{"id":7170,"date":"2020-06-23T15:39:01","date_gmt":"2020-06-23T18:39:01","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=7170"},"modified":"2020-06-23T15:39:03","modified_gmt":"2020-06-23T18:39:03","slug":"%ef%bb%bfserie-januaria-ja-teve-historias-de-januaria-em-minas-gerais-por-antonio-inacio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/%ef%bb%bfserie-januaria-ja-teve-historias-de-januaria-em-minas-gerais-por-antonio-inacio\/","title":{"rendered":"\ufeffS\u00e9rie Janu\u00e1ria J\u00e1 Teve \u2013 Hist\u00f3rias de Janu\u00e1ria, em Minas Gerais. Por Ant\u00f4nio In\u00e1cio"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>S\u00e9rie Janu\u00e1ria J\u00e1 Teve \u2013 Hist\u00f3rias de Janu\u00e1ria, em Minas Gerais. <\/strong>Por Ant\u00f4nio In\u00e1cio Corr\u00eaa<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Ant\u00f4nio-In\u00e1cio-Correa.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7171\" width=\"702\" height=\"1055\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Umas\ne Outras 84<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dando continuidade \u00e0s hist\u00f3rias da S\u00e9rie\nJanu\u00e1ria J\u00e1 Teve, vamos falar mais sobre as lutas do Sindicato dos\nTrabalhadores Rurais (STR) de Janu\u00e1ria, MG. Na edi\u00e7\u00e3o passada falamos sobre o\ntrabalho escravo e a invas\u00e3o dos gerais entre outras hist\u00f3rias e agora falamos\nsobre as mudan\u00e7as que houve durante sua trajet\u00f3ria. Este sindicato, como tantos\noutros, foi criado pela m\u00eddia para reconhecer os trabalhadores perante o INSS,\nmas com a abertura que houve ap\u00f3s o golpe militar de 1964, o movimento sindical\nnacional abriu as lutas para que os sindicatos assumissem todas as demandas de\nseus filiados, inclusive as lutas agr\u00e1rias, combate ao trabalho escravo, direitos\nprevidenci\u00e1rios e tudo mais. Com o passar do tempo, os sindicatos ficaram\nrespons\u00e1veis por montar os processos visando aposentadoria, assinar e\nprotocolar no INSS para a revis\u00e3o final. Assim muitas diretorias que n\u00e3o eram\ncompromissadas com os demais problemas da classe trabalhadora tornaram-se apenas\nagentes da Previd\u00eancia, como foi o nosso sindicato, que apos v\u00e1rios anos de\nlutas, abandonou as lutas pela terra, combate ao trabalho escravo e direitos\ntrabalhistas. Agora com o desgoverno federal que temos, cortou os direitos das\ndiretorias assinarem os processos de aposentadorias dos trabalhadores rurais e\noutros, inclusive, negocia\u00e7\u00f5es entre patr\u00e3o e empregados, entre outros. Agora\nparece que acabou de acabar. A 1\u00aa provid\u00eancia tomada pelo governo foi acabar\ncom o Minist\u00e9rio do Trabalho, mostrando assim que deseja liquidar com o\nsindicalismo no Brasil, mas muito interessado em fortalecer o patronato, onde\nchegou a perdoar muitos bilh\u00f5es de reais de dividas das empresas por sonega\u00e7\u00e3o de\ncontribui\u00e7\u00e3o da previd\u00eancia. Aqueles sindicatos que estavam acomodados apenas\ncom a previd\u00eancia sentiram, mas nem tanto, mas aqueles que lutavam de ponta a\nponta igual o nosso que chegou a ser um dos mais atuantes do norte de Minas,\nchegou a ser um desastre. Esperamos que nem todo mal dure para sempre, e que\nbrevemente estaremos livres para que tudo restabele\u00e7a e a democracia volte a\nser realidade. Assim voltaremos a ser felizes, onde nosso sindicato consiga\neleger uma diretoria competente, compromissada com os direitos da classe\ncamponesa. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Outras<\/strong>: VOC\u00ca sabia que\nnosso pa\u00eds est\u00e1 voltando a ser um dos maiores concentradores de riqueza e renda\ne aumentando as desigualdades sociais do mundo? Verdade, O governo Lula\nencontrou o valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo em 86 d\u00f3lares e deixou com quase 300\nd\u00f3lares. Agora o sal\u00e1rio m\u00ednimo j\u00e1 n\u00e3o vale mais nem 200 d\u00f3lares&#8230; (Umas e\nOutras 84).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Umas\ne Outras 85<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O que referimos sempre \u00e9 a hist\u00f3ria que Janu\u00e1ria,\nMG, j\u00e1 teve, sem esquecer que muitas coisas melhoraram, mas o fato de termos\npassado de exportador a consumidores nos deixa preocupados. Vejo todos os dias\no homem do campo comprando feij\u00e3o, arroz, farinha de mandioca, polvilho e at\u00e9\nverduras. Quantos comerciantes daqui de Janu\u00e1ria eram exportadores dos produtos\nda regi\u00e3o e agora s\u00f3 encontramos comerciantes que importam produtos de fora\npara serem vendidos aqui. A\u00ed n\u00e3o tem regi\u00e3o que aguenta j\u00e1 que n\u00e3o veio\nind\u00fastrias para equilibrar a economia da regi\u00e3o. Apesar de termos muita terra\nociosa e bastante \u00e1gua para irriga\u00e7\u00e3o, ainda assim somos dependentes de\nprodutos de fora. O fato \u00e9 que vieram muitas empresas de fora, expulsando o\nhomem da terra e para aumentar o plantio de pastos para a cria\u00e7\u00e3o de gado que\ngera poucos empregos e o essencial ser\u00e1 buscado l\u00e1 fora. Teve as carvoeiras que\ndesmataram todo o cerrado e foram embora, s\u00f3 serviu para destruir os cerrados e\nas nascentes, exerceram o trabalho escravo, como tamb\u00e9m as reflorestadoras que\nforam embora depois de destru\u00edrem a fauna e a flora e expulsar o homem do\ncampo. Conhe\u00e7o milhares de fam\u00edlias que hoje moram nas grandes cidades e j\u00e1\nforam trabalhadores do campo. Outros, j\u00e1 idosos, mudaram para a cidade. O campo\ntornou-se um deserto, ou seja, a for\u00e7a do trabalho foi parar em outras regi\u00f5es.\nCom o Projeto Luz Para Todos e outros aquelas pessoas que aposentam voltam para\no campo em busca de sossego que nas grandes cidades n\u00e3o tem. Queremos s\u00f3\nmostrar o que melhorou e piorou em nossa regi\u00e3o, onde muita gente que viveu\naquela \u00e9poca est\u00e1 sempre relembrando as hist\u00f3rias, onde muitos divergem,\nprincipalmente a juventude mesmo com o desemprego gritante que assola o pa\u00eds de\nponta a ponta. Assim nossa regi\u00e3o transformou completamente, desde a economia e\ntamb\u00e9m a cultura de nosso povo que vem enfrentando um momento de grande\napreens\u00e3o por falta de projetos para o homem do campo. At\u00e9 a previd\u00eancia! Com o\ngoverno atual tornou-se muito mais dif\u00edcil requerer aposentadoria rural ou\nurbana, o que empobrece mais as regi\u00f5es como a nossa, de poucos recursos. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>OUTRAS<\/strong>: VOC\u00ca sabia que\npodemos deixar de receber apoio da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) por causa\ndas atitudes deprimentes do presidente Bolsonaro? Vacinas que est\u00e3o previstas e\noutras provid\u00eancias foram discutidas em reuni\u00e3o no final desta semana passada, sendo\nque o Brasil muito afetado pelo novo coronav\u00edrus n\u00e3o foi se quer convidado.\nPreocupante e vergonhoso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Umas\ne Outras 86<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Continuando as hist\u00f3rias como foi e como\n\u00e9 Janu\u00e1ria, MG, e regi\u00e3o tiveram muitas mudan\u00e7as, umas para melhor e outras para\npior. Nesta regi\u00e3o produzia muitos produtos, onde exportava e hoje consumimos.\nPor exemplo, naquele tempo n\u00e3o tinha \u00f3leo de soja, mas tinha o \u00f3leo de coco\nbaba\u00e7u e o toucinho de porco que era o mais consumido e era tamb\u00e9m produto de\nexporta\u00e7\u00e3o, como era o milho que servia para a engorda de porcos e para o\nconsumo humano, de galinhas e para a venda para outras cidades. Hoje quanto\ncusta um saco de milho no com\u00e9rcio local? J\u00e1 passou de R$50,00 (Cinquenta\nReais) reais em plena safra, mas o pre\u00e7o onde tem para exportar de 26,00 o\nsaco. Um aumento de 100% que fica entre o frete que vem de longe e o\natravessador.Vejam que a\u00ed estamos perdendo muito, sem falar em outros produtos\nque passamos a ser consumidor. Naquele tempo a gente produzia e n\u00e3o tinha transporte.\nHoje temos transporte e n\u00e3o tem produ\u00e7\u00e3o. A cultura tamb\u00e9m mudou bastante, onde\nt\u00ednhamos bons conjuntos musicais, tinha as m\u00fasicas sertanejas e outras m\u00fasicas\ncompostas na regi\u00e3o. Hoje as m\u00fasicas modernas copiadas em outras culturas, sem\nletras, composi\u00e7\u00f5es e conjuntos que s\u00e3o um barulho infernal. Estou falando em\nmudan\u00e7as, cada um tem o direito de comentar e dizer o que melhorou ou piorou.\nA\u00ed vem tamb\u00e9m a nossa produ\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a e rapadura muito produzida na regi\u00e3o.\nA cacha\u00e7a, considerada a melhor do Brasil, perdeu a patente para Salinas e\noutras regi\u00f5es, enquanto a rapadura que tamb\u00e9m era exportada para outras\nregi\u00f5es, hoje \u00e9 encontrada em pequenas quantidades no mercado local. As&nbsp; propriedades rurais eram ocupadas na maioria\npor imensos canaviais, e hoje s\u00e3o ocupadas por pastagens, onde milhares de\npequenos produtores foram para outras bandas, deixando de ser produtores em\nnossa terra e passaram a ser empregados em outras regi\u00f5es, por falta de\nincentivos e apoio. \u00c9 bom lembrar que tinha as planta\u00e7\u00f5es de mamona e algod\u00e3o,\numa grande fonte de renda para a regi\u00e3o e todo o norte de Minas Gerais. Tudo\nisto acabou por falta de mercado, durante e depois do golpe militar de 1964, que\ninvestiu muito nas empresas carvoeiras, de reflorestamento e agropecu\u00e1rias. Acabou\ntamb\u00e9m a produ\u00e7\u00e3o de farinha de mandioca e seus derivados muito produzidos na\nregi\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>OUTRAS<\/strong>: VOC\u00ca sabia que\nos apoiadores de Bolsonaro fazem passeatas amea\u00e7ando invadir o Supremo Tribuno\nFederal? Al\u00e9m deste atrevimento pregam abertamente novo golpe militar, tudo\nisto acompanhado pelo pr\u00f3prio Bolsonaro que deveria ser punido por descumprir a\nConstitui\u00e7\u00e3o. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Umas\ne Outras 87<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vamos continuar recordando nossas lutas\ne hist\u00f3rias passadas. Desta vez vamos comentar sobre o Encontro de dirigentes\nsindicais promovido pelas federa\u00e7\u00f5es de trabalhadores rurais da Bahia e Minas\nGerais, em Santa Maria da Vit\u00f3ria, no oeste baiano, no ano de 1984. Falta eu\nlembrar a data completa. Daqui do Norte de Minas Gerais fui eu, Ant\u00f4nio In\u00e1cio\nCorrea; Juarez, de Bocai\u00fava; El\u00f3i Ferreira da Silva, de S\u00e3o Francisco, onde o\nmesmo foi assassinado no mesmo ano por grileiros de terra; Luiz Chaves,\nadvogado da FETAEMG; Siciliano, diretor financeiro tamb\u00e9m da FETAEMG; e outros\nde outras regi\u00f5es do estado de Minas Gerais. Da Bahia foram mais representantes\npor ser a Federa\u00e7\u00e3o promotora do evento. O auge das discuss\u00f5es foi sobre a\nexpuls\u00e3o dos trabalhadores do campo e o trabalho escravo. Lembro-me que o\npresidente do STR<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a> de\nCorrentina, na Bahia, apresentou v\u00e1rias den\u00fancias, mas a principal foi de uma\nempresa de reflorestamento onde tinha mais de 200 empregados em regime de\nescravid\u00e3o. Entre estes tinha muitos trabalhadores do Norte de Minas, onde foi\npreciso a ida urgente de uma comitiva dos diretores das respectivas federa\u00e7\u00f5es,\nacompanhados pela Pol\u00edcia Militar da Bahia e agentes do Minist\u00e9rio do Trabalho.\nL\u00e1 foram encontrados todos sem carteira de trabalho, sem receber pagamentos ha\nv\u00e1rios meses e n\u00e3o podiam sair da fazenda para locais muito distantes. Assim\nficamos neste encontro, onde constatamos muitas den\u00fancias, onde a viol\u00eancia de\ntodas as formas era usada. <\/p>\n\n\n\n<p>Estes encontros eram muito importantes,\npois foi justamente na \u00e9poca do golpe militar onde estas empresas tinham\nprote\u00e7\u00e3o e regalias e justamente em regi\u00f5es longe de seguran\u00e7a. Lembro-me que\naqui em Janu\u00e1ria chegavam muitas queixas no STR de pessoas que conseguiam\nfugir, \u00e0s vezes, do sert\u00e3o da Bahia, onde tinham sido induzidos pelos\nempreiteiros e transportados para regi\u00f5es desabitadas. Segundo contaram que\nmuitos ficaram morando por l\u00e1 em cemit\u00e9rios pr\u00f3prios para este fim. Como n\u00e3o\npod\u00edamos adentrar l\u00e1 por ser outro estado, certa vez foi preciso encaminhar\nden\u00fancias \u00e0 Policia Federal por meio da CONTAG<a href=\"#_ftn3\">[3]<\/a>\nem Bras\u00edlia. Naquela \u00e9poca, esta regi\u00e3o do Norte de Minas, nordeste de Goi\u00e1s e\noeste baiano eram um antro de todas as viol\u00eancias ocorridas contra os direitos\ndos trabalhadores do campo. Isto acontecia em todo Brasil, onde muitos\ndirigentes sindicais foram assassinados por defender os direitos dos\ntrabalhadores. Era uma situa\u00e7\u00e3o que a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o nem tomava\nconhecimento, pois a grande imprensa n\u00e3o publicava estes fatos. Nossa regi\u00e3o mesmo\nfoi palco de muitos fatos. Por tudo isto, estamos publicando para que as\nhist\u00f3rias n\u00e3o acabem no esquecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Janu\u00e1ria, norte de Minas Gerais,\n23\/6\/2020.<br><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a>\nO Campon\u00eas Ant\u00f4nio In\u00e1cio Correa, residente em Janu\u00e1ria, no norte de Minas\nGerais, \u00e9 um grande e hist\u00f3rico militante do campesinato brasileiro. Ele participou\nno Paran\u00e1, em 1984, do Encontro em que criou o MST, foi um combativo\nsindicalista na regi\u00e3o de Janu\u00e1ria, agente da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra,\ncompanheiro de Eloi Ferreira. Ant\u00f4nio escreve semanalmente a coluna UMAS E\nOUTRAS sobre a Hist\u00f3ria de Janu\u00e1ria, que \u00e9 publicado em um jornal local.\nAnt\u00f4nio In\u00e1cio Correa \u00e9 autor o livro Um lavrador no reino do latif\u00fandio: a\nluta secular de Davi contra Golias, Ed. Vozes. Endere\u00e7o do autor: &nbsp;Rua B, 39 &#8211; Vila S\u00e3o Jo\u00e3o \u2013 Janu\u00e1ria, MG \u2013\nemail: <a href=\"mailto:a.inaciocorrea@yahoo.com.br\">a.inaciocorrea@yahoo.com.br<\/a>\n<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a>\nSindicato dos Trabalhadores Rurais. <\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a>\nConfedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores na Agricultura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e9rie Janu\u00e1ria J\u00e1 Teve \u2013 Hist\u00f3rias de Janu\u00e1ria, em Minas Gerais. 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