{"id":602,"date":"2017-10-30T18:12:52","date_gmt":"2017-10-30T20:12:52","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=602"},"modified":"2017-10-30T18:20:38","modified_gmt":"2017-10-30T20:20:38","slug":"atuacao-das-irmas-dominicanas-desagua-na-luta-pela-terra-etica-politica-e-direito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/atuacao-das-irmas-dominicanas-desagua-na-luta-pela-terra-etica-politica-e-direito\/","title":{"rendered":"Atua\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Dominicanas des\u00e1gua na luta pela terra: \u00e9tica, pol\u00edtica e direito?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Atua\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Dominicanas des\u00e1gua na luta pela terra: \u00e9tica, pol\u00edtica e direito?<\/strong><\/p>\n<p>Frei Gilvander Lu\u00eds Moreira<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]\u00a0<\/a>(Artigo publicado na Revista ANNALES &#8211; ISSN 2526-0782 &#8211; V. 2 N. 2 (2017), p. 169-176).<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-603 aligncenter\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Geraldinha-irm\u00e3-na-beira-do-rio-Jequitinhonha-com-a-B\u00edblia-20-06-2015-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Geraldinha-irm\u00e3-na-beira-do-rio-Jequitinhonha-com-a-B\u00edblia-20-06-2015-300x225.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Geraldinha-irm\u00e3-na-beira-do-rio-Jequitinhonha-com-a-B\u00edblia-20-06-2015-768x576.jpg 768w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Geraldinha-irm\u00e3-na-beira-do-rio-Jequitinhonha-com-a-B\u00edblia-20-06-2015.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/strong><strong style=\"font-size: 1rem;\">RESUMO<\/strong><span style=\"font-size: 1rem;\">: Pretender-se apresentar aqui nesse X Col\u00f3quio Vaziano um pouco da presen\u00e7a e atua\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Dominicanas de S\u00e3o Rom\u00e3o em Salto da Divisa, na regi\u00e3o do Baixo Jequitinhonha, MG e mostrar como a atua\u00e7\u00e3o \u00e9tica e pol\u00edtica delas desaguou na luta pela terra, resultando na conquista de dois Assentamentos no munic\u00edpio de Salto da Divisa: Assentamento Dom Luciano Mendes de Oliveira e Assentamento Irm\u00e3 Geraldinha, e em um Acampamento, o Ouro e Prata, com cerca de 70 fam\u00edlias acampadas na luta pela terra.<\/span><\/p>\n<p><strong>PALAVRAS-CHAVE<\/strong>: Irm\u00e3s Dominicanas. Luta pela terra. Reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ao ser convidado para participar do X Col\u00f3quio Vaziano, na Faculdade Jesu\u00edta de Filosofia e Teologia (FAJE), em Belo Horizonte, MG, com o tema: \u201c\u00c9TICA, POL\u00cdTICA E DIREITO: urg\u00eancia e limites\u201d, dias 18 e 19 de maio de 2017, recordei-me imediatamente da minha Tese de Doutorado, defendida na FAE\/UFMG, dia 05 de maio \u00faltimo, com o tema: \u201cA luta pela terra em contexto de injusti\u00e7a agr\u00e1ria: pedagogia de emancipa\u00e7\u00e3o humana? Experi\u00eancias de luta da CPT e do MST\u201d, porque ao pesquisar o tema da luta pela terra enquanto pedagogia de emancipa\u00e7\u00e3o humana, necess\u00e1rio tornou-se abordar v\u00e1rias vezes quest\u00f5es \u00e9ticas, pol\u00edticas e de direito. Por ser a FAJE uma Faculdade com significativa presen\u00e7a de seminaristas, freis, freiras e agentes de pastoral, optei por apresentar aqui nesse X Col\u00f3quio Vaziano um pouco da presen\u00e7a e atua\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Dominicanas de S\u00e3o Rom\u00e3o em Salto da Divisa, na regi\u00e3o do Baixo Jequitinhonha, MG e mostrar como a atua\u00e7\u00e3o \u00e9tica e pol\u00edtica delas desaguou na luta pela terra, resultando na conquista de dois Assentamentos no munic\u00edpio de Salto da Divisa: Assentamento Dom Luciano Mendes de Oliveira e Assentamento Irm\u00e3 Geraldinha, e em um Acampamento, o Ouro e Prata, com cerca de 70 fam\u00edlias acampadas na luta pela terra. \u00c9 o que passo a apresentar a seguir.<\/p>\n<p>Na disserta\u00e7\u00e3o de mestrado de Luis Antonio Alves, intitulada <em>A\u00e7\u00e3o Pastoral das Irm\u00e3s Dominicanas em Salto Da Divisa, MG, de 1993-2005<\/em>, \u00e9 relatado pormenorizadamente o processo de forma\u00e7\u00e3o do povo saltense: hist\u00f3ria sangrenta<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, com o exterm\u00ednio dos povos ind\u00edgenas botocudos, existente na regi\u00e3o, e a instala\u00e7\u00e3o da cultura do clientelismo e coronelismo em Salto da Divisa. \u201cOs sobreviventes desse exterm\u00ednio criaram uma depend\u00eancia muito grande dos fazendeiros, em quest\u00f5es de trabalho, moradia, alimenta\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio&#8230; Enfim, n\u00e3o tinham nenhuma perspectiva de vida, e constata-se que tal depend\u00eancia passou de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o. Criou-se uma consci\u00eancia de subordina\u00e7\u00e3o para com os fazendeiros, o que levou a popula\u00e7\u00e3o a como que agradecer as migalhas que comia como se fossem obra de caridade. Salto da Divisa foi marcada pelo sofrimento de seus habitantes, piorado com o aumento das grandes fazendas de gado. A grande maioria da popula\u00e7\u00e3o urbana da cidade de Salto da Divisa de hoje origina-se da expuls\u00e3o for\u00e7ada ou \u201camig\u00e1vel\u201d das terras tituladas pelos grandes latifundi\u00e1rios, entre os anos 1970 a 1990, d\u00e9cadas nas quais come\u00e7ou a desaparecer o agrego, isto \u00e9, o uso partilhado da terra, dando lugar ao uso exclusivo das terras, para pastos ou comercializa\u00e7\u00e3o\u201d (ALVES, 2008, p. 29).<\/p>\n<p>A dizima\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena do Baixo Jequitinhonha, de forma extremamente sangrenta, e a concentra\u00e7\u00e3o da propriedade capitalista da terra geraram acumula\u00e7\u00e3o de riqueza e poder em poucas m\u00e3os. Isso contribuiu, de maneira estrutural para a configura\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social da regi\u00e3o, conforme afirma Lu\u00eds Antonio Alves: \u201cO \u201cvale da fartura\u201d, rico para a agricultura, foi transformado num descampado com o m\u00ednimo de moradores para a manuten\u00e7\u00e3o da pecu\u00e1ria extensiva. Onde moravam centenas de fam\u00edlias, ficou somente uma pessoa para cuidar de mais de mil bois do coronel. A express\u00e3o \u201cvale da mis\u00e9ria\u201d surgiu quando o povo foi expulso das fazendas, indo parar na cidade, sem perspectiva alguma de sobreviv\u00eancia. Havia muitas promessas dos fazendeiros e pol\u00edticos, mas nada aconteceu. Chegando \u00e0 cidade, o povo n\u00e3o teve meios para sobreviver. [&#8230;]. Restou explorar o rio Jequitinhonha: a lavagem de roupa, a pesca, a extra\u00e7\u00e3o de areia e de rochas para constru\u00e7\u00e3o\u201d (ALVES, 2008, p. 31).<\/p>\n<p>A chegada das irm\u00e3s Dominicanas &#8211; Irm\u00e3 Solange de F\u00e1tima Dami\u00e3o, Irm\u00e3 Teresinha de Jesus Reis, Irm\u00e3 Rosa Maria Barbosa e Irm\u00e3 Geraldinha (Geralda Magela da Fonseca) \u2013 em Salto da Divisa, em fevereiro de 1992, tornou-se um divisor de \u00e1guas na hist\u00f3ria do povo da regi\u00e3o. Por isso conhecer um pouco da trajet\u00f3ria da irm\u00e3 Geraldinha e do trabalho pastoral das irm\u00e3s dominicanas no munic\u00edpio de Salto da Divisa \u00e9 imprescind\u00edvel para se compreender a luta pela terra no Baixo Jequitinhonha.<\/p>\n<p>Os fazendeiros de Salto da Divisa logo perceberam que a atua\u00e7\u00e3o pastoral das Irm\u00e3s Dominicanas iria incomodar a ordem estabelecida da regi\u00e3o. \u00c9 o que relata Alves: \u201cOs latifundi\u00e1rios logo perceberam na linha pastoral das irm\u00e3s, uma amea\u00e7a ao <em>status quo <\/em>deles. Eles afirmavam que as irm\u00e3s eram do PT e que todos deveriam ter cuidado ao se relacionar com elas. Diziam que elas estavam levando problemas para Salto da Divisa, que criariam divis\u00e3o entre ricos e pobres, porque os trabalhadores passaram a exigir carteira assinada, n\u00e3o queriam mais votar no patr\u00e3o, nem em seus candidatos. O medo dos fazendeiros se justificava pela perda do dom\u00ednio sobre o povo, mas tamb\u00e9m pelas reflex\u00f5es que faziam sobre a reforma agr\u00e1ria, fim do trabalho escravo e luta por direitos trabalhistas. A organiza\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o passaram a ser percebidas atrav\u00e9s de v\u00e1rios conflitos que foram surgindo entre o povo e a elite da sociedade saltense. As dom\u00e9sticas come\u00e7aram a reivindicar melhores sal\u00e1rios, registro trabalhista e melhor assist\u00eancia no trabalho junto \u00e0 patroa. As mulheres que sofriam viol\u00eancia dos maridos come\u00e7aram a denunciar as agress\u00f5es na delegacia de pol\u00edcia, o que provocou rea\u00e7\u00e3o por parte dos maridos; muitas vezes elas foram for\u00e7adas a retirar o boletim de ocorr\u00eancia. Eles diziam: \u201cvoc\u00ea n\u00e3o vai mais para essas reuni\u00f5es, pois voc\u00ea ficou diferente. Voc\u00ea n\u00e3o respondia para mim, e agora responde, eu batia sozinho e agora voc\u00ea quer bater em mim\u201d. Irm\u00e3 Rosa relata que houve muitas separa\u00e7\u00f5es depois disso. Os trabalhadores rurais, que ro\u00e7avam os pastos, descobriram que seu sal\u00e1rio era uma mis\u00e9ria, e que estavam vivendo num regime de escravid\u00e3o\u201d (ALVES, 2008, p. 38).<\/p>\n<p>Com 52 anos, Irm\u00e3 Geraldinha, cujo nome civil \u00e9 Geralda Magela da Fonseca, \u00e9 freira das irm\u00e3s dominicanas, est\u00e1 atuando pastoralmente em Salto da Divisa desde fevereiro de 1993, na Pastoral dos Direitos Humanos, na luta por direitos ao lado das fam\u00edlias atingidas pela barragem e hidrel\u00e9trica de Itapebi<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), na Pastoral da Crian\u00e7a e na Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT)<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p>Irm\u00e3 Geraldinha<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, pilar fundamental e um dos principais segredos da perseveran\u00e7a dos camponeses Sem Terra na luta pela terra em Salto da Divisa. Antes de se engajar na luta pela terra, Irm\u00e3 Geraldinha participou da Pastoral Carcer\u00e1ria em S\u00e3o Domingos do Prata, MG, durante dois anos. Na capital de S\u00e3o Paulo, ela trabalhou na Pastoral das Crian\u00e7as em Situa\u00e7\u00e3o de Rua. \u201cA gente ia para a rua e convidava as crian\u00e7as para ir para uma casa de apoio, onde as crian\u00e7as tomavam banho, recebiam caf\u00e9 da manh\u00e3 e refor\u00e7o escolar\u201d (Irm\u00e3 Geraldinha, em entrevista, dia 09\/6\/2016). Cerca de 700 crian\u00e7as em situa\u00e7\u00e3o de rua eram acolhidas nesses projetos na capital de S\u00e3o Paulo, enquanto irm\u00e3 Geraldinha estava sendo presen\u00e7a pastoral l\u00e1.<\/p>\n<p>Irm\u00e3 Geraldinha relata o in\u00edcio do trabalho dela e de outras freiras dominicanas em Salto da Divisa: \u201cDepois, ao chegar a Salto da Divisa, MG, no Baixo Jequitinhonha, eu comecei a ouvir muitas fam\u00edlias reclamando que tinham sido expulsas da terra. Eu vi ali uma possibilidade de trabalhar na origem dos presos e das crian\u00e7as em situa\u00e7\u00e3o de rua, os que eu encontrei l\u00e1 na capital de S\u00e3o Paulo. Come\u00e7amos atrav\u00e9s dos C\u00edrculos B\u00edblicos a refletir sobre a situa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias expulsas do campo. Nas d\u00e9cadas de 1970 a 1990, milhares de fam\u00edlias foram expulsas da terra na regi\u00e3o do Salto da Divisa. Como ajudar esse povo a voltar \u00e0s suas ra\u00edzes? A gente via que as fazendas eram improdutivas e come\u00e7amos a luta pela terra. Antigamente os fazendeiros proibiam ensinar a ler e a escrever. Em Salto da Divisa, de 1993 a 1998, trabalhei na Pastoral da Crian\u00e7a, porque tinha muita crian\u00e7a que morria de desnutri\u00e7\u00e3o. Incentivamos a planta\u00e7\u00e3o de hortas comunit\u00e1rias e nos fundos de quintais. Na reflex\u00e3o b\u00edblica, o povo foi descobrindo os direitos que o povo tinha. A gente provocou a descoberta dos direitos sociais. Antes de ocuparmos a terra tivemos que ocupar a consci\u00eancia do povo oprimido para que se reconhecesse portador de direitos. A casa do Sr. Aldemir, na cidade de Salto, at\u00e9 hoje n\u00e3o tem documento no nome dele. Primeiro, tivemos que semear a terra na cabe\u00e7a das pessoas desterradas para que eles passassem a acreditar que eles tinham direito. A partir da B\u00edblia, levamos o povo a descobrir que <em>a terra pertence a Deus e, portanto, a todos. <\/em>At\u00e9 nos bancos da igreja tinham os bancos exclusivos da fam\u00edlia doadora, por exemplo, o coronel Zimbu. Os coron\u00e9is mandavam expulsar quem eles queriam e matar quem eles queriam. Irm\u00e3 Terezinha, minha colega, trabalhou muito na constru\u00e7\u00e3o de casas e na constru\u00e7\u00e3o de fossas sanit\u00e1rias. Isso atrav\u00e9s de mutir\u00e3o e captando projetos de solidariedade. Um final de semana, um grupo fazia blocos de cimento e areia e outro grupo constru\u00eda as casas ou reformava as casas existentes, mas em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es. A hist\u00f3ria de Salto da Divisa teve v\u00e1rias etapas de conscientiza\u00e7\u00e3o. N\u00f3s, irm\u00e3s, fomos acusadas de sermos comunistas. A quest\u00e3o da viol\u00eancia na cidade nos levou a criar o Grupo de Apoio e Defesa dos Direitos Humanos (GADDH), em 1997, ap\u00f3s um homem ter assassinado uma mulher a machadada. Isso chocou o povo. Policiais da regi\u00e3o n\u00e3o queriam investigar o crime, pois achavam que a culpa era da mulher assassinada. Criamos a Associa\u00e7\u00e3o Asas da Liberdade, onde buscamos apoio em um grupo franc\u00eas para fazermos refor\u00e7o escolar \u00e0s crian\u00e7as. A Comarca da cidade de Jacinto, em 1997, n\u00e3o tinha juiz, nem promotor e nem defensor p\u00fablico. S\u00f3 em Almenara. A prostitui\u00e7\u00e3o era intensa, inclusive com meninas adolescentes. Os fazendeiros usavam a prostitui\u00e7\u00e3o para a primeira experi\u00eancia sexual de seus filhos. E depois, em 1999, o grupo integrante do GADDH abra\u00e7ou a luta contra a barragem e a hidrel\u00e9trica de Itapebi. O latif\u00fandio e o poder p\u00fablico municipal e o estadual estiveram o tempo todo ao lado da empresa que estava construindo a barragem de Itapebi. At\u00e9 hoje a empresa tem pend\u00eancias sobre a maioria das medidas compensat\u00f3rias n\u00e3o cumpridas. As lavadeiras foram pisadas nos seus direitos de lavar roupa nas \u00e1guas do rio Jequitinhonha. A barragem de Itapebi encheu dentro de um dia, quando as irm\u00e3s dominicanas estavam de f\u00e9rias. A empresa se desculpou dizendo que tinha chovido muito. Mentira. H\u00e1 13 anos a barragem est\u00e1 cheia e os direitos das lavadeiras, dos pescadores e dos extratores de areia continuam violados. O clamor por justi\u00e7a continua ensurdecedor. Em Salto da Divisa os fazendeiros agem de forma orquestrada\u201d (GERALDA MAGELA FONSECA (IRM\u00c3 GERALDINHA), em entrevista, dia 09\/6\/2016) (grifo nosso).<\/p>\n<p>O trabalho pastoral das irm\u00e3s dominicanas em Salto da Divisa, na perspectiva da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o e das CEBs, desaguou na cria\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria de Comunica\u00e7\u00e3o de Salto da Divisa \u2013 ASSCOM -, do Grupo de Apoio e Defesa dos Direitos Humanos \u2013 GADDH &#8211; e da R\u00e1dio Comunit\u00e1ria Voz do Povo, instrumentos de organiza\u00e7\u00e3o e luta por direitos sociais. O GADDH, por exemplo, reivindicou junto poder p\u00fablico municipal a constitui\u00e7\u00e3o e instala\u00e7\u00e3o do Conselho Municipal de Sa\u00fade, do Conselho de Seguran\u00e7a P\u00fablica e do Conselho Tutelar da Crian\u00e7a e do Adolescente, este para combater a realidade de viol\u00eancia contra a crian\u00e7a e o adolescente.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o MST nascer e se fortalecer na regi\u00e3o do Vale do Jequitinhonha com o assentamento Franco Duarte, em Jequitinhonha; o acampamento Terra Prometida, em Felisburgo; e o assentamento Esperan\u00e7a\/Santa Rosa, em Almenara, e ap\u00f3s ter acontecido em Una\u00ed, MG, dia 28 de janeiro de 2004, o massacre dos quatro fiscais do Minist\u00e9rio do Trabalho, no mesmo ano, dia 20 de novembro de 2004, o massacre de cinco Sem Terra em Felisburgo, impulsionado pelo trabalho pastoral da irm\u00e3 Geraldinha, de outras irm\u00e3s dominicanas e de militantes do GADHH, eis que o MST fincou pela primeira vez sua bandeira em Salto da Divisa, um munic\u00edpio sob hegemonia do latif\u00fandio e do capital no campo. O Acampamento Dom Luciano Mendes, do MST, em Salto da Divisa, munic\u00edpio com seis mil habitantes, distante 7 km da cidadezinha de Salto<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> e a 880 km de Belo Horizonte, na regi\u00e3o do Baixo Jequitinhonha, MG, ap\u00f3s um longo processo de gesta\u00e7\u00e3o, nasceu na madrugada do dia 26 de agosto de 2006, exatamente no dia em que o arcebispo da Arquidiocese de Mariana, MG, Dom Luciano Mendes de Oliveira, faleceu. Por isso e, principalmente, por ele ter sido ao longo de v\u00e1rias d\u00e9cadas uma refer\u00eancia para a igreja popular na linha da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, para as Comunidades Eclesiais de Base, as pastorais sociais e para os movimentos populares, Dom Luciano foi escolhido para ser o patrono do acampamento.<\/p>\n<p>Irm\u00e3 Geraldinha recorda como foi a primeira ocupa\u00e7\u00e3o no munic\u00edpio de Salto da Divisa. \u201cA ocupa\u00e7\u00e3o que se tornou o Acampamento Dom Luciano Mendes aconteceu por volta das 4 horas da madrugada do dia 26 de agosto de 2006 com 186 fam\u00edlias sem-terra que logo depois foram cadastradas no INCRA.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> O povo levantou de madrugada, p\u00f4s os cacaios nas costas e cortou a cerca de mais um latif\u00fandio iniciando o Acampamento Dom Luciano. Com a lona preta nas m\u00e3os entramos nessa fazenda chamada Manga do Gustavo. <em>A gente sabia que era terra devoluta\u201d<\/em> (IRM\u00c3 GERALDINHA, em entrevista, dia 21\/9\/2014).<\/p>\n<p>Na madrugada do dia 26 de agosto de 2006, em Salto da Divisa, MG, estava Cidona, ao lado de 186 fam\u00edlias, fincando a bandeira do MST no Acampamento que tr\u00eas dias depois foi batizado de Acampamento Dom Luciano Mendes. Na Assembleia que decidiu qual seria o nome do acampamento, Cidona afirmou: \u201cOcupamos aqui no mesmo dia em que morreu o grande bispo Dom Luciano Mendes, um irm\u00e3o na luta dos pobres. Por isso proponho a gente homenage\u00e1-lo colocando o nome de Dom Luciano no nosso acampamento, pois cultivar a mem\u00f3ria prof\u00e9tica dele \u00e9 dever de todos n\u00f3s\u201d (CIDONA DO MST, dia 29\/8\/2006).<\/p>\n<p>Segundo Geralda Magela Fonseca &#8211; carinhosamente conhecida como Irm\u00e3 Geraldinha -, cerca de 85% das fam\u00edlias que vieram para o Acampamento Dom Luciano Mendes eram atingidas\/massacradas pela barragem de Itapebi. De fato, grandes obras de infraestrutura que viabilizam o sistema do capital, entre as quais, as grandes barragens, t\u00eam gerado conflitos agr\u00e1rios, expropria\u00e7\u00e3o de terra dos camponeses e, consequentemente luta pela terra &#8211; O MST foi criado tamb\u00e9m atrav\u00e9s da luta pela terra dos camponeses atingidos pela barragem de Itaipu -, como o caso que estamos analisando e in\u00fameros outros pelo Brasil afora, como em Andradina, SP, no final da d\u00e9cada de 1960, como atesta Fabiano Coelho: \u201cNa regi\u00e3o de Andradina, a constru\u00e7\u00e3o da barragem da usina Engenheiro Souza Dias, mais conhecida como Jupi\u00e1, provocou uma migra\u00e7\u00e3o muito grande de pessoas para o local. Com o findar da constru\u00e7\u00e3o, grande parte dessas pessoas continuaram na regi\u00e3o, por\u00e9m desempregadas e tendo que se concentrar nas periferias das cidades, principalmente em Andradina. Neste per\u00edodo, tamb\u00e9m em Andradina, havia a luta dos posseiros da fazenda Primavera, os quais estavam sendo expulsos das terras que cultivavam h\u00e1 anos\u201d (COELHO, 2010, p. 57).<\/p>\n<p>As principais not\u00edcias de jornais e as atas de reuni\u00f5es em que lideran\u00e7as do MST participam est\u00e3o fixadas em um mural no Centro Comunit\u00e1rio do Acampamento Dom Luciano. \u201cO povo precisa ler e se informar sobre o que est\u00e1 acontecendo relativo \u00e0 nossa luta\u201d, pondera irm\u00e3 Geraldinha. Muito eloquente a Decora\u00e7\u00e3o do Centro Comunit\u00e1rio com as paredes grafitadas com letras de m\u00fasicas da luta, gritos de luta, men\u00e7\u00e3o \u00e0s principais conquistas e datas. Sinal de que a dimens\u00e3o simb\u00f3lica precisa ser cultivada tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Em observa\u00e7\u00e3o participante, perambulando pelo acampamento Dom Luciano Mendes percebemos que h\u00e1 trabalho em mutir\u00e3o no mandiocal coletivo, no galinheiro de quatro fam\u00edlias, em algumas pocilgas, nas hortas e nos ro\u00e7ados.<\/p>\n<p>Eloquentes s\u00e3o os nomes das ruas do Acampamento Dom Luciano: rua Che Guevara, rua 26 de agosto de 2006, rua CPT, rua MST, rua Ant\u00f4nio Conselheiro, rua 7 de setembro e rua Popular. Todos esses nomes t\u00eam um grande significado para as fam\u00edlias do Acampamento Dom Luciano. S\u00e3o pessoas de luta; datas importantes como 26 de agosto de 2006, que foi o dia da ocupa\u00e7\u00e3o; rua Sete de setembro, por ter se tornado o dia do grito dos exclu\u00eddos, que foi um momento forte na nossa luta da terra em 2006, 2007 e 2008. Quando deram o nome da rua, o povo decidiu que n\u00e3o participaria mais do Grito dos Exclu\u00eddos, em Salto da Divisa, uma vez que o grito l\u00e1 tinha se tornado grito do poder p\u00fablico; a rua Popular est\u00e1 no ponto mais alto do acampamento, lugar \u00a0de ora\u00e7\u00e3o e vig\u00edlia, onde foi fincada a cruz das Santas \u00a0Miss\u00f5es populares, realizada no \u00a0 segundo ano de resist\u00eancia das fam\u00edlias no \u00a0acampamento.<\/p>\n<p>Encantadora a alegria contagiante que as fam\u00edlias do Acampamento Dom Luciano demonstram em todos os momentos de reuni\u00e3o, de manifesta\u00e7\u00e3o, de celebra\u00e7\u00e3o da luta ou para receber algum visitante ou autoridade no Acampamento. Muita cantoria, uma cascata de cantos de luta e gritos de luta. Assim presenciamos nos momentos em que o povo festejava oito anos de resist\u00eancia no Acampamento Dom Luciano<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a> e a conquista da fazenda Monte Cristo, dia 22 de outubro de 2014. Em uma aura de ternura e de gratid\u00e3o, v\u00e1rios objetos de artesanato em madeira \u2013 cuias, gamelas e pratos \u2013 foram presenteados \u00e0s autoridades e a todos os visitantes. A emo\u00e7\u00e3o tomou conta de v\u00e1rias pessoas.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p>M\u00fasicas de luta e gritos de luta muito eloquentes, tais como: a) \u201cVerdadeiros donos da terra s\u00e3o os que nela trabalham e produzem para sua subsist\u00eancia!;\u201d b) \u201cSomos luz divina do MST. Na luta pela terra, somos n\u00f3s que vamos vencer!;\u201d c) \u201cDom Luciano lutou at\u00e9 morrer. Lutou pela justi\u00e7a e n\u00e3o pelo poder!;\u201d d) \u201cCida, Cidona, voc\u00ea n\u00e3o morreu. O MST n\u00e3o te esqueceu!;\u201d e) \u201cPisa ligeiro, pisa ligeiro. Quem n\u00e3o pode com Sem Terra n\u00e3o a\u00e7anhe os companheiros!;\u201d f) \u201cEu j\u00e1 falei pra voc\u00ea n\u00e3o mexer com o Sem Terra. O Sem Terra \u00e9 valente e luta pela liberdade!;\u201d g) \u201cMais um passo \u00e0 frente, nem um passo atr\u00e1s. A reforma agr\u00e1ria \u00e9 a gente que faz!\u201d h) \u201cEssa luta \u00e9 nossa, \u00e9 luta \u00e9 do povo. \u00c9 s\u00f3 lutando que se constr\u00f3i um Brasil novo!;\u201d i) \u201cPovo unido \u00e9 povo forte, n\u00e3o teme a luta, n\u00e3o teme a morte!;\u201d j) \u201cVem Senhor Jesus, vem conosco caminhar. Ilumina nossa luta pra essa terra conquistar!\u201d.\u201d<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a><\/p>\n<p>Irm\u00e3 Geraldinha nos informa: \u201cNo Acampamento Dom Luciano Mendes estou <em>desde o in\u00edcio<\/em> ajudando na <em>Forma\u00e7\u00e3o de Base<\/em> pelos direitos do povo aqui na luta pela terra. Estou desde o in\u00edcio apoiando essa luta pela terra aqui para ver se de fato a reforma agr\u00e1ria acontece aqui em Salto da Divisa. <em>\u00c9 um direito do povo e um dever das autoridades\u201d <\/em>(IRM\u00c3 GERALDINHA, em entrevista, dia 21\/9\/2014).<\/p>\n<p>A luta dos camponeses acampados no Acampamento Dom Luciano at\u00e9 serem assentados no PA Dom Luciano Mendes, 25 fam\u00edlias somente,\u00a0 foi uma experi\u00eancia de f\u00e9 libertadora e de esperan\u00e7a constru\u00edda na luta coletiva. \u201cIrm\u00e3 Geraldinha tem sido o bra\u00e7o forte dessa luta, o porto seguro do povo na luta pela terra. Por isso ela foi muitas vezes amea\u00e7ada de morte\u201d, testemunha Edivaldo Ferreira Lopes, da coordena\u00e7\u00e3o da CPT em MG. Em um v\u00eddeo<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> que foi apresentado no IV Congresso da CPT, em Porto Velho, de 12 a 17 de julho de 2015, emocionada, irm\u00e3 Geraldinha afirma: \u201cAqui no Acampamento Dom Luciano milagres v\u00eam acontecendo. Terras que estavam nas m\u00e3os do latif\u00fandio hoje est\u00e3o produzindo feij\u00e3o, milho, mandioca, verduras e frutas para o povo se alimentar e se libertar\u201d. A camponesa Cleonice complementa: \u201c\u00c9 nosso dever libertar a terra que vive aprisionada nas m\u00e3os dos latifundi\u00e1rios e fazer essa terra produzir alimentos saud\u00e1veis\u201d (CLEONICE DOS SANTOS SILVA SOUZA, no IV Congresso da CPT, dia 16\/7\/2015). Elenita Ramos fez quest\u00e3o de concluir a apresenta\u00e7\u00e3o da luta pela conquista do PA Dom Luciano, em Salto da Divisa, MG, no IV Congresso da CPT, dizendo: \u201cQuando voc\u00eas encontrarem algu\u00e9m da igreja querendo contribuir, aceite, pois o apoio de pessoas da Igreja \u00e9 fundamental na nossa luta. Assim foi conosco atrav\u00e9s da irm\u00e3 Geraldinha. Digo isso porque h\u00e1 acampamentos que n\u00e3o compartilham com a Igreja, mas a Igreja \u00e9 uma grande for\u00e7a. Vale a pena lutar juntos\u201d (ELENITA RAMOS, em oficina do IV Congresso da CPT, Sem Terra do PA Dom Luciano Mendes, dia 16\/7\/2015, em Porto Velho, Rond\u00f4nia).<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a><\/p>\n<p>Enfim, apresentamos aqui apenas alguns flashes da presen\u00e7a e atua\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Dominicanas, com \u00eanfase na atua\u00e7\u00e3o da Irm\u00e3 Geraldinha, que continua vivendo e atuando no meio dos Sem Terra dos Assentamentos Dom Luciano Mendes e Irm\u00e3 Geraldinha e acompanhando a luta pela terra das dezenas de fam\u00edlias do Acampamento Ouro e Prata e a resist\u00eancia da comunidade camponesa da cabeceira do Piabanha, no Parque estadual Alto Cariri, tamb\u00e9m em Salto da Divisa, MG. Essa comunidade de posseiros est\u00e1 amea\u00e7ada pela mineradora Nacional de Grafite, por fazendeiros da regi\u00e3o e por deputados que tramam alterar os limites do parque para que a mineradora possa minerar dentro do parque, onde h\u00e1 mais de 50 anos mais de dez fam\u00edlias camponesas vivem em harmonia com o meio ambiente, preservando-o.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o pastoral e a luta pela terra descrita em r\u00e1pidas linhas, acima, demonstram que tipo de \u00e9tica, de pol\u00edtica e de direito? Quais urg\u00eancias e limites?<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias.<\/strong><\/p>\n<p>ALVES, Lu\u00eds Antonio. <strong>A\u00e7\u00e3o Pastoral das Irm\u00e3s Dominicanas em Salto da Divisa, MG, de 1993-2005<\/strong>. (Disserta\u00e7\u00e3o). S\u00e3o Paulo: Pontif\u00edcia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assun\u00e7\u00e3o, 2008. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/livros01.livrosgratis.com.br\/cp080579.pdf\">http:\/\/livros01.livrosgratis.com.br\/cp080579.pdf<\/a> , acesso em 31\/12\/2016 \u00e0s 09h48.<\/p>\n<p>COELHO, Fabiano. <strong>A Pr\u00e1tica da M\u00edstica e a Luta pela Terra no MST<\/strong>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Hist\u00f3ria). Dourados, MS: UFGD, 2010. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/files.ufgd.edu.br\/arquivos\/arquivos\/78\/MESTRADO-DOUTORADO-HISTORIA\/Fabiano%20Coelho.pdf\">http:\/\/files.ufgd.edu.br\/arquivos\/arquivos\/78\/MESTRADO-DOUTORADO-HISTORIA\/Fabiano%20Coelho.pdf<\/a> , acesso em 03\/01\/2017 \u00e0s 18h43.<\/p>\n<p><strong>Obs<\/strong>.: Esse artigo est\u00e1 publicado originalmente em: <a href=\"http:\/\/www.faje.edu.br\/periodicos\/index.php\/annales\/article\/view\/3829\">http:\/\/www.faje.edu.br\/periodicos\/index.php\/annales\/article\/view\/3829<\/a> , acesso em 30\/10\/2017, \u00e0s 18h02.<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong>:<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Frei e padre da Ordem dos Carmelitas; bacharel e licenciado em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP\/SP; mestre em Exegese B\u00edblica pelo Pontif\u00edcio Instituto B\u00edblico de Roma, It\u00e1lia; doutor em Educa\u00e7\u00e3o pela FAE\/UFMG; assessor da CPT, CEBI, SAB e Movimentos Populares urbanos de luta por moradia; e-mail:\u00a0<a href=\"mailto:gilvanderlm@gmail.com\">gilvanderlm@gmail.com<\/a> \u00a0\u2013\u00a0<a href=\"http:\/\/www.freigilvander.blogspot.com.br\">www.freigilvander.blogspot.com.br<\/a> &#8211; <a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/\">www.gilvander.org.br<\/a>\u00a0\u2013\u00a0<a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/gilvanderluis\">www.twitter.com\/gilvanderluis<\/a>\u00a0\u2013 Facebook: Gilvander Moreira III<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Sobre a hist\u00f3ria do Vale do Jequitinhonha, cf. RIBEIRO, Eduardo Magalh\u00e3es. <strong>Lembran\u00e7as da terra: hist\u00f3ria do Mucuri e Jequitinhonha.<\/strong> Belo Horizonte: s. ed., 1995; SANTOS, Rafael Souza. <strong>O Vale do Jequitinhonha.<\/strong> Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1971.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Cf. no link, a seguir, Irm\u00e3 Geraldinha lutando pelos direitos dos atingidos pela barragem e hidrel\u00e9trica de Itapebi, em Salto da Divisa: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=AAfkW0bDF4o\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=AAfkW0bDF4o<\/a> , acesso em 23\/5\/2015 \u00e0s 10h23.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Em entrevista na TV Comunit\u00e1ria de Belo Horizonte \u2013 <a href=\"http:\/\/www.tvcbh.com.br\">www.tvcbh.com.br<\/a> -, no <strong>Programa Inconfid\u00eancias Mineiras<\/strong>, Irm\u00e3 Geraldinha narra sua hist\u00f3ria de luta por Direitos Humanos no munic\u00edpio de Salto da Divisa, MG. Veja nos seis links a seguir: 1) <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7Udy_TkEo2w\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7Udy_TkEo2w<\/a> , 2) <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=p35Mh83VQg4\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=p35Mh83VQg4<\/a> , 3) <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Ek3e-ECzGCQ\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Ek3e-ECzGCQ<\/a> , 4) <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=PFrQNL9elLY\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=PFrQNL9elLY<\/a> , 5) <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=UuLxq8v64M4\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=UuLxq8v64M4<\/a> , 6) <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=6ixo4G125m8\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=6ixo4G125m8<\/a> , acesso em 23\/02\/2015 \u00e0s 23h34.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Veja o Document\u00e1rio da TV Canal Futura \u201cUma irm\u00e3, um rio e muitas terras\u201d, que retrata a luta pela terra\u00a0 empreendida pela Irm\u00e3 Geraldinha no meio do povo Sem Terra, dos posseiros e atingidos pela barragem e hidrel\u00e9trica de Itapebi, em Salto da Divisa, MG, no link a seguir: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=fVQFbK1Vg1g\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=fVQFbK1Vg1g<\/a> , acesso em 21\/5\/2015 \u00e0s 23h03.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Quando era necess\u00e1rio ir \u00e0 cidade de Salto da Divisa, as pessoas do Acampamento Dom Luciano iam a p\u00e9, de jegue ou de bicicleta. Raramente aparecia uma carona. Podia-se tamb\u00e9m pegar o \u00f4nibus da empresa Mineradora Nacional de Grafite que levava os funcion\u00e1rios da empresa. Esse \u00f4nibus passava indo para o Salto \u00e0s 08h00 da manh\u00e3 e voltava \u00e0s 14h00. E ia novamente para o Salto \u00e0s 16h00 e voltava \u00e0s 22h00.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> \u201cJ\u00e1 passaram pelo Acampamento Dom Luciano mais de 220 fam\u00edlias\u201d, informa irm\u00e3 Geraldinha.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Cf. o v\u00eddeo \u201cAcampamento Dom Luciano, do MST, em Salto da Divisa, MG, celebra 8 anos de resist\u00eancia. 21\/09\/2014\u201d , disponibilizado no You Tube no link <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=rwJWrhk4nfY\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=rwJWrhk4nfY<\/a> , acesso em 24\/5\/2015 \u00e0s 22h10.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Cf. o v\u00eddeo \u201cAcampamento Dom Luciano, do MST, em Salto da Divisa, MG, festeja a conquista da fazenda Monte Cristo\u201d, disponibilizado no link <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=GDtNlY61v_E\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=GDtNlY61v_E<\/a> , acesso em 25\/5\/2015 \u00e0s 08h23.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Em 22\/9\/2014, gravamos tamb\u00e9m dois v\u00eddeos: 1) \u201cPovo do Acampamento Dom Luciano n\u00e3o arreda o p\u00e9 da luta\u201d, disponibilizado no You Tube, no link a seguir: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=bIEXLnke47g\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=bIEXLnke47g<\/a>\u00a0 , acesso em 27\/5\/2015 \u00e0s 22h56; 2) \u201cAcampamento Dom Luciano, do MST, em Salto da Divisa, MG, festeja a conquista da fazenda Monte Cristo\u201d, disponibilizado no link <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=GDtNlY61v_E\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=GDtNlY61v_E<\/a> , acesso em 295\/2015 \u00e0s 22h06.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> V\u00eddeo disponibilizado no You Tube no link a seguir: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=I9tmI_l0uSo\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=I9tmI_l0uSo<\/a> , acesso em 30\/5\/2015 \u00e0s 12h10.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Cf. v\u00eddeo \u201cDe trabalho escravo a livre e Assentamento Dom Luciano no IV Congresso da CPT. 15\/07\/15\u201d, disponibilizado no You Tube no link <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Hv2LL5jTJaU\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Hv2LL5jTJaU<\/a> , acesso em 30\/02\/2016 \u00e0s 10h23.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atua\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Dominicanas des\u00e1gua na luta pela terra: \u00e9tica, pol\u00edtica e direito? 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