alimentado por Deus. \u201cOs corvos lhe traziam p\u00e3o de manh\u00e3 e carne \u00e0 tarde, e ele bebia da torrente\u201d (1Rs 17,4-6). Uma segunda vez, ele \u00e9 alimentado quando estava desanimado, deitado meio morto debaixo do jun\u00edpero. Um anjo o acordou para ele comer, \u201cporque o caminho \u00e9 longo\u201d (1Rs 19,5-8). Quarenta dias e quarenta noites!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00eaxodo, o povo se queixou da falta de \u00e1gua e de comida (Ex 15,22-25; 16,3). Mois\u00e9s respondeu: \u201cJav\u00e9 vos dar\u00e1 carne para comer e p\u00e3o com fartura\u201d (Ex 16,8). E o pr\u00f3prio Deus dizia: \u201cAo anoitecer comereis carne e pela manh\u00e3 vos fartareis de p\u00e3o e sabereis que eu sou Jav\u00e9!\u201d (Ex 16,12). Na for\u00e7a desta comida andaram quarenta anos pelo deserto. O p\u00e3o era o man\u00e1, tamb\u00e9m chamado \u201cp\u00e3o do c\u00e9u\u201d (Sab 16,20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Partilhar e n\u00e3o acumular (1Rs 17,7-16)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O c\u00f3rrego secou e a fome apertava. Elias deve ir at\u00e9 Sarepta onde encontra a vi\u00fava. Ele p\u00f5e a vi\u00fava \u00e0 prova, pedindo com insist\u00eancia para ela partilhar com ele o pouco da comida que lhe restava. A vi\u00fava obedece e partilha com Elias o pouco que tem. Como resultado da partilha n\u00e3o faltou mais comida at\u00e9 o fim da seca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro do \u00eaxodo, a hist\u00f3ria do man\u00e1 \u00e9 apresentada como uma prova da parte de Deus para ver se o povo era capaz de seguir o mandamento de Deus: \u201cFarei chover p\u00e3o do c\u00e9u para voc\u00eas: o povo sair\u00e1 para recolher a por\u00e7\u00e3o de cada dia, para que eu o <strong><em>ponha \u00e0 prova<\/em><\/strong> e veja se ele observa a minha lei, ou n\u00e3o\u201d (Ex 16,4). A prova ou a lei consistia nisto: s\u00f3 podem recolher o necess\u00e1rio para cada dia e n\u00e3o podem acumular. Devem fazer o contr\u00e1rio do sistema do Egito, onde tudo era acumulado na m\u00e3o do fara\u00f3. Devem confiar na provid\u00eancia divina que passa pela organiza\u00e7\u00e3o fraterna e se expressa na partilha. O povo obedeceu e n\u00e3o faltou mais comida at\u00e9 o fim da caminhada (Ex 16,35).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Confirmado como profeta (1Rs 17,17-24)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro do conjunto dos seis cap\u00edtulos, o cap\u00edtulo 17 descreve a confirma\u00e7\u00e3o de Elias como profeta e porta-voz de Jav\u00e9. Morreu o filho da vi\u00fava. Elias o ressuscita e a vi\u00fava reconhece que ele \u00e9 homem de Deus: \u201cAgora sei que voc\u00ea \u00e9 um homem de Deus e que a Palavra de Deus habita em voc\u00ea!\u201d (1Rs 17,24).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta afirma\u00e7\u00e3o final da vi\u00fava \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o do profeta que vale at\u00e9 hoje. N\u00e3o \u00e9 o profeta que se autoapresenta ao povo, mas \u00e9 o povo, a vi\u00fava, que o reconhece a partir das a\u00e7\u00f5es que ele realiza (cf Dt 18,21-22). Toda pessoa que quer ser profeta ou profetisa, porta-voz de Deus, deve, antes de tudo, entrar na intimidade deste Deus do qual quer ser o mensageiro. Como Elias, deve (1) esconder-se no Carit, (\u201cna caridade\u201d, comentavam os primeiros carmelitas), (2) praticar e divulgar a partilha e (3) defender a vida do povo, dos pobres, da vi\u00fava, do filho da vi\u00fava, para que possa merecer ser reconhecida e aceita pelo povo como mensageira de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CAP\u00cdTULO 18:\u00a0 A Defesa da Alian\u00e7a<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Situa\u00e7\u00e3o de seca, fome e persegui\u00e7\u00e3o (1Rs 18,1-15)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O encontro de Elias com Abdias revela a situa\u00e7\u00e3o de sofrimento em que o povo se encontrava. A seca tinha provocado grande fome. O rei s\u00f3 se preocupava com a sobreviv\u00eancia dos cavalos e jumentos que lhe garantiam o transporte dos seus produtos comerciais. O povo ficou sem prote\u00e7\u00e3o e sem ajuda legal. Elias e os outros profetas que, como ele, procuravam ser fi\u00e9is a Jav\u00e9 eram perseguidos e massacrados. S\u00f3 alguns poucos como Abdias tinham a coragem de resistir contra a ideologia do Rei e de defender os profetas. Parecia uma situa\u00e7\u00e3o sem sa\u00edda, pois o rei controlava tudo e matava quem ousasse desobedecer \u00e0s suas ordens. De um lado, Elias e uns poucos corajosos; do outro lado, o rei e a maioria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No deserto na \u00e9poca do \u00caxodo o povo passava fome e sede e, por causa disso, criticava Mois\u00e9s, dando a ele a culpa pela situa\u00e7\u00e3o e mostrando o desejo de voltar para o Egito onde havia comida em abund\u00e2ncia (Ex 14,11-12; 16,2; 17,2-3; Num 11,1-6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O desafio: Baal ou Jav\u00e9? (1Rs 18,16-24).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No encontro de Elias com Acab, o rei acusa: \u201cVoc\u00ea \u00e9 a ru\u00edna de Israel!\u201d Elias responde: \u201cA ru\u00edna \u00e9 voc\u00ea e sua fam\u00edlia, porque voc\u00eas abandonaram Jav\u00e9 e seguiram os \u00eddolos!\u201d. Os dois se acusam mutuamente. A luta n\u00e3o \u00e9 entre o rei e o profeta, mas sim entre Baal o deus do rei e Jav\u00e9 o Deus de Elias. Baal leva vantagem, pois tem mais de 400 profetas. Elias \u00e9 o \u00fanico profeta de Jav\u00e9 que sobrou (1Rs 19,10). Mesmo assim, ele n\u00e3o desanima e convoca o Rei, os profetas de Baal e todo o povo a ir com ele no Monte Carmelo para decidir publicamente quem \u00e9 o Deus que liberta: Baal ou Jav\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00caxodo, diante da demora de Mois\u00e9s no Monte Sinai, Aar\u00e3o mandou fazer um bezerro de ouro e disse ao povo: \u201cEis o Deus libertou voc\u00eas da escravid\u00e3o do Egito!\u201d (Ex 32,4). O bezerro levava vantagem sobre Jav\u00e9, pois o povo fez festa em honra do bezerro de ouro. Mois\u00e9s era o \u00fanico que continuou fiel (Ex 32,1-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ex\u00edlio, a pergunta que os exilados se faziam era esta: &#8220;Por que tudo isto nos aconteceu? Quem \u00e9 a causa da ru\u00edna?\u201d (cf. Jr 13,22) Uns diziam: o culpado \u00e9 o rei, a monarquia! Outros diziam: os culpados s\u00e3o os profetas que usavam os or\u00e1culos divinos para apoiar a pol\u00edtica desastrada dos Reis (Jr 28,1-17). As hist\u00f3rias de Elias e de Mois\u00e9s ajudavam o povo a discernir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Elias enfrenta e desmoraliza os profetas de Baal (1Rs 18,25-29)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os profetas de Baal preparam o sacrif\u00edcio, mas n\u00e3o colocam fogo. Invocam a Baal, para que fa\u00e7a descer o fogo. Mas n\u00e3o acontece nada. Elias ridiculariza a atitude dos profetas frente ao deus Baal: \u201cGritem mais alto, porque Baal \u00e9 deus! Pode ser que esteja ocupado. Quem sabe, ele teve que se ausentar. Ou ent\u00e3o, est\u00e1 viajando. Talvez esteja dormindo e seja precisa acord\u00e1-lo!\u201d Ele mostra assim que Baal \u00e9 um deus-mentira que n\u00e3o pode ajudar: um deus que viaja, dorme, faz neg\u00f3cios, desatento ao clamor do povo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um deus assim est\u00e1 em contraste radical com Jav\u00e9, o Deus de Elias, que, no \u00caxodo, se revelou como o Deus que escuta o clamor do povo oprimido e est\u00e1 atento aos seus gritos de dor (Ex 2,24-25; 3,7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Restaura as doze tribos (1Rs 18,30-35)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegando a sua vez, Elias, com doze pedras representando as doze tribos de Israel, restaura o altar derrubado e restabelece as doze tribos de Israel. Refazendo o altar, ele quer reunir as tribos desintegradas em torno do seu verdadeiro eixo que \u00e9 a sua alian\u00e7a com Jav\u00e9. A primeira alian\u00e7a entre Deus e o povo havia nascido no Monte Sinai quando as doze tribos se uniram ao redor de Jav\u00e9 comprometendo-se a observar as cl\u00e1usulas expressas nos dez mandamentos (Ex 24,1-8). Mas desde os tempos de Davi e de Salom\u00e3o, a pol\u00edtica da monarquia tinha desarticulado a organiza\u00e7\u00e3o das doze tribos, colocando tudo a servi\u00e7o dos interesses dos reis. Esta pol\u00edtica desintegradora da vida tribal continuava durante os governos de Amri e Acab. Com Elias come\u00e7a a renova\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00caxodo o que mais chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a reorganiza\u00e7\u00e3o do povo no deserto (Ex 18,13-27). Em vez da organiza\u00e7\u00e3o piramidal do Egito, renasce a organiza\u00e7\u00e3o descentralizada das doze tribos. O recenseamento descrito no livro dos N\u00fameros (Nm 1,1-19) concretiza esta reorganiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cRestabelecer as doze tribos\u201d ao redor de Jav\u00e9 ou \u201creconduzir o cora\u00e7\u00e3o dos pais para os filhos e dos filhos para os pais\u201d era o que o povo esperava do profeta Elias retorno no fim dos tempos. \u00c9 com esta esperan\u00e7a que a B\u00edblia faz a passagem do Antigo para o NT (Mal 3,23-24;cf Eclo 48,10; Lc 1,17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Testemunha de Jav\u00e9 (1Rs 18,36-41)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sozinho Elias enfrenta o sistema da monarquia e desmascara a falsidade da propaganda oficial. Pela sua ora\u00e7\u00e3o, fez descer o fogo do c\u00e9u. Pelo seu testemunho, levou o povo a reconhecer Jav\u00e9 como o Deus verdadeiro. Como se fosse numa grande assembl\u00e9ia o povo fez a sua escolha e decidiu: &#8220;Jav\u00e9, ele \u00e9 Deus!&#8221;. Gra\u00e7as \u00e0 a\u00e7\u00e3o de Elias, renasce o povo ao redor de Jav\u00e9 e ao redor do seu rei Acab. A Alian\u00e7a se refaz e \u00e9 celebrada numa festa cultual com sacrif\u00edcio e banquete de comunh\u00e3o, no qual o rei participou a convite de Elias. A den\u00fancia de Baal tornou-se an\u00fancio do Deus verdadeiro. O pr\u00f3prio nome de Elias \u00e9 uma express\u00e3o da sua f\u00e9: Eli-Jahu, ou seja: Meu Deus (Eli)\u00a0 \u00e9\u00a0 Jav\u00e9 (Jahu).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ato final do \u00caxodo \u00e9 a renova\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a na grande assembl\u00e9ia de Siquem (Josu\u00e9 24,1-28). Pelo seu testemunho Josu\u00e9 leva o povo a voltar para Jav\u00e9 (Josu\u00e9 24,14-15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Elias faz terminar a seca (1Rs 18,42-46)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O povo reconheceu Jav\u00e9 como Deus e desautorizou os profetas de Baal. Por isso, o castigo da seca podia terminar. Elias sobe ao topo do Monte Carmelo e come\u00e7a a rezar. Sua atitude de ora\u00e7\u00e3o \u00e9 muito significativa. Ele coloca a cabe\u00e7a entre os joelhos. \u00c9 a atitude em que todos n\u00f3s ficamos durante nove meses no seio da m\u00e3e. Indica uma atitude de total depend\u00eancia frente a Deus. A ora\u00e7\u00e3o de Elias foi perseverante e eficaz. Ele mandou o rapaz subir a montanha e olhar o horizonte at\u00e9 sete vezes! Sete vezes significa sempre, sem parar. Ele obteve o que pedia: a chuva cai abundante, gerando nova fertilidade e alimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00caxodo, Mois\u00e9s fez com que o povo tivesse \u00e1gua para beber (Ex 17,1-7). Mois\u00e9s tamb\u00e9m foi Perse\u00adverante na ora\u00e7\u00e3o, mantendo os bra\u00e7os estendidos durante a batalha contra os amalecitas (Ex 17,8-12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imagem de Deus que transparece neste epis\u00f3dio do Monte Carmelo, descrito no cap\u00edtulo 18, possui uma ambival\u00eancia. De um lado, a total confian\u00e7a e depend\u00eancia de Elias frente a Deus; de outro lado, o fogo que consome o sacrif\u00edcio, e a a\u00e7\u00e3o violenta que mata os 450 profetas de Baal. Mais adiante o fogo j\u00e1 n\u00e3o revela Jav\u00e9 (1Rs 19,12) e no Novo Testamento a experi\u00eancia que Jesus tem de Deus o levar\u00e1 a dizer: \u201cAmai os vossos inimigos!\u201d (Mt 5,44) Isto significa que, ao longo dos s\u00e9culos, houve uma evolu\u00e7\u00e3o na descoberta do rosto de Deus. Em toda experi\u00eancia de Deus, tamb\u00e9m na nossa, h\u00e1 algo de absoluto que permanece, e algo de provis\u00f3rio e limitado que vai ter que crescer e ser superado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CAP\u00cdTULO 19:\u00a0 A crise a e maneira de super\u00e1-la<\/strong><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A crise de Elias (1Rs 19,1-4)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi em Nome de Jav\u00e9 que Elias matou os profetas de Baal. Foi em nome do deus Baal que Jezabel matava os profetas de Jav\u00e9 e amea\u00e7ava matar Elias. Ambos matam em nome de seu Deus. Perseguido pela rainha Jezabel, Elias tem medo. Ele que parecia t\u00e3o forte e invenc\u00edvel, aparece agora como \u00e9 na realidade: fraco e sem defesa. Com medo de ser morto, foge do pa\u00eds, vai para o territ\u00f3rio de Jud\u00e1, entra no deserto, deita debaixo de uma \u00e1rvore e desabafa: \u201cQuero morrer! N\u00e3o sou melhor que meus pais!\u201d (1Rs 19,3-4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00caxodo, Mois\u00e9s teve um momento de des\u00e2nimo. Criticado pelo povo, se queixa e quer desistir de tudo: \u201cEu sozinho n\u00e3o consigo carregar este povo, pois supera minhas for\u00e7as. Se \u00e9 assim que me pretendes tratar, prefiro a morte. Concede-me este favor, e eu n\u00e3o preciso passar por essa desgra\u00e7a\u201d (Num 11,14-15)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Longa caminhada (1Rs 19,5-8)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias dormiu debaixo da \u00e1rvore, mas um anjo o tocou e lhe disse: \u201cLevanta-te e come!\u201d Comeu, bebeu e deitou outra vez. Elias \u00e9 como muitos de n\u00f3s: s\u00f3 quer comer, beber e dormir. Mas o anjo o tocou uma segunda vez e disse: \u201cLevanta-te e come, porque o caminho \u00e9 longo!\u201d Alimentado por Deus, ele andou quarenta dias e quarenta noites pelo deserto at\u00e9 o Monte Horeb, a montanha de Deus, o lugar onde, no passado, havia sido conclu\u00edda alian\u00e7a entre Deus e o povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias busca reencontrar o seu Deus naquele mesmo lugar, onde, no \u00caxodo, havia nascido o povo no encontro com Deus (Ex 19,1-8). A caminhada do novo \u00caxodo, iniciada no Carit, atinge aqui o seu objetivo. Os quarenta dias e quarenta noites evocam os quarenta anos que o povo andou pelo deserto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Encontro com Deus no Monte Horeb (1Rs 19,9-18)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegando no Monte Horeb, Elias chega no mesmo lugar onde, no primeiro \u00caxodo, Mois\u00e9s teve uma profunda experi\u00eancia de Deus (Ex 33,12 a 34,9). Deus disse a Mois\u00e9s: \u201cEis aqui um lugar junto a mim: fique em cima da rocha. Quando a minha gl\u00f3ria passar, eu colocarei voc\u00ea na fenda da rocha e o cobrirei com a palma da m\u00e3o at\u00e9 que eu tenha passado\u201d (Ex 33,21-22). Chegando na Montanha de Deus, Elias entrou na mesma fenda, \u201centrou na gruta da montanha, e passou a\u00ed a noite\u201d (1Rs 19,9). Deus disse: \u201cElias, que fazes aqui?\u201d Ele responde: \u201cEu me consumo de zelo pela causa do Senhor, pois os filhos de Israel abandonaram a alian\u00e7a, derrubaram os altares e mataram os profetas. Fiquei s\u00f3 eu e at\u00e9 a mim eles querem matar!\u201d Elias recebe ordem: \u201cSaia e fique no alto da montanha, diante de Jav\u00e9, pois Jav\u00e9 vai passar!\u201d (1Rs 19,11). \u00c9 aqui que a hist\u00f3ria de Elias atinge o cora\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do \u00caxodo e que o povo do cativeiro vai poder encontrar uma luz para iluminar a sua escurid\u00e3o. As duas hist\u00f3rias se encontram, iluminando-se mutuamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias sai da gruta e se prepara para o encontro com Deus. Primeiro, um furac\u00e3o! Depois, um terremoto! Depois, um fogo! No \u00caxodo, naquela mesma Montanha, ao concluir a Alian\u00e7a com o seu povo, Deus manifestara a sua presen\u00e7a no furac\u00e3o, no terremoto e no fogo (Ex 19,16). Estes fen\u00f4menos eram os sinais tradicionais da presen\u00e7a de Deus no meio do seu povo. Eram os crit\u00e9rios que orientavam Elias na sua busca. Mas agora acontece o inesperado, a surpresa total: Deus n\u00e3o estava no furac\u00e3o, nem no terremoto, nem mesmo no fogo que, pouco antes, havia sido o grande sinal da presen\u00e7a divina a queimar o sacrif\u00edcio na presen\u00e7a de todo o povo (1Rs 18,38). Parece at\u00e9 um refr\u00e3o que chama a aten\u00e7\u00e3o do leitor, da leitora: \u201cJav\u00e9 n\u00e3o estava no furac\u00e3o!\u201d \u2013 \u201cJav\u00e9 n\u00e3o estava no terremoto!\u201d \u2013 \u201cJav\u00e9 n\u00e3o estava no fogo!\u201d (1Rs 19,11-12). Os crit\u00e9rios da busca estavam desatualizados. Os sinais tradicionais da presen\u00e7a de Deus eram l\u00e2mpadas apagadas. Bonitas para ver, mas sem luz! Deixavam a vida no escuro! Elias vivia no passado. Encerrou Deus dentro dos crit\u00e9rios! Deus j\u00e1 n\u00e3o era como ele, Elias, o imaginava e desejava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a desintegra\u00e7\u00e3o do mundo de Elias: espelho da desintegra\u00e7\u00e3o da vida do povo do cativeiro depois que o ex\u00e9rcito de Nabucodonosor tinha destru\u00eddo todos os sinais vis\u00edveis da presen\u00e7a de Deus: templo, culto, rei, Jerusal\u00e9m, posse da terra. Caiu tudo! Deus j\u00e1 n\u00e3o estava nestes sinais de sempre! Aus\u00eancia total! \u00c9 o sil\u00eancio de todas as vozes! \u00c9 a crise mais dolorosa que se possa imaginar! Ser\u00e1 que Deus mudou? (Sl 77,10-11) Como encontr\u00e1-lo de novo? \u201c\u201dOnde est\u00e1 teu Deus?\u201d (Sl 42,4.11; 115,2; 79,10; Mi 7,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na l\u00edngua hebraica, este sil\u00eancio total de Deus, \u00e9 expresso com as seguintes palavras: \u201cvoz de calmaria suave\u201d, (q\u00f4l demam\u00e1h daqq\u00e1h). As tradu\u00e7\u00f5es costumam dizer: \u201cMurm\u00fario de uma brisa suave\u201d A palavra hebraica, <strong>demam\u00e1h<\/strong>, usada para indicar a calmaria vem da raiz <strong>DMH,<\/strong> que significa parar, ficar im\u00f3vel, emudecer. A <strong>brisa suave<\/strong> indica algo, uma experi\u00eancia, que, de repente, faz emudecer, faz a pessoa ficar calada, cria nela um vazio e, assim, a disp\u00f5e para escutar. Esvazia a pessoa, para que Deus possa entrar e ocupar o espa\u00e7o. Ou melhor, Deus entrando provoca o vazio e o sil\u00eancio. <em>\u201cVacare Deo\u201d, <\/em>\u201cesvaziar-se para Deus\u201d, interpretavam os primeiros carmelitas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus se fez presente na aus\u00eancia! A luz apareceu na escurid\u00e3o! A <strong>voz<\/strong> <strong>de calmaria<\/strong> <strong>suave<\/strong> era o sil\u00eancio de todas as vozes! Elias descobriu que ele estava errado. E descobrindo que estava errado, descobriu coisa certa! A &#8220;Brisa Leve&#8221; \u00e9 a noite escura da experi\u00eancia m\u00edstica; \u00e9 o sair de si para se encontrar. Derrubando tudo, ela abriu o espa\u00e7o para uma nova experi\u00eancia de Deus que, aos poucos, foi penetrando na vida de Elias e o levou a redescobrir sua miss\u00e3o na reconstru\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a naquela mesma montanha, onde no \u00caxodo tinha sido conclu\u00edda a primeira Alian\u00e7a entre Deus e o povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como Mois\u00e9s Elias cobriu o rosto (1Rs 19,13). Sinal de que tinha experimentado a presen\u00e7a de Deus exatamente naquilo que parecia ser a sua aus\u00eancia! A escurid\u00e3o iluminou-se por dentro e a noite ficou mais claro que o dia (Sl 139,12). Sil\u00eancio sonoro, m\u00fasica calada, solid\u00e3o povoada! Deus se fez presente para al\u00e9m de todas as representa\u00e7\u00f5es e imagens! A nova experi\u00eancia de Deus abre os olhos de Elias. N\u00e3o \u00e9 ele, Elias, que defende a Deus, mas \u00e9 Deus que defende a Elias. Foi a sua liberta\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Elias indica o sucessor (1Rs 19,19-21)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reencontrando-se com Deus, Elias encontrou-se consigo mesmo e com a sua miss\u00e3o. Imediatamente, ele parte para cumprir a ordem que Deus lhe tinha dado: ungir Eliseu como profeta em seu lugar (1Rs 19,16). Encontrando Eliseu, jogou o manto sobre ele e o chamou para segui-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00caxodo, Mois\u00e9s carregava sozinho o peso da lideran\u00e7a. Deus o mandou escolher setenta outros que todos receberam um pouco do Esp\u00edrito de Mois\u00e9s (Num 11,16-17.25). No fim dos 40 anos, Mois\u00e9s recebeu de Deus a ordem para indicar Josu\u00e9 como seu sucessor (Dt 31,3). Mois\u00e9s chamou Josu\u00e9 e, na presen\u00e7a de todo o povo, indicou-o com o seu futuro sucessor (Dt 31,7-8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CAP\u00cdTULO 21:\u00a0 A den\u00fancia e a luta pela justi\u00e7a<\/strong><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A injusti\u00e7a do sistema (1Rs 21,1-16)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A longa descri\u00e7\u00e3o da atitude de Acab e Jezabel com rela\u00e7\u00e3o a Nabot oferece um exemplo concreto de como a monarquia manipulava o poder em vista dos seus pr\u00f3prios interesses. Para roubar e matar Jezabel invocava o direito do rei, outrora j\u00e1 denunciado por Samuel (1Sm 8,11-18). Ela dizia ao marido Acab que parecia ignorar esse direito: \u201cQuem \u00e9 que \u00e9 <em>Rei<\/em> neste pa\u00eds?\u201d (1Rs 21,7). A arbitrariedade do poder absoluto manipula e corrompe a elite local para conseguir seus objetivos e a leva ao perj\u00fario e assassinato. Esta situa\u00e7\u00e3o gritante de injusti\u00e7a provoca a resposta de Deus que chama Elias para denunciar o Rei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes do \u00caxodo, o povo sofria sob as decis\u00f5es arbitr\u00e1rias do fara\u00f3 (Ex 1,10-14.16; 5,6-9). \u201cOs filhos de Israel gemiam sob o peso da escravid\u00e3o, e clamaram; e do fundo da escravid\u00e3o, o seu clamor chegou at\u00e9 Deus\u201d (Ex 2,23). Deus escutou o clamor do povo e desceu para libert\u00e1-lo (Ex 3,7-8). Deus chamou Mois\u00e9s para responder ao clamor e libertar o povo (Ex 7,9-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Luta pela justi\u00e7a pela identidade (1Rs 21,17-28)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como Mois\u00e9s diante do Fara\u00f3, Elias comparece diante de Acab no momento em que este ia tomar posse da propriedade que Jezabel tinha roubado de Nabot. Sem medo, ele enfrenta o Rei, denuncia a injusti\u00e7a cometida e anuncia os males que v\u00e3o cair sobre a fam\u00edlia de Acab como castigo de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na den\u00fancia Elias se orienta pela Lei de Deus expressa nos dez mandamentos, revelados a Mois\u00e9s no Monte Sinai: n\u00e3o roubar, n\u00e3o matar, n\u00e3o cometer falso testemunho, n\u00e3o desejar o bem do pr\u00f3ximo. Este aspecto da den\u00fancia \u00e9 retomado na carta que o profeta Elias escreveu para o rei Jor\u00e3o, rei de Jud\u00e1 (2Cr\u00f4n 21,12-15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CAP\u00cdTULO 1:\u00a0 O Homem de Deus e do Fogo<\/strong><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Derrota do opressor pela ora\u00e7\u00e3o (2Rs 1,1-12)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ocozias rei de Israel, filho de Acab, caiu da sacada do seu quarto e ficou gravemente ferido. Mandou um mensageiro consultar o \u00eddolo Baal-Zebub de Acaron para ver se teria cura. O anjo de Jav\u00e9 mandou o profeta Elias para junto do mensageiro do rei para fazer a den\u00fancia: \u201cPor acaso n\u00e3o existe Deus em Israel para voc\u00eas estarem consultando Baal-Zebub, deus de Acaron?\u201d Como rea\u00e7\u00e3o, o rei mandou um oficial com cinquenta soldados para prender o profeta. Elias estava sentado no alto da Montanha. O oficial gritou: \u201cHomem de Deus, o rei manda voc\u00ea descer!\u201d Elias respondeu: \u201cSe eu sou homem de Deus, que um raio caia e queime voc\u00ea e seus cinquenta soldados!\u201d Foi o que aconteceu, e isto se deu por duas vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00caxodo, enquanto Mois\u00e9s estava no alto da Montanha, em baixo na plan\u00edcie o povo se voltava para Baal como o Deus que o tirou do Egito e que o poderia salv\u00e1-lo (Ex 32,4). Em outra ocasi\u00e3o, Mois\u00e9s, no alto da Montanha, pela ora\u00e7\u00e3o, consegue a derrota dos inimigos do povo (Ex 17,8-16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Defende a vida (2Rs 1,13-18)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rei mandou um terceiro oficial com cinquenta soldados, mas este teve outra atitude: \u201cHomem de Deus, que a minha vida e a vida destes cinquenta soldados, seus servos, tenha algum valor para voc\u00ea! Caiu um raio e queimou os dois oficiais, cada um com seus cinquenta homens. Mas agora que a minha vida tenha algum valor para voc\u00ea!\u201d O anjo de Jav\u00e9 disse a Elias: \u201cDes\u00e7a com ele e n\u00e3o tenha medo!\u201d Elias desceu, foi com o oficial at\u00e9 o rei e lhe transmitiu a palavra de Deus dizendo que ele n\u00e3o tinha cura e que haveria de morrer das feridas. Dito, feito!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Preserva a vida quem respeita sua vida e a vida dos outros. Perde a vida quem n\u00e3o respeita a vida dos outros e s\u00f3 segue as normas do sistema contr\u00e1rio aos interesses de Deus e do povo. Jesus o confirmar\u00e1 mais tarde (Mc 8,35).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CAP\u00cdTULO 2:\u00a0 Continuidade da miss\u00e3o<\/strong><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A \u00faltima caminhada (2Rs 2,1-8)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias e Eliseu partem de Guigal para Betel, de Betel para Jeric\u00f3, de Jeric\u00f3 para o Jord\u00e3o. Enquanto caminham entram em contato com as comunidades de profetas de Betel e de Jeric\u00f3. Todos estavam sabendo que havia chegado a hora de Elias ser arrebatado. Parecia um segredo p\u00fablico (2Rs 2,1.3.5). Elias quer ir sozinho e, por tr\u00eas vezes, insiste com Eliseu: \u201cFique aqui, porque Jav\u00e9 me mandou ir sozinho!\u201d (2Rs 2,2.4.6). Mas Eliseu n\u00e3o o abandona e, por tr\u00eas vezes, repete: \u201cPela vida de Jav\u00e9 e pela vida de voc\u00ea n\u00e3o deixarei de acompanh\u00e1-lo!\u201d (2Rs 2,2.4.6). Chegando \u00e0 margem do Jord\u00e3o, Elias tomou o manto, o enrolou, bateu nas \u00e1guas que se dividiram em duas partes e os dois atravessaram o rio sem molhar os p\u00e9s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00eaxodo, quando o povo chegou \u00e0 margem do Mar Vermelho, Deus deu a ordem a Mois\u00e9s: \u201cErga a vara, estenda a m\u00e3o sobre o mar e divida-o pelo meio para que os filhos de Israel possam atravess\u00e1-la a p\u00e9 enxuto\u201d (Ex 14,16). Mois\u00e9s obedeceu e tudo aconteceu conforme a palavra de Deus. Atravessaram o mar sem molhar os p\u00e9s (Ex 14,21-22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eliseu se torna o sucessor (2Rs 2,9-15)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois da travessia do Jord\u00e3o, Elias disse a Eliseu: \u201cPe\u00e7a o que quiser antes de eu ser arrebatado!\u201d Eliseu pediu: \u201cDeixe-me como heran\u00e7a uma dupla por\u00e7\u00e3o do seu esp\u00edrito!\u201d Naquele tempo, para dar continuidade \u00e0 fam\u00edlia, o filho mais velho recebia uma dupla por\u00e7\u00e3o da heran\u00e7a dos pais (Dt 21,17; 1Tim 5,17; Is 61,7). Eliseu \u00e9 como o filho mais que vai dar continuidade \u00e0 miss\u00e3o de Elias. De repente, enquanto os dois v\u00e3o andando, Elias \u00e9 arrebatado num carro de fogo e desaparece, Eliseu recolhe o manto que tinha ca\u00eddo da m\u00e3o de Elias, vai at\u00e9 o rio Jord\u00e3o, bate com o manto na \u00e1gua dizendo: \u201cOnde est\u00e1 Jav\u00e9, o Deus de Elias?\u201d Imediatamente, as \u00e1guas se separaram e Eliseu atravessando o rio entra para a Terra Prometida. Os disc\u00edpulos, vendo o que aconteceu exclamam: \u201cO Esp\u00edrito de Elias repousa sobre Eliseu\u201d. Assim, diante de todos, Eliseu \u00e9 reconhecido e aceito como o sucessor de Elias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim do \u00caxodo, ao chegar \u00e0 margem do Jord\u00e3o, Josu\u00e9 assume a lideran\u00e7a e conduz o povo. As \u00e1guas se separam, o povo atravessa o rio a p\u00e9 enxuto e, finalmente, entra na Terra Prometida (Jos 3,14-17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Elias n\u00e3o foi encontrado (2Rs 16-18)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um grupo de cinq\u00fcenta homens valentes se apresentou para procurar o corpo de Elias. Eliseu n\u00e3o queria dar licen\u00e7a, mas eles insistiram e, no fim, Eliseu permitiu. Eles foram, procuraram durante tr\u00eas dias, mas n\u00e3o encontraram nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00caxodo, Mois\u00e9s foi sepultado, mas o sepulcro dele n\u00e3o foi encontrado. \u201cNingu\u00e9m sabe onde fica a sepultura de Mois\u00e9s\u201d (Deut 34,5-6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As hist\u00f3rias do profeta Elias e a caminhada do \u00caxodo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta longa an\u00e1lise dos seis cap\u00edtulos mostra como o tema do \u00eaxodo \u00e9 lembrado e sutilmente evocado nas hist\u00f3rias de Elias. Nem sempre a evoca\u00e7\u00e3o \u00e9 explicita. Muita coisa \u00e9 sugerida nas <em>entrelinhas<\/em>. Trata-se de evoca\u00e7\u00f5es, n\u00e3o de argumentos. Elas sup\u00f5em no leitor ou na leitora um conhecimento geral da hist\u00f3ria do \u00caxodo. Na an\u00e1lise que fizemos colocamos as duas hist\u00f3rias em paralelo, deixando ao leitor a tarefa de apreciar se a evoca\u00e7\u00e3o do \u00caxodo tem ou n\u00e3o tem fundamento. No cap\u00edtulo 19, por\u00e9m, a situa\u00e7\u00e3o do cativeiro e o passado do \u00caxodo est\u00e3o t\u00e3o misturados na releitura das hist\u00f3rias de Elias, que n\u00e3o d\u00e1 para apresent\u00e1-los separadamente em paralelo. Para eles, o \u00caxodo n\u00e3o era um fato do passado, mas uma experi\u00eancia que os envolvia no hoje deles. Eles procuravam viver em estado permanente de \u00caxodo. Ele volta \u00e0s origens do povo em busca de Deus, refaz a hist\u00f3ria, cria um novo come\u00e7o. Eis um resumo: <strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<table style=\"width: 600px; text-align: justify;\" border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"312\" valign=\"top\">\n<p><strong> <span style=\"text-decoration: underline;\">O   Profeta Elias<\/span><\/strong><\/p>\n<p>1. <strong>Travessia<\/strong><\/p>\n<p>Atravessa o Jord\u00e3o a p\u00e9 enxuto(2R 2,8).<\/p>\n<p>2. <strong>Deserto<\/strong><\/p>\n<p>Vai para o deserto de Karit e Horeb (1R   17,2;19,1-8)<strong>.<\/strong><\/p>\n<p>3. <strong>Alimentado no deserto<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 alimentado com \u00e1gua, carne e p\u00e3o (1R   17,6; 19,5-8)<\/p>\n<p>4. <strong>Longa caminhada<\/strong><\/p>\n<p>Alimentado pela comida de Deus, ele anda   40 dias e 40 noites pelo deserto (1R 18,8).<strong> <\/strong><\/p>\n<p>5. <strong>As doze tribos<\/strong><\/p>\n<p>Refaz o altar das doze tribos<strong> <\/strong>(1 R 18,30-31) e, no fim,   restabelecer\u00e1 as doze tribos (Ecli 48,10).<\/p>\n<p>6. <strong>Partilha<\/strong><\/p>\n<p>Junto \u00e0 vi\u00fava, ele insiste na partilha e,   assim, criou abund\u00e2ncia (1 R 17,10-16),<\/p>\n<p>7.<strong> Encontro com Deus<\/strong><\/p>\n<p>Na Montanha de Deus, Horeb, ele encontra   Deus (1R 19,8-13),<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"288\" valign=\"top\">\n<p><strong> <span style=\"text-decoration: underline;\">O   Povo no deserto<\/span><\/strong><\/p>\n<p>1. <strong>Travessia<\/strong><\/p>\n<p>Atravessa o Mar a p\u00e9 enxuto (Ex 14,16.22).<\/p>\n<p>2. <strong>Deserto<\/strong><\/p>\n<p>Vai para o deserto do Sinai\/Horeb<strong>.<\/strong><\/p>\n<p>3. <strong>Alimentado no deserto<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 alimentado com carne, \u00e1gua e p\u00e3o (Ex).<\/p>\n<p>4. <strong>Longa caminhada<\/strong><\/p>\n<p>Alimentado pela comida de Deus, o povo   caminha 40 anos pelo deserto.<\/p>\n<p>5. <strong>As doze tribos<\/strong><\/p>\n<p>Saindo do Egito, as doze tribos se reorgan\u00adizaram   formaram o Povo de Deus (N\u00fam 1-4)<\/p>\n<p>6. <strong>Partilha<\/strong><\/p>\n<p>O man\u00e1 partilhado criou abund\u00e2ncia e   garantiu a sobreviv\u00eancia (Ex 16,1-23).<\/p>\n<p>7.<strong> Encontro com Deus<\/strong><\/p>\n<p>No monte Sinai\/Horeb, o povo encontra com   Deus e<\/p>\n<p>nasce como povo (Ex 19.1-9). .<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta maneira de reler a hist\u00f3ria de Elias \u00e0 luz do \u00caxodo para iluminar o presente angustiante do povo do cativeiro fazia com que os exilados se sentissem envolvidos pela mesma a\u00e7\u00e3o libertadora de Deus que, no passado, os tirou do Egito e os levou para a Terra Prometida. Na raiz desta releitura do passado existe a convic\u00e7\u00e3o da f\u00e9 de que Deus n\u00e3o muda. O mesmo Deus Jav\u00e9 que, no passado, esteve com o povo no \u00caxodo, continua com ele no cativeiro da Babil\u00f4nia. Assim fazia crescer neles a f\u00e9, a esperan\u00e7a e o compromisso com as cl\u00e1usulas da Alian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O PONTO DE CHEGADA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CAMINHAR COM DEUS NO PROVIS\u00d3RIO, AT\u00c9 O FIM<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O ponto de chegada continua em aberto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ponto de partida da caminhada era claro, tanto na \u00e9poca de Elias como na \u00e9poca do cativeiro. Era a situa\u00e7\u00e3o de morte e de injusti\u00e7a, de fome e de persegui\u00e7\u00e3o. Claro tamb\u00e9m era o chamado de Deus: &#8220;Vai! Saia desta situa\u00e7\u00e3o!&#8221; Elias deve sair, entrar na oposi\u00e7\u00e3o e realizar uma transforma\u00e7\u00e3o dentro de si e dentro da conviv\u00eancia do povo. Claro tamb\u00e9m \u00e9 o primeiro passo: esconder-se no Carit, provocar e praticar a partilha, defender a vida sobretudo dos pobres, da vi\u00fava e do filho da vi\u00fava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que n\u00e3o est\u00e1 claro neste novo \u00caxodo de Elias \u00e9 o ponto de chegada. Pois, a hist\u00f3ria de Elias ainda n\u00e3o terminou. A \u00faltima not\u00edcia \u00e9 de que ele, como de costume (cf 1Rs 18,12), tinha sido arrebatado. Desapareceu (2Rs 2,11) e, por mais que os cinq\u00fcenta \u00a0homens o procurassem, nunca mais foi encontrado (2Rs 2,16-18). Para onde foi? Vai voltar? Para onde nos conduz o caminho de Elias?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As hist\u00f3rias de Elias n\u00e3o apresentam um projeto pronto a ser implantado, mas indicam um caminho a ser percorrido, na f\u00e9, na fidelidade e na criatividade. Caminho que vai aparecendo s\u00f3 aos poucos, na medida em que Elias se p\u00f5e a caminhar! O ponto de chegada continua em aberto, n\u00e3o est\u00e1 predeterminado. Caminhando, Elias n\u00e3o v\u00ea tudo claro, n\u00e3o sabe tudo o que deve fazer, n\u00e3o tem vis\u00e3o total de todo o projeto de Deus. Ele s\u00f3 v\u00ea at\u00e9 \u00e0 pr\u00f3xima curva. Muitas vezes, n\u00e3o sabe como, nem para onde andar. S\u00f3 enxerga um passo na frente. O resto \u00e9 neblina, deserto, noite. A palavra s\u00f3 se faz clara na medida em que ele tem a coragem de pratic\u00e1-la. Elias \u00e9 o <strong>homem do provis\u00f3rio.<\/strong> Eis alguns aspectos deste provis\u00f3rio que caracteriza o caminhar de Elias:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver no provis\u00f3rio, at\u00e9 o fim<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1<\/strong>. O primeiro chamado de Deus o envia at\u00e9 Carit. Elias obedece e vai at\u00e9 Carit, mas sem saber que depois deve ir at\u00e9 Sarepta. Estando em Carit, sob a press\u00e3o da fome e da sede, a palavra se torna mais clara e ele vai at\u00e9 Sarepta (1Rs 17,1-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2<\/strong>. Estando em Sarepta, ele sabe convencer a vi\u00fava de que a partilha pode garantir a vida da fam\u00edlia (1Rs 17,10-16), mas n\u00e3o sabe prever a doen\u00e7a e a morte do menino (1Rs 17,17). Quando se v\u00ea confrontado com a morte, ele descobre que, com a ajuda de Deus, pode fazer prevalecer a vida sobre a morte (1Rs 17,18-23).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3<\/strong>. Reunido no Monte Carmelo com todos os filhos de Israel, Elias interpela o povo a n\u00e3o seguir dois deuses ao mesmo tempo: Baal e Jav\u00e9. Mas o povo n\u00e3o lhe d\u00e1 resposta (1Rs 18,21). Parece negar-lhe o direito de fazer tal advert\u00eancia. O sil\u00eancio do povo leva-o a fazer a nova proposta do desafio, que foi aceito pelo povo (1Rs 18,22-24).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4<\/strong>. Depois disso, ainda estando no Monte Carmelo, ele manda o empregado subir sete vezes (1 R 18,43). \u00c9 s\u00f3 na s\u00e9tima vez, quando aparece uma nuvenzinha no c\u00e9u, que o profeta percebe o alcance do momento e come\u00e7a a distribuir ordens (1Rs 18,44-46).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5<\/strong>. Elias vai para o deserto, desanimado. Come, dorme e quer morrer (1Rs 19,1-4). O anjo tem que acord\u00e1-lo duas vezes para ele perceber que Deus est\u00e1 querendo aliment\u00e1-lo para a caminhada (1Rs 19,5-7). Na for\u00e7a da comida ele anda quarenta dias e quarenta noites, mas sem saber a solu\u00e7\u00e3o para o seu problema (1Rs 19,8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6<\/strong>. Estando no monte Horeb, mesmo depois de perceber a Brisa Leve, Elias continua com o pensamento antigo, pois repete a mesma an\u00e1lise e a mesma queixa (1Rs 19,14), que ele tinha feita antes (1Rs 19,10). Em Elias, a mudan\u00e7a s\u00f3 se faz aos poucos, lentamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>7<\/strong>. No fim, ele recebe uma tr\u00edplice miss\u00e3o: ungir Hazael, ungir Je\u00fa, e ungir Eliseu (1Rs 19,15-16), mas ele mesmo s\u00f3 executa uma ter\u00e7a parte desta miss\u00e3o, a saber, ungir Eliseu (1Rs 19,19-21).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>8<\/strong>. Elias est\u00e1 convencido de que deve ir s\u00f3 at\u00e9 Betel (2Rs 2,2). Mas estando em Betel, descobre que deve ir at\u00e9 Jeric\u00f3 (2Rs 2,4). E chegando em Jeric\u00f3, descobre que deve ir at\u00e9 o Jord\u00e3o (2Rs 2,6). E quando, finalmente, alcan\u00e7a o Jord\u00e3o, ele deve ir mais longe (2Rs 2,7-8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O importante em tudo isto \u00e9 que o caminho s\u00f3 aparece caminhando nele. A luz se faz \u00e9 na travessia! Elias \u00e9 como Jesus que, a cada momento, faz aquilo que o Pai lhe mostra para fazer (cf Jo\u00e3o 5,30; 8,28). Na medida em que obedece e anda, ele vai descobrindo o que Deus pede. Descobre aos poucos sua pr\u00f3pria miss\u00e3o, sua pr\u00f3pria identidade. Sua fidelidade, \u00e0s vezes cega e muda, vai gerando luz para perceber a Palavra que o chama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NA VIDA DOS E DAS CARMELITAS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>OLHANDO NO ESPELHO DAS HIST\u00d3RIAS DE ELIAS <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda esta longa tradi\u00e7\u00e3o est\u00e1 na raiz da tradi\u00e7\u00e3o Eliana da nossa Ordem e era o espelho onde os primeiros carmelitas encontravam o seu ideal de vida. Vamos tentar resumir esta tradi\u00e7\u00e3o nos seguintes pontos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. \u00a0Elias, o homem do Caminho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. \u00a0Elias, o homem da Palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. \u00a0Elias, o homem do deserto<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. \u00a0Elias, o homem fraco como n\u00f3s<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5. \u00a0Elias, o homem da experi\u00eancia de Deus na Noite Escura<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6. \u00a0Elias, o homem da ora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7. \u00a0Elias, o homem do fogo do Esp\u00edrito<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8. \u00a0Elias, o homem da luta e do conflito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9. Elias, o homem da reconstru\u00e7\u00e3o da vida comunit\u00e1ria<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1. Elias, o homem do Caminho<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 primeira vista, a figura do profeta Elias tal como nos \u00e9 apresentada pela Tradi\u00e7\u00e3o Carmelitana, configurada no <strong>Liber Institutionis Primorum Monachorum<\/strong>, parece diferente do Elias da B\u00edblia. Na B\u00edblia ele aparece mais combativo. Na Tradi\u00e7\u00e3o, mais meditativo. Mas \u00e9 apenas apar\u00eancia. Na realidade, a Tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 como o filho daquela par\u00e1bola de Jesus: mesmo dizendo <strong>n\u00e3o<\/strong>, ele foi obediente pois acabou fazendo a vontade do Pai (Mt 21,28-32). A Tradi\u00e7\u00e3o Carmelitana a respeito de Elias realiza o objetivo expresso no texto b\u00edblico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como vimos, o eixo central que marca e unifica as hist\u00f3rias do profeta Elias na B\u00edblia \u00e9 a imagem do <em>homem que caminha<\/em>. Caminhada! Caminhar sempre! Este eixo central do <strong>caminho<\/strong> \u00e9 retomado na Tradi\u00e7\u00e3o Eliana da Ordem do Carmo. O Livro dos Primeiros Monges descreve o <strong>itiner\u00e1rio<\/strong> m\u00edstico, realizado pelo profeta e apresenta a experi\u00eancia de Elias como modelo do caminho que o carmelita deve percorrer para chegar \u00e0 uni\u00e3o com Deus. Desde que Elias se abriu \u00e0 a\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus, sua vida mudou por completo. Agora, \u00e9 s\u00f3 movimento. J\u00e1 n\u00e3o pode parar. Deve andar sempre. Sair de um lugar para outro&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">para a torrente de Carit (1R 17,3),<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">para Sarepta na Sid\u00f4nia (1R 17,9),<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">para encontrar o rei Acab no Carmelo (1R 18,1),<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">para ir na frente do rei at\u00e9 Yisrael (1R 18,46),<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">para o Monte Horeb (1R 19,8),<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">para continuar a miss\u00e3o e ungir Eliseu (1R 19,15-16),<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">para denunciar o rei na vinha de Nabot (1R 21,17-19),<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">para Betel (2R 2,2),<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">para Jeric\u00f3 (2R 2,4),<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">para o Jord\u00e3o (2R 2,6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">para ser arrebatado (2R 2,11) &#8230;&#8230;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">para voltar no fim dos tempos (Eclo 48,10)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias vive em estado permanente de \u00eaxodo, de sa\u00edda para algo que fica para al\u00e9m dele! Um peregrinar constante em busca do que Deus quer dele, desde <em>Carit<\/em> at\u00e9 o arrebatamento ao c\u00e9u (2Rs 2,11). Ali\u00e1s, ele j\u00e1 era conhecido assim pelo povo, como algu\u00e9m totalmente dispon\u00edvel para Deus que, a cada momento, podia ser levado pelo Esp\u00edrito para realizar a obra de Deus (1 R 18,12; 2Rs 2,3.5.16). Ele j\u00e1 n\u00e3o se pertence. Pertence a Deus e ao Povo de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2. Elias, o homem da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vi\u00fava definiu Elias da seguinte maneira: \u201cAgora sei que voc\u00ea \u00e9 um Homem de Deus e que a Palavra de Deus habita em voc\u00ea!\u201d (1Rs 17,17). O livro do Eclesi\u00e1stico diz: \u201cEnt\u00e3o surgiu o profeta Elias como um fogo, e a sua palavra ardia como uma tocha!\u201d (Eclo 48,1). De um lado, a <strong>Palavra <\/strong>chama Elias tanto nos momentos de clareza e de coragem, como nos de confus\u00e3o e de des\u00e2nimo. De outro lado, <strong>o pr\u00f3prio Elias <\/strong>se abre, para que a Palavra tome conta dele e o leve por caminhos dos quais ele mesmo nem sempre conhece o trajeto nem percebe o alcance.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias obedece \u00e0 Palavra e, assim, revela Deus ao povo. Convoca o povo a ser fiel \u00e0s exig\u00eancias da alian\u00e7a, expressas na Lei de Deus. Apesar das suas limita\u00e7\u00f5es, Elias obedecia como podia. Sua obedi\u00eancia fez com que ele fosse reconhecido como &#8220;Homem de Deus&#8221; (1R 17,24; 2 R 1,9). A palavra de Elias tornou-se Palavra de Deus para os outros que, por sua vez, obedeciam a Elias: a vi\u00fava de Sarepta (1R 17,15); Abdias, o chefe do pal\u00e1cio (1R 18,14-16), o pr\u00f3prio povo (1R 18,24.30). Sua palavra tinha a for\u00e7a para fazer descer o fogo do c\u00e9u (2R 1,10.12; Eclo 48,3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta atitude frente \u00e0 Palavra de Deus \u00e9 retomada na Regra do Carmo que insiste explicitamente por bem nove vezes na import\u00e2ncia da leitura e medita\u00e7\u00e3o constante da Palavra de Deus:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. Rc 7 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ouvir a Sagrada Escritura durante as refei\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Rc 10 \u00a0\u00a0\u00a0 Meditar dia e noite a Lei do Senhor<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Rc 11 \u00a0\u00a0\u00a0 Rezar as horas can\u00f4nicas (que s\u00e3o feitas de Salmos e leituras b\u00edblicas)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Rc 14 \u00a0\u00a0\u00a0 Participar diariamente da Eucaristia (toda feita de textos b\u00edblicos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5. Rc 19\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ter pensamentos santos (que s\u00e3o fruto da Leitura do Livro Santo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6. Rc 19\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Palavra, a espada do Esp\u00edrito, deve habitar na boca e no cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7. Rc 19\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Agir sempre de acordo com a Palavra de Deus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8. Rc 20\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ler com freq\u00fc\u00eancia as cartas de Paulo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9. Rc 22\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ter diante de si o exemplo de Jesus como aparece nos evangelhos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3. Elias, o homem do deserto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia do deserto marcou a caminhada de Elias. Ele enfrentou os desertos de Carit (1Rs 17,5), de Beersheba (1Rs 19, 4), de Horeb (1Rs 19,8). Deserto, n\u00e3o s\u00f3 como lugar geogr\u00e1fico, mas tamb\u00e9m como experi\u00eancia interior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong>deserto<\/strong> interior, sua crise, manifestou-se no fato de ele procurar a presen\u00e7a de Deus nos sinais tradicionais (terremoto, vento, fogo) e de descobrir que estes sinais j\u00e1 n\u00e3o revelavam mais nada a respeito de Deus. Eram l\u00e2mpadas que j\u00e1 n\u00e3o acendiam. Quem o procurasse por a\u00ed, j\u00e1 n\u00e3o o encontraria (1R 19,11-12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No <strong>deserto<\/strong> Elias experimentou os seus pr\u00f3prios limites. N\u00e3o chegou a perder a f\u00e9, mas j\u00e1 n\u00e3o sabia como usar a f\u00e9 antiga para enfrentar a situa\u00e7\u00e3o nova. Foi o momento de viver e sofrer a crise do pr\u00f3prio povo. Por isso mesmo, ao superar a sua crise pessoal e reencontrar a presen\u00e7a de Deus para si mesmo, ele estava redescobrindo o sentido de Deus para a vida do povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong>deserto<\/strong> era tamb\u00e9m o lugar da origem do povo, da volta \u00e0s fontes em \u00e9poca de crise, onde se recuperam a mem\u00f3ria e a identidade; o lugar para onde o povo escapou para a liberdade, onde morreram os restos da ideologia do fara\u00f3, e onde o povo se reorganizou; o lugar da longa caminhada, quarenta anos, durante a qual morreu uma gera\u00e7\u00e3o inteira; o lugar do murm\u00fario, da luta, da tenta\u00e7\u00e3o e da queda; o lugar do namoro, do noivado, da experi\u00eancia de Deus, da ora\u00e7\u00e3o. O deserto fez Elias se reaproximar da origem do seu povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia do <strong>deserto<\/strong> marcou para sempre a vida dos primeiros eremitas do Monte Carmelo. Saindo da Palestina, levaram consigo, dentro de si, o deserto do Carmelo. Vivendo na Europa, reencontraram o deserto, n\u00e3o na vida regular dos grandes mosteiros independentes e auto-suficientes, longe das cidades, mas sim na vida pobre das fraternidades Mendicantes nas periferias das cidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4. Elias, \u201chomem fraco como n\u00f3s\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A express\u00e3o \u00e9 da carta de Tiago; \u201cElias era um homem fraco como n\u00f3s\u201d (Tg 5,17). De fato, os seis cap\u00edtulos com as hist\u00f3rias de Elias n\u00e3o escondem os defeitos e as limita\u00e7\u00f5es de Elias. Ele teve momentos de medo e de fuga. Sentiu vontade de largar tudo e de morrer. Desanimado s\u00f3 queria comer, beber e dormir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegando na montanha de Deus, o Horeb, Elias entrou na gruta e ouviu a pergunta: &#8220;Elias, que fazes aqui?&#8221; (1R 19,8) E ele respondeu, por duas vezes: <em>&#8220;O zelo por Jav\u00e9 dos ex\u00e9rcitos me consome, porque os israelitas abandonaram tua alian\u00e7a, derrubaram teus altares, mataram teus profetas. Sobrei somente eu, e eles querem me matar tamb\u00e9m<\/em>&#8221; (1Rs 19,10.14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe uma contradi\u00e7\u00e3o entre o discurso e a pr\u00e1tica de Elias. Conforme o discurso ele \u00e9 o \u00fanico que sobrou; mas na pr\u00e1tica havia sete mil que n\u00e3o tinham dobrado o joelho diante de Baal (1Rs 19,18). Conforme o discurso ele est\u00e1 cheio de zelo; mas a pr\u00e1tica mostra um homem medroso que foge (1Rs 19,3). Conforme o discurso ele sabe analisar o fracasso da na\u00e7\u00e3o; mas na pr\u00e1tica n\u00e3o sabe analisar o seu pr\u00f3prio fracasso. Elias n\u00e3o se d\u00e1 conta de que a situa\u00e7\u00e3o de derrota e de morte em que se encontra \u00e9 o lugar onde Deus o atinge, pois n\u00e3o percebe a presen\u00e7a do anjo que o orienta. Ele s\u00f3 pensa em comer, beber e dormir (1Rs 19,6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O olhar de Elias est\u00e1 perturbado por algum defeito que o impede de perceber a realidade tal como ela \u00e9. Ele n\u00e3o \u00e9 capaz de avaliar a situa\u00e7\u00e3o com objetividade. Ele se considera dono da luta contra Baal (e n\u00e3o \u00e9); acha que sem ele tudo estar\u00e1 perdido (e n\u00e3o estar\u00e1); pensa que Deus sai perdendo caso ele, Elias, for derrotado (e Deus n\u00e3o sai perdendo). Qual o defeito nos olhos de Elias? Qual o defeito em nossos olhos hoje? A resposta est\u00e1 na hist\u00f3ria da <strong>Brisa Leve<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5. Elias, o homem da experi\u00eancia de Deus na Noite Escura<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias buscava a Deus, mas n\u00e3o tinha um crit\u00e9rio certo de busca, pois Deus j\u00e1 n\u00e3o estava no vento, no terremoto e no raio (1Rs 19,11-12)! A motiva\u00e7\u00e3o e a vis\u00e3o de Elias n\u00e3o coincidiam com a motiva\u00e7\u00e3o e a vis\u00e3o do pr\u00f3prio Deus. Ele vai ter que sair desta situa\u00e7\u00e3o de imperfei\u00e7\u00e3o. Vai ter que passar por uma purifica\u00e7\u00e3o, pela Brisa Leve da <strong>Noite Escura<\/strong>. \u00c9 esta caminhada que o <strong>Liber Institutionis<\/strong> procura descrever.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como vimos, a &#8220;Brisa Leve&#8221; n\u00e3o deve ser entendida no sentido rom\u00e2ntico de uma brisa suave no fim da tarde, mas sim no sentido de algo que, de repente, fez desintegrar tudo que Elias pensava e vivia at\u00e9 \u00e0quele momento. Ela indica o impacto de algum fato ou de uma experi\u00eancia que o obrigou a uma mudan\u00e7a radical e o levou a uma vis\u00e3o totalmente nova e diferente de Deus e da vida. \u00c9 como diz a poesia:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8220;Diante da vida do povo sofrido,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em> a gente n\u00e3o fala, s\u00f3 sabe calar.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em> Esquece as id\u00e9ias do povo sabido,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em> e fica humilde, come\u00e7a a pensar&#8221;<\/em><strong>.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual foi a &#8220;brisa leve&#8221; que provocou tudo isto na vida de Elias? O texto n\u00e3o o diz expressamente, mas sugere que foi a descoberta dolorosa de que Jav\u00e9, o Deus de Israel, j\u00e1 n\u00e3o era como ele, Elias, o imaginava. Elias descobriu que, apesar de toda a sua fidelidade e luta pela causa de Jav\u00e9, ele estava lutando por algo que j\u00e1 n\u00e3o era a causa de Jav\u00e9! A imagem que ele tinha de Deus quebrou em mil peda\u00e7os. Deus \u00e9 diferente! Aqui est\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o da m\u00edstica do Carmelo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6. Elias, o homem da ora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tiago resume o testemunho de Elias da seguinte maneira: \u201cElias era um homem fraco como n\u00f3s, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com inst\u00e2ncia, para que n\u00e3o chovesse sobre a terra, e, por tr\u00eas anos e seis meses, n\u00e3o choveu. E orou, de novo, e o c\u00e9u deu chuva, e a terra fez germinar seus frutos\u201d (Tg 5,17-18). A tradi\u00e7\u00e3o Carmelitana tem aqui um dos pontos fundamentais da imagem de Elias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imagem de Elias como homem de ora\u00e7\u00e3o, sempre dispon\u00edvel para a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito (1Rs 18,12), &#8220;cuja palavra ardia como uma tocha&#8221; (Eclo 48,1), revela a sua intimidade com Deus. Elias foi capaz de realizar tudo que realizou porque como \u201chomem de Deus\u201d (1Rs 17,24), estava ligado a Jav\u00e9 pela ora\u00e7\u00e3o. A ora\u00e7\u00e3o era o espa\u00e7o que lhe dava condi\u00e7\u00f5es de viver e experimentar o deserto, de descobrir a presen\u00e7a de Deus na brisa leve,\u00a0 de defender a alian\u00e7a e a vida do povo, de viver em conflito permanente sem desmoronar. A ora\u00e7\u00e3o aparece em muitos momentos e lugares na vida de Elias:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. &#8220;Vivo \u00e9 o Senhor em cuja presen\u00e7a estou\u201d (1Rs 17,1; 18,15).\u00a0 \u00c9 a consci\u00eancia de estar consagrado ao servi\u00e7o de Jav\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Elias reza e consegue de volta a vida do filho da vi\u00fava (1Rs 17,20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Critica a reza dos profetas de Baal (1Rs 18,27), e reza, para que Deus se manifeste ao povo no Monte Horeb (1Rs 18,36-37). Sua experi\u00eancia de Deus transborda numa a\u00e7\u00e3o corajosa contra a mentalidade id\u00f3latra da \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Reza sete vezes e insiste. Ele se curva, coloca a cabe\u00e7a entre os joelhos e manda o empregado subir a montanha, <em>sete<\/em> vezes, at\u00e9 aparecer a nuvenzinha que trouxe a chuva (1Rs 18,41-46).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5. Reza para que o fogo des\u00e7a do c\u00e9u contra os militares que querem prend\u00ea-lo (2Rs 1,10.12)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6. Reza queixando-se a Deus (1Rs 19,10.14) e pedindo a morte (1Rs 19,4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7. Confronta-se com Deus na Brisa Leve (1Rs 19,12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>7. Elias, o homem do fogo do Esp\u00edrito<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Eclesi\u00e1stico introduz a figura de Elias com estas palavras: &#8220;Ent\u00e3o o profeta Elias surgiu como um fogo, sua palavra queimava como uma tocha&#8221; (Ecli 48,1). Ele diz que Elias &#8220;por tr\u00eas vezes fez descer o fogo do c\u00e9u&#8221; (Ecli 48,3). O fim da sua vida \u00e9 descrito assim: &#8220;Foste arrebatado num turbilh\u00e3o de fogo, num carro puxado por cavalos de fogo&#8221; (Ecli 48,9). O fogo \u00e9 express\u00e3o da a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito (cf At 2,3-4). O arrebatamento no carro de fogo \u00e9 realizado pelo Esp\u00edrito de Jav\u00e9 (2R 2,16). Abdias diz a Elias: &#8220;O Esp\u00edrito de Jav\u00e9 te transportar\u00e1 n\u00e3o sei para onde&#8221; (1R 18,12). Na opini\u00e3o do povo, Elias podia ser arrebatado a cada momento pelo esp\u00edrito de Deus (1Rs 18,12; 2Rs 2,3.5). Toda vez que a Palavra de Deus vinha at\u00e9 ele, o Esp\u00edrito de Deus o mandava sair de um lugar para outro!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias passou a ser conhecido como o homem dispon\u00edvel para Deus que j\u00e1 n\u00e3o se pertencia. Deus podia dispor dele e arrebat\u00e1-lo como e quando quisesse (1Rs 18,12; 2Rs 2,3.5). O pr\u00f3prio Deus passou a ser conhecido como o &#8220;Deus de Elias&#8221;(2Rs 2,14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eliseu pediu a Elias: &#8220;Que me seja dada uma dupla por\u00e7\u00e3o do teu Esp\u00edrito&#8221; (2Rs 2,9). O Esp\u00edrito de Elias repousou sobre Eliseu, seu sucessor (2Rs 2,15). Os disc\u00edpulos o reconheceram na hora em que Eliseu, usando a capa de Elias separou as \u00e1guas do rio Jord\u00e3o (2Rs 2,14). Elias, o homem do fogo e do Esp\u00edrito! Como tal entrou na hist\u00f3ria, pois \u00e9 assim que ele nos \u00e9 apresentado no Apocalipse (Apoc 11,5-6.11-12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Regra do Carmo une Palavra e Esp\u00edrito quando diz: \u201cQue a espada do Esp\u00edrito, que \u00e9 a Palavra de Deus, habite abundantemente na sua boca e nos seus cora\u00e7\u00e3o, tudo que voc\u00eas tiverem de fazer, seja l\u00e1 o que for, que seja feito na Palavra do Senhor\u201d (Rc 19). Ela deseja para todos a \u201cb\u00ean\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo\u201d (Rc 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>8. Elias, o homem da luta e do conflito.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No momento de aceitar a Palavra de Deus e de se abrir para a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, Elias deixou o conflito entrar em sua vida. O conflito nasce de dupla fonte: da situa\u00e7\u00e3o geral de infidelidade \u00e0 Palavra de Deus e da vontade de Elias de ser fiel a esta Palavra que o chama a romper com a situa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o muitos e variados os conflitos que envolvem a vida de Elias. Eis alguns deles:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conflito consigo mesmo e com as suas id\u00e9ias sobre Deus, pois ele n\u00e3o encontra a presen\u00e7a de Deus no vento, no fogo e no terremoto (1Rs 19,11-12). O conflito com o pr\u00f3prio Deus, queixando-se com Ele de estar sozinho na luta, sem saber como continuar a caminhada (1Rs 19,4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conflito com as pessoas amigas que n\u00e3o entendem a sua atitude: com a vi\u00fava na hora de pedir que partilhe o p\u00e3o com ele (1Rs 17,10-12); com Abdias, o empregado do rei, na hora de envi\u00e1-lo para junto do rei (1Rs 18,9-14); com Eliseu quando o mandou de volta e o proibiu de acompanh\u00e1-lo (2Rs 2,2.4.6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conflito com o povo desafiando-o a escolher entre Baal e Jav\u00e9 (1Rs 18,20-24). O conflito com o rei, anunciando a seca (1Rs 17,1); denunciando sua infidelidade (1Rs 18,17) e enfrentando-o pessoalmente no caso da vinha de Nabot (1Rs 21,17-19). O conflito com os 450 profetas de Baal, criticando sua maneira de rezar (1Rs 18,16-19) e desafiando-os para o julgamento (1Rs 18,25-29). O conflito com os militares que o desafiaram a descer da montanha para comparecer diante do rei (2Rs 1,9.11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias vive em conflito, provoca o conflito e envolve outros no conflito. Todos estes conflitos s\u00e3o express\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o do grande conflito que est\u00e1 na raiz: <strong>caminhar do lugar onde est\u00e1 para o lugar onde Deus o quer<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Regra do Carmo retoma este aspecto do conflito e da luta quando descreve a condi\u00e7\u00e3o humana como tenta\u00e7\u00e3o, persegui\u00e7\u00e3o e assalto e pede que nos preparemos para a luta revestindo a armadura de Deus: \u201cVisto que a vida humana na terra \u00e9 uma tenta\u00e7\u00e3o, e todos os que querem viver fielmente em Cristo sofrem persegui\u00e7\u00e3o, e como o seu advers\u00e1rio, o diabo, rodeia por a\u00ed como um le\u00e3o que ruge, espreitando a quem devorar, procurem, com toda a dilig\u00eancia, revestir-se da armadura de Deus, para que possam resistir \u00e0s emboscadas do inimigo\u201d (Rc 18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>9. Elias, o homem da reconstru\u00e7\u00e3o da vida em comunidade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias reconstruiu o altar com doze pedras, gesto simb\u00f3lico da reconstru\u00e7\u00e3o ou da reuni\u00e3o das doze tribos. A organiza\u00e7\u00e3o em tribos representava a nova maneira de conviver, fraterna e comunit\u00e1ria, diferente do jeito de viver no sistema do Fara\u00f3. E \u00e9 aqui que se situa o centro da esperan\u00e7a do povo com rela\u00e7\u00e3o ao retorno do Profeta Elias. Tanto o Antigo Testamento como o Novo Testamento, ambos eles esperam que Elias volte para \u201creconduzir o cora\u00e7\u00e3o dos pais para os filhos e o cora\u00e7\u00e3o dos filhos para os pais\u201d (Ml 3,23-24; Eclo 48,10; Lc 1,17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A preocupa\u00e7\u00e3o com a reconstru\u00e7\u00e3o da Vida Comunit\u00e1ria \u00e9 o outro lado do desejo de contemplar e revelar o rosto de Deus como Jav\u00e9. O que caracteriza a experi\u00eancia de Deus na hist\u00f3ria do povo hebreu \u00e9 o que Jesus define da seguinte maneira: \u201cEu vim para que todos tenham vida, e vida em abund\u00e2ncia\u201d (J\u00f4 10,10). A vida em plenitude que Deus comunica se expressa na vida comunit\u00e1ria. Deus se revela como o Deus de todos, como Pai. A express\u00e3o humana desta f\u00e9 \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o da vida em comunidade. Uma comunidade dividida \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o desta f\u00e9. Ela esconde o rosto de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em> <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10. A nova experi\u00eancia de Deus que se irradia a partir de Elias.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias experimentou a total gratuidade de Deus e da sua presen\u00e7a. Deus se fez presente na Brisa Leve n\u00e3o por m\u00e9rito de Elias. Pelo contr\u00e1rio! Elias experimentou a presen\u00e7a libertadora e restauradora de Deus no momento exato em que experimentava o seu pr\u00f3prio nada e a sua falta absoluta de qualquer t\u00edtulo de gl\u00f3ria. Eles deixou Deus ser Deus!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias pensava ser ele o \u00fanico a defender a alian\u00e7a e a causa de Deus (1Rs 19,10). E experimentou que, apesar dos altares destru\u00eddos e apesar da alian\u00e7a quebrada e dos profetas assassinados, a causa de Deus n\u00e3o estava perdida. Pelo contr\u00e1rio! N\u00e3o \u00e9 Elias quem defende a Deus, mas \u00e9 Deus quem acolhe, sustenta e defende o pobre do Elias! \u00c9 desta certeza de Deus que renasce em Elias a coragem. Ele reencontra o sentido da vida e da luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias experimentou que Deus \u00e9 livre! Deus n\u00e3o obedeceu a Elias, pois Ele n\u00e3o se manifestou na tempestade, nem no raio nem no tremor da terra. Deus n\u00e3o se sente obrigado a obedecer aos crit\u00e9rios que a Tradi\u00e7\u00e3o tinha estabelecido para o povo poder reconhecer e controlar a sua presen\u00e7a. Esta liberdade de Deus \u00e9 a raiz da nossa liberdade e da nossa liberta\u00e7\u00e3o. Deus n\u00e3o pode ser usado por ningu\u00e9m, nem pelos profetas de Baal nem pelo profeta Elias. Deus \u00e9 livre!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta nova experi\u00eancia de Deus d\u00e1 olhos novos, abre um novo horizonte e devolve a Elias a liberdade de a\u00e7\u00e3o, a vit\u00f3ria sobre o medo, a vontade de continuar a luta pela causa de Deus em defesa da vida do povo. D\u00e1 a ele a consci\u00eancia clara de n\u00e3o ser o dono da luta nem o \u00fanico a defender a causa de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As v\u00e1rias dimens\u00f5es da Tradi\u00e7\u00e3o Eliana<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. Malaquias espera o <strong>Homem da Alian\u00e7a <\/strong>(Ml 3,23-24):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Tiago resume-o como <strong>Homem da ora\u00e7\u00e3o <\/strong>(Tg 5,17-18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. A tradi\u00e7\u00e3o rab\u00ednica acentua o <strong>Homem do deserto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. O Apocalipse focaliza o <strong>Homem do testemunho <\/strong>(Apoc 11,3.5.6)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5. Lucas espera o <strong>Homem da alian\u00e7a<\/strong> que reorganiza o povo (Lc 1,17)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6. Sirach valoriza o <strong>Homem obediente \u00e0 Palavra <\/strong>(Ecli 48,1-11)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7. A Tradi\u00e7\u00e3o Carmelitana acentua o <strong>Homem do Caminho<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carit, primeiro passo de uma longa caminhada<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Eclesi\u00e1stico valoriza em Elias o Homem obediente \u00e0 Palavra (Eclo 48,1-11). Malaquias espera a volta dele como o Homem da Alian\u00e7a (Ml 2,23-24). No evangelho ele aparece como o Homem reorganiza o povo (Lc 1,17). Na Transfigura\u00e7\u00e3o ele encarna a profecia. Para Paulo ele \u00e9 o Homem que denuncia a infidelidade (Rom 11,2-4). Tiago resume a vida de Elias como Homem da Ora\u00e7\u00e3o (Tg 5,17-18). No Apocalipse ele \u00e9 o homem do testemunho at\u00e9 \u00e0 morte (Ap 11,3.5.6). Na tradi\u00e7\u00e3o rab\u00ednica ele \u00e9 a imagem do homem do deserto. A devo\u00e7\u00e3o popular invoca Elias como o Santo dos imposs\u00edveis. A tradi\u00e7\u00e3o carmelitana acentua nele o homem do Caminho. E a vi\u00fava fez o resumo mais bonito: \u201cAgora sei que voc\u00ea \u00e9 um Homem de Deus e que a palavra de Deus habita em voc\u00ea\u201d (1Rs 17,24).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><br \/> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LADAINHA DE SANTO ELIAS, <\/strong><strong>PROFETA E NOSSO PAI<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor, tende piedade de n\u00f3s,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus Cristo, tende piedade de n\u00f3s,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor, tende piedade de n\u00f3s,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus Pai do c\u00e9u, tende piedade de n\u00f3s<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus filho Redentor do mundo, tende piedade de n\u00f3s<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus Esp\u00edrito Santo, tende piedade de n\u00f3s<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sant\u00edssima Trindade que sois um s\u00f3 Deus, tende piedade de n\u00f3s<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santa Maria, M\u00e3e de Deus, rogai por n\u00f3s<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santa Maria, M\u00e3e dos Carmelitas,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Jos\u00e9, patrono do Carmelo,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santo Elias, profeta de Deus e nosso Pai,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Homem do sil\u00eancio e da ora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Homem do deserto,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Homem da brisa leve<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Homem da Alian\u00e7a<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Homem que defende a vida<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Homem do conflito<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Homem do Esp\u00edrito e do Fogo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Homem de Deus,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que humilhaste os profetas de Baal,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que abateste o orgulho do rei Acab,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que vos compadeceste da vi\u00fava de Sarepta,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que conduziste o povo na esperan\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que obedeceste \u00e0 Palavra e a revelaste ao povo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que refizeste a hist\u00f3ria e criaste um novo come\u00e7o,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que fizeste o povo abandonar Baal e escolher a Jav\u00e9,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que caminhaste sempre na presen\u00e7a do Senhor,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que atravessaste o Jord\u00e3o e te escondeste no Carit, na Caridade,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que n\u00e3o te deixaste abater pelo des\u00e2nimo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que caminhaste pelo deserto at\u00e9 a Montanha de Deus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que chamaste Eliseu para ser o teu sucessor,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Profeta de fogo,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mestre dos profetas,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mestre da ora\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Servo do Deus vivo,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guardi\u00e3o do povo de Israel<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pregador incans\u00e1vel da Palavra de Deus,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Martelo dos hereges e id\u00f3latras,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abrasado o amor de Deus,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Honrado com a divina amizade,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fortalecido com o p\u00e3o do anjo,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Zeloso na defesa do culto do Deus \u00fanico,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Defensor dos pobres e oprimidos,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perseguido por causa da justi\u00e7a,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Arauto da onipot\u00eancia e da miseric\u00f3rdia divinas,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Realizador de milagres,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Multiplicador de alimentos,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ressuscitador dos mortos,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Arrebatado ao c\u00e9u em um carro de fogo,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cantor incans\u00e1vel do Deus vivo,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ministro da reconcilia\u00e7\u00e3o dos pais com os filhos,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Testemunha da Transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Modelo da perfei\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pai dos eremitas,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Modelo dos monges,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Patriarca do Carmelo,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inspirador da Ordem do Carmo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de n\u00f3s,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rogais por n\u00f3s, Santo Pai Elias,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oremos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus eterno e todo-poderoso, que concedestes ao bem-aventurado Elias, vosso profeta e nosso pai, a gra\u00e7a de viver na vossa presen\u00e7a e de se inflamar de zelo pela vossa gl\u00f3ria, fazei que, procurando sempre a vossa presen\u00e7a, nos tornemos testemunhas do vosso amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que \u00e9 Deus convosco na unidade do Esp\u00edrito Santo, Amem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Belo Horizonte, MG, Brasil, 07 de outubro de 2012, dia de elei\u00e7\u00f5es municipais no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O PROFETA ELIAS NA B\u00cdBLIA E NA TRADI\u00c7\u00c3O CARMELITANA. Frei Carlos Mesters, frade carmelita e biblista do CEBI. (Obs.: Esse artigo \u00e9 o 3\u00ba de uma s\u00e9rie de 10 artigos de frei Carlos Mesters que<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-195","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=195"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=195"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=195"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=195"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}