{"id":400,"date":"2017-03-24T14:43:45","date_gmt":"2017-03-24T17:43:45","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=400"},"modified":"2017-03-24T14:52:24","modified_gmt":"2017-03-24T17:52:24","slug":"luta-por-moradia-desafio-urbano-tambem-para-as-cebs-subsidio-para-o-14a-intereclesial-das-cebs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/luta-por-moradia-desafio-urbano-tambem-para-as-cebs-subsidio-para-o-14a-intereclesial-das-cebs\/","title":{"rendered":"Luta por moradia, desafio urbano tamb\u00e9m para as CEBs: subs\u00eddio para o 14\u00aa Intereclesial das CEBs"},"content":{"rendered":"<p><strong>Luta por moradia, desafio urbano tamb\u00e9m para as CEBs: subs\u00eddio para o 14\u00aa Intereclesial das CEBs<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p>Por frei Gilvander Lu\u00eds Moreira<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Ai daqueles que pisam nos pobres, que tripudiam sobre a dignidade de crian\u00e7as rec\u00e9m-nascidas, idosos, deficientes e indefesos, todos pobres!<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-401 aligncenter\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Culto-inter-religioso-3-na-Ocupa\u00e7\u00e3o-Esperan\u00e7a-na-Izidora-23-10-2016-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Culto-inter-religioso-3-na-Ocupa\u00e7\u00e3o-Esperan\u00e7a-na-Izidora-23-10-2016-300x169.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Culto-inter-religioso-3-na-Ocupa\u00e7\u00e3o-Esperan\u00e7a-na-Izidora-23-10-2016-768x432.jpg 768w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Culto-inter-religioso-3-na-Ocupa\u00e7\u00e3o-Esperan\u00e7a-na-Izidora-23-10-2016.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Qual a participa\u00e7\u00e3o do povo das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) na luta coletiva por moradia digna que vamos narrar a seguir? Fruto da injusti\u00e7a social, do capitalismo, da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e falta de reforma agr\u00e1ria, o d\u00e9ficit habitacional cresce nas cidades; com ele as ocupa\u00e7\u00f5es urbanas. Em uma Audi\u00eancia P\u00fablica na Comiss\u00e3o de Direitos Humanos, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, uma senhora de uma Ocupa\u00e7\u00e3o urbana, amea\u00e7ada de despejo, no microfone, gritou: \u201cQueremos moradia e n\u00e3o apenas o direito \u00e0 moradia.\u201d Esse grito nos faz pensar. Pol\u00edticas habitacionais populares est\u00e3o quase somente em discursos e v\u00e3s promessas. Direitos fundamentais, como o de morar com dignidade, v\u00eam sendo h\u00e1 muito tempo violados. At\u00e9 o final de 2014 foram constru\u00eddas em Belo Horizonte (BH) pouco mais de 1000 apartamentos pequenos em pr\u00e9dios de 5 andares sem elevadores pelo Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) para fam\u00edlias com renda de at\u00e9 1.600,00 (Hum mil e seiscentos reais), Faixa 1, em que pese mais de quatro anos de exist\u00eancia do referido programa. Na capital mineira, no 1\u00ba dia de cadastro para o PMCMV, em 2009, 199 mil fam\u00edlias se inscreveram, por\u00e9m n\u00e3o houve uma resposta efetiva a essa demanda. A Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro atestava um <em>d\u00e9ficit<\/em> habitacional de 78 mil casas, em 2010, em Belo Horizonte. Hoje, estima-se um <em>d\u00e9ficit<\/em> habitacional na capital mineira acima de 150 mil moradias. Portanto, o problema j\u00e1 diagnosticado, h\u00e1 muito, al\u00e9m de n\u00e3o ter sido resolvido, s\u00f3 se agravou.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 programa de constru\u00e7\u00e3o de moradias para a popula\u00e7\u00e3o injusti\u00e7ada em Belo Horizonte diversa do PMCMV, que \u00e9 muito t\u00edmido e beneficia primordialmente as construtoras. Isso porque as constru\u00e7\u00f5es de unidades habitacionais pelas obras do programa Vila Viva\u00a0n\u00e3o\u00a0se prestam a atender o d\u00e9ficit habitacional de Belo Horizonte. Documento do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal informa que, de 7.957 remo\u00e7\u00f5es realizadas pelo programa Vila Viva em Belo Horizonte, somente 3.950 remo\u00e7\u00f5es importaram em reassentamento \u2013 sem titula\u00e7\u00e3o &#8211; em apartamentos constru\u00eddos por esse programa. Do restante, 496 dos removidos conseguiram adquirir a compra de casa com recursos advindos do Programa de assentamento de fam\u00edlias removidas em decorr\u00eancia de execu\u00e7\u00e3o de obras p\u00fablicas (PROAS) \u2013 40 mil reais \u00e9 o teto &#8211; e, mais de 50% dos removidos, 4.310, receberam indeniza\u00e7\u00e3o pela remo\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria. A indeniza\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre injusta, pois n\u00e3o indeniza o valor do im\u00f3vel, mas apenas o valor da constru\u00e7\u00e3o da casa ou do barraco. Ou seja, ignora-se o direito \u00e0 posse. O que \u00e9 considerado na indeniza\u00e7\u00e3o \u00e9 somente o valor da incorpora\u00e7\u00e3o feita no lote, e via de regra, uma constru\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria. Ainda assim, para os que conseguem ser assentados nos novos im\u00f3veis da Prefeitura, a not\u00edcia n\u00e3o \u00e9 das melhores. H\u00e1 Relat\u00f3rio da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), da Pol\u00edcia Militar, do Minist\u00e9rio P\u00fablico e da Pol\u00edcia civil atestando o caos nos predinhos do Programa Vila Viva, que \u00e9, na pr\u00e1tica, Vila Morta.<\/p>\n<p>O Governo de Minas, nos \u00faltimos 22 anos, n\u00e3o construiu nenhuma moradia para as fam\u00edlias de zero a tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos em Belo Horizonte e nem na regi\u00e3o metropolitana de BH. O povo, sem-terra e sem-casa, n\u00e3o tolera mais sobreviver sob a pesad\u00edssima cruz do aluguel, que \u00e9 veneno di\u00e1rio no seu prato. O povo n\u00e3o aguenta mais a cruz da humilha\u00e7\u00e3o que \u00e9 sobreviver de favor: peso nas costas de parentes, chatea\u00e7\u00e3o cotidiana e perda de liberdade. Muitos conservadores ainda criticam a promiscuidade com que vivem muitas fam\u00edlias. Ora, como n\u00e3o expor crian\u00e7as \u00e0s cenas \u00edntimas ou inapropriadas para menores, pr\u00f3prias de casais, se o espa\u00e7o de conviv\u00eancia \u00e9 totalmente inadequado?<\/p>\n<p>Tr\u00eas fatores, dentre outros, est\u00e3o movendo os oprimidos para a luta coletiva em ocupa\u00e7\u00f5es de terrenos abandonados:<\/p>\n<ol>\n<li>a) A necessidade, melhor dizendo, a injusti\u00e7a social e com ela o imenso <em>d\u00e9ficit<\/em> habitacional que campeia. O velho capitalismo, que com o neoliberalismo, acentuou ainda mais a concentra\u00e7\u00e3o de riquezas em poucas m\u00e3os e esfola sem piedade a classe trabalhadora. O empobrecimento dos\/as trabalhadores\/ras est\u00e1 se acelerando de forma vertiginosa. Sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 de escravid\u00e3o \u00e9 o que mais se v\u00ea no mundo do capital atualmente. Muitos jovens hoje sequer ter\u00e3o a oportunidade de exercer atividade bem remunerada e est\u00e1vel. Ter\u00e3o de se sujeitar aos <em>call centers<\/em> ou aos trabalhos tempor\u00e1rios nos grandes empreendimentos;<\/li>\n<li>b) A efervesc\u00eancia, a resist\u00eancia e o trabalho comprometido dos movimentos sociais que lutam por moradia em Minas Gerais e no Brasil, cada vez mais atuando de modo organizado e em sintonia e as jornadas das manifesta\u00e7\u00f5es populares de junho de 2013 inocularam um bom col\u00edrio nos olhos de muita gente que est\u00e1 acordando para a necessidade e justeza das lutas coletivas. O descr\u00e9dito na pol\u00edtica e a precariedade na presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos legitimaram diversos gritos nas ruas;<\/li>\n<li>c) O exemplo positivo, em Belo Horizonte, da Ocupa\u00e7\u00e3o-comunidade Dandara \u2013 e de outras ocupa\u00e7\u00f5es exitosas. Muita gente oprimida est\u00e1 dizendo assim: \u201cSe o<em> povo da Dandara est\u00e1 conquistando 1.500 casas e v\u00e1rios outros direitos, n\u00f3s tamb\u00e9m podemos conquistar. Por isso vamos para a luta coletiva<\/em>.\u201d<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Dois casos paradigm\u00e1ticos em Belo Horizonte.<\/strong><\/p>\n<p>Em Belo Horizonte, temos dois exemplos que devem ensinar muito a todas as autoridades que levam a s\u00e9rio o grave problema social da moradia. O primeiro foi em 2010, quando a tropa de choque da Pol\u00edcia Militar de MG acompanhou guardas municipais, fiscais e gerentes da prefeitura de BH, que sem a necess\u00e1ria pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o judicial, demoliram 11 casas de alvenaria na Ocupa\u00e7\u00e3o Zilah Sp\u00f3sito\/Helena Greco. Jogaram g\u00e1s de pimenta no povo, inclusive em uma crian\u00e7a de quatro anos e em idosas. Fizeram um terror. Mas, as Brigadas Populares, a CPT, o MLB, a atua\u00e7\u00e3o dos advogados populares e rede de apoio chegaram rapidamente e, sob a lideran\u00e7a da Defensoria P\u00fablica de Minas Gerais, especializada em direitos humanos, conquistaram uma liminar judicial que impediu a demoli\u00e7\u00e3o das vinte casas que resistiam em p\u00e9. Moral da hist\u00f3ria: ap\u00f3s cinco anos, tem hoje a Ocupa\u00e7\u00e3o 200 casas de alvenaria constru\u00eddas. S\u00e3o pelo menos mais 200 fam\u00edlias libertadas da cruz do aluguel ou da sobreviv\u00eancia de favor. Conquistou-se ainda, como consequ\u00eancia da a\u00e7\u00e3o atabalhoada, a sa\u00edda de um secret\u00e1rio da prefeitura de BH, da Regional Norte, que comandou a opera\u00e7\u00e3o. O Minist\u00e9rio P\u00fablico da \u00e1rea de Direitos Humanos denunciou tamb\u00e9m 11 soldados que est\u00e3o respondendo processos. E o povo est\u00e1 l\u00e1, firme na luta.<\/p>\n<p>O segundo exemplo que trazemos ocorreu na regi\u00e3o do Barreiro, nos dias 11 e 12 de maio de 2012. Foi um verdadeiro aparato de guerra que contou com 400 policiais, cavalaria, helic\u00f3ptero da PM e o caveir\u00e3o. Uma a\u00e7\u00e3o militar que durou 36 horas, despejou 350 fam\u00edlias da Ocupa\u00e7\u00e3o Eliana Silva, organizada pelo MLB \u2013 Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas \u2013 com apoio da CPT. Aterrorizaram as crian\u00e7as que, abra\u00e7adas \u00e0s m\u00e3es, gritavam: \u201c<em>M\u00e3e, a pol\u00edcia vai nos matar<\/em>.\u201d Traumas que ficar\u00e3o para sempre nessas mentes. Mas tr\u00eas meses depois, a Ocupa\u00e7\u00e3o Eliana Silva \u201cressuscitou\u201d ocupando outro terreno a um quil\u00f4metro de dist\u00e2ncia e hoje, ap\u00f3s tr\u00eas anos, j\u00e1 tem 350 casas de alvenaria constru\u00eddas, a COPASA j\u00e1 ligou o sistema de \u00e1gua e esgoto, com a rede de apoio constru\u00edram uma creche para as crian\u00e7as e a Comunidade segue, de cabe\u00e7a erguida, sob a guia respons\u00e1vel e determinada do MLB.<\/p>\n<p>\u00c9 um erro grave pensar que pol\u00edcia ir\u00e1 resolver problemas sociais. Pol\u00edcia \u00e9 para resolver crimes. As lutas coletivas do povo pobre &#8211; que se expressa nas ocupa\u00e7\u00f5es &#8211; s\u00e3o lutas por direitos constitucionais e como tais devem ser respeitadas. Os policiais devem ter sempre em mente que s\u00e3o tamb\u00e9m trabalhadores. N\u00e3o est\u00e3o obrigados a cumprir ordens contr\u00e1rias \u00e0 lei maior do pa\u00eds que \u00e9 a Constitui\u00e7\u00e3o e contra a lei de Deus, que diz: N\u00e3o matar\u00e1s! Condenar pessoas pobres, portanto vulner\u00e1veis, a tamanha viol\u00eancia, que \u00e9 a retirada de suas casas, \u00e9 o mesmo que condenar \u00e0 morte, fere a \u00e9tica, fere a dignidade de toda a humanidade, fere de morte o pr\u00f3prio Estado de Direito.<\/p>\n<p><strong>Luta pela moradia digna, pr\u00f3pria e adequada, eis \u201co outro caminho a seguir\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>O Evangelho de Mateus (Mt 2,12) no diz que os magos ap\u00f3s encontrarem Jesus de Nazar\u00e9 sem-terra e sem-casa, \u201cvoltaram por outro caminho.\u201d Conhecedores da defesa que fazemos da justeza das lutas dessas fam\u00edlias sem teto, muitas pessoas t\u00eam nos perguntado: \u201c<em>Como voc\u00eas analisam a situa\u00e7\u00e3o da moradia no Brasil? Voc\u00eas acham que esta quest\u00e3o tem sido tratada com prioridade pelos governos<\/em>?\u201d Respondemos: Os governos t\u00eam sido mais do que omissos. T\u00eam sido c\u00famplices da b\u00e1rbara injusti\u00e7a que \u00e9 perpetrada sobre os milh\u00f5es de fam\u00edlias empobrecidas nas cidades brasileiras. N\u00e3o bastasse o hist\u00f3rico \u00eaxodo rural ocorrido durante o per\u00edodo do desenvolvimentismo, p\u00f3s Segunda Grande Guerra, as grandes cidades, a partir da d\u00e9cada de 1990, passaram a ser tratadas como empresas. Por isso competem entre si para ver qual delas atrai mais empreendimentos do capital. A especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria assola as cidades. Muitas \u00e1reas ocupadas pelos pobres, h\u00e1 d\u00e9cadas, e foi o que lhes sobrou em face dos constantes privil\u00e9gios no parcelamento do solo, agora passam a ser consideradas \u00e1reas de risco. Ora, mas por que s\u00e3o \u00e1reas de risco, se t\u00e3o logo desocupadas, tornam-se \u00e1reas de rico? O que mais amea\u00e7a os pobres n\u00e3o s\u00e3o os riscos geol\u00f3gicos, mas a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e os riscos sociais. \u00c9 um crime que clama aos c\u00e9us o imenso <em>d\u00e9ficit<\/em> habitacional. H\u00e1 cerca de sete milh\u00f5es de fam\u00edlias sem-casa no Brasil, enquanto h\u00e1 cerca de sete milh\u00f5es de im\u00f3veis ociosos e vazios em \u00e1reas j\u00e1 urbanizadas, com estrutura de habita\u00e7\u00e3o e transporte.<\/p>\n<p>As cenas de milhares de emigrantes fugindo das guerras e buscando pa\u00edses da Europa e inclusive muitos chegando ao Brasil tem chocado a humanidade e despertado solidariedade. Nas Ocupa\u00e7\u00f5es de Belo Horizonte encontramos imigrantes como haitianos que moram na Ocupa\u00e7\u00e3o Dandara e Rosa Le\u00e3o, dentre outros. Precisamos acordar e nos sensibilizar tamb\u00e9m para a migra\u00e7\u00e3o interna, dentro do Brasil, de milhares de pessoas que buscam as ocupa\u00e7\u00f5es, v\u00edtimas do mercado imobili\u00e1rio, do pre\u00e7o do aluguel, do desemprego ou de um sal\u00e1rio m\u00ednimo que n\u00e3o d\u00e1 para sobreviver. Esses cen\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o mostrados pela imprensa e quando mostra \u00e9 criminalizando. Nos \u00faltimos 10 anos, foram para ocupa\u00e7\u00f5es urbanas em Minas Gerais mais de 60.000 fam\u00edlias (acima de 240.000 pessoas). Em BH, 25.000 fam\u00edlias; em Uberl\u00e2ndia, 17.000 fam\u00edlias, na regi\u00e3o metropolitana mais de 10.000 fam\u00edlias. Isso porque continua crescendo a expuls\u00e3o de camponeses do campo e das cidades pequenas e a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria junto com a falta de pol\u00edtica p\u00fablica de constru\u00e7\u00e3o de moradia com participa\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>Em Belo Horizonte e RMBH, sob a lideran\u00e7a de movimentos sociais populares \u2013 como as Brigadas Populares e o MLB -, com o apoio da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra e de uma Ampla Rede de Apoio, do Coletivo Margarida Alves de Advogados(as) populares e da Associa\u00e7\u00e3o dos Arquitetos Sem Fronteira, o povo de 24 Ocupa\u00e7\u00f5es urbanas de Belo Horizonte e RMBH construiu nos \u00faltimos 10 anos mais de 15.000 casas de alvenaria. A ocupa\u00e7\u00e3o-comunidade <strong>Camilo Torres<\/strong> j\u00e1 construiu 148 casas; <strong>Dandara<\/strong>, 1.500 casas; <strong>Irm\u00e3 Dorothy<\/strong>, 190 casas; <strong>Zilah Sposito-Helena Greco<\/strong>, 230 casas; <strong>Novo Lagedo<\/strong>, cerca de 3.500 casas; <strong>Rosa Le\u00e3o<\/strong>, 1.500 casas; <strong>Esperan\u00e7a<\/strong>, 1.700 casas; <strong>Vit\u00f3ria<\/strong>, 3.000 casas; <strong>Paulo Freire<\/strong>, 60 casas; <strong>S\u00e3o Lucas<\/strong>, no Novo S\u00e3o Lucas, 100 casas; <strong>Tom\u00e1s Baldu\u00edno<\/strong>, de Betim, 120 casas; <strong>Shekin\u00e1h<\/strong>, 200 casas; <strong>Dom Tom\u00e1s Baldu\u00edno<\/strong>, de Ribeir\u00e3o das Neves, 500 casas; <strong>Novo Horizonte<\/strong>, em Ribeir\u00e3o das Neves, 40 casas; e <strong>Guarani Kaiowa<\/strong>, em Contagem, 150 casas, em contar o constru\u00eddo nas outras 14 ocupa\u00e7\u00f5es. Por outro lado, a prefeitura de BH nos \u00faltimos 10 anos j\u00e1 demoliu mais de 15.000 casas. Mais destr\u00f3i casas do que constr\u00f3i. A prefeitura de BH est\u00e1 priorizando construir \u201ccasas\u201d para os autom\u00f3veis, alargando avenidas e construindo estacionamentos e, para isso, destr\u00f3i milhares de casas de fam\u00edlias.<\/p>\n<p>E mais: n\u00e3o tem sido s\u00f3 a constru\u00e7\u00e3o de casas, mas a constru\u00e7\u00e3o de pessoas, de valores que se contrap\u00f5em aos valores da sociedade capitalista, como a colabora\u00e7\u00e3o, a solidariedade, o reaproveitamento, o trabalho coletivo e em mutir\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o de alimentos sem agrot\u00f3xicos, a troca, a amizade, o cuidado e a espiritualidade encarnada na vida. Isso revela pedagogias emancipat\u00f3rias sendo colocadas em pr\u00e1tica na luta pela terra e pela moradia na cidade.<\/p>\n<p>\u00c9 luta por direitos humanos para sair da cruel cruz do aluguel e do sobreviver de favor. Essas conquistas se tornam poss\u00edveis gra\u00e7as \u00e0 conjuga\u00e7\u00e3o de muitas for\u00e7as vivas da sociedade, tais como: a) A constru\u00e7\u00e3o de movimentos sociais populares id\u00f4neos e realmente comprometidos com a luta dos injusti\u00e7ados; b) Organiza\u00e7\u00e3o dos pobres; c) Constitui\u00e7\u00e3o de uma Rede de Apoio externo que aglutina as melhores for\u00e7as vivas da sociedade; d) Busca incessante de conhecimento cr\u00edtico e criativo; e) Clareza sobre o projeto de cidade e de campo que queremos; f) Cultivo de m\u00edsticas libertadoras; g) Solidariedade m\u00fatua; h) Trabalho coletivo.<\/p>\n<p>\u201c<em>Uma pessoa sem casa \u00e9 como um p\u00e1ssaro sem ninho: voa, voa, mas n\u00e3o tem onde se assentar<\/em>\u201d, disse-me uma m\u00e3e, com l\u00e1grimas nos olhos, na ex-favela Massari, em S\u00e3o Paulo, SP. Isso \u00e9 inconceb\u00edvel at\u00e9 mesmo da perspectiva dos interesses capitalistas, pois os trabalhadores precisam recuperar diariamente a sua for\u00e7a de trabalho e, como fazer isso sem um lugar descente para descansar? Injusto tamb\u00e9m \u00e9 Minha Casa Minha Vida, que favorece mais as construtoras do que as fam\u00edlias. Deveria este programa ser viabilizado por meio de entidades id\u00f4neas que trabalham com os sem-casa e n\u00e3o somente como monop\u00f3lio de construtoras. Isso \u00e9 poss\u00edvel. Basta conhecer as experi\u00eancias concretas. As 20 fam\u00edlias do Assentamento Pastorinhas, do MST, em Brumadinho, MG, por exemplo, receberam R$9.700,00 para construir suas casas na agrovila do assentamento. Reuniram mais uns R$5.000,00 e fizeram 20 casas grandes, bonitas e espa\u00e7osas, conseguindo em parte se livrar dos absurdos projetos impostos pelo INCRA. Isso demonstra que atrav\u00e9s de autoconstru\u00e7\u00e3o ou em mutir\u00e3o se pode construir muito mais casas com pouco dinheiro. No Minha Casa Minha Vida, quem mais ganha com a constru\u00e7\u00e3o das casas, via construtoras, s\u00e3o as empresas capitalistas que fazem obras de p\u00e9ssima qualidade com projetos baseados em uma vis\u00e3o estereotipada da pobreza. As construtoras s\u00e3o t\u00e3o arrogantes que t\u00eam um \u00fanico padr\u00e3o de casa para os pobres como se todos tivessem a mesma necessidade.<\/p>\n<p>\u201c<em>Qual a sa\u00edda para as fam\u00edlias que n\u00e3o t\u00eam onde morar?<\/em>\u201d, perguntam muitos Sem-teto. Respondemos: M\u00e1gica n\u00e3o existe. N\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda f\u00e1cil. N\u00e3o d\u00e1 para dar um jeitinho. O caminho correto a ser trilhado \u00e9 se unir, se organizar e partir para a luta coletiva. Dizem que \u201cse correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come\u201d, mas, se unir, se organizar e partir para a luta coletiva, o bicho some.\u00a0 Assim \u00e9 poss\u00edvel expulsar os que oprimem os pobres.<\/p>\n<p>Ademais, n\u00e3o nascemos para viver em-pregado, pregado, ganhando somente sal\u00e1rio m\u00ednimo, que \u00e9 s\u00f3 o sal, para renovar as energias e continuar sendo sugado pelos capitalistas e pelo diabo mercado. N\u00e3o! Nascemos para ser livres e emancipados! Ser livre \u00e9 dif\u00edcil, mas \u00e9 necess\u00e1rio e poss\u00edvel! Jamais os opressores podem libertar os oprimidos. Somente os oprimidos, em comunh\u00e3o, conforme ensinou Marx e Paulo Freire, se libertam. Temos que fortalecer o sentimento de pertencimento \u00e0 classe trabalhadora que \u00e9 oprimida pela classe dominante.<\/p>\n<p>Outros questionam: \u201c<em>Temos assistido a um aumento da repress\u00e3o aos movimentos de moradia e \u00e0s ocupa\u00e7\u00f5es urbanas. Por que isso?<\/em>\u201d Temos que entender como a classe dominante se relaciona com os pobres: adora os pobres enquanto esses est\u00e3o ajoelhados, de m\u00e3os estendidas, se contentando com migalhas, e, no mundo do trabalho, oferecendo seu suor e sangue para construir tudo o que existe e faz funcionar a cidade. Mas quando os pobres se unem, se organizam, metem o p\u00e9 no barranco e se rebelam como fez o povo da B\u00edblia escravizado pelo imperialismo dos fara\u00f3s no Egito, como fez Jesus de Nazar\u00e9 ao pegar um chicote e expulsar os vendilh\u00f5es do templo, como fez Zumbi dos Palmares, Dandara, Gandhy, Luther King, Che Guevara e tantos outros, os poderosos tremem de medo de o seu edif\u00edcio da opress\u00e3o se desmanchar como um castelo de areia.<\/p>\n<p>Por tudo isso existe a campanha permanente de difama\u00e7\u00e3o, criminaliza\u00e7\u00e3o e sataniza\u00e7\u00e3o dos pobres e de quem luta ao lado deles. A classe dominante sabe que precisa criar uma cortina de fuma\u00e7a que impe\u00e7a os pobres de identificar seus reais algozes. Os poderosos sabem muito bem que quando os pobres se descobrirem como classe social oprimida e identificarem quem, de fato, s\u00e3o seus opressores, nesse dia, adeus opress\u00e3o. As correntes invis\u00edveis da opress\u00e3o s\u00e3o rompidas. As v\u00edtimas golpeadas pelo capital n\u00e3o ser\u00e3o mais vistas como pessoas violentas. Quando um rico rouba um pobre dizem que \u00e9 neg\u00f3cio, ali\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 isso o que fazem os grandes operadores de cr\u00e9dito? Quando o pobre, de forma coletiva, luta para resgatar o que lhe foi roubado, o acusam de violento.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma beleza exuberante no movimento popular e nas for\u00e7as vivas da sociedade que conspiram na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade justa e solid\u00e1ria. Sociedade em que caibam todos, com a riqueza da diversidade que ensina a conviver.\u00a0 N\u00e3o podemos nos omitir diante de tantas injusti\u00e7as. A pessoa morre quando se cala diante de assuntos cruciais. N\u00e3o incomoda ao sistema quem fica s\u00f3 consolando, fazendo assist\u00eancia social, filantropia, promo\u00e7\u00e3o humana. Quem luta por justi\u00e7a incomoda os poderosos e, por isso, estes partem para as amea\u00e7as. A Hist\u00f3ria nos ensina: s\u00f3 faz hist\u00f3ria libertadora quem anda na contram\u00e3o atrapalhando o s\u00e1bado. Assim aconteceu com Jesus de Nazar\u00e9, Gandhy, Luther King, Che Guevara, Zumbi, Dandara, as m\u00e3es da Pra\u00e7a de Maio, em Buenos Aires etc. Mas, certamente, todos esses foram e ser\u00e3o incompreendidos e perseguidos, pois s\u00e3o eles que constroem a verdadeira hist\u00f3ria. O que nos alenta \u00e9 o fato de sermos milh\u00f5es conspirando a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista, justa e sustent\u00e1vel ecologicamente. O sistema capitalista, que transforma tudo em mercadoria, deu, h\u00e1 muito, os sinais de insustentabilidade. \u00c9 um sistema que s\u00f3 se sustenta na viol\u00eancia. E viol\u00eancia conduz \u00e0 morte.<\/p>\n<p>Algumas lideran\u00e7as nos pedem um conselho: \u201c<em>Que recado voc\u00eas d\u00e3o para as fam\u00edlias Sem-teto que est\u00e3o na luta para conquistar o direito humano de morar dignamente?\u201d<\/em> Aconselhamos: N\u00e3o desanimem nunca da luta coletiva! S\u00f3 perde quem n\u00e3o entra na luta coletiva ou quem desiste da luta! Cultivemos a amizade, o companheirismo, nos apoiemos mutuamente. Um fraco + um fraco + dois fracos = quatro fortes. Isso nos ensina o MST, a CPT e a Via Campesina. Se ficarmos isolados, pensando s\u00f3 no nosso umbigo, s\u00f3 na nossa fam\u00edlia, morreremos aos poucos, mas se nos juntarmos, construiremos uma nova aurora, com justi\u00e7a e paz, com reformas urbana e agr\u00e1ria, com sustentabilidade ecol\u00f3gica, com direitos humanos.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>A Luta de fam\u00edlias sem teto ganha novo impulso em Belo Horizonte.<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s as grandes manifesta\u00e7\u00f5es populares de junho e julho de 2013, quando milh\u00f5es de trabalhadores foram \u00e0s ruas, clareou para os que andavam meio desanimados ou conformados que o caminho a ser seguido \u00e9 o das mobiliza\u00e7\u00f5es, das manifesta\u00e7\u00f5es coletivas. As frases \u201cQuem luta conquista\u201d e \u201cQuem luta educa\u201d passaram a ter mais for\u00e7a em nosso pa\u00eds. Essa realidade influenciou, nos \u00faltimos meses, milhares de fam\u00edlias de baixa renda da RMBH, que resolveram n\u00e3o ficar esperando pelos fr\u00e1geis e quase inexistentes \u201cprogramas habitacionais\u201d de prefeituras e governos. Foram \u00e0 luta pelo direito humano de morar dignamente.<\/p>\n<p>No final do m\u00eas de julho, fam\u00edlias de sete comunidades: Eliana Silva, Camilo Torres, Irm\u00e3 Dorothy, Zilah Sposito\/Helena Greco, Cafezal, Dandara e Rosa Le\u00e3o, organizadas pelo MLB, CPT e Brigadas Populares, realizaram uma hist\u00f3rica ocupa\u00e7\u00e3o da prefeitura de BH reivindicando a regulariza\u00e7\u00e3o de suas comunidades, liga\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, energia el\u00e9trica, esgoto, t\u00edtulo de posse etc. Uma comiss\u00e3o de representantes das fam\u00edlias foi pela primeira vez recebida pelo prefeito M\u00e1rcio Lacerda, que pressionado, foi obrigado a se comprometer com as bandeiras de luta colocadas pelos movimentos que acompanham as ocupa\u00e7\u00f5es. A repercuss\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o foi nacional e no Estado de Minas acabou sendo outro fator impulsionador para dar mais coragem \u00e0s milhares de outras fam\u00edlias Sem-teto que tamb\u00e9m est\u00e3o se mobilizando.<\/p>\n<p>Milhares de fam\u00edlias v\u00eam se mobilizando em outras cidades e estados. Em S\u00e3o Paulo, por exemplo, est\u00e1 muito forte o MLST (Movimento de Luta dos Sem Teto). Not\u00edcias de ocupa\u00e7\u00f5es \u201cespont\u00e2neas\u201d nos chegam quase todos os dias.<\/p>\n<p>Nas lutas coletivas por moradia digna, narradas acima, h\u00e1 participa\u00e7\u00e3o direta de alguns freis, algumas freiras, alguns padres, alguns seminaristas, alguns militantes de Comunidades Eclesiais de Base, v\u00e1rios pastores e temos o apoio de bispos, mas a luta por moradia n\u00e3o est\u00e1 sendo liderada pelas CEBs e, sim, pelos movimentos sociais populares. No tocante ao desafio urbano \u201cluta por moradia digna\u201d as CEBs podem e devem contribuir mais. Enfim, nas ocupa\u00e7\u00f5es urbanas, via de regra, se coloca em pr\u00e1tica o esp\u00edrito das CEBs, mas sem o r\u00f3tulo CEBs. A espiritualidade que se vive e experimenta nas ocupa\u00e7\u00f5es \u00e9 um jeito de ser Igreja que tem tudo haver com o jeito prof\u00e9tico de Jesus de Nazar\u00e9. Quem l\u00e1 pisar sentir\u00e1 e ver\u00e1.<\/p>\n<p>Belo Horizonte, MG, 24 de mar\u00e7o de 2017.<\/p>\n<p>Frei Gilvander Lu\u00eds Moreira \u2013 <a href=\"mailto:gilvanderlm@gmail.com\">gilvanderlm@gmail.com<\/a> \u2013 <a href=\"http:\/\/www.freigilvander.blogspot.com.br\">www.freigilvander.blogspot.com.br<\/a> \u00a0\u2013 <a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\">www.gilvander.org.br<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Uma s\u00edntese desse texto est\u00e1 publicado no livro <strong>CEBs e os desafios no mundo urbano. <\/strong>TEXTO BASE do 14\u00ba Intereclesial das CEBs, 2016, p. 109-113.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Padre da ordem dos Carmelitas, licenciado e bacharel em Filosofia e Teologia, mestre em Exegese B\u00edblica e doutorando em Educa\u00e7\u00e3o pela FAE\/UFMG, assessor da CPT, de CEBs, do CEBI, do SAB. E-mail: <a href=\"mailto:gilvanderlm@gmail.com\">gilvanderlm@gmail.com<\/a> \u2013 <a href=\"http:\/\/www.freigilvander.blogspot.com.br\">www.freigilvander.blogspot.com.br<\/a> \u00a0\u2013 <a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\">www.gilvander.org.br<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luta por moradia, desafio urbano tamb\u00e9m para as CEBs: subs\u00eddio para o 14\u00aa Intereclesial das CEBs[1]. Por frei Gilvander Lu\u00eds Moreira[2] Ai daqueles que pisam nos pobres, que tripudiam sobre a dignidade de crian\u00e7as rec\u00e9m-nascidas,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":401,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-400","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/400","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=400"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/400\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":404,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/400\/revisions\/404"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/401"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=400"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=400"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=400"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}