{"id":3276,"date":"2018-12-06T13:12:09","date_gmt":"2018-12-06T15:12:09","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3276"},"modified":"2018-12-06T13:15:15","modified_gmt":"2018-12-06T15:15:15","slug":"arqueologos-encontram-ossadas-da-epoca-da-escravidao-em-terreno-no-centro-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/arqueologos-encontram-ossadas-da-epoca-da-escravidao-em-terreno-no-centro-de-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Arque\u00f3logos encontram ossadas da \u00e9poca da escravid\u00e3o em terreno no Centro de S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Arque\u00f3logos encontram ossadas da \u00e9poca da escravid\u00e3o em terreno no Centro de S\u00e3o Paulo &#8211;\u00a0<\/strong>06\/12\/2018<\/p>\n<figure id=\"attachment_3277\" aria-describedby=\"caption-attachment-3277\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3277 size-medium\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Escravid\u00e3o-no-centro-de-SP-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Escravid\u00e3o-no-centro-de-SP-300x169.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Escravid\u00e3o-no-centro-de-SP.jpg 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3277\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Marcelo Brandt\/ G1.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um grupo de arque\u00f3logos identificou resqu\u00edcios do Cemit\u00e9rio dos Aflitos, o primeiro cemit\u00e9rio p\u00fablico da cidade de S\u00e3o Paulo, no bairro da Liberdade, sob os escombros de um edif\u00edcio. De acordo com os pesquisadores, ao menos sete esqueletos da \u00e9poca da escravid\u00e3o no Brasil, enterrados no per\u00edodo de 1775 a 1858, foram localizados entre outubro e dezembro de 2018. A \u00e1rea localizada entre as ruas Galv\u00e3o Bueno e dos Aflitos, atr\u00e1s da Capela de Nossa Senhora dos Aflitos, \u00e9 uma propriedade particular e at\u00e9 o in\u00edcio deste ano abrigava um pr\u00e9dio. A propriet\u00e1ria do espa\u00e7o decidiu demolir o edif\u00edcio por causa de problemas estruturais e construir um novo empreendimento comercial no local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEsta \u00e9 uma obra particular, mas por estar no entorno da capela, que \u00e9 um bem tombado, est\u00e1 sob a regulamenta\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os de preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e cultural\u201d, explica L\u00facia Juliani, diretora da empresa A Lasca, contratada pela propriet\u00e1ria do terreno para a consultoria arqueol\u00f3gica. \u201cPor isso, antes de dar seguimento \u00e0s obras, as institui\u00e7\u00f5es recomendaram uma pesquisa arqueol\u00f3gica para saber se havia evid\u00eancias do antigo cemit\u00e9rio que historicamente sabia-se que existia aqui.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas arque\u00f3logos especialistas em s\u00edtios do tipo funer\u00e1rio identificaram sete esqueletos entre outubro e o in\u00edcio de dezembro deste ano na \u00e1rea de 400 m\u00b2, cerca de um metro abaixo do n\u00edvel da rua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00faltimo esqueleto foi encontrado na segunda-feira (3), ent\u00e3o, de acordo com os pesquisadores, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel identificar a origem dos indiv\u00edduos, a idade, a causa da morte, nem o sexo, mas significam a prova material do que estava documentado e com detalhes que n\u00e3o foram registrados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs esqueletos n\u00e3o foram enterrados com pertences e pelo menos um deles usava um colar com contas de vidro, o que indica o pertencimento a alguma religi\u00e3o de matriz africana. Assim, no m\u00ednimo, a descoberta comprova que o primeiro cemit\u00e9rio de S\u00e3o Paulo era destinado \u00e0s popula\u00e7\u00f5es marginalizadas socialmente, aos escravizados, aos presos, aos pobres, \u00e0s pessoas com doen\u00e7as contagiosas, aos condenados \u00e0 forca e \u00e0queles que n\u00e3o possu\u00edam fam\u00edlia\u201d, explica S\u00f4nia Cunha, arque\u00f3loga coordenadora da pesquisa em campo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A arque\u00f3loga afirma que a identifica\u00e7\u00e3o do s\u00edtio arqueol\u00f3gico na Liberdade ajuda a remontar a hist\u00f3ria de S\u00e3o Paulo, acrescentando informa\u00e7\u00f5es aos documentos hist\u00f3ricos, confirmando ou desmentindo-as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEsta identifica\u00e7\u00e3o j\u00e1 ampliou o conhecimento que se tinha, pois acreditava-se que os restos mortais haviam sido transferidos para o Cemit\u00e9rio da Consola\u00e7\u00e3o, a segunda necr\u00f3pole p\u00fablica de S\u00e3o Paulo, e pudemos ver como era o procedimento \u2013 um dos esqueletos foi enterrado em c\u00fabito lateral, como se dormisse de lado, com as m\u00e3os fechadas sob a cabe\u00e7a. Isso denota um certo cuidado de quem o posicionou aqui\u201d, diz Cunha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Etapas do servi\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo o trabalho tem sido realizado com o aval do Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (IPHAN), que exige um projeto e relat\u00f3rios de acompanhamento para liberar a obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO IPHAN concede a portaria de pesquisa quando a empresa de consultoria arqueol\u00f3gica comprova a idoneidade t\u00e9cnico-cient\u00edfica de seu trabalho por meio de um projeto plaus\u00edvel, bem formulado, criterioso, exequ\u00edvel, visando a integridade patrimonial\u201d, afirma Leila Maria Fran\u00e7a, arque\u00f3loga do IPHAN.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o encerramento das escava\u00e7\u00f5es na Liberdade, que devem durar mais uma semana, os ossos ser\u00e3o levados para o laborat\u00f3rio da A Lasca, onde ser\u00e3o limpos, passar\u00e3o por uma curadoria e por uma an\u00e1lise, at\u00e9 a entrega dos objetos para Departamento do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico, \u00f3rg\u00e3o da Secretaria Municipal de Cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO trabalho do IPHAN s\u00f3 termina quando os objetos s\u00e3o devidamente entregues a uma institui\u00e7\u00e3o de guarda. Quando voc\u00ea interfere no solo, voc\u00ea destr\u00f3i o contexto arqueol\u00f3gico, e o \u00fanico jeito de compensar isso \u00e9 disponibilizando este material para constru\u00e7\u00e3o de conhecimento, conforme determina a Constitui\u00e7\u00e3o\u201d, explica a arque\u00f3loga do IPHAN.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pesquisadores presumem que haja outros esqueletos nesta \u00e1rea, mas explicam que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel derrubar empreendimentos vizinhos para avan\u00e7ar com a pesquisa. A descoberta transforma a \u00e1rea em um s\u00edtio arqueol\u00f3gico, que demandar\u00e1 pesquisas a cada nova constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO patrim\u00f4nio hist\u00f3rico \u00e9 a mem\u00f3ria de um povo, o que lhe confere identidade, consci\u00eancia de cidadania. Os bens arqueol\u00f3gicos s\u00e3o para usufruto do cidad\u00e3o, que precisa conhecer a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria\u201d, diz Leila Maria Fran\u00e7a. \u201cTem a quest\u00e3o do desenvolvimento e os empreendimentos devem ser realizados, mas de forma sustent\u00e1vel do ponto de vista cultural\u201d, conclui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Escravid\u00e3o em S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de se chamar\u00a0Pra\u00e7a da Liberdade, o espa\u00e7o p\u00fablico era conhecido como Largo da Forca, e o atual Largo Sete de Setembro era o Largo do Pelourinho. Sob a atual Rua da Gl\u00f3ria estava o Cemit\u00e9rio dos Aflitos, documentado como a necr\u00f3pole destinada aos escravos rec\u00e9m-identificada pela equipe da A Lasca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Largo da Forca era o destino dos condenados \u00e0 morte at\u00e9 a metade do s\u00e9culo 19, sendo a maioria deles de escravos fugitivos. O local de enforcamentos foi escolhido pela proximidade com a necr\u00f3pole.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A forca foi movida do local em 1874, ap\u00f3s a pena de morte ser extinta no Brasil. Pouco abaixo do antigo Largo da Forca, o Largo do Pelourinho era o local onde os negros fugitivos eram a\u00e7oitados at\u00e9 a metade do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p><a href=\"Fonte:%20https:\/\/www.viacomercial.com.br\/2018\/12\/06\/arqueologos-encontram-ossadas-da-epoca-da-escravidao-em-terreno-no-centro-de-sao-paulo\/\"><strong>Fonte<\/strong>: https:\/\/www.viacomercial.com.br\/2018\/12\/06\/arqueologos-encontram-ossadas-da-epoca-da-escravidao-em-terreno-no-centro-de-sao-paulo\/\u00a0<\/a><\/p>\n<p>E\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cedefes.org.br\/arqueologos-encontram-ossadas-da-epoca-da-escravidao-em-terreno-no-centro-de-sao-paulo\/\">http:\/\/www.cedefes.org.br\/arqueologos-encontram-ossadas-da-epoca-da-escravidao-em-terreno-no-centro-de-sao-paulo\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arque\u00f3logos encontram ossadas da \u00e9poca da escravid\u00e3o em terreno no Centro de S\u00e3o Paulo &#8211;\u00a006\/12\/2018 Um grupo de arque\u00f3logos identificou resqu\u00edcios do Cemit\u00e9rio dos Aflitos, o primeiro cemit\u00e9rio p\u00fablico da cidade de S\u00e3o Paulo, no<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3277,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,40,46,44,35,20],"tags":[],"class_list":["post-3276","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-direito-a-cidade","category-direito-a-cultura-popular","category-direito-a-memoria","category-direitos-dos-quilombolas","category-noticia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3276","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3276"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3276\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3278,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3276\/revisions\/3278"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3277"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3276"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3276"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3276"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}