{"id":427,"date":"2017-07-08T18:02:15","date_gmt":"2017-07-08T21:02:15","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=427"},"modified":"2017-07-08T18:05:57","modified_gmt":"2017-07-08T21:05:57","slug":"apostolo-paulo-trabalhador-e-agente-de-pastoral-emancipadora-subsidio-para-o-mes-da-biblia-sobre-1a-carta-aos-tessalonicenses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/apostolo-paulo-trabalhador-e-agente-de-pastoral-emancipadora-subsidio-para-o-mes-da-biblia-sobre-1a-carta-aos-tessalonicenses\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3stolo Paulo, trabalhador e agente de pastoral emancipadora: subs\u00eddio para o M\u00eas da B\u00edblia sobre 1\u00aa Carta aos Tessalonicenses"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ap\u00f3stolo Paulo, trabalhador e agente de pastoral emancipadora<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>: subs\u00eddio para o M\u00eas da B\u00edblia sobre 1\u00aa Carta aos Tessalonicenses<\/strong><\/p>\n<p>Por frei Gilvander Lu\u00eds Moreira<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-428 size-medium\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Capa-do-livro-do-CEBI-MG-2017-sobre-1a-Carta-aos-Tessalonicenses-08-7-2017-169x300.jpg\" alt=\"\" width=\"169\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Capa-do-livro-do-CEBI-MG-2017-sobre-1a-Carta-aos-Tessalonicenses-08-7-2017-169x300.jpg 169w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Capa-do-livro-do-CEBI-MG-2017-sobre-1a-Carta-aos-Tessalonicenses-08-7-2017.jpg 540w\" sizes=\"auto, (max-width: 169px) 100vw, 169px\" \/><\/p>\n<p><strong>CANTO DA 1\u00aa CARTA AOS TESSALONICENSES<\/strong><\/p>\n<p><em>(M\u00fasica: \u2018Quero ouvir teu apelo, Senhor\u2019- Ir. M\u00edria T Kolling. Letra: Marysa M. Saboya)<\/em><\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Sem fronteiras tu \u00e9s, Mission\u00e1rio!<\/li>\n<\/ol>\n<p>E dedicado Pastor das igrejas,<\/p>\n<p>Que qual \u201c<em>m\u00e3e\u201d <\/em>tu geraste e guardaste.<\/p>\n<p>Paulo Ap\u00f3stolo, bendito sejas!<\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas isso n\u00e3o \u00e9 tudo:\/ Foste um trabalhador<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E, mesmo evangelizando,\/ Comeste o p\u00e3o do suor!<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na contram\u00e3o do imp\u00e9rio,\/ Valorizaste o pobre,<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O escravo e as mulheres\/ E n\u00e3o quiseste ser nobre.<\/em><\/p>\n<p><strong>3.1. Preliminares<\/strong><\/p>\n<p>As cartas do ap\u00f3stolo Paulo foram escritas na d\u00e9cada de 50 do primeiro s\u00e9culo da era crist\u00e3. Leituras fundamentalistas \u2013 literalistas &#8211; cometem injusti\u00e7as contra o ap\u00f3stolo Paulo maltratando-o e caluniando-o como \u201clegalista, mis\u00f3gino, antissocial, conservador&#8230;\u201d. Essas acusa\u00e7\u00f5es s\u00e3o injustas e geralmente s\u00e3o feitas por pessoas que o conhecem \u2018por ouvir dizer\u2019, atrav\u00e9s de leituras lit\u00fargicas escolhidas sob inten\u00e7\u00f5es que buscam afirmar o <em>status quo<\/em> religioso.<\/p>\n<p>Por volta de meados do s\u00e9culo XX, as convic\u00e7\u00f5es de que o livro de Atos dos Ap\u00f3stolos constitu\u00eda a biografia mais segura da vida, pr\u00e1xis e ensinamento de Paulo ru\u00edram-se. Os Biblistas criaram o Princ\u00edpio de Knox que podemos resumir nos seguintes termos: os Atos dos Ap\u00f3stolos podem ser utilizados para complementar os dados das cartas, jamais para corrigi-los. Logo, quando encontramos contradi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas entre narrativas de Atos dos Ap\u00f3stolos e narrativas das Cartas Paulinas devemos dar mais consist\u00eancia hist\u00f3rica ao narrado pelas Cartas Paulinas, pois Atos dos ap\u00f3stolos n\u00e3o \u00e9 um livro de hist\u00f3ria das primeiras comunidades crist\u00e3s, mas um livro de Teologia da Hist\u00f3ria das Primeiras Comunidades Crist\u00e3s.<\/p>\n<p>Resgatar o ensinamento e o testemunho do ap\u00f3stolo Paulo e da Comunidade Crist\u00e3 de Tessal\u00f4nica \u2013 uma grande cidade &#8211; pode oxigenar a nossa vida crist\u00e3. Paulo, ao lado de muitas mulheres, dos Helenistas &#8211; como Estev\u00e3o, Filipe, Barnab\u00e9 \u2013 de Silvano, Tim\u00f3teo e &#8230; inculturou o evangelho do Movimento Popular religioso-pol\u00edtico de Jesus Cristo no meio urbano \u2013 nas periferias das grandes cidades -, onde v\u00e1rias idolatrias grassavam. Paulo e seu grupo romperam muitas barreiras. Paulo foi um grande profeta, apaixonado por Jesus de Nazar\u00e9 e pelo seu projeto de liberta\u00e7\u00e3o integral de todos. E acima de tudo Paulo era um entusiasmado pelo testemunho libertador das primeiras comunidades crist\u00e3s, quando ainda eram ecum\u00eanicas, inculturadas, faziam op\u00e7\u00e3o pelos pobres, valorizavam a lideran\u00e7a das mulheres e acolhiam os clamores dos injusti\u00e7ados da periferia, sendo de fato, \u2018luz, sal e fermento\u2019 no mundo do Imp\u00e9rio Romano.<\/p>\n<p>Levando no cora\u00e7\u00e3o e na mem\u00f3ria os clamores da classe trabalhadora e da classe camponesa, atentos \u00e0 palavra das mulheres lutadoras e das pessoas ecum\u00eanicas, dos profetas e profetisas do presente, se lidos a partir do seu contexto hist\u00f3rico e captando suas inten\u00e7\u00f5es, os escritos paulinos inspiram-nos: a) a testemunhar incultura\u00e7\u00e3o nas grandes selvas de pedra que s\u00e3o as grandes cidades; b) a resgatar a for\u00e7a da profecia que consola os aflitos, mas incomoda os opressores; c) na constru\u00e7\u00e3o de comunidades \u2013 e de uma sociedade com campo e cidade &#8211; que sejam espa\u00e7o de acolhida de todas as pessoas e todos os seres vivos a partir dos injusti\u00e7ados; d) a superar os fundamentalismos e os (neo)paganismos atuais; e) a inserirmo-nos no mundo dos pobres se comprometendo com suas causas\/lutas pelos seus direitos.<\/p>\n<p>O ap\u00f3stolo Paulo observou que o Conc\u00edlio de Jerusal\u00e9m (At 15,1-35), realizado por volta do ano 50 do primeiro s\u00e9culo da era crist\u00e3, tinha aceitado uma reivindica\u00e7\u00e3o vital para as igrejas da periferia: abolir a circuncis\u00e3o. Paulo enfatizou que a igreja-m\u00e3e \u2013 a de Jerusal\u00e9m &#8211; tinha feito um \u00fanico pedido: \u201cN\u00e3o esque\u00e7am os pobres\u201d (Gal 2,10).<\/p>\n<p>Importante recordar que Paulo n\u00e3o era um dos doze ap\u00f3stolos. Ele foi reconhecido pelas primeiras comunidades crist\u00e3s como ap\u00f3stolo, n\u00e3o como aquele que um t\u00edtulo ou exerce um poder sobre a comunidade, mas como mission\u00e1rio aut\u00eantico, porta voz e testemunha do Evangelho de Jesus Cristo. Diz Paulo: \u201c<em>Deus nos achou dignos de confiar-nos o Evangelho e assim o anunciamos<\/em>\u201d (1 Ts 2,4). Paulo \u00e9 aut\u00f4nomo \u2013 n\u00e3o independente &#8211; na sua atividade mission\u00e1ria, n\u00e3o \u00e9 um mero funcion\u00e1rio de uma institui\u00e7\u00e3o. Por isso ele cultiva liberdade de esp\u00edrito, coragem e intrepidez na defesa do Projeto de Jesus Cristo que quer vida e liberdade em abund\u00e2ncia para todos e tudo.<\/p>\n<p>Primeiro escrito de Paulo e primeiro do Novo Testamento, os cinco cap\u00edtulos que comp\u00f5em a Primeira Carta aos Tessalonicenses revelam caracter\u00edsticas da atua\u00e7\u00e3o do ap\u00f3stolo Paulo e de suas companheiras e companheiros que demonstram como Paulo, <strong><em>trabalhando<\/em><\/strong>, anunciava o evangelho o Evangelho de Jesus Cristo, que \u00e9 \u00f3tima not\u00edcia para os oprimidos, mas p\u00e9ssima not\u00edcia para os opressores. Observe-se que a Carta n\u00e3o \u00e9 de Paulo aos Tessalonicenses, mas de \u201cPaulo, Silvano e Tim\u00f3teo \u00e0 comunidade de Tessal\u00f4nica\u201d (1 Ts 1,1a). \u00c9 um coletivo que escreve e evangeliza. Referem-se a Deus como Pai (1 Ts 1,1b.3a) e a Jesus como Cristo e Senhor (1 Ts1,1b.3b). Isso, de sa\u00edda, revoluciona v\u00e1rias coisas:<\/p>\n<ol>\n<li>a) Insufla na comunidade que Deus n\u00e3o \u00e9 aquele tremend\u00e3o, \u2018todo poderoso\u2019, distante e juiz castigador, mas Deus \u00e9 Pai de infinito amor, est\u00e1 pr\u00f3ximo, em n\u00f3s, no outro e em tudo. O Deus de Paulo considera todos e tudo como filhos e filhas. Essa imagem de Deus cultiva a fraternidade;<\/li>\n<li>b) Afirma que Jesus \u00e9 Cristo, filho de Deus, ungido: a luz e a for\u00e7a divina est\u00e3o no humano, em Jesus e em todo ser humano;<\/li>\n<li>c) Paulo, Silvano e Tim\u00f3teo tiveram a ousadia de defender que Jesus \u00e9 Senhor (<em>kyrios<\/em>, em grego), como aparece v\u00e1rias vezes na 1\u00aa Carta aos Tessalonicenses<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Isso \u00e9 subvers\u00e3o pol\u00edtico-religiosa, pois na \u00e9poca, em pleno Imp\u00e9rio Romano, \u2018Senhor\u2019 era o Imperador, que era considerado um deus. Logo, afirmar que Jesus \u00e9 Senhor destrona os poderosos da terra a come\u00e7ar do imperador. O ensino e o testemunho das primeiras comunidades crist\u00e3s, sob a lideran\u00e7a do ap\u00f3stolo Paulo, de Barnab\u00e9 e muitos\/as outros\/as mission\u00e1rias\/os buscavam implodir o culto dominante, pois afirmavam: \u201c<em>N\u00e3o \u00e9 o Imp\u00e9rio que salva &#8211; h\u00e1 um novo defensor dos pobres: Jesus Cristo! Quem \u00e9 senhor n\u00e3o \u00e9 o imperador, mas Jesus Cristo<\/em>\u201d. Por tudo isso, v\u00e1rios cristianismos origin\u00e1rios foram acusados de violadores dos \u201cdecretos de C\u00e9sar\u201d (Cf. At 17,7), e, portanto, subversivos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Especificamente nos textos 1 Ts 2,1-13.17-19; 3,1-11; 4,10b-12; 5,12-13, o ap\u00f3stolo Paulo demonstra seu jeito libertador de ser e de atuar como mission\u00e1rio, mostra como ser lideran\u00e7a que inspira e produz outras lideran\u00e7as libertadoras. A dedica\u00e7\u00e3o de Paulo ao trabalho manual \u00e9 algo eloquente e prof\u00e9tico.<\/p>\n<p>Para interpretarmos de uma forma sensata e libertadora os textos da 1\u00aa Carta das Tessalonicenses \u00e9 preciso lermos nas linhas e nas entrelinhas, al\u00e9m de considerar o texto no seu contexto e pretexto. \u00c9 o que veremos a seguir.<\/p>\n<p><strong>3.2. Caracter\u00edsticas do ser e do agir de Paulo, trabalhador e agente de pastoral que busca emancipar o povo das comunidades<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o basta ser qualquer tipo de pessoa crist\u00e3 e nem qualquer tipo de agente de pastoral. N\u00e3o basta ter f\u00e9 em Deus e em Jesus Cristo, mas \u00e9 preciso ter a f\u00e9 de Jesus Cristo. N\u00e3o basta amar Jesus, mas \u00e9 preciso se comprometer com o projeto de Jesus, que \u00e9 um projeto de liberta\u00e7\u00e3o integral das pessoas e da sociedade. O ensinamento e a pr\u00e1xis do ap\u00f3stolo Paulo segundo a Primeira Carta aos Tessalonicenses revelam v\u00e1rias caracter\u00edsticas que podem nos inspirar na nossa atua\u00e7\u00e3o pastoral e no nosso trabalho. Ei-las, abaixo.<\/p>\n<p><strong>3.2.1. Paulo alimenta as rela\u00e7\u00f5es fraternas<\/strong><\/p>\n<p>Eloquente \u00e9 a forma como o ap\u00f3stolo Paulo inicia o 2\u00ba cap\u00edtulo da Carta aos Tessalonicenses: \u201c<strong><em>Irm\u00e3os<\/em><\/strong><em>, voc\u00eas nos acolheram e bem sabem que n\u00e3o foi em v\u00e3o. Apesar de maltratados e insultados em Filipos, como sabem, encontramos em nosso Deus a coragem de anunciar a voc\u00eas o Evangelho de Deus em meio a forte oposi\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d (1Ts 2,1-2). Paulo conclama a todos para a pr\u00e1tica de rela\u00e7\u00f5es fraternas: \u201c<em>Irm\u00e3os<\/em>, &#8230;\u201d, palavra que aparece dezenove vezes na carta<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Ele n\u00e3o se refere \u00e0 comunidade como clientes, nem senhores, nem homens e mulheres, nem como ricos e pobres, mas como \u201cirm\u00e3os\u201d, pois ele busca cultivar a dignidade humana de todos\/as, sem discrimina\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m \u00e9 melhor que ningu\u00e9m. O ap\u00f3stolo Paulo n\u00e3o chega sozinho em Tessal\u00f4nica, mas com um grupo, busca evangelizar em mutir\u00e3o. Ele sabe que juntos e atuando de forma organizada, pode superar muitas injusti\u00e7as, pois atua\u00e7\u00f5es isoladas t\u00eam efeitos ef\u00eameros.<\/p>\n<p>Paulo intui o sentido mais profundo de tudo: \u201cN\u00e3o foi em v\u00e3o\u201d a acolhida oferecida. Paulo via a m\u00e3o de Deus atuando em todos os acontecimentos, desde os mais simples.<\/p>\n<p><strong>3.2.2. Paulo era homem corajoso em meio a persegui\u00e7\u00f5es em contexto violentador<\/strong><\/p>\n<p>Paulo chega \u00e0 comunidade como um perseguido e amea\u00e7ado de morte: \u201c<em>maltratados e insultados em Filipos<\/em>\u201d (1 Ts 2,2a). Parte dos judeus \u2013 os saduceus e os fariseus enriquecidos e moralistas \u2013 perseguiram at\u00e9 \u00e0 morte Jesus de Nazar\u00e9 e muitas outras pessoas que abra\u00e7aram o Evangelho do Nazareno. Al\u00e9m disso, perseguem Paulo e seus companheiros tentando impedir que eles anunciem o Evangelho de Jesus Cristo aos pag\u00e3os. Querem privatizar Deus e control\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Em Tessal\u00f4nica tamb\u00e9m quem adere ao Evangelho \u00e9 perseguido (1 Ts 1,14-15). Portanto, perseguidos e injusti\u00e7ados acolhem quem est\u00e1 sendo perseguido e injusti\u00e7ado. S\u00e3o os oprimidos d\u00e3o as m\u00e3os para juntos se libertarem. Paulo cultiva a coragem de anunciar o Evangelho de Jesus Cristo em ambiente hostil onde campeia injusti\u00e7as e viol\u00eancias. Paulo n\u00e3o tem medo e sabe que a luta coletiva em prol de uma causa justa expulsa o medo e infunde coragem para propor caminhos emancipat\u00f3rios e denunciar as engrenagens que violentam o povo. Para Paulo, f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 cren\u00e7a em doutrinas ou dogmas, mas \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o de coragem, cabe\u00e7a erguida \u2013 postura existencial &#8211; diante da vida e dos problemas. Segundo a B\u00edblia, f\u00e9 \u00e9 sin\u00f4nimo de coragem. Quem tem f\u00e9 tem coragem. Quem n\u00e3o tem f\u00e9 tem medo, e vice-versa. N\u00e3o cultivamos nossa f\u00e9 apenas por ora\u00e7\u00f5es, mas pela pr\u00e1tica da solidariedade e pelo compromisso com a justi\u00e7a na luta ao lado dos oprimidos. Bom rem\u00e9dio para melhorar nossa f\u00e9 \u00e9 a luta coletiva em prol de direitos sociais do povo injusti\u00e7ado. Quanto mais a gente participa de lutas concretas menos medo temos e mais coragem adquirimos. Por isso \u00e9 que normalmente se houve no meio dos Sem Terra e dos Sem Casa, os que est\u00e3o na luta por direitos: \u201cN\u00e3o temos medo. Perdemos o medo na hora que entramos nessa terra abandonada que Deus nos prometeu\u201d.<\/p>\n<p><strong>3.2.3. Paulo \u00e9 sincero e n\u00e3o exalta a si mesmo<\/strong><\/p>\n<p>Diz Paulo: \u201c<em>N\u00f3s nunca usamos de bajula\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d (1 Ts 1,5). Se na Carta est\u00e1 escrito isso \u00e9 sinal de que havia muitos l\u00edderes religiosos bajuladores e, assim, traidores do evangelho de Jesus Cristo. Ser sincero (sem cera) na atua\u00e7\u00e3o em prol do Evangelho era uma caracter\u00edstica da atua\u00e7\u00e3o de Paulo. Quantos padres, pastores e l\u00edderes religiosos que atualmente amoldam seu discurso e pr\u00e1tica para agradarem a quem est\u00e1 no poder e, consequentemente, receber benesses! Muitos\/as mission\u00e1rios\/as foram incompreendidos e perseguidos por suas comunidades, porque falavam a verdade e denunciando as injusti\u00e7as e, por isso, deixaram de receber presentes e ficaram falando \u2018pras paredes\u2019. V\u00e1rios foram expulsos de suas comunidades, inclusive. Em uma sociedade desigual como a nossa \u2013 sociedade capitalista \u2013 um dos term\u00f4metros para aferirmos se estamos sendo coerentes com o Evangelho de Jesus Cristo \u00e9: estamos sendo perseguidos pelos poderosos ou estamos sendo elogiados por eles e por todos? Se estivermos agradando a \u2018gregos e troianos\u2019, ou seja, a opressores e aos oprimidos, pode saber que estamos falsificando o Evangelho proposto por Jesus, projeto que lhe custou a vida sob pena de morte.<\/p>\n<p><strong>3.2.4. Paulo n\u00e3o fica restrito a uma comunidade, mas, como peregrino, mant\u00e9m comunica\u00e7\u00e3o com todas as comunidades alimentando-as atrav\u00e9s de cartas<\/strong><\/p>\n<p>Paulo atuou como mission\u00e1rio na comunidade crist\u00e3 na periferia de Tessal\u00f4nica. Criou la\u00e7os de amizade, admira\u00e7\u00e3o, respeito e amor com os integrantes da comunidade, mas teve que continuar sua miss\u00e3o em outros territ\u00f3rios. Distante, Paulo sente saudade, prova de que ama quem est\u00e1 \u201cdistante dos olhos, mas perto do cora\u00e7\u00e3o\u201d (1 Ts 2, 17). Saudade que n\u00e3o \u00e9 sofrer, mas \u00e9 a certeza de que ama as companheiras e os companheiros de miss\u00e3o que est\u00e3o distantes, vivendo em outras comunidades e batalhando em prol da justi\u00e7a do reino de Deus. Um jeito que Paulo descobre de continuar a miss\u00e3o sem a presen\u00e7a f\u00edsica permanente \u00e9 escrever cartas. Assim, Paulo valoriza a microcomunica\u00e7\u00e3o. Atualmente, provavelmente Paulo refor\u00e7aria sua atua\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria enviando cartas, mensagens, fotos e v\u00eddeos atrav\u00e9s da internet, inclusive.<\/p>\n<p><strong>3.2.5. Paulo alimenta a perseveran\u00e7a. \u201cN\u00e3o desistam da luta!\u201d<\/strong><\/p>\n<p>\u201c<em>Que ningu\u00e9m fique abalado com as presentes tribula\u00e7\u00f5es<\/em>\u201d (1 Ts 3,3a), conclama o ap\u00f3stolo Paulo na primeira Carta endere\u00e7ada \u00e0 Comunidade Crist\u00e3 da periferia da grande cidade de Tessal\u00f4nica, carta levada por Tim\u00f3teo, companheiro de Paulo na miss\u00e3o. \u2018Tribula\u00e7\u00f5es\u2019 diz respeito a repreens\u00e3o, opress\u00e3o e repress\u00e3o. Repreens\u00e3o \u00e9 press\u00e3o psicol\u00f3gica, censura, constrangimento, retirada de liberdade. Opress\u00e3o \u00e9 press\u00e3o econ\u00f4mica: retirada dos meios econ\u00f4micos necess\u00e1rios para se viver com dignidade. Isso o sistema capitalista faz diariamente ao sugar a for\u00e7a de trabalho pagando apenas um m\u00edsero sal\u00e1rio e os frutos do trabalho ficando para o propriet\u00e1rio dos meios de produ\u00e7\u00e3o (terra, ind\u00fastria, f\u00e1brica etc.) gerando mais-valia e acumula\u00e7\u00e3o de capital. Repress\u00e3o \u00e9 press\u00e3o pol\u00edtica: prender, torturar, matar, eliminar a pessoa. Portanto, Paulo anima a resist\u00eancia diante de tudo isso, n\u00e3o apenas diante de ang\u00fastias pessoais.<\/p>\n<p>O sistema capitalista e as tend\u00eancias religiosas que privatizam a f\u00e9 e a rela\u00e7\u00e3o com Deus estimulam aos quatro ventos o individualismo e o egocentrismo, v\u00edrus que dilaceram o tecido social. Esquecem que Deus ajuda quem luta em comunidade, em mutir\u00e3o e de forma organizada. Se vigora o \u2018cada um pra si\u201d, Deus n\u00e3o ajuda. S\u00f3 perde quem n\u00e3o se engaja nas lutas sociais ou delas desistem. Quem persevera na luta coletiva por direitos humanos fundamentais conquista direitos, mais cedo ou mais tarde. Isso \u00e9 o que Paulo diz aos tessalonicenses.<\/p>\n<p><strong>3.2.6. Paulo reconhece a f\u00e9 (= coragem), o amor m\u00fatuo e a gratid\u00e3o da comunidade<\/strong><\/p>\n<p>\u201c<em>A <strong>f\u00e9<\/strong> <\/em>(= coragem)<em> que voc\u00eas t\u00eam \u00e9 um consolo para n\u00f3s na <strong>tribula\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em>\u201d (1 Ts 3,7), reconhece feliz da vida o ap\u00f3stolo Paulo ao obter not\u00edcias da comunidade de Tessal\u00f4nica por interm\u00e9dio do companheiro Tim\u00f3teo. E tamb\u00e9m \u201c<em>o <strong>amor m\u00fatuo<\/strong> e a gratid\u00e3o de voc\u00eas por n\u00f3s<\/em>\u201d (1 Ts 3, 6). \u201c<em>Voc\u00eas aprenderam do pr\u00f3prio Deus a <strong>se amarem uns aos outros<\/strong><\/em>\u201d (1 Ts 4,9). Claro que ningu\u00e9m \u00e9 perfeito e n\u00e3o h\u00e1 comunidade perfeita. Muitas vezes d\u00f3i muito nos\/nas mission\u00e1rios\/as perceber as contradi\u00e7\u00f5es nas comunidades: ingratid\u00e3o, acomoda\u00e7\u00e3o, individualismo, mesquinhez, etc. Entretanto, assim como Deus disse a Abra\u00e3o, ap\u00f3s esse pechinchar muito: \u201cE s<em>e houver apenas dez pessoas justas na cidade?\u201d <\/em>(Gen 18,32a). Deus respondeu: \u201c<em>Por amor \u00e0s dez pessoas<\/em> <em>eu n\u00e3o destruirei a cidade<\/em>\u201d (Cf. Gen 18,32b).<\/p>\n<p>Devemos perceber com olhar benevolente que no meio do povo, nas comunidades, sempre h\u00e1 pessoas que cultivam uma f\u00e9 inabal\u00e1vel, uma coragem infinita para lutar, uma capacidade de amar o pr\u00f3ximo sem igual e uma eterna gratid\u00e3o. Essas pessoas s\u00e3o \u2018minorias abra\u00e2micas\u2019, s\u00e3o \u2018boas samaritanas\u2019, e, por serem e agirem assim, alimentam todos\/as que participam da caminhada do reino de Deus come\u00e7ando aqui e agora. Por\u00e9m, n\u00e3o esque\u00e7amos: op\u00e7\u00e3o pelos pobres deve ser vivenciada por todas as pessoas crist\u00e3s n\u00e3o porque os pobres s\u00e3o santos, puros e perfeitos, mas porque s\u00e3o oprimidos e injusti\u00e7ados.<\/p>\n<p><strong>3.2.7. Paulo trabalha, mas questiona o trabalho escravizante<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil h\u00e1 mais farm\u00e1cia que padaria e h\u00e1 mais igrejas do que farm\u00e1cia. P\u00e9ssimo sinal. Atualmente muitos l\u00edderes religiosos \u2013 padres, pastores, etc. \u2013 vivem \u00e0 custa dos fi\u00e9is das suas igrejas. Pior, muitos acumulam dinheiro usando indevidamente o nome de Deus. Isso se realiza atrav\u00e9s da Teologia da Prosperidade, que privatiza Deus e interpreta fundamentalisticamente os textos b\u00edblicos como se Deus fosse um quebra galho para resolver problemas individuais. Entretanto, o ap\u00f3stolo Paulo, pelo seu ensinamento e principalmente pelo seu testemunho, questiona os l\u00edderes religiosos que n\u00e3o trabalham para seu autossustento e, pior, acumulam riquezas usando em v\u00e3o o nome de Deus.<\/p>\n<p>Paulo \u00e9 mission\u00e1rio, mas acima de tudo um trabalhador que gera subvers\u00e3o no mundo do trabalho. Diz Paulo: \u201c<em>Irm\u00e3os, voc\u00eas ainda se lembram dos nossos <strong>trabalhos<\/strong> e fadigas. Pregamos o Evangelho a voc\u00eas <strong>trabalhando<\/strong> <strong>de noite e de dia<\/strong>, a fim de n\u00e3o sermos peso para ningu\u00e9m<\/em>\u201d (1 Ts 1,9). \u201c<em>Que seja para voc\u00eas uma quest\u00e3o de honra &#8230; <strong>trabalhar com as pr\u00f3prias m\u00e3os<\/strong><\/em>\u201d (1 Ts 4,11). Para n\u00e3o ser peso para a comunidade, Paulo d\u00e1 muito valor aos trabalhos manuais e, por isso, vai contra a corrente da cultura grega, trabalhando \u2018dia e noite\u2019. Paulo \u00e9, acima de tudo, um trabalhador que anuncia o evangelho. Paulo parece que foi mais reconhecido pelas comunidades crist\u00e3s porque trabalhava em trabalho manual para o pr\u00f3prio sustento do que pela hist\u00f3ria do seu processo de convers\u00e3o de perseguidor a mission\u00e1rio perseguido.<\/p>\n<p>O fato de Paulo trabalhar em servi\u00e7o manual se torna mais testemunho do Evangelho de Jesus Cristo se recordarmos que o Imp\u00e9rio Romano &#8211; ambiente da comunidade crist\u00e3 de Tessal\u00f4nica \u2013 era constitu\u00eddo por uma sociedade de classes. \u00c0 classe dos trabalhadores escravizados, seja por guerras, seja por d\u00edvidas ou por linhagem, etc., era reservado os trabalhos manuais, trabalhos pesados que exigiam grande emprego de for\u00e7a f\u00edsica. Para agravar a opress\u00e3o o Imp\u00e9rio Romano se movia nas ondas da cultura grega que, segundo o fil\u00f3sofo Arist\u00f3teles, considerava a escravid\u00e3o como algo natural. Trabalho manual \u2013 trabalhos pesados &#8211; era coisa de escravos, n\u00e3o de pessoas livres e cidad\u00e3s. Para compreendermos melhor o testemunho do ap\u00f3stolo Paulo que enfatiza um dos princ\u00edpios crist\u00e3os, que \u00e9 \u2018trabalhar com as pr\u00f3prias m\u00e3os para o pr\u00f3prio sustento\u2019, temos que entender bem as rela\u00e7\u00f5es de trabalho e capital na nossa sociedade capitalista. E tamb\u00e9m nossa rela\u00e7\u00e3o com o mundo do trabalho. \u00c9 o que segue.<\/p>\n<p><strong>3.3. Pano de fundo para compreendermos melhor Paulo como trabalhador e agente de pastoral emancipadora<\/strong><\/p>\n<p>Para compreendermos bem o ser e o agir do ap\u00f3stolo Paulo faz bem recordarmos como foi nossa inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia e a nossa hist\u00f3ria de trabalho no mundo. Tomo a liberdade de socializar aqui um pouco da minha rela\u00e7\u00e3o com o mundo do trabalho, na minha inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, na esperan\u00e7a de suscitar que cada leitor\/a fa\u00e7a mem\u00f3ria da sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo do trabalho desde sua tenra idade.<\/p>\n<p>Sou o que fa\u00e7o como pr\u00e1xis e fa\u00e7o o que fa\u00e7o, em grande parte, porque nasci em uma fam\u00edlia sem-terra. Na minha inf\u00e2ncia, por pertencer \u00e0 classe do campesinato trabalhando no sistema de parceria, experimentei o que significa ser expropriado. Comecei a sentir na pr\u00f3pria pele a injusti\u00e7a quando, junto com minha fam\u00edlia, ao tocar lavoura no regime \u00e0 meia, via o patr\u00e3o-fazendeiro levar 50% da nossa colheita e quase a outra metade tamb\u00e9m para pagar a d\u00edvida que t\u00ednhamos acumulado do plantio \u00e0 colheita comprando na venda da sede da fazenda o que era necess\u00e1rio para nossa subsist\u00eancia, o que n\u00e3o produz\u00edamos com nosso trabalho: sal, a\u00e7\u00facar, caf\u00e9, querosene, rem\u00e9dios, botina, enxada, foice, machado e algo mais necess\u00e1rio \u00e0 casa ou ao nosso trabalho. Indignado ao ver o patr\u00e3o levar a quase totalidade da nossa produ\u00e7\u00e3o, gritava dentro de mim: \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 justo. Deus n\u00e3o quer isso\u201d (MOREIRA, 2014: 64). O fazendeiro ficar com quase toda nossa produ\u00e7\u00e3o s\u00f3 porque dizia ser o dono da terra?! Eu desconfiava que isso n\u00e3o fosse justo. O suor derramado no trabalho \u201cde sol a sol\u201d era muito para ficar s\u00f3 com um pouquinho da produ\u00e7\u00e3o. O fazendeiro, por ser dono da terra, entrava com a semente e n\u00f3s com o trabalho e na colheita, metade para ele e metade para n\u00f3s.<\/p>\n<p>Experi\u00eancia semelhante ocorre com a classe trabalhadora na cidade, onde o\/a trabalhador\/a recebe como sal\u00e1rio apenas migalhas do que produz. \u201cT\u00e1 vendo aquele edif\u00edcio, mo\u00e7o! Ajudei a levantar &#8230;\u201d A quase totalidade da produ\u00e7\u00e3o do\/a trabalhador\/a \u00e9 retida pela empresa, se tornando o principal produto que gera lucro e acumula\u00e7\u00e3o de capital. Eis um exemplo: Ap\u00f3s mais de dez anos de luta pela terra, Jo\u00e3o Martins Pereira, hoje \u00e9 um Sem Terra assentado no Assentamento Nova Conquista II, nas terras da ex-usina Ariadn\u00f3polis, em Campo do Meio, sul de Minas. Por ter sido expulso na pr\u00f3pria terra, Jo\u00e3o teve que trabalhar em uma f\u00e1brica de card\u00e3, barra de dire\u00e7\u00e3o e caixa de dire\u00e7\u00e3o em Guarulhos, SP. Ele fabricava de 20 a 30 card\u00e3s e cerca de 200 barras de dire\u00e7\u00e3o, por m\u00eas. Seus patr\u00f5es eram dois s\u00f3cios e com o \u00eaxito do neg\u00f3cio abriram mais tr\u00eas f\u00e1bricas. Um mandava fazer uma coisa e o outro mandava fazer outra coisa. Jo\u00e3o resolveu pedir demiss\u00e3o por dois motivos: a) O valor de venda de duas a tr\u00eas pe\u00e7as das duzentas que produzia mensalmente era o suficiente para pagar o sal\u00e1rio m\u00ednimo que ele ganhava. \u201cCom os trezentos reais que eu ganhava n\u00e3o dava nem para pagar as minhas despesas de sobreviv\u00eancia. Tive que exigir vale transporte. Descobri que eu estava enriquecendo os patr\u00f5es e morrendo aos poucos, sendo explorado\u201d (JO\u00c3O MARTINS PEREIRA, Sem Terra assentado no PA Nova Conquista II, em entrevista, dia 02\/3\/2016). Por causa dessa experi\u00eancia de expropria\u00e7\u00e3o e de explora\u00e7\u00e3o, Jo\u00e3o se engajou na luta pela terra e hoje tem sa\u00fade, felicidade e continua na luta solid\u00e1rio com os sem-terra que ainda n\u00e3o conquistaram a terra.<\/p>\n<p>Durante o imp\u00e9rio romano, na l\u00edngua latina, o termo que fazia refer\u00eancia a trabalho era e ainda \u00e9 <em>tripalium, <\/em>que significa tr\u00eas paus para torturar escravos<em>. <\/em>Na l\u00edngua grega existem dois termos para se referir a trabalho: <em>doulos<\/em> e <em>poiesas<\/em>. O termo <em>doulos<\/em> se refere ao trabalho enquanto servid\u00e3o, an\u00e1logo \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de escravid\u00e3o, trabalho fruto de for\u00e7a de trabalho vendida no mercado para viabilizar mais-valia, dizemos em linguagem do materialismo hist\u00f3rico-dial\u00e9tico. O termo <em>poiesas<\/em> se refere ao trabalho criativo, prazeroso, no qual a trabalhadora e o trabalhador produzem e gozam os frutos do seu trabalho. Trabalho no sentido de <em>poiesas<\/em> \u00e9 o que o profeta Isa\u00edas na B\u00edblia anuncia como utopia em uma sociedade com \u201cnovos c\u00e9us e nova terra\u201d: \u201c<em>Os homens construir\u00e3o casas e as habitar\u00e3o, plantar\u00e3o videiras e comer\u00e3o os seus frutos. J\u00e1 n\u00e3o construir\u00e3o para que outro habite a sua casa, n\u00e3o plantar\u00e3o para que outro coma o fruto<\/em>\u201d (Isa\u00edas 65,21-22a).<\/p>\n<p>Com a institui\u00e7\u00e3o da propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o se instaurou um processo de confronto na depend\u00eancia entre os seres humanos que passaram a viver em condi\u00e7\u00f5es desiguais, for\u00e7ados \u00e0 divis\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p>A origem primeira dos capitalistas est\u00e1 na expropria\u00e7\u00e3o das terras das popula\u00e7\u00f5es camponesas e na forma\u00e7\u00e3o das grandes propriedades territoriais. Assim se substituiu o servo pelo parceiro arrendat\u00e1rio e se ofereceu \u00e0 ind\u00fastria na cidade massas cont\u00ednuas cada vez mais numerosas de prolet\u00e1rios de origem camponesa.\u00a0 O oper\u00e1rio jogado na rua, ap\u00f3s ser expropriado da sua terra, \u201cse v\u00ea obrigado a comprar o valor de seus meios de subsist\u00eancia, sob a forma de um sal\u00e1rio, que lhe ser\u00e1 pago por seu novo patr\u00e3o, o capitalista industrial\u201d (MARX, 1982: 181). Antes, na posse de uma pequena gleba de terra, o campon\u00eas produzia na terra os meios de subsist\u00eancia de si mesmo e de sua fam\u00edlia e ainda com algum excedente podia trocar com outro produtor o que lhe faltava. Mas, na cidade, sem-terra e sem-moradia, tem que comprar tudo para sobreviver e, assim, \u00e9 impingido a vender-se paulatinamente vendendo sua for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Dentro da l\u00f3gica e estrutura do sistema do capital, o\/a trabalhador\/a n\u00e3o pode ter outra mercadoria para vender e nem possuir nada do que \u00e9 preciso para a realiza\u00e7\u00e3o de sua for\u00e7a de trabalho. Sem a propriedade da terra ou de outro meio de produ\u00e7\u00e3o, o\/a trabalhador\/a n\u00e3o ter\u00e1 outra op\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser se entregar \u00e0s rela\u00e7\u00f5es impostas pelo mercado no modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, exceto sobreviver na informalidade de pequenas rela\u00e7\u00f5es comerciais clandestinas.<\/p>\n<p>Na realidade brasileira, sob o sistema do capital, com nuances de diferen\u00e7a, mas com muitas semelhan\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o ao Imperialismo Romano, atualmente o que predomina \u00e9 o trabalho no sentido de <em>tripalium<\/em> ou <em>doulos: trabalho escravo, sendo renda capitalizada,<\/em> em uma esp\u00e9cie de <em>Servid\u00e3o Moderna<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><strong>[5]<\/strong><\/a><\/em>, enquanto apenas uma minoria tem garantido seu direito de trabalhar no sentido de <em>poiesas, <\/em>trabalho que dignifica a pessoa humana, pois \u00e9 criativo e d\u00e1 asas \u00e0 criatividade. Segundo Karl Marx, trabalho \u00e9 toda a\u00e7\u00e3o humana transformadora da natureza.<\/p>\n<p>O ap\u00f3stolo Paulo buscava a emancipa\u00e7\u00e3o das pessoas, da comunidade e da sociedade. Uma pessoa emancipada se gere por rela\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas e n\u00e3o heter\u00f4nimas. Isto \u00e9, caminha com as pr\u00f3prias pernas, pensa com a pr\u00f3pria cabe\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 dominada e nem alienada como massa de manobra de quem est\u00e1 no poder do <em>status quo <\/em>opressor. Emancipar-se exige (com)viver, (inter)agir, trabalhar e criar se guiando por \u2018normas\u2019 pr\u00f3prias, o que implica desvencilhar-se das normas de outro, seja especificamente o patr\u00e3o que compra a for\u00e7a de trabalho do\/a trabalhador\/a pagando apenas o m\u00ednimo para que a\/o trabalhador\/a n\u00e3o morra e possa continuar servindo-lhe como mercadoria e produzindo acima de tudo mais-valia, seja obedecendo \u00e0s normas e leis do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista imposto pelo capital e pelos capitalistas.<\/p>\n<p>Atualmente h\u00e1 trabalho an\u00e1logo \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de escravid\u00e3o n\u00e3o apenas na agricultura sob o regime do agroneg\u00f3cio no campo, mas principalmente nas grandes cidades sob a intensifica\u00e7\u00e3o do regime de trabalho. \u201cO produtivismo, o trabalho por metas, a intensifica\u00e7\u00e3o do ritmo de trabalho, a produ\u00e7\u00e3o o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, a terceiriza\u00e7\u00e3o e a precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho est\u00e3o desumanizando milh\u00f5es de pessoas. Aumenta-se assustadoramente o n\u00famero de adoecimentos por trabalho extenuante\u201d (MOREIRA, 2016: 204).<\/p>\n<p>Na luta pela terra, muitas mulheres trabalham muito e s\u00e3o protagonistas. Entre elas Ricarda Maria Gon\u00e7alves da Costa \u00e9 exemplo de protagonismo de trabalhadora na luta pela terra. Ricarda narra um pouco da sua hist\u00f3ria e do que significa para ela a luta pela terra. Ela diz:<\/p>\n<p><em>\u201cNo \u00eaxodo rural da d\u00e9cada de 1960, eu fui expulsa da terra. Sa\u00ed da regi\u00e3o de Novo Horizonte, perto de Catanduva, SP. Meus pais foram meeiros, mas sem condi\u00e7\u00f5es de viver. Foi muito sofrido a gente ser expulso da terra. Sa\u00edmos de costa lamentando nossa sa\u00edda da terra. Em S\u00e3o Paulo, eu fiquei 30 anos lutando para voltar para a terra. Trabalhando como metal\u00fargica, eu me envolvi com a luta do sindicato dos metal\u00fargicos e no sindicalismo passei a entender porque a gente \u00e9 oprimida. Quanto mais a gente lutava, mais a gente era perseguida. Na luta sindical passamos a entender como \u00e9 o processo de opress\u00e3o da classe trabalhadora e da classe camponesa. Tive que ir trabalhar na \u00e1rea hospitalar e depois tive que virar mascate, pois a gente n\u00e3o encontrava mais empresa que nos aceitasse. Vim para S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP, e, ao contemplar a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira, eu pensava: \u2018Um dia eu pulo essa montanha e vou conquistar uma terra.\u2019 Um dia, em um evento religioso da renova\u00e7\u00e3o carism\u00e1tica da Igreja Cat\u00f3lica, ouvi falar de Campo do Meio, sul de Minas. Eu sou muito religiosa e sempre orava: \u201cSenhor Deus da vida, eu quero voltar para uma terra, mas onde eu possa levar tua palavra\u201d. Vim para Campo do Meio, porque ouvi falar que tinha uma usina de a\u00e7\u00facar e \u00e1lcool parada aqui, onde se arrendava terra para trabalhar. Tentei arrendar terra na ex-usina Ariadn\u00f3polis, mas a mulher do gerente me negou. Tive que subarrendar de outra arrendat\u00e1ria, mas logo chegou o MST e iniciamos a luta pela terra aqui nas terras da Ariadn\u00f3polis. Nossa emancipa\u00e7\u00e3o passa necessariamente pela posse da terra, pela democratiza\u00e7\u00e3o da terra. Sou feliz quando estou cumprindo minhas tarefas no Movimento, mas o que mais me d\u00e1 satisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 quando eu estou lidando com a m\u00e3e terra. Em contato com a terra a gente ganha energia positiva e sa\u00fade, porque a gente alimenta sem agrot\u00f3xico. \u00c9 indescrit\u00edvel o prazer que a gente sente ao ver um p\u00e9 de andu todo carregado, feij\u00e3o que a gente plantou. Aqui, a gente come o fruto saud\u00e1vel da semente que a gente planta sem nenhum agrot\u00f3xico. No campo, n\u00f3s n\u00e3o somos reduzidos a mercadoria. Aqui, a gente produz e goza os frutos do nosso trabalho. Aqui, os calos em minhas m\u00e3os \u2013 \u201cveja aqui em minhas m\u00e3os!\u201d -, o meu trabalho \u00e9 em prol de mim mesma e de meus companheiros e companheiras. Aqui na ro\u00e7a, se eu canso, paro e descanso, e depois volto a trabalhar feliz. Eu acredito que a sociedade muda pelo prazer de estar em rela\u00e7\u00e3o com a terra, o que \u00e9 uma d\u00e1diva. L\u00e1 na cidade, um dia escrevi uma poesia que dizia: As empresas metal\u00fargicas me engolem \u00e0s 06h00 da manh\u00e3, sem eu ver o sol nascer, e me vomitam \u00e0s 18h00 ou \u00e0s 20h00, sem eu ver o sol se por, sendo que eu nasci livre no campo, vendo o sol nascer, vendo o verde da natureza, sentindo o cheiro e o calor da m\u00e3e terra. Nas empresas metal\u00fargicas, a gente era reduzida \u00e0 escravid\u00e3o. Quando eu ia fazer os c\u00e1lculos entre o que a gente recebia como sal\u00e1rio e o que os empres\u00e1rios lucravam, eu percebia o tamanho da nossa explora\u00e7\u00e3o l\u00e1 nas empresas metal\u00fargicas. Aqui na terra, a gente trabalha feliz. Aqui na luta pela terra est\u00e1 nosso caminho de emancipa\u00e7\u00e3o, que nos d\u00e1 sa\u00fade e liberta\u00e7\u00e3o. Para convencer uma fatia maior de trabalhadores e camponeses para engrossar a luta pela terra, a gente tem que integrar a nossa luta com o urbano, pois muitos trabalhadores urbanos nos veem segundo a m\u00eddia que nos mostra como se a gente fosse marginal. Temos que mostrar o resultado do nosso trabalho, o companheirismo existente entre n\u00f3s, o respeito que existe entre n\u00f3s e convidar o povo da cidade para vir nos visitar e nos conhecer. Em Campo do Meio, eu fui acolhida pela renova\u00e7\u00e3o carism\u00e1tica, mas quando eu fui para o MST, algumas amigas se distanciaram de mim quando me viram andando com o bon\u00e9 do MST e empunhando a bandeira do Movimento. Hoje n\u00f3s conquistamos respeito, porque dia 25 de setembro de 2015, mostramos l\u00e1 na cidade de Campo do Meio o decreto do governador de Minas, Fernando Pimentel, desapropriando as terras da Ariadn\u00f3polis para n\u00f3s. Eu fiz um agradecimento em cima do caminh\u00e3o de som. As assentadas, como a L\u00facia e a Obed, continuam lutando por n\u00f3s que estamos acampadas. Mesmo depois de assentada, eu nunca vou parar de lutar pela terra, pelos sem-terra e em defesa de todo o povo oprimido. Forma\u00e7\u00e3o permanente do povo \u00e9 necess\u00e1ria. Todos precisam entender que somos da classe oprimida. Temos que exercitar no nosso dia a dia a pedagogia do oprimido. Na luta pela terra, freando o agroneg\u00f3cio e a superexplora\u00e7\u00e3o das empresas na cidade, n\u00f3s estamos salvando o planeta<\/em> (RICARDA MARIA GON\u00c7ALVES DA COSTA, Sem Terra h\u00e1 14 anos acampada no Acampamento Rosa Luxemburgo, integrante da coordena\u00e7\u00e3o da Feira da Agricultura Camponesa de Campo do Meio, em entrevista a frei Gilvander, dia 02\/3\/2016).\u201d<\/p>\n<p>A Sem Terra Ricarda demonstra pelo trabalho e pelo que ensina o que o ap\u00f3stolo Paulo defende na 1\u00aa Carta aos Tessalonicenses relativo \u00e0 import\u00e2ncia e ao jeito de se trabalhar pelo pr\u00f3prio sustento e para n\u00e3o ser peso para os outros. No final da 1\u00aa carta aos tessalonicenses, Paulo adverte: \u201cN\u00e3o esque\u00e7am as profecias!\u201d (1 Ts 5,20). O mesmo nos disse Dom H\u00e9lder C\u00e2mara e Dom Luciano Mendes: \u201cN\u00e3o deixem a profecia cair!. N\u00e3o esque\u00e7am os pobres!\u201d. Ou\u00e7amos as profetisas e os profetas, quem consola os aflitos e incomoda os injustos.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>MARX, Karl. <strong>O Capital<\/strong>. Edi\u00e7\u00e3o resumida. 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1982.<\/p>\n<p>MOREIRA, Gilvander Lu\u00eds. Laudato si\u00b4 e as lutas dos movimentos socioambientais. In: MURAD, Afonso; TAVARES, Sinivaldo Silva (Org.). <strong>Cuidar da Casa Comum: chaves de leitura teol\u00f3gicas e pastorais da Laudato Si\u00b4<\/strong>, p. 197-217. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2016.<\/p>\n<p>MOREIRA, Gilvander Lu\u00eds. Jesus de Nazar\u00e9 e as CEBs: da Solidariedade \u00e0 luta por Justi\u00e7a. Por uma pedagogia emancipat\u00f3ria, p. 64-74. In: FERRARO, Benedito; DORNELAS, Nelito (Org.). <strong>CEBs: ra\u00edzes e frutos ontem e hoje<\/strong>. Goi\u00e2nia: Scala Editora, 2014.<\/p>\n<p>Belo Horizonte, MG, 08 de julho de 2017.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Artigo do livro COSTA, Julieta Amaral da; Moreira, Gilvander Lu\u00eds; LEITE, I\u00eada Santos; DINIZ, L\u00facia; SABOYA, Marisa Mour\u00e3o; PEIXOTO, Western Clay. <strong>Comunidade de Tessal\u00f4nica: fermento do Reino na grande Cidade \u2013 uma leitura da 1\u00aa Carta aos Tessalonicenses feita pelo CEBI-MG<\/strong>. Belo Horizonte: CEBI-MG, 2017, p. 39-50.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Padre carmelita, mestre em Exegese B\u00edblica, doutor em Educa\u00e7\u00e3o na FAE\/UFMG, da coordena\u00e7\u00e3o da CPT\/MG, assessor do CEBI, de CEBs, do SAB e de Movimentos Sociais Populares de luta pela moradia; e-mail: <a href=\"mailto:gilvanderlm@gmail.com\">gilvanderlm@gmail.com<\/a>\u00a0 \u2013 <a href=\"http:\/\/www.freigilvander.blogspot.com.br\">www.freigilvander.blogspot.com.br<\/a> &#8211; <a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/\">www.gilvander.org.br<\/a> \u2013 <a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/gilvanderluis\">www.twitter.com\/gilvanderluis<\/a> &#8211; facebook: Gilvander Moreira III<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Cf. 1 Ts 1,1.3.6.8; 2,15.19; 3,11. 12.13.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Cf. 1 Ts 1,4; 2,1.9.14.17; 3,2.7; 4,1.6.10a.10b.13; 5,1.4.12.14.25.26.27.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Filme dispon\u00edvel na internet no seguinte link: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Ybp5s9ElmcY\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Ybp5s9ElmcY<\/a> , acesso em 15\/11\/2015, \u00e0s 21h28.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3stolo Paulo, trabalhador e agente de pastoral emancipadora[1]: subs\u00eddio para o M\u00eas da B\u00edblia sobre 1\u00aa Carta aos Tessalonicenses Por frei Gilvander Lu\u00eds Moreira[2] CANTO DA 1\u00aa CARTA AOS TESSALONICENSES (M\u00fasica: \u2018Quero ouvir teu apelo,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":428,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-427","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/427","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=427"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/427\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":430,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/427\/revisions\/430"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/428"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=427"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=427"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=427"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}