{"id":3117,"date":"2018-10-30T18:23:46","date_gmt":"2018-10-30T21:23:46","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3117"},"modified":"2018-10-30T18:23:46","modified_gmt":"2018-10-30T21:23:46","slug":"direitos-resistencias-e-visibilidade-dos-povos-tradicionais-na-roca-grande-que-e-belo-horizonte-chega-de-intolerancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/direitos-resistencias-e-visibilidade-dos-povos-tradicionais-na-roca-grande-que-e-belo-horizonte-chega-de-intolerancia\/","title":{"rendered":"Direitos, Resist\u00eancias e Visibilidade dos Povos Tradicionais na Ro\u00e7a Grande, que \u00e9 Belo Horizonte. Chega de Intoler\u00e2ncia!\u00a0\u00a0"},"content":{"rendered":"<p><strong>Direitos, Resist\u00eancias e Visibilidade dos Povos Tradicionais na Ro\u00e7a Grande, que \u00e9 Belo Horizonte. Chega de Intoler\u00e2ncia!\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_2275\" aria-describedby=\"caption-attachment-2275\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2275 size-medium\" src=\"http:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Slide1-2-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2275\" class=\"wp-caption-text\">A lideran\u00e7a ind\u00edgena Carliusa Kiriri dando palestra sobre a \u2018Mem\u00f3ria das \u00c1guas\u2019 no Semin\u00e1rio RO\u00c7A GRANDE da UEMG, em Belo Horizonte, MG, onde tamb\u00e9m relatou a hist\u00f3ria da luta do Povo Ind\u00edgena Kiriri pela terra que habitam, em Caldas, sul de Minas. Foto: Alenice Baeta, 26\/10\/2018.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>No Semin\u00e1rio \u201cRO\u00c7A GRANDE &#8211; Natureza Cultura da Cidade\u201d, organizado pelo N\u00facleo de pesquisa KAIPORA &#8211; Laborat\u00f3rio de Estudos Bioculturais -, Unidade Ibirit\u00e9 da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) e pelo Grupo de Estudos Alteridade e Cidade, da UFMG, que ocorreu nos dias 25 e 26 de Outubro de 2018, em Belo Horizonte, aconteceram v\u00e1rias atividades e rodas de conversas sobre agroecologia, bem como sobre a valoriza\u00e7\u00e3o dos of\u00edcios, saberes, sabores e fazeres dos Povos Tradicionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Destacamos a participa\u00e7\u00e3o de integrantes da Comunidade Ind\u00edgena Kiriri, que expuseram durante a mesa sobre \u2018Mem\u00f3ria das \u00c1guas\u2019, coordenada pela equipe do Projeto Manuelz\u00e3o\/UFMG, a necessidade de solu\u00e7\u00e3o justa e pac\u00edfica urgentemente da quest\u00e3o da terra onde eles habitam na regi\u00e3o de Rio Verde, em Caldas, sul de Minas Gerais, que seria atualmente de propriedade do Estado, todavia \u2018doada\u2019 anos atr\u00e1s para a UEMG, que j\u00e1 possui um campus nessa regi\u00e3o. Espera-se que a sinaliza\u00e7\u00e3o por parte da pr\u00f3pria UEMG por meio de not\u00edcia divulgada no mesmo dia desse evento por sua reitoria realmente proceda, suspendendo inclusive processo judicial de reintegra\u00e7\u00e3o de posse, indicando que n\u00e3o h\u00e1 mesmo interesse por parte desta respeitada institui\u00e7\u00e3o fazer qualquer obra ou projeto nesta propriedade, abandonada h\u00e1 anos, destravando finalmente o processo de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria a favor da Comunidade Ind\u00edgena Kiriri de Caldas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta mesma mesa foi lida ainda a \u2018Carta de Jequitib\u00e1\u2019, elaborada na ocasi\u00e3o do FestiVelhas 2018 que ocorreu nos dias 6 e 7 de Setembro de 2018, no munic\u00edpio Jequitib\u00e1, MG, onde foram \u00a0focalizados os povos tradicionais da bacia dos Rio das velhas e suas rela\u00e7\u00f5es com o territ\u00f3rio e as \u00e1guas. Este documento \u00e9 emblem\u00e1tico, pois esta importante entidade e o Instituto Guaicuy &#8211; SOS Rio das Velhas &#8211; que os assinam formalizam o apoio \u00e0 luta e aos seus direitos, se tornando mais uma entidade parceira nesta justa luta!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na parte da tarde, houve ainda encontros que abordaram a seguran\u00e7a alimentar dos povos tradicionais com a presen\u00e7a de raizeiras, benzedeiras e parteiras. Uma segunda mesa contou com palestras de lideran\u00e7as que atuam na Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), tais como, o vice-cacique Merong Kamac\u00e3 Mongoi\u00f3, do Sr. Maur\u00edcio Moreira da comunidade quilombola Mangueiras, das M\u00e3ezinhas Rita, S\u00f4nia e Dalva representando os povos de terreiro, integrantes da Associa\u00e7\u00e3o dos Carroceiros e Carroceiras Unidos de Belo Horizonte e Regi\u00e3o Metropolitana, al\u00e9m de dois revitalizadores de nascentes e da natureza, no caso, que atuam na bacia do c\u00f3rrego Navio Baleia (Belo Horizonte), o Sr. Non\u00f4 e a artista pl\u00e1stica Sra. M\u00e9rcia In\u00eas do Nascimento, autora da obra: \u201cResgate Hist\u00f3rico do c\u00f3rrego Navio Baleia\u201d, de 2009. Nesta oportunidade, foram expostas v\u00e1rias telas confeccionadas em ponto cruz, feitas pela artista que ilustram diversos tipos de cen\u00e1rios urbanos, algumas denunciam a degrada\u00e7\u00e3o ambiental e cultural da capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi apresentado tamb\u00e9m o modo de vida dos carroceiros e carroceiras como integrando o patrim\u00f4nio biocultural das cidades e, especificamente, de Belo Horizonte. O of\u00edcio dos carroceiros implica em um profundo conhecimento dos cavalos. A etnoecologia carroceira inclui, entre outros, saberes relacionados \u00e0s madeiras mais adequadas para fabrica\u00e7\u00e3o das carro\u00e7as, uso de plantas medicinais, benze\u00e7\u00f5es e outras formas de cuidado da sa\u00fade dos animais, bem como o manejo e a coleta de diversas esp\u00e9cies de gram\u00edneas de crescimento espont\u00e2neo nas cidades que comp\u00f5em parte da dieta oferecida aos cavalos. O modo de vida tradicional de carroceiros e cavalos tamb\u00e9m envolve formas especificas de sociabilidade, tais como as catiras e as cavalgadas, baseadas na reciprocidade, parentesco e afeto. A luta por respeito \u00e0 sua hist\u00f3ria milenar, \u00e0 sua tradi\u00e7\u00e3o e \u00e0 sua dignidade \u00e9 uma das bandeiras dos carroceiros e carroceiras da RMBH, que est\u00e3o se movimentando nas cidades no sentido de organizar as suas associa\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias ou coletivas, reivindicando oficialmente o seu reconhecimento como povo tradicional a partir de pol\u00edticas que visam proteger todos os processos acumulativos dos grupos portadores de refer\u00eancia \u00e0 identidade e \u00e0 mem\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os representantes do Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Eloy Ferreira da Silva (CEDEFES) e da Comiss\u00e3o Pastoral da TERRA (CPT) que participaram deste prof\u00edcuo debate reafirmaram a necessidade da organiza\u00e7\u00e3o e da luta dos povos tradicionais. \u00a0Reiteraram as quest\u00f5es e dificuldades dos povos quilombolas em contexto urbano, t\u00e3o bem explicitadas pelo l\u00edder Maur\u00edcio cuja fam\u00edlia habita tradicionalmente o Quilombo Mangueira, na Mata da Izidora, na capital mineira. Da mesma maneira, refor\u00e7aram a reveladora mensagem do ind\u00edgena Merong, nascido em Contagem, MG, que contou a saga do seu grupo familiar Mongoi\u00f3 na Bahia e depois em Minas Gerais, at\u00e9 tomarem a justa decis\u00e3o da retomada de uma terra ociosa e abandonada situada em uma fazenda da FUCAM, do Estado no munic\u00edpio de Esmeraldas, RMBH. \u201c<em>Precisamos de paz para viver nesta terra&#8230; plantar, colher e viver a nossa cultura milenar. \u00c9 o que queremos<\/em>&#8230;\u201d, comenta Merong.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reiteraram o grande absurdo no que se refere \u00e0s den\u00fancias de viol\u00eancias e intoler\u00e2ncia relatadas pelas representantes dos povos de terreiros sobre invas\u00f5es dos seus campos sagrados, desrespeitando os seus rituais e vestes, inclusive com a subtra\u00e7\u00e3o de atabaques e objetos religiosos, o que \u00e9 inaceit\u00e1vel e, por isso, repudiamos com veem\u00eancia. O Brasil \u00e9 estado laico com liberdade religiosa garantida na Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Logo, discriminar e violentar as religi\u00f5es de matriz afrodescendentes \u00e9 inadmiss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por \u00faltimo, parabenizamos a organiza\u00e7\u00e3o e a legitimidade dos trabalhadores carroceiros e a sua import\u00e2ncia para a hist\u00f3ria da cidade de Belo Horizonte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Grupo de Estudo Kaipora, da UEMG, realizou um evento muito importante, que foi na verdade um verdadeiro encontro de for\u00e7as vivas tradicionais e do BEM-VIVER, buscando dar visibilidade a elas, e aos seus direitos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2276\" aria-describedby=\"caption-attachment-2276\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2276 size-medium\" src=\"http:\/\/www.cptmg.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Slide2-1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2276\" class=\"wp-caption-text\">Mesa Redonda sobre Povos Tradicionais com representantes dos povos Ind\u00edgenas, quilombolas, povos de terreiros e carroceiros. Foto: Alenice Baeta, dia 26\/10\/2018.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Direitos, Resist\u00eancias e Visibilidade dos Povos Tradicionais na Ro\u00e7a Grande, que \u00e9 Belo Horizonte. 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