{"id":3156,"date":"2018-11-12T15:07:08","date_gmt":"2018-11-12T17:07:08","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3156"},"modified":"2018-11-12T15:07:08","modified_gmt":"2018-11-12T17:07:08","slug":"aldeia-maracana-simbolo-de-mistica-e-de-resistencia-indigena-em-contexto-urbano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/aldeia-maracana-simbolo-de-mistica-e-de-resistencia-indigena-em-contexto-urbano\/","title":{"rendered":"Aldeia Maracan\u00e3: s\u00edmbolo de m\u00edstica e de resist\u00eancia Ind\u00edgena em contexto urbano"},"content":{"rendered":"<p><strong>Aldeia Maracan\u00e3: s\u00edmbolo de m\u00edstica e de resist\u00eancia Ind\u00edgena em contexto urbano<\/strong><\/p>\n<p>Por Alenice Baeta<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<figure id=\"attachment_3157\" aria-describedby=\"caption-attachment-3157\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3157 size-medium\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Slide1-2-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Slide1-2-300x225.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Slide1-2-768x576.jpg 768w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Slide1-2.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3157\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Imagem 1<\/strong> &#8211; Aldeia Maracan\u00e3, na capital Rio de Janeiro, RJ. Foto: Alenice Baeta, Nov. de 2012.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para quem se interessa pelo tema hist\u00f3ria e organiza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena nas grandes cidades ou urbes, imposs\u00edvel n\u00e3o ter lido algo sobre a emblem\u00e1tica e fascinante hist\u00f3ria da luta dos ind\u00edgenas da aldeia Marak\u00e1\u2019n\u00e0 ou Maracan\u00e3, situada no bairro hom\u00f4nimo, na capital Rio de Janeiro, RJ. O territ\u00f3rio hoje abrangido pelos antigos bairros Imperial de S\u00e3o Cristov\u00e3o e Maracan\u00e3 foram originariamente assentamentos ind\u00edgenas de povos Tamoios que se aliaram aos franceses que buscavam tamb\u00e9m se estabelecer nas terras fluminenses durante o s\u00e9culo XVI, todavia, estes teriam sido expulsos e\/ou dizimados pelos colonizadores portugueses e suas tropas militares, que por sua vez, utilizando as inimizades hist\u00f3ricas entre os povos ind\u00edgenas tiveram o aux\u00edlio dos \u00edndios Temimin\u00f3 nos combates. Estes, no ano de 1567, quando houve o embate definitivo conhecido como \u2018Uru\u00e7umirim\u2019, estabeleceram-se nesta regi\u00e3o fundando novas aldeias ind\u00edgenas sobre as dos Povos Ind\u00edgenas Tamoio.\u00a0 Segundo M. Pimentel, entre flechas e chamas teria ent\u00e3o nascido a cidade do Rio de Janeiro, \u201c&#8230; em meio a dezenas de inc\u00eandios (cerca de 160 aldeias ind\u00edgenas foram queimadas), a milhares de flechas e tiros de canh\u00e3o e outras armas de fogo \u2013, o c\u00e9u enfuma\u00e7ado se tingiu de cinza e as \u00e1guas da Guanabara, de vermelho sangue. [&#8230;] Eles tiveram suas cabe\u00e7as espetadas em estacas e os poucos \u00edndios sobreviventes fugiram, buscando abrigo nas serras.\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A efetiva coloniza\u00e7\u00e3o desta localidade teria ocorrido somente ao longo do s\u00e9culo XVII, sobretudo a partir 1627 com a funda\u00e7\u00e3o da Igreja de S\u00e3o Cristov\u00e3o, local onde ainda eram atracadas as embarca\u00e7\u00f5es de pescadores e que tamb\u00e9m interligava S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro aos engenhos de\u00a0a\u00e7\u00facar, ro\u00e7as e demais \u00e1reas de cultivo do entorno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a vinda da fam\u00edlia real e a sua comitiva para a col\u00f4nia no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, esta localidade foi escolhida para abrigar o Pa\u00e7o Imperial Quinta de S\u00e3o Cristov\u00e3o que serviria para a sua resid\u00eancia\u00a0(1808 a 1821). Posteriormente, foi morada oficial da fam\u00edlia imperial\u00a0(1822 a 1889) na qualidade de Pal\u00e1cio Imperial (Quinta da Boa Vista), tendo sediado, inclusive, a primeira Assembleia Constituinte Republicana, de 1889 a 1891, antes de ser destinado ao uso como Museu Nacional, em 1892. Em terreno circunvizinho ao Pal\u00e1cio Imperial teria sido constru\u00eddo em 1862 um palacete pelo Duque de Saxe, oficial da Marinha austro-h\u00fangara e almirante da Armada Imperial Brasileira que ao se casar com a Princesa Leopoldina de Bragan\u00e7a teria recebido a \u00e1rea como dote por ter contra\u00eddo matrim\u00f4nio com uma das filhas do D. Pedro II.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco depois de sua constru\u00e7\u00e3o, em 1865, o im\u00f3vel foi doado pelo genro do imperador ao governo, ap\u00f3s uma fase de constantes rebeli\u00f5es populares acirradas pela crise do sistema escravagista. Segundo o termo de doa\u00e7\u00e3o, o local deveria ser para \u201cdestina\u00e7\u00e3o <em>ad eternum<\/em> \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o das sementes e das culturas ind\u00edgenas\u201d. Este ato reconheceu que o terreno tinha a origem ind\u00edgena e que este deveria ser o seu real destino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O uso da edifica\u00e7\u00e3o foi requisitado pelo primeiro diretor como sede do Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao \u00cdndio (SPI)<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>, Marechal Rondon, que na ocasi\u00e3o pertencia ao Minist\u00e9rio da Agricultura e Coloniza\u00e7\u00e3o. Em 1953 se tornou abrigo do rec\u00e9m-criado Museu do \u00cdndio por solicita\u00e7\u00e3o do antrop\u00f3logo Darcy Ribeiro que idealizou este centro de refer\u00eancia da mem\u00f3ria e da cultura ind\u00edgena. Mas em 1978, sob a ditadura militar, a sede do Museu foi transferida de forma arbitr\u00e1ria para uma edifica\u00e7\u00e3o no bairro Botafogo, e o antigo palacete, repatriado por decreto, portanto, de forma autorit\u00e1ria e ileg\u00edtima, como patrim\u00f4nio da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), que, como uma empresa, teria mais facilidade na aliena\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio p\u00fablico, ratificada, tamb\u00e9m por decreto, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, pelo ent\u00e3o presidente do Brasil Jos\u00e9 Sarney.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00e9dio fica ent\u00e3o abandonado desde 1978, por\u00e9m, moradores da regi\u00e3o relatam que o local teria sido utilizado de forma clandestina por grupos militares e paramilitares em sess\u00f5es de tortura e execu\u00e7\u00e3o de pessoas. De fato, h\u00e1 marcas caracter\u00edsticas na edifica\u00e7\u00e3o que confirmam tais den\u00fancias, tais como reformas fora do padr\u00e3o construtivo, que visavam blindar o por\u00e3o do pr\u00e9dio, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, o territ\u00f3rio passa a ser pretendido pelo movimento ind\u00edgena, denominado \u201cInstituto Tamoio dos Povos Origin\u00e1rios\u201d, sendo que algumas das lideran\u00e7as seriam tamb\u00e9m advogados, antrop\u00f3logos e historiadores, o que certamente fortaleceu a luta e a organiza\u00e7\u00e3o da retomada, sendo que a maioria de seus membros seriam ind\u00edgenas moradores da regi\u00e3o metropolitana do Rio de Janeiro, oriundos de bairros perif\u00e9ricos, favelas ou situa\u00e7\u00f5es de rua. Afonso Guajajara, advogado ind\u00edgena e membro da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), cumpria uma intensa agenda pol\u00edtica entre Bras\u00edlia e Rio de Janeiro, sendo auxiliado por seu irm\u00e3o, professor no ensino fundamental e mestrando em l\u00ednguas ind\u00edgenas, na \u00e9poca, que o auxiliava nas tarefas pol\u00edticas (REBUZZI, 2014: 74).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de um congresso na Universidade Estadual do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), (vizinha do antigo pr\u00e9dio do Museu do \u00edndio), em 2006, a \u201cConfedera\u00e7\u00e3o Tamui\u201d com o apoio de diversas entidades e organiza\u00e7\u00f5es ocupa a edifica\u00e7\u00e3o definitivamente, quando batiza o local posteriormente com o nome \u201cAldeia Maracan\u00e3\u201d (Teko Haw Marak\u00e1\u2019n\u00e0), reivindicando por A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica (ACP), a posse, gest\u00e3o e manejo ind\u00edgena do territ\u00f3rio, como espa\u00e7o de uso ind\u00edgena, voltado para a conviv\u00eancia espiritual comunit\u00e1ria de diversas etnocosmovis\u00f5es com a cria\u00e7\u00e3o de um Centro de Etnoconhecimento Socioambiental (CESAC).\u00a0 A Aldeia \u00e9 constitu\u00edda como pluri\u00e9tnica, sendo composta por integrantes de v\u00e1rias etnias, entre elas, Guajajara, Xavante, Patax\u00f3, Fulni-\u00f4, Apurin\u00e3, Tukano, Xucuru, Puri, Way-Way, al\u00e9m de in\u00fameros visitantes tribais de v\u00e1rias partes do pa\u00eds e do planeta.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3158\" aria-describedby=\"caption-attachment-3158\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3158 size-medium\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Slide2-2-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Slide2-2-300x225.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Slide2-2-768x576.jpg 768w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Slide2-2.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3158\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Imagem 2<\/strong> &#8211; Aldeia Maracan\u00e3. Ao fundo pr\u00e9dio hist\u00f3rico do Museu do \u00cdndio. Rio de Janeiro-RJ. Foto: Alenice Baeta, Nov. de 2012.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Visando manter um bom relacionamento com a vizinhan\u00e7a e o seu apoio permanente, buscando ainda provar a \u201ccondi\u00e7\u00e3o de \u00edndios\u201d, quebrando assim as barreiras do preconceito e da intoler\u00e2ncia, os ind\u00edgenas desenvolvem in\u00fameros eventos programados onde realizam rituais religiosos, entre eles, o tor\u00e9, rezas, conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias, dan\u00e7as, cantos e aulas p\u00fablicas. Estas atividades v\u00eam fortalecendo o local como espa\u00e7o de refer\u00eancia da m\u00edstica ind\u00edgena se tornando um importante centro de resist\u00eancia cultural ind\u00edgena na cidade do Rio de Janeiro e no pa\u00eds, um verdadeiro \u2018museu vivo\u2019, como pretendido por seus idealizadores (REBUZZI, 2014: 73).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com os preparativos da Copa do Mundo, de 2014, e das Olimp\u00edadas, de 2016, come\u00e7a mais um cap\u00edtulo tenebroso de persegui\u00e7\u00e3o \u00e0 Aldeia Maracan\u00e3 e \u00e0s suas lideran\u00e7as por parte de empreiteiras consorciadas e dos governos federal e estadual. O terreno passa a ser requerido pelo Estado do Rio de Janeiro como espa\u00e7o agregado ao projeto do \u2018Complexo Desportivo-Empresarial do Maracan\u00e3\u2019 para a constru\u00e7\u00e3o de um estacionamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo texto do site do Laborat\u00f3rio de Cartografia Ind\u00edgena<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>, a CONAB teria alienado o patrim\u00f4nio p\u00fablico federal para o estado do Rio de Janeiro de forma ilegal, por 60 milh\u00f5es de reais. A opera\u00e7\u00e3o de compra e venda do espa\u00e7o ocupado de moradia e uso de dezenas de fam\u00edlias ind\u00edgenas n\u00e3o \u00e9 precedido de qualquer oitiva \u2018com as partes interessadas\u2019. A Aldeia Maracan\u00e3 chegou assim a receber uma notifica\u00e7\u00e3o da Procuradoria Geral do Estado que estabelecia um prazo de dez dias para que eles se retirassem do local, mas de acordo com Carlos Tukano, uma das lideran\u00e7as da Aldeia, eles foram orientados pela Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o, e optaram por n\u00e3o assinar o recebimento do documento. A empresa de licita\u00e7\u00e3o j\u00e1 havia sido contratada em 2013, mas a Aldeia Maracan\u00e3 resistiu bravamente a uma informal \u2018ordem de despejo\u2019 no in\u00edcio desse ano, mesmo com a tropa de choque da pol\u00edcia militar em sua porta. Mas em 22 de mar\u00e7o deste mesmo ano a pol\u00edcia voltou, desta vez com ordem judicial, com opera\u00e7\u00e3o militar especial, com orienta\u00e7\u00e3o para remo\u00e7\u00e3o da Aldeia. Eclodiram ent\u00e3o confrontos sucessivos com os ind\u00edgenas, ativistas, estudantes, moradores e apoiadores em geral, que tentaram ocupar as ruas em frente \u00e0 Aldeia em sua defesa. A pol\u00edcia militar usou de extrema viol\u00eancia contra os ind\u00edgenas e demais manifestantes. \u201cPisou na cabe\u00e7a do advogado da Aldeia sob o asfalto com seu coturno, al\u00e9m de algem\u00e1-lo. Uso de g\u00e1s de \u201cefeito moral\u201d at\u00e9 contra crian\u00e7as, idosos\u2026 Foi um ato de Terrorismo Institucionalizado de Estado&#8230;\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As bilion\u00e1rias obras de engenharia no est\u00e1dio Maracan\u00e3 e no seu entorno comprometeram o antigo territ\u00f3rio Maracan\u00e3 que teve in\u00fameras \u00e1rvores cortadas, benfeitorias destru\u00eddas e \u00e1reas pavimentadas com asfalto, comprometendo a situa\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica do espa\u00e7o e os projetos ambientais e agroecol\u00f3gicos da comunidade, o degradando severamente. Mas em rea\u00e7\u00e3o, a Aldeia promoveu mutir\u00f5es de recupera\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e preserva\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio hist\u00f3rico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda segundo dados apresentados pelo site do Laborat\u00f3rio de Cartografia Ind\u00edgena, em dezembro deste mesmo ano, as empreiteiras lideradas pela Odebrecht, come\u00e7am a demolir uma das edifica\u00e7\u00f5es do antigo complexo de pesquisa do antigo Minist\u00e9rio da Agricultura e Coloniza\u00e7\u00e3o, mas o movimento ind\u00edgena, com o apoio, inclusive de trabalhadores e atingidos pelas opera\u00e7\u00f5es de reurbaniza\u00e7\u00e3o da cidade, ocupa uma destas edifica\u00e7\u00f5es em protesto contra as demoli\u00e7\u00f5es e em defesa do patrim\u00f4nio p\u00fablico-comunit\u00e1rio ind\u00edgena material e imaterial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA Tropa de Choque invade o pr\u00e9dio ocupado sem mandado, expulsa parte dos ocupantes e mant\u00eam tr\u00eas lideran\u00e7as ind\u00edgenas em situa\u00e7\u00e3o de deten\u00e7\u00e3o coercitiva por toda a madrugada, vigiados por dezenas de militares. \u00c0s 6h da manh\u00e3 do dia seguinte, a PM, novamente sem mandado judicial, invade o territ\u00f3rio ocupado pelos ind\u00edgenas e o interior do pr\u00e9dio, e retira seus ocupantes \u00e0 for\u00e7a, arrastados sob escadarias em ru\u00ednas, sob o uso de g\u00e1s de pimenta, imobilizados, sob socos e pontap\u00e9s e golpes de cassetetes, alguns s\u00e3o detidos, de forma exemplar.\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar das in\u00fameras den\u00fancias e manifesta\u00e7\u00f5es em outras localidades da capital, quatro pr\u00e9dios e galp\u00f5es foram lamentavelmente demolidos pelas empreiteiras e pela gest\u00e3o p\u00fablico-privada do Cons\u00f3rcio Maracan\u00e3, tendo s\u00f3 sobrado, ao final, o pr\u00e9dio tombado do antigo Museu do \u00cdndio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ACP supracitada foi novamente movimentada pelas lideran\u00e7as ind\u00edgenas em 2016, quando foi reconhecida na senten\u00e7a de ju\u00edzo federal, o direito de uso, de manejo ind\u00edgena do im\u00f3vel ou territ\u00f3rio. Espera-se que os \u00f3rg\u00e3os de defesa dos direitos ind\u00edgenas, como o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, a FUNAI e a Pol\u00edcia Federal, cumpram o seu papel institucional neste processo, garantindo tais direitos na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As atrocidades que ocorreram na aldeia Maracan\u00e3 foram denunciadas e encaminhadas pela organiza\u00e7\u00e3o Justi\u00e7a Global para diversas plataformas internacionais de Direitos Humanos. Estas ser\u00e3o tamb\u00e9m analisadas pelo Grupo de Trabalho sobre Deten\u00e7\u00f5es Arbitr\u00e1rias da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Entre as injusti\u00e7as foram listadas uso indiscriminado do spray de pimenta e de bombas de efeito moral pelo batalh\u00e3o de choque da pol\u00edcia militar do Rio de Janeiro, al\u00e9m da pris\u00e3o de pelo menos seis manifestantes sem justificativas ou permiss\u00e3o de acompanhamento de advogados. As lideran\u00e7as ind\u00edgenas solicitam ainda explica\u00e7\u00f5es formais \u00e0s autoridades brasileiras sobre a utiliza\u00e7\u00e3o de acusa\u00e7\u00f5es de desobedi\u00eancia e desacato como instrumento de criminaliza\u00e7\u00e3o de protestos dos povos tradicionais. Reiteram que a liberdade de express\u00e3o deveria ter sido assegurada aos ind\u00edgenas e apoiadores, sendo um direito presente na Constitui\u00e7\u00e3o Federal e na Declara\u00e7\u00e3o Universal sobre os Direitos Humanos. Lembraram ainda da Conven\u00e7\u00e3o 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), da ONU, sobre povos ind\u00edgenas e tribais, ratificada em 2004 pelo Brasil que garante a no\u00e7\u00e3o de territorialidade espec\u00edfica e etnicamente constru\u00edda, al\u00e9m da promo\u00e7\u00e3o \u00e0 plena efetividade dos direitos sociais, econ\u00f4micos, culturais, respeitando a sua identidade social, cultural, os seus costumes, tradi\u00e7\u00f5es e suas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das atividades culturais e de pesquisa que a Aldeia Maracan\u00e3 (tamb\u00e9m considerada \u201cEmbaixada Ind\u00edgena\u201d ou \u201cAcampamento Revolucion\u00e1rio Ind\u00edgena\u201d) desenvolvia no vizinho Museu Nacional era no Centro de Documenta\u00e7\u00e3o de L\u00ednguas Ind\u00edgenas, o CELIN, que preservava refer\u00eancias de povos ind\u00edgenas documentadas h\u00e1 pelo menos duzentos anos, com escritos, fotografias, v\u00eddeos e grava\u00e7\u00f5es de l\u00ednguas faladas por muitas tribos, inclusive algumas consideradas extintas, com registros de cantos, discursos e hist\u00f3rias, muitos ainda in\u00e9ditos.\u00a0 Alguns ind\u00edgenas da Aldeia, historiadores e pesquisadores da cultura dos povos origin\u00e1rios do Brasil passaram assim boa parte dos \u00faltimos anos debru\u00e7ados sobre o acervo etnol\u00f3gico e ind\u00edgena em laborat\u00f3rios desta institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas infelizmente, mais um momento tr\u00e1gico assola a Aldeia Maracan\u00e3 e todo o pa\u00eds no dia 02 de setembro de 2018, com um inc\u00eandio inaceit\u00e1vel do pr\u00e9dio hist\u00f3rico do Museu Nacional. Segundo os moradores da Aldeia, assim que avistaram as chamas, correram para o local, mas o fogo j\u00e1 teria consumido tudo. Em entrevista para a Revista Piaui<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>, o historiador Daniel Tutushamum Puri, de 42 anos, conta que assistiu em sil\u00eancio \u00e0s labaredas que consumiam objetos, fotografias e registros orais de seu povo, os Puri, que j\u00e1 foram considerados extintos pela FUNAI. \u201cO material que estava ali servia de base para pesquisas do nosso povo e de muitos outros povos nativos do Brasil. Era uma forma de ter reconhecida nossa cultura e afirmar nossa exist\u00eancia. Sem eles, \u00e9 como se f\u00f4ssemos extintos novamente\u201d, disse Tutushamum, que \u00e9 mestre em Educa\u00e7\u00e3o pela USP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Jos\u00e9 Urutau Guajajara, de 57 anos: \u201cIsso \u00e9 a morte da mem\u00f3ria dos povos origin\u00e1rios, uma neglig\u00eancia com o nosso patrim\u00f4nio. A mem\u00f3ria de todas as l\u00ednguas da Am\u00e9rica Latina estava aqui. T\u00ednhamos registros sonoros e escritos de povos que j\u00e1 n\u00e3o existem. Estamos vendo a cultura ind\u00edgena sendo apagada. Uma perda irrepar\u00e1vel\u201d, disse Urutau Guajajara, mestre em Lingu\u00edstica e L\u00edngua Ind\u00edgena pela UFRJ. Integrante da tribo Tenetehara-Guajajara, Urutau fez sua tese sobre a estrutura do Ze\u2019egt\u00e9, sua l\u00edngua ancestral, no Museu Nacional. Segundo Tutushamum, \u201ca sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 que nos odeiam&#8230; \u00c9 mais uma destrui\u00e7\u00e3o para a nossa cultura. Temos a destrui\u00e7\u00e3o das nossas l\u00ednguas, dos nossos costumes, das nossas terras e at\u00e9 mesmo dos nossos indiv\u00edduos. Ent\u00e3o, esse inc\u00eandio no Museu Nacional parece parte da mesma agress\u00e3o. \u00c9 o que a gente sente,\u201d conclui a lideran\u00e7a em sua entrevista para a revista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o inexplic\u00e1vel inc\u00eandio no Museu Nacional, ind\u00edgenas da Aldeia Maracan\u00e3 vem realizando in\u00fameros rituais, tanto na Aldeia quanto nas proximidades do pr\u00e9dio do Museu em mem\u00f3ria ao acervo destru\u00eddo, pois o imaterial ali permanece&#8230; \u201cRezas para os esp\u00edritos ancestrais vem sendo realizadas&#8230;\u201d como explica o ind\u00edgena Dario Jurema Xucuru.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra atividade de luta e de express\u00e3o deste importante n\u00facleo ind\u00edgena urbano \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o da terceira edi\u00e7\u00e3o do Congresso Intercultural de Resist\u00eancia dos Povos Ind\u00edgenas e Tradicionais do Maraka\u00b4n\u00e0, que busca promover a articula\u00e7\u00e3o dos povos tradicionais em torno da luta pela autodemarca\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio, do saber e do seu protagonismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Luto sim, contra estas injusti\u00e7as e trag\u00e9dias&#8230; em permanente Luta. Sigamos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3159\" aria-describedby=\"caption-attachment-3159\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3159 size-medium\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Slide3-2-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Slide3-2-300x225.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Slide3-2-768x576.jpg 768w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Slide3-2.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3159\" class=\"wp-caption-text\">Imagem 3 &#8211; Foto enviada por Dario Jurema da Aldeia Maracan\u00e3 de uma manifesta\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas e ativistas no Rio de Janeiro onde se denuncia o tr\u00e1gico inc\u00eandio do Museu Nacional e a destrui\u00e7\u00e3o total de acervo e de documenta\u00e7\u00e3o ind\u00edgena. Outubro de 2018.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Artigo citado:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">REBUZZI, D. C. Aldeia Maracan\u00e3: um movimento contra o \u00edndio arquivado. Revista de Antropologia da UFSCAR, 6 (2) Jul\/Dez de 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sites \/Mat\u00e9rias Consultadas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/multirio.rio.rj.gov.br\/index.php\/leia\/reportagens-artigos\/reportagens\/1007-entre-flechas-e-chamas-nasceu-o-rio\">http:\/\/multirio.rio.rj.gov.br\/index.php\/leia\/reportagens-artigos\/reportagens\/1007-entre-flechas-e-chamas-nasceu-o-rio<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/noticias\/2013\/01\/130116_indios_tukano_cq_mdb.shtm\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/noticias\/2013\/01\/130116_indios_tukano_cq_mdb.shtm<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/medium.com\/@labcartografiaindigena\/aldeia-maracana-bfad3c6a374a\">https:\/\/medium.com\/@labcartografiaindigena\/aldeia-maracana-bfad3c6a374a<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/e-como-se-fossemos-extintos-novamente\/\">https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/e-como-se-fossemos-extintos-novamente\/<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/istoe.com.br\/lider-indigena-considera-incendio-no-museu-nacional-etnocidio-cultural\/\">https:\/\/istoe.com.br\/lider-indigena-considera-incendio-no-museu-nacional-etnocidio-cultural\/<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/events\/255345975185846\/\">https:\/\/www.facebook.com\/events\/255345975185846\/<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Belo Horizonte, MG, 12 de novembro de 2018.<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"576\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3160 alignleft\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Slide4-1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Slide4-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Slide4-1-768x576.jpg 768w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Slide4-1.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entre os dias 15 e 19 de Novembro de 2018 ocorrer\u00e1 o COIREM &#8211; Congresso Intercultural de Resist\u00eancia dos Povos Ind\u00edgenas e Tradicionais do Maraka\u00b4n\u00e0.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAp\u00f3s enormes ataques sofridos e remo\u00e7\u00f5es truculentas, a \u2018ReXist\u00eancia\u2019 da Aldeia Maraka&#8217;n\u00e0\u00a0 completa 12 anos desde a nossa retomada e frente ao quadro nacional de brutais ataques contra os povos ind\u00edgenas, convocamos todos guerreiros e guerreiras \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do III Congresso Intercultural da \u2018ReXist\u00eancia\u2019 dos Povos Ind\u00edgenas e Tradicionais do Maraka&#8217;n\u00e0.\u00a0Este Congresso visa promover a articula\u00e7\u00e3o dos povos tradicionais em torno da luta pela autodemarca\u00e7\u00e3o do saber e do territ\u00f3rio. Vivemos num dos poucos pa\u00edses do continente onde n\u00e3o existe uma universidade ind\u00edgena. Nosso protagonismo sempre foi negado e \u00e9 ferramenta fundamental para avan\u00e7armos em nossa luta por garantia de nossa dignidade como povos soberanos.\u201d<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/events\/255345975185846\/\">https:\/\/www.facebook.com\/events\/255345975185846\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Doutora em Arqueologia e Historiadora. Membro do Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Eloy Ferreira da Silva (CEDEFES); e-mail: <a href=\"mailto:alenicebaeta@yahoo.com.br\">alenicebaeta@yahoo.com.br<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Cf.\u00a0<a href=\"http:\/\/multirio.rio.rj.gov.br\/index.php\/leia\/reportagens-artigos\/reportagens\/1007-entre-flechas-e-chamas-nasceu-o-rio\">http:\/\/multirio.rio.rj.gov.br\/index.php\/leia\/reportagens-artigos\/reportagens\/1007-entre-flechas-e-chamas-nasceu-o-rio<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>O SPI foi sucedido pela Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (FUNAI), em 1967.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>\u00a0 Cf.\u00a0<a href=\"https:\/\/medium.com\/@labcartografiaindigena\/aldeia-maracana-bfad3c6a374a\">https:\/\/medium.com\/@labcartografiaindigena\/aldeia-maracana-bfad3c6a374a<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Cf.\u00a0<a href=\"https:\/\/medium.com\/@labcartografiaindigena\/aldeia-maracana-bfad3c6a374a\">https:\/\/medium.com\/@labcartografiaindigena\/aldeia-maracana-bfad3c6a374a<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Cf. Nota 2\u00a0 ( Site do Laborat\u00f3rio de Cartografia Ind\u00edgena)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Entrevista para Camila Zarur em 3 de Setembro de 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cf. na \u00edntegra:\u00a0<a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/e-como-se-fossemos-extintos-novamente\/\">https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/e-como-se-fossemos-extintos-novamente\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aldeia Maracan\u00e3: s\u00edmbolo de m\u00edstica e de resist\u00eancia Ind\u00edgena em contexto urbano Por Alenice Baeta[1] Para quem se interessa pelo tema hist\u00f3ria e organiza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena nas grandes cidades ou urbes, imposs\u00edvel n\u00e3o ter lido algo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3160,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,17,40,44,39,27,30,25,29,43],"tags":[],"class_list":["post-3156","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-destaque","category-direito-a-cidade","category-direito-a-memoria","category-direitos-dos-povos-indigenas","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-luta-pela-terra-e-reforma-agraria","category-movimentos-sociais-populares","category-pedagogia-emancipatoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3156","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3156"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3156\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3161,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3156\/revisions\/3161"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3160"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3156"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3156"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3156"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}