{"id":2126,"date":"2018-06-11T16:36:09","date_gmt":"2018-06-11T19:36:09","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=2126"},"modified":"2018-06-11T16:43:28","modified_gmt":"2018-06-11T19:43:28","slug":"retomada-indigena-em-sao-joaquim-de-bicas-mg-segue-em-frente-e-se-fortalece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/retomada-indigena-em-sao-joaquim-de-bicas-mg-segue-em-frente-e-se-fortalece\/","title":{"rendered":"Retomada Ind\u00edgena em S\u00e3o Joaquim de Bicas, MG, segue em frente e se fortalece!"},"content":{"rendered":"<p><strong>Retomada Ind\u00edgena em S\u00e3o Joaquim de Bicas, MG, segue em frente e se fortalece!<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2127 alignleft\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Retomada-ind\u00edgena-em-S\u00e3o-Joaquim-de-Bicas-05-6-2018-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Retomada-ind\u00edgena-em-S\u00e3o-Joaquim-de-Bicas-05-6-2018-300x225.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Retomada-ind\u00edgena-em-S\u00e3o-Joaquim-de-Bicas-05-6-2018-768x576.jpg 768w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Retomada-ind\u00edgena-em-S\u00e3o-Joaquim-de-Bicas-05-6-2018.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Reuni\u00e3o das lideran\u00e7as ind\u00edgenas Puri, Caraj\u00e1 e Patax\u00f3 em S\u00e3o Joaquim de Bicas, MG, com representantes da FUNAI, CPT e CEDEFES, dia 05\/6\/2018.\u00a0<\/strong> Foto: A. Baeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi em Novembro de 2017 que as primeiras fam\u00edlias ind\u00edgenas, antigas moradoras da Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), ocuparam parte de uma das fazendas reivindicadas pelo megaempres\u00e1rio da \u00e1rea de minera\u00e7\u00e3o e especulador imobili\u00e1rio, Eike Batista. A localidade onde atualmente se encontra a Retomada Ind\u00edgena, nome que consideram mais adequado, pois se trata de uma ocupa\u00e7\u00e3o de povo ind\u00edgena, quer dizer, aut\u00f3ctone, foi primeiramente ocupada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) h\u00e1 mais de um ano, todavia em outra localidade da fazenda, \u00a0\u00e0 beira do rio Paraopeba, na divisa com o munic\u00edpio de M\u00e1rio Campos, na Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Os ind\u00edgenas est\u00e3o dentro da Mata e pr\u00f3ximo \u00e0 calha principal do rio Paraopeba, que na l\u00edngua tupi, significa Rio Largo. De fato, o rio Paraopeba irriga 35 munic\u00edpios ao percorrer 510 quil\u00f4metros, nascendo no munic\u00edpio de Cristiano Otoni \u2013 onde sua nascente est\u00e1 secando \u2013 e desaguando no rio S\u00e3o Francisco, em Felixl\u00e2ndia, na barragem de Tr\u00eas Marias. O rio Paraopeba est\u00e1 clamando por revitaliza\u00e7\u00e3o, pois est\u00e1 sendo polu\u00eddo de uma forma assustadora, inclusive com produtos qu\u00edmicos. A presen\u00e7a dos ind\u00edgenas na bacia hidrogr\u00e1fica do rio Paraopeba, sem d\u00favida, ser\u00e1 um fator que alimentar\u00e1 as for\u00e7as vivas em prol da preserva\u00e7\u00e3o do rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ind\u00edgenas desaldeados que moravam na RMBH e possu\u00edam uma s\u00e9rie de problemas ligados \u00e0 moradia, risco social, car\u00eancia alimentar e dificuldade de acesso \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas decidiram, ent\u00e3o, em parceria com o MST, ocupar esta fazenda improdutiva e obsoleta, grande propriedade fundi\u00e1ria que n\u00e3o cumpria sua fun\u00e7\u00e3o social. Foi emocionante e inesquec\u00edvel encontrar entre os parentes ind\u00edgenas o casal Sr. Gerv\u00e1zio, 91 anos, e Sra. Ant\u00f4nia, 88 anos, ambos do Povo Patax\u00f3 com suas filhas e seus filhos na retomada ind\u00edgena. Ao narrar sua hist\u00f3ria de luta e resist\u00eancia, o Sr. Gerv\u00e1zio, emocionado, diz que foi for\u00e7ado na d\u00e9cada de 1950 a deixar o territ\u00f3rio de seus parentes patax\u00f3 na Bahia, mas nunca esquece a M\u00e3e Terra. Est\u00e1 muito feliz por estar, no alto de seus 91 anos, retomando a vida no meio da mata em harmonia com a natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse local ladeado de mata foi denominado pelas lideran\u00e7as Puri, que se encontram de forma permanente na retomada desde o seu in\u00edcio, como Aldeia \u201cUx\u00f4 Mehtl\u2019om\u201d, que, na l\u00edngua Puri, significa \u2018Terra For\u00e7a\u2019. Em Patxoh\u00e3 a Aldeia se chama Na\u00f4 Xoh\u00e3. Importante passo foi dado dia 05 de junho de 2018 pela Coordena\u00e7\u00e3o Regional da FUNAI, em MG-ES, ao realizar a etapa denominada \u201cQualifica\u00e7\u00e3o\u201d, abrindo oficialmente o processo de diagn\u00f3stico e de an\u00e1lise a partir da demanda perpetrada por fam\u00edlias das etnias ind\u00edgenas Puri, Patax\u00f3 e Caraj\u00e1, que j\u00e1 se encontram na Retomada do territ\u00f3rio da Fazenda em S\u00e3o Joaquim de Bicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Interessante notar que em localidade vizinha a esta \u00e1rea de mata h\u00e1 uma vasta \u00e1rea de minera\u00e7\u00e3o denominada Serra Azul, formada por uma extensa reserva de min\u00e9rio de ferro, que corta os munic\u00edpios de Brumadinho, Igarap\u00e9, Itatiaiu\u00e7u, Ita\u00fana, Mateus Leme e S\u00e3o Joaquim de Bicas. Absurdo imaginar que o terreno vizinho e com a biodiversidade ainda conservada servia como terreno de especula\u00e7\u00e3o e reserva desta minera\u00e7\u00e3o. Terreno este que \u00e9 verdadeira reserva da natureza e da biodiversidade ideal para a moradia definitiva de fam\u00edlias ind\u00edgenas e das fam\u00edlias camponesas sem terra que nela, na m\u00e3e terra, podem produzir seus alimentos, garantindo a qualidade de vida de seus filhos e filhas. Irmanados na luta junto \u00e0 Comunidade da Retomada Ind\u00edgena no munic\u00edpio de S\u00e3o Joaquim de Bicas, o CEDEFES (Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Eloy Ferreira da Silva), o CIMI (Conselho Indigenista o Mission\u00e1rio) e a CPT (Comiss\u00e3o Pastoral da Terra) reivindicam do Estado (TJMG e Governo de Minas com a Mesa de Negocia\u00e7\u00e3o do Governo com as Ocupa\u00e7\u00f5es) que empreenda processo de negocia\u00e7\u00e3o s\u00e9rio e \u00e9tico que contemple o reconhecimento da legitimidade da Retomada do Povo Ind\u00edgena nas terras que antes eram ind\u00edgenas, mas que, n\u00e3o se sabe como, passaram a ser propriedade de um dos megacorruptos do Brasil, o Eike Batista, em S\u00e3o Joaquim de Bicas, MG. Se a fazenda reivindicada por Eike Batista n\u00e3o cumpria sua fun\u00e7\u00e3o social e se h\u00e1, segundo o censo do IBGE de 2010, mais de 7.000 ind\u00edgenas em Belo Horizonte e regi\u00e3o metropolitana, o justo e necess\u00e1rio \u00e9 que se reconhe\u00e7a a legitimidade dessa Retomada Ind\u00edgena, em S\u00e3o Joaquim de Bicas, e se efetue a Concess\u00e3o de Uso da terra para a Comunidade ind\u00edgena que retomou essa terra desde novembro de 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reivindicamos, ainda, o reconhecimento da legitimidade do Grande Acampamento de Sem Terra, do MST, situado na parte da fazenda que j\u00e1 tinha sido devastada. Que o processo de negocia\u00e7\u00e3o seja urgente para um desfecho justo e pac\u00edfico desse grave conflito agr\u00e1rio e social, evitando qualquer forma de viol\u00eancia e repress\u00e3o, reconhecendo o quanto antes o direito \u00e0 terra e \u00e0 dignidade dos povos ind\u00edgenas da RMBH.\u00a0 Os povos ind\u00edgenas s\u00e3o, de fato, guardi\u00e3es da natureza e s\u00e3o quem mais tem autoridade para nos mostrar o caminho a ser trilhado para construirmos uma sociedade que supere o capitalismo, essa m\u00e1quina de moer vidas, e nos garanta a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade justa, solid\u00e1ria, democr\u00e1tica e sustent\u00e1vel ecologicamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como o povo ind\u00edgena Tapirap\u00e9 ressurgiu em S\u00e3o F\u00e9lix do Araguaia, no Mato Grosso, povos ind\u00edgenas est\u00e3o ressurgindo na Regi\u00e3o metropolitana de Belo Horizonte. Que beleza!<\/p>\n<p><strong>Assinam essa Nota P\u00fablica:<\/strong><\/p>\n<p>CEDEFES (Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Eloy Ferreira da Silva)<\/p>\n<p>CPT\/MG (Comiss\u00e3o Pastoral da Terra)<\/p>\n<p>CIMI (Conselho Indigenista Mission\u00e1rio)<\/p>\n<p>S\u00e3o Joaquim de Bicas, MG, 11 de junho de 2018.<\/p>\n<p><strong>Obs<\/strong>.: Nota publicada em v\u00e1rios sites e blogs, entre os quais, <a href=\"http:\/\/www.cedefes.org.br\">http:\/\/www.cedefes.org.br<\/a>\u00a0, <a href=\"http:\/\/www.cptmg.org.br\">http:\/\/www.cptmg.org.br<\/a>\u00a0, <a href=\"http:\/\/www.cptminas.blogspot.com.br\">http:\/\/www.cptminas.blogspot.com.br<\/a>\u00a0, <a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\">http:\/\/www.gilvander.org.br<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.freigilvander.blogspot.com.br\">http:\/\/www.freigilvander.blogspot.com.br<\/a><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2128 alignleft\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Slide2-1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Slide2-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Slide2-1-768x576.jpg 768w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Slide2-1.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Acampamento do MST na mesma fazenda da Retomada Ind\u00edgena em S\u00e3o Joaquim de Bicas, MG, \u00e0 beira do rio Paraopeba, dia 05\/6\/2018. Foto: A. Baeta.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Retomada Ind\u00edgena em S\u00e3o Joaquim de Bicas, MG, segue em frente e se fortalece! 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