{"id":380,"date":"2016-12-11T22:36:06","date_gmt":"2016-12-12T00:36:06","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=380"},"modified":"2016-12-11T22:36:06","modified_gmt":"2016-12-12T00:36:06","slug":"povo-indigena-arana-ressurgido-que-beleza-por-frei-gilvander","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/povo-indigena-arana-ressurgido-que-beleza-por-frei-gilvander\/","title":{"rendered":"Povo ind\u00edgena Aran\u00e3 ressurgido: que beleza! Por frei Gilvander"},"content":{"rendered":"<p><strong>Povo ind\u00edgena Aran\u00e3 ressurgido: que beleza!<\/strong><\/p>\n<p>Por frei Gilvander Lu\u00eds Moreira<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-381 aligncenter\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/LIVRO-A-sabedoria-do-povo-Aran\u00e3-de-Vera-dia-10-10-2016-300x300.jpg\" alt=\"livro-a-sabedoria-do-povo-arana-de-vera-dia-10-10-2016\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/LIVRO-A-sabedoria-do-povo-Aran\u00e3-de-Vera-dia-10-10-2016-300x300.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/LIVRO-A-sabedoria-do-povo-Aran\u00e3-de-Vera-dia-10-10-2016-150x150.jpg 150w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/LIVRO-A-sabedoria-do-povo-Aran\u00e3-de-Vera-dia-10-10-2016-768x768.jpg 768w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/LIVRO-A-sabedoria-do-povo-Aran\u00e3-de-Vera-dia-10-10-2016.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Li com alegria os manuscritos <em>Educa\u00e7\u00e3o, identidade e cidadania: uma leitura da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do povo ressurgido Aran\u00e3<\/em>, de Vera L\u00facia Soares de Ara\u00fajo, freira, assessora do CEBI (Centro Ecum\u00eanico de Estudos B\u00edblicos \u2013 <a href=\"http:\/\/www.cebi.org.br\">www.cebi.org.br<\/a> ) e educadora. Texto fruto de disserta\u00e7\u00e3o de mestrado de Vera L\u00facia em Educa\u00e7\u00e3o na UNOESTE, em 2011. Texto que se tornou o livro ARA\u00daJO, Vera L\u00facia Soares. <strong>A Sabedoria do Povo Aran\u00e3<\/strong>. Curitiba: Editora Appris, 2016.<\/p>\n<p>Logo no in\u00edcio da leitura, recordei-me do livro <em>O Renascer do Povo Tapirap\u00e9 (1952-1954): di\u00e1rio das Irm\u00e3zinhas de Jesus<\/em>, que trata do ressurgimento do povo Tapirap\u00e9, na Prelazia de S\u00e3o F\u00e9lix do Araguaia, no Mato Grosso. Recordei-me tamb\u00e9m do padre Jo\u00e3o Bosco Burnier que, ap\u00f3s o soldado Ezy, na porta de uma cadeia em Ribeir\u00e3o Cascalheira, MT, dar um soco fort\u00edssimo no rosto dele e descarregar tamb\u00e9m no seu rosto um golpe de rev\u00f3lver e, num segundo gesto fulminante, o tiro fatal, no cr\u00e2nio<em>, <\/em>agonizando em um autom\u00f3vel pelas estradas esburacadas do Xingu, antes de morrer em Goi\u00e2nia no dia 12 de outubro de 1976, padre Jo\u00e3o Bosco lamentou com saudade comovedora ao bispo Dom Pedro Casald\u00e1liga: \u201c<em>Sinto n\u00e3o ter tomado nota do que os \u00edndios (Tapirap\u00e9) falaram.<\/em>..\u201d Ainda bem que as Irm\u00e3zinhas de Jesus, que convivem com os povos Tapirap\u00e9s, desde 1952, em seus di\u00e1rios registraram muita coisa da vida do povo Tapirap\u00e9, parte publicado no livro <em>O<\/em> <em>Renascer do Povo Tapirap\u00e9<\/em>. E que beleza humanizadora que Vera L\u00facia Soares de Ara\u00fajo pesquisou e escreveu sobre o ressurgimento\/emerg\u00eancia do Povo Ind\u00edgena Aran\u00e3, em Minas Gerais.<\/p>\n<p>No Brasil, ao longo de 516 anos, sob o signo do capital, os detentores dos poderes pol\u00edtico e econ\u00f4mico t\u00eam feito uma das maiores sextas-feiras da Paix\u00e3o ao massacrarem e dizimarem milh\u00f5es de parentes nossos: os povos ind\u00edgenas aut\u00f3ctones, os primeiros e leg\u00edtimos herdeiros da terra Brasil, mas domingos de ressurrei\u00e7\u00e3o est\u00e3o sendo gestados com o ressurgimento\/emerg\u00eancia de muitos povos ind\u00edgenas. Em 1980 foram catalogados 18 povos ind\u00edgenas ressurgidos. Os mais de cem povos ind\u00edgenas que habitavam o estado de Minas Gerais hoje est\u00e3o resumidos a apenas onze povos &#8211; Xacriab\u00e1, Aran\u00e3, Maxacali, Xucuru-cariri, Patax\u00f3 Hahahae, Pury, Pancararu, Krenak, Mokurin, Arax\u00e1 e Kaxix\u00f3 \u2013 na luta pelas suas terras para que sejam resgatadas e demarcadas de forma integral.<\/p>\n<p>Escrevendo a partir do Povo Ind\u00edgena Aran\u00e3, com resgate hist\u00f3rico e pedag\u00f3gico do caminho trilhado pelo Povo ind\u00edgena Aran\u00e3 na sua luta por reconhecimento e resgate de seus direitos, Vera L\u00facia apresenta, em linguagem simples e clara, o processo de luta por cidadania do Povo Aran\u00e3. Vera se ancora em v\u00e1rios documentos que sustentam a gradativa conquista de cidadania do Povo Aran\u00e3, tal como uma carta enviada a um representante do Estado, na qual o Povo Aran\u00e3 revela cabe\u00e7a erguida na defesa de seus direitos: \u201cComo \u00e9 do vosso conhecimento, o Povo Aran\u00e3, origin\u00e1rio dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, est\u00e1 reivindicando do Estado o seu reconhecimento \u00e9tnico.\u201d<\/p>\n<p>Em 2002, por ter sido extorquido de suas terras e ser sem-terra o Povo Aran\u00e3, o Conselho Ind\u00edgena Aran\u00e3 exigiu do Instituto de Terras do Governo de Minas Gerais a vistoria da fazenda Estacado por ser essa presumivelmente terra devoluta, e, assim, exigiu a libera\u00e7\u00e3o daquela fazenda para o Povo Aran\u00e3 restabelecer sua aldeia. O resgate da terra do Povo Aran\u00e3 continua um desafio a ser conquistado.<\/p>\n<p>Enche-nos de esperan\u00e7a ao lermos no texto passagens que revelam a sabedoria, a coragem e a altivez do Povo Aran\u00e3, tal como: \u201cO Povo Aran\u00e3 luta para provar que est\u00e1 vivo e reaver suas terras que eram suas no passado. Luta bravamente para resgatar sua hist\u00f3ria, sua cultura, seus valores e resgatar a terra que lhe foi extorquida pelos colonizadores.\u201d<\/p>\n<p>O texto apresenta a educa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica desenvolvida pelo Povo Aran\u00e3 e, ao fazer esse resgate, pode ser fonte de inspira\u00e7\u00e3o para o ressurgimento de outros povos e culturas renegadas. Manoel \u00cdndio de Souza e seu filho Pedro Sang\u00ea, guardi\u00e3es da mem\u00f3ria dos antepassados, cultivadores da m\u00edstica e da cultura aos atuais descendentes. Eis um exemplo eloquente da import\u00e2ncia vital de se cultivar a mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Vera L\u00facia nos indica o caminho das pedras &#8211; o segredo da mina \u2013 ao mostrar o caminho trilhado para o ressurgimento do Povo Aran\u00e3, caminho que passou pela conviv\u00eancia com o Movimento Ind\u00edgena estadual e nacional, pesquisas hist\u00f3ricas e antropol\u00f3gicas, muitos encontros de forma\u00e7\u00e3o, reuni\u00f5es semanais, assembleias peri\u00f3dicas, semanas ind\u00edgenas anuais, visitas a outros parentes ind\u00edgenas para troca de experi\u00eancia e (re)conhecimento m\u00fatuo, participa\u00e7\u00e3o em audi\u00eancias, reivindica\u00e7\u00f5es a representantes do Estado etc. Que beleza revolucion\u00e1ria constatar no texto que o CIMI (Conselho Indigenista Mission\u00e1rio) e o CEDEFES (Centro de Defesa Eloy Ferreira) foram imprescind\u00edveis no ressurgimento do Povo Aran\u00e3, ao ati\u00e7ar e acompanhar o processo de luta em busca de cidadania! A leitura dos manuscritos renovou em mim a esperan\u00e7a na luta em prol da constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade justa e solid\u00e1ria, que passa necessariamente pelo resgate de todas as culturas ind\u00edgenas e demarca\u00e7\u00e3o de suas terras. O texto nos ajuda a respeitar e admirar a beleza que s\u00e3o as m\u00edsticas e as culturas ind\u00edgenas. Boa leitura do livro <em>A Sabedoria do Povo Aran\u00e3.<\/em><\/p>\n<p>Belo Horizonte, MG, 05\/12\/2015.<\/p>\n<p>Gilvander Lu\u00eds Moreira, frei carmelita.<\/p>\n<p><a href=\"mailto:gilvanderufmg@gmail.com\">gilvanderufmg@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.freigilvander.blogspot.com.br\">www.freigilvander.blogspot.com.br<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\">www.gilvander.org.br<\/a><\/p>\n<p>Face: Gilvander Moreira III<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Povo ind\u00edgena Aran\u00e3 ressurgido: que beleza! Por frei Gilvander Lu\u00eds Moreira Li com alegria os manuscritos Educa\u00e7\u00e3o, identidade e cidadania: uma leitura da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do povo ressurgido Aran\u00e3, de Vera L\u00facia Soares de Ara\u00fajo,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":381,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-380","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/380","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=380"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/380\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":382,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/380\/revisions\/382"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/381"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=380"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=380"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=380"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}