{"id":7303,"date":"2020-07-03T18:47:31","date_gmt":"2020-07-03T21:47:31","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=7303"},"modified":"2020-07-03T18:49:05","modified_gmt":"2020-07-03T21:49:05","slug":"vi-forum-social-mundial-em-caracas-venezuela-um-mundo-democratico-participativo-e-socialista-em-construcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/vi-forum-social-mundial-em-caracas-venezuela-um-mundo-democratico-participativo-e-socialista-em-construcao\/","title":{"rendered":"VI F\u00d3RUM SOCIAL MUNDIAL, em Caracas, Venezuela: um mundo democr\u00e1tico-participativo e socialista em constru\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>VI F\u00d3RUM SOCIAL MUNDIAL, em Caracas, Venezuela: u<\/strong><em><strong>m mundo democr\u00e1tico-participativo e socialista em constru\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Frei Gilvander Lu\u00eds Moreira<a href=\"#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> e Delze dos Santos Laureano<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Forum_social_mundial_200-8beca-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7305\" width=\"519\" height=\"519\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Forum_social_mundial_200-8beca-1.jpg 200w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Forum_social_mundial_200-8beca-1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 519px) 100vw, 519px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>(Artigo publicado na Revista\nHORIZONTE TEOL\u00d3GICO, ano 4 n. 7 jan\/jun 2006, pp. 151-161.)<\/p>\n\n\n\n<p><em>Em mem\u00f3ria de\n<strong>Pedro, Roberto Tadeu, Ta\u00eds e Thiers<\/strong>\ne aos demais estudantes da UFMG que tiveram interrompido o sonho de participar\ndo 6<sup>o<\/sup> FSM devido ao acidente no dia 23\/01\/2006 em Ariquepa no Peru. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1 \u2013\nIntrodu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Partilhar uma experi\u00eancia vivida \u00e9 sempre um grande desafio. Nenhum de\nn\u00f3s, participantes do 6\u00ba F\u00f3rum Social Mundial ser\u00e1 capaz de relatar na\nintegralidade todos os temas discutidos. Nem mesmo de fazer\numa an\u00e1lise absolutamente isenta dos acontecimentos. O tamanho do evento e a\nmultiplicidade de oficinas j\u00e1 s\u00e3o as primeiras dificuldades. Some-se que\nqualquer ponto de vista \u00e9 sempre um recorte. O nosso olhar, marcado pelo\naprendizado na hist\u00f3ria, bem como o lugar social e pol\u00edtico, acompanham cada um\/a de n\u00f3s, sujeitos protagonistas. Essa\nlimita\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o pode inviabilizar o desejo de multiplicar a experi\u00eancia\nvivida e de somar mais essa contribui\u00e7\u00e3o &#8211; a da efetiva participa\u00e7\u00e3o no evento\n-, aos diversos esfor\u00e7os dos movimentos sociais, para entendermos, na\natualidade, a crise que vivemos e os obst\u00e1culos que teremos de transpor, de\nm\u00e3os dadas, com tantos outros sujeitos espalhados pelo mundo inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Poder\u00edamos utilizar a met\u00e1fora de ser o F\u00f3rum Social uma casa com\ngrandes portas e diversas janelas. Durante o Encontro entramos por algumas\nportas e olhamos a partir de determinadas janelas. O conhecimento de\nliteraturas afins e a participa\u00e7\u00e3o em outros eventos similares v\u00e3o formando a\nnossa capacidade de compreender a realidade pol\u00edtico-social-econ\u00f4mico-cultural\nque nos cerca, para em sintonia com diversas outras iniciativas podermos juntos\napostar na constru\u00e7\u00e3o de um Outro Mundo Poss\u00edvel e necess\u00e1rio, socialista, \u00e9\nclaro!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2 \u2013 A\nVenezuela como sede do evento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Caracas, capital da Venezuela, foi o\npalco da 6<sup>a<\/sup> edi\u00e7\u00e3o do <strong>F\u00f3rum\nSocial Mundial \u2013 VI FSM<\/strong> \u2013 de 24\n a 29 de janeiro de 2006, que contou com a participa\u00e7\u00e3o\nde mais de 80 mil inscritos em mais de 2 mil atividades, geridas por 2.500\norganiza\u00e7\u00f5es, 3.000 volunt\u00e1rios e 4.900 jornalistas. A delega\u00e7\u00e3o brasileira\nrealizou 450 atividades.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta vez, o F\u00f3rum foi polic\u00eantrico, isto\n\u00e9, aconteceu no continente Americano, em Caracas; na \u00c1frica, em Bamako (Dali,\nna \u00c1frica); e na \u00c1sia, em Karachi (Paquist\u00e3o) e em Bancoc, na Tail\u00e2ndia.&nbsp; Antes do VI FSM aconteceram, em Caracas, os\nF\u00f3runs Mundiais da Educa\u00e7\u00e3o, da Sa\u00fade e das Autoridades.<\/p>\n\n\n\n<p>A Venezuela tem nos dias atuais uma\npopula\u00e7\u00e3o de 26 milh\u00f5es de habitantes. Na Grande Caracas est\u00e3o cerca de 5\nmilh\u00f5es de pessoas. Grande parte da cidade est\u00e1 situada em um vale rodeado de\nmontanhas. O clima \u00e9 bom, com uma temperatura amena e sem ventos fortes. A\nchuva fina marcou presen\u00e7a durante todo o Encontro. Caracas est\u00e1 cercada de\nmilh\u00f5es de favelados dependurados nos morros, o que contrasta com as \u00e1reas\nelegantes da cidade, onde algumas constru\u00e7\u00f5es modernas e uma maioria de pr\u00e9dios\nque lembram o apogeu da arquitetura na d\u00e9cada de 50 do s\u00e9culo XX no Brasil. Do\ncentro da cidade at\u00e9 o Aeroporto Internacional de Maiquetia \u201cSim\u00e3o Bolivar\u201d,\nn\u00f3s visitantes tivemos de serpentear por uma estrada estreita cercada de\nbarracos de ambos os lados nas encostas montanhosas.&nbsp; As \u00e1reas de riscos lembram a trag\u00e9dia de 1999\nquando aproximadamente 20 mil venezuelanos morreram v\u00edtimas de um enorme\ndeslocamento de terra no estado de Vargas.<\/p>\n\n\n\n<p>Do Brasil \u00e9ramos mais de 6 mil\nparticipantes: delegadas\/os de dezenas de entidades e movimentos sociais\npopulares, jovens, adultos, gente da melhor idade, intelectuais, l\u00edderes\ncomunit\u00e1rios, artistas, enfim, um pouquinho de Brasil em cada metro quadrado do\nF\u00f3rum.<\/p>\n\n\n\n<p>Dos Estados Unidos vieram mais de mil\npessoas socialistas, anti-Bush. Sinal de que n\u00e3o devemos ser impiedosos com\ngrande parte do povo norte americano e sim com o governo.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo bolivariano liderado pelo presidente Hugo Ch\u00e1vez deu apoio\nirrestrito ao evento. Podemos citar a libera\u00e7\u00e3o do Metr\u00f4 para os participantes,\nque circularam de gra\u00e7a com muito conforto, a isen\u00e7\u00e3o da taxa aeroportu\u00e1ria e o\nlanche gentilmente servido pelos volunt\u00e1rios a cada tarde nos locais de maior\nconcentra\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">3 \u2013 A\nRevolu\u00e7\u00e3o Bolivariana na Venezuela: um povo que est\u00e1 se libertando<\/h3>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de participar de muitas\nconfer\u00eancias, semin\u00e1rios, oficinas e debates, conhecemos aspectos da realidade\nvenezuelana que nos marcaram indelevelmente. S\u00e3o dezenas de iniciativas da\nrevolu\u00e7\u00e3o bolivariana que visam a inclus\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>Um grande mutir\u00e3o pela educa\u00e7\u00e3o acabou\ncom o analfabetismo no pa\u00eds. O povo controla e comercializa o petr\u00f3leo, grande\nriqueza natural da Venezuela, que agora serve para melhorar a vida das pessoas\ne n\u00e3o mais aumentar o lucro das multinacionais. Acima de tudo, encontramos um\npovo cheio de esperan\u00e7a, uma juventude em sua maioria esclarecida e\ncomprometida com a organiza\u00e7\u00e3o popular, com a constru\u00e7\u00e3o de uma democracia\nverdadeiramente participativa. <\/p>\n\n\n\n<p>Na Venezuela, o povo est\u00e1 cheio de\nesperan\u00e7a. Ouvimos cr\u00edticas a Hugo Ch\u00e1vez por parte dos canais de TV que est\u00e3o\nnas m\u00e3os das elites e por uma minoria privilegiada. Mas,\ninternamente, entre os pobres e marginalizados pelo regime anterior, n\u00e3o\nouvimos cr\u00edticas ao processo implementado por Hugo Ch\u00e1vez.<\/p>\n\n\n\n<p>Quatorze mil Mercados Populares &#8211; MERCAL &#8211; alimentam cerca de 14\nmilh\u00f5es &#8211; dos 26 milh\u00f5es &#8211; de venezuelanos, onde os pre\u00e7os s\u00e3o de 30 a 50% mais baixos do que\nnos mercados privados. Visitamos um desses mercados. Cada pessoa pode comprar\nsomente o que consome sua fam\u00edlia. \u00c9 proibida a compra em grande quantidade, o\nque poderia viabilizar a revenda. <\/p>\n\n\n\n<p>Eis uma amostra de pre\u00e7os:<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Nos Mercados populares &#8211; Nos mercados privados<\/h4>\n\n\n\n<p>1 kg de\nfeij\u00e3o R$1,00 (= 1.000 bolivares),&nbsp;\n&#8212;&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; R$5,00.<\/p>\n\n\n\n<p>Milho:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; R$0,79&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&#8212;&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; R$1,25<\/p>\n\n\n\n<p>\u00d3leo:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; R$2,30&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &#8212;&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; R$3,25<\/p>\n\n\n\n<p>Leite:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; R$4,70&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &#8212;&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; R$8,90<\/p>\n\n\n\n<p>Macarr\u00e3o:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; R$1,20&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&#8212;&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; R$3,40<\/p>\n\n\n\n<p>Alfredo conta que trabalha atualmente em\num dos mercados populares criados pelo governo para abastecer as popula\u00e7\u00f5es\nempobrecidas. &#8220;O Mercal \u00e9 uma coisa \u00f3tima, permite que as pessoas possam\ncomprar alimentos baratos. Antes, os empres\u00e1rios faziam o pre\u00e7o que queriam e\nos pobres ficavam na m\u00e3o. Hoje, num Mercal, o quilo de frango &#8211; base da comida\nvenezuelana &#8211; custa 1.500,00 bol\u00edvares (equivalente a 1,50 real), enquanto que\nnos mercados privados passa dos quatro mil bol\u00edvares (quatro reais). &#8220;Os\nempres\u00e1rios n\u00e3o gostam, mas eles precisam aprender que \u00e9 preciso investir na\nprodu\u00e7\u00e3o e que a prioridade tem de ser o povo. Hoje, com o Mercal, o alimento\nchega a todos, at\u00e9 nas comunidades ind\u00edgenas&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A gasolina \u00e9 quase de gra\u00e7a. Custa 0,07\ncentavos o litro. Com R$ 3,70 se enche o tanque do autom\u00f3vel. Tudo isso com o\nassentimento dos defensores da&nbsp;\nConstitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Bolivariana da Venezuela que&nbsp; prescreve&nbsp;\nao Estado o&nbsp; dever de regular as\nrela\u00e7\u00f5es comerciais no pa\u00eds.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>Na Venezuela bolivariana, todos os\nestudantes que cursam universidades p\u00fablicas ou que ganham bolsas de estudos\ndevem prestar servi\u00e7o social \u00e0 comunidade. Deve haver uma contrapartida para a\nsociedade de quem usufrui o dinheiro do povo, via impostos, para estudar. Est\u00e3o\nsendo investidos na educa\u00e7\u00e3o 7,5% do PIB \u2013 Produto Interno Bruto. <\/p>\n\n\n\n<p>O governo de Hugo Ch\u00e1vez est\u00e1 apoiando a\ninstala\u00e7\u00e3o, regulamenta\u00e7\u00e3o e funcionamento de r\u00e1dios comunit\u00e1rias. N\u00e3o h\u00e1\nburocracia para conseguir a documenta\u00e7\u00e3o e o governo ajuda financeiramente na\ncompra dos equipamentos para se fortalecer a comunica\u00e7\u00e3o alternativa e mais\ninterativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, percebemos que, na Venezuela, a\ndemocracia participativa est\u00e1 irrompendo com vigor.&nbsp; Essa \u00e9 a principal garantia da revolu\u00e7\u00e3o em\nqualquer parte do mundo. Se a nossa percep\u00e7\u00e3o est\u00e1 correta, caber\u00e1 \u00e0 Hist\u00f3ria\nconfirmar ou desmentir. O que trouxemos em nossa bagagem de volta foi a\nesperan\u00e7a de dias melhores para todos, na luta pela afirma\u00e7\u00e3o de um povo\nsoberano e solid\u00e1rio com toda a Am\u00e9rica Latina. A Venezuela est\u00e1 se buscando\ntornar-se um pa\u00eds de todos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4 &#8211; Hugo Ch\u00e1vez no FSM<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os intelectuais venezuelanos est\u00e3o convictos de que\numa revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o se sustenta no carisma de uma s\u00f3 pessoa. O fato de o\npresidente Hugo Ch\u00e1vez ter forma\u00e7\u00e3o militar tamb\u00e9m pode ser um complicador para\na implementa\u00e7\u00e3o de um regime democr\u00e1tico em qualquer lugar do mundo.&nbsp; No entanto, mesmo conscientes dessas\ndificuldades, reconhecem os cientistas pol\u00edticos a grande lideran\u00e7a do\npresidente e a import\u00e2ncia de sua atua\u00e7\u00e3o como l\u00edder carism\u00e1tico e como militar\nna lideran\u00e7a do processo revolucion\u00e1rio que est\u00e1 caminhando a passos largos na\nVenezuela. Essas observa\u00e7\u00f5es foram por n\u00f3s confirmadas no dia 27\/01\/2006, das\n19:00 \u00e0s 22:30 hs, quando o presidente Hugo Ch\u00e1vez, no est\u00e1dio Poliedro, falou\npor mais de tr\u00eas horas para os participantes do VI FSM. <\/p>\n\n\n\n<p>Sa\u00edmos do encontro com de a percep\u00e7\u00e3o que ele \u00e9\nrealmente um l\u00edder, sorridente, carism\u00e1tico, culto, estrategista e al\u00e9m de\nfalar bem ainda canta com uma voz afinada. O que vimos e ouvimos confirmam a\nimpress\u00e3o que tivemos do grande \u201ccomandante\u201d. Ch\u00e1vez, em seu discurso, resgatou\na mem\u00f3ria hist\u00f3rica revolucion\u00e1ria de Bol\u00edvar e de todos os\/as\nrevolucion\u00e1rios\/as da hist\u00f3ria, passando por Jesus Cristo. O discurso dele \u00e9\numa verdadeira aula de hist\u00f3ria a partir dos pobres que lutam contra os\nsistemas opressivos. Analisa o presente com olhar cr\u00edtico e injeta esperan\u00e7a\nnas pessoas, pois cultiva a utopia: a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista,\ndemocr\u00e1tica, popular na Am\u00e9rica Afrolat\u00edndia. <\/p>\n\n\n\n<p>Os presidentes Hugo Ch\u00e1vez e Evo Morales, esse em seu\nprimeiro dia de governo na Bol\u00edvia, firmaram oito conv\u00eanios que visam a\nintegra\u00e7\u00e3o entre os dois paises. O governo venezuelano vender\u00e1 petr\u00f3leo, a\nbaixo pre\u00e7o, para a Bol\u00edvia e ajudar\u00e1 a superar o analfabetismo, como j\u00e1 fez na\nVenezuela. Ofereceu 5 mil bolsas de estudos para jovens bolivianos cursarem\nuniversidade na Venezuela. Cuba tamb\u00e9m ofereceu outras 5 mil bolsas. <\/p>\n\n\n\n<p>Hugo Ch\u00e1vez, ao tempo em que estrutura internamente o\npa\u00eds, demarca sua pol\u00edtica externa. Anunciou com firmeza: Bush<em> chefia o\nimp\u00e9rio mais c\u00ednico, mais hip\u00f3crita e mais assassino de toda a hist\u00f3ria da\nhumanidade. Por mais poderoso que seja o imp\u00e9rio de Bush, n\u00e3o vai conseguir nos\nvencer. J\u00e1 detectamos espionagem dos EUA na Venezuela. Advirto ao governo dos\nEUA: a pr\u00f3xima vez que encontrarmos espi\u00f5es na Venezuela, vamos mand\u00e1-los para\no c\u00e1rcere.<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Acerca da import\u00e2ncia da uni\u00e3o dos povos\nlatino-americanos, afirmou Hugo Ch\u00e1vez: \u201c<em>n\u00e3o\nd\u00e1 para exigir que Lula seja igual a Ch\u00e1vez, ou que Kirtchner seja igual Evo\nMorales ou Fidel<\/em>. <em>Estamos juntos,\nmarchando na mesma dire\u00e7\u00e3o. A uni\u00e3o dos povos latino-americanos \u00e9 fundamental\npara derrotarmos o imperialismo estadunidense e o neoliberalismo. A ALCA j\u00e1 foi\ndescartada. Bush n\u00e3o conseguiu aprov\u00e1-la como queria<\/em>\u201d. <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">5 &#8211;\nCol\u00f4mbia: um povo agredido pelo imp\u00e9rio <\/h3>\n\n\n\n<p>Uma delega\u00e7\u00e3o de 15 mil colombianos\ndeixou os participantes comovidos e indignados com a covarde agress\u00e3o militar\nque os Estados Unidos est\u00e3o orquestrando na Col\u00f4mbia. O presidente \u00c1lvaro\nUribe, \u201cpau mandado do Mr. Danger\u201dest\u00e1\npromovendo, mediante o chamado Plano Col\u00f4mbia, n\u00e3o uma guerra contra o\nnarcotr\u00e1fico, mas uma guerra contra o povo. Mil\u00edcias paramilitares est\u00e3o\nexpulsando os camponeses de suas terras, s\u00f3 com a roupa do corpo. <\/p>\n\n\n\n<p>O governo da Col\u00f4mbia \u00e9 representante de uma\noligarquia violenta. S\u00e3o 37 mil mortos por ano na guerra interna na Col\u00f4mbia,\nsob o fomento dos EUA. Filhos de parlamentares colombianos s\u00e3o embaixadores em\n32 embaixadas. A Lei de Justi\u00e7a e Paz, na Col\u00f4mbia, ao atribuir uma pena m\u00e1xima\npara um narcotraficante &#8211; 8 anos -, legitima o narcotr\u00e1fico. Os\nnarcotraficantes controlam 35% do Congresso daquele pa\u00eds. O Plano Col\u00f4mbia\nrecebe muito dinheiro dos EUA. Hoje existem mais de 800 militares ianques na\nCol\u00f4mbia. 66% dos colombianos est\u00e3o abaixo da linha de pobreza. Na Col\u00f4mbia,\n20% da popula\u00e7\u00e3o tem 80% da terra, enquanto 50% tem somente 15% da terra. Al\u00e9m\nde 6 milh\u00f5es de indigentes,&nbsp; 14 mil\nempresas m\u00e9dias e pequenas est\u00e3o falidas ap\u00f3s 14 anos de neoliberalismo. 19% do\nor\u00e7amento do estado vai para a guerra. 39% para o pagamento dos juros da d\u00edvida\ne(x)terna que j\u00e1 chega a 75 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. A Col\u00f4mbia, hoje, \u00e9 a ponta de\nlan\u00e7a do governo dos Estados Unidos para dominar toda a Am\u00e9rica Afrolat\u00edndia. <\/p>\n\n\n\n<p>Fatos como esses, promovidos por um regime desumano, causam enormes\npreju\u00edzos n\u00e3o apenas para o povo colombiano, que se v\u00ea cada vez mais distante\nde uma sa\u00edda para a reorganiza\u00e7\u00e3o do tecido social no pa\u00eds, mas tamb\u00e9m para\ntoda a Am\u00e9rica Latina, v\u00edtima dessa mesma pol\u00edtica fundamentalista imposta pelo\nimp\u00e9rio do norte. Todos t\u00eam consci\u00eancia que a guerra na Col\u00f4mbia s\u00f3 terminar\u00e1\ncom a realiza\u00e7\u00e3o da reforma agr\u00e1ria. <\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">6\n&#8211; Cuba: povo solid\u00e1rio e grande de cora\u00e7\u00e3o <\/h1>\n\n\n\n<p>Na Venezuela, atualmente, existem cerca de 20 mil\nm\u00e9dicos cubanos alavacando uma revolu\u00e7\u00e3o no sistema p\u00fablico de sa\u00fade. S\u00e3o\nrespons\u00e1veis pelo atendimento prim\u00e1rio da popula\u00e7\u00e3o, algo parecido com o m\u00e9dico\nde fam\u00edlia. Est\u00e3o nas favelas e bairros pobres; l\u00e1 vivem e atendem com\ncompet\u00eancia e dedica\u00e7\u00e3o os pobres. Fomos ao encontro de alguns deles. Tr\u00eas jovens\ncamel\u00f4s dizem com veem\u00eancia: &#8220;<em>Por mais de 50 anos os m\u00e9dicos\nvenezuelanos rec\u00e9m formados se recusaram a ir para interior, para os bairros,\npara a periferia. S\u00f3 queiram ficar na capital, ganhar dinheiro \u00e0s custas da\ndor. Agora, com Ch\u00e1vez, eles tiveram sua chance de ajudar o povo. N\u00e3o quiseram.\nEnt\u00e3o foi preciso apelar para a solidariedade. Vieram os m\u00e9dicos de Cuba e\nestamos tendo acesso \u00e0 sa\u00fade nos lugares mais distantes e pobres<\/em>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Em conversa com duas m\u00e9dicas e um m\u00e9dico, ouvimos,\nentre tantas coisas, o seguinte: \u201c<em>N\u00e3o\nviemos aqui para ganhar dinheiro, mas por amor ao pr\u00f3ximo. Estudamos medicina\npara cuidar das pessoas, nunca para ganhar dinheiro. Quando terminamos o curso\nde medicina em Cuba, fazemos um juramento de cuidar sempre da vida amea\u00e7ada em\nCuba e em qualquer pa\u00eds do mundo. Quando se \u00e9 de esquerda, socialista, somos\nmais crist\u00e3os, pensamos mais no pr\u00f3ximo. Todo o povo do mundo \u00e9 meu pr\u00f3ximo, \u00e9\nminha fam\u00edlia. Somos e devemos nos comportar todos como irm\u00e3os. Vivo para\nservir a sociedade. Em Venezuela, recebemos apenas uma ajuda de custo para\npagar metr\u00f4, \u00f4nibus coletivo e comprar alimentos e alguma coisa mais\nnecess\u00e1ria.\u201d <\/em>O estip\u00eandio recebido pelos m\u00e9dicos cubanos n\u00e3o chega a um\nsal\u00e1rio m\u00ednimo da Venezuela, que \u00e9 cerca de R$405,00.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra m\u00e9dica cubana comentava: \u201c<em>As florestas devem ser preservadas, pois s\u00e3o\ndos animais e dos ind\u00edgenas. N\u00e3o podemos acabar com elas. Em Cuba n\u00e3o existem\nanalfabetos. Todos estudam, no m\u00ednimo, 12 anos. Somos preparados para tomar as\ndecis\u00f5es importantes em nossas vidas.\u201d <\/em>Como reflex\u00e3o para a \u00e9tica m\u00e9dica,\nouvimos: \u201c<em>Os m\u00e9dicos pesquisadores\ncubanos testam os novos rem\u00e9dios em si mesmos<\/em>. \u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Outro cubano, ao responder \u00e0 pergunta:\n\u201cE Cuba ap\u00f3s Fidel?\u201d disse: \u201c<em>Essa \u00e9 a\npergunta que nos fazem tanto os amigos quanto os inimigos. Se querem saber,\ngostar\u00edamos que Fidel n\u00e3o morresse nunca. Mas sabemos que um dia ele morrer\u00e1,\nporque todos morrem. Fidel Castro deixar\u00e1 de existir fisicamente, mas suas\nid\u00e9ias, sonhos, utopia e o projeto socialista continuar\u00e3o sempre vivos. Em Cuba\nh\u00e1 tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, os contempor\u00e2neos de Fidel, uma gera\u00e7\u00e3o\nmediana e os jovens. Em todas os n\u00edveis de organiza\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o cubana h\u00e1\nrepresentantes das tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es. Quando Fidel morrer, ele estar\u00e1 mais vivo do\nque nunca nos cora\u00e7\u00f5es dos 11 milh\u00f5es de cubanos e em tantos pelo mundo afora.\nEm Cuba h\u00e1 muitos l\u00edderes capazes de continuar o trabalho de Fidel<\/em>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ouvimos ainda de outros cubanos: \u201c<em>Em\nnome da liberdade deles, o governo norte americano tenta impor um modelo\nhegem\u00f4nico para todo o mundo. Por amea\u00e7a dos EUA a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia tem\ncondicionado as parcerias \u00e0 Cuba ao fim do Regime Socialista. Isso \u00e9 um erro,\npois a mudan\u00e7a de regime pol\u00edtico n\u00e3o tem sido uma condicionante para o\nfechamento de acordos com outros pa\u00edses, inclusive aqueles que desrespeitam os\ndireitos humanos, como o pr\u00f3prio Estados Unidos. Se os Estados Unidos voltarem\na invadir Cuba, ser\u00e3o&nbsp; desmoralizados\ninternacionalmente, pois resistiremos at\u00e9 a morte. Ter\u00e3o de assumir as conseq\u00fc\u00eancias.\nJamais nos renderemos a um dos mais b\u00e1rbaros imp\u00e9rios da hist\u00f3ria<\/em>\u201d. \u00c9\nbonito sentir a humanidade que palpita no povo cubano. N\u00e3o se pode criticar\nCuba sem ter conversado demoradamente com v\u00e1rios cubanos. Quem conhece aquele\npovo apaixonado pela vida e educado nos moldes socialistas, defende Cuba. L\u00e1 o\nser humano \u00e9 realmente humano e n\u00e3o mero consumidor capitalista, popula\u00e7\u00e3o de\negoc\u00eantricos.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 1959, ano do triunfo da Revolu\u00e7\u00e3o cubana, os Estados Unidos\nimplantaram um bloqueio econ\u00f4mico a Cuba. Ap\u00f3s 1989, com a queda do Muro de\nBerlin, Cuba passou a sofrer um duplo bloqueio. Como ficou dito antes, a Uni\u00e3o\nEurop\u00e9ia tem condicionado firmar acordos com Cuba mediante a mudan\u00e7a do regime\npol\u00edtico-econ\u00f4mico. Contraditoriamente, a Uni\u00e3o Econ\u00f4mica Europ\u00e9ia estabelece\nrela\u00e7\u00f5es comerciais com pa\u00edses ditatoriais que n\u00e3o respeitam os direitos\nhumanos. Diante dessa constata\u00e7\u00e3o \u00e9 que o cidad\u00e3o cubano reflete: \u201c<em>Por que tanta opress\u00e3o contra um pa\u00eds t\u00e3o\npequeno, uma ilha? Estamos constantemente sendo amea\u00e7ados pelos Estados Unidos,\nonde existe a pena de morte, com freq\u00fc\u00eancia e inclusive para crian\u00e7as. As\nrela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia com Cuba seguem os ditames do governo\nestadunidense<\/em>.\u201d <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">7 &#8211;\nPela Retirada das tropas do Haiti<\/h3>\n\n\n\n<p>Dia 27\/01\/06, houve uma manifesta\u00e7\u00e3o em frente \u00e0 Embaixada do Brasil na\nVenezuela para exigir a retirada das tropas de interven\u00e7\u00e3o do Haiti.\nBrasileiros, canadenses e haitianos est\u00e3o juntos nesta luta. O ex\u00e9rcito\nbrasileiro n\u00e3o pode ser terceirizado por Jorge Bush para fazer sua pol\u00edtica\ndominadora, respons\u00e1vel em grande parte pela opress\u00e3o e mis\u00e9ria no Haiti. N\u00e3o \u00e9\ncom for\u00e7a militar que se caminha rumo \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o do Estado haitiano,\nprimeiro Estado negro a se tornar independente na Am\u00e9rica Latina e que, talvez,\npor isso mesmo, nunca tenha sido perdoado pelo poderio capitalista por tamanha\nousadia. Essas as conclus\u00f5es dos manifestantes pr\u00f3 Haiti no F\u00f3rum.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">8\n&#8211;&nbsp; Uni\u00e3o dos povos europeus e\nlatino-americanos<\/h1>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 crescendo a uni\u00e3o europ\u00e9ia e latino-americana na\nluta contra o imperialismo dos EUA. Em 1976 iniciaram-se as primeiras\ncoopera\u00e7\u00f5es entre europeus e latino-americanos a partir de redes de\nsolidariedade internacional. Em 1991 foi criado o Mercosul. A Uni\u00e3o Europ\u00e9ia\ntem milh\u00f5es de investimentos em coopera\u00e7\u00e3o com a Am\u00e9rica Latina, mas \u00e9 uma\ncoopera\u00e7\u00e3o amb\u00edgua. H\u00e1 o programa Euro Social. Falta maior participa\u00e7\u00e3o da\nsociedade civil e das ONGs nos projetos de coopera\u00e7\u00e3o entre Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e\nAm\u00e9rica Latina.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>Diante de realidades como a da Col\u00f4mbia,\nj\u00e1 tratada acima, propomos que as organiza\u00e7\u00f5es de solidariedade internacional\najudem na \u201cCampanha Nenhum Centavo para os regimes autorit\u00e1rios\u201d como o que d\u00e1\nsustenta\u00e7\u00e3o ao Plano Col\u00f4mbia. Que os recursos da comunidade internacional\nsejam investidos em programas sociais. Os povos pobres do mundo inteiro devem\nestar atentos tamb\u00e9m para que os recursos aplicados n\u00e3o sejam apenas uma\nestrat\u00e9gia imperialista para camuflar as mazelas sociais causadas pela\nexplora\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">9 &#8211; Solidariedade que vem do Reino Unido<\/h2>\n\n\n\n<p>Diversas organiza\u00e7\u00f5es de solidariedade\ninternacional do Reino Unido est\u00e3o comprometidas com uma campanha de\nsolidariedade a Cuba. Um documento de rep\u00fadio ao embargo econ\u00f4mico de Cuba\npelos EUA foi assinado por 300 deputados da Inglaterra. Est\u00e3o lutando tamb\u00e9m\npelo respeito \u00e0 soberania do povo venezuelano. No projeto de cidades irm\u00e3s, 25\ncidades da Inglaterra s\u00e3o cidades irm\u00e3s de 25 cidades da Nicar\u00e1gua. Em 2006, a prioridade maior\nser\u00e1 o apoio ao povo venezuelano, pois o governo de Bush est\u00e1 decidido a\nimpedir a re-elei\u00e7\u00e3o de Hugo Ch\u00e1vez. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">10 &#8211; Solidariedade que vem da Fran\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p>A solidariedade do povo franc\u00eas aos povos latino-americanos vem desde\nAlliende, h\u00e1 36 anos. Para o povo franc\u00eas, 2006 ser\u00e1 o ano do apoio ao povo\ncolombiano, t\u00e3o sofrido pela agress\u00e3o militar dos Estados Unidos em parceria\ncom o governo de \u00c1lvaro Uribe. Os descendentes dos franceses que vivem no\nQuebec \u2013 um dos principais estados do Canad\u00e1 -, muito bem representados no\nF\u00f3rum, com uma delega\u00e7\u00e3o de mais de 100 integrantes, tamb\u00e9m demonstraram\ndisposi\u00e7\u00e3o para lutar pela identidade e contra a pasteuriza\u00e7\u00e3o cultural imposta\npelo capitalismo. Reafirmam o desejo de se tornarem independentes e o respeito\n\u00e0s diferen\u00e7as. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>11 &#8211;\nTrabalho escravo, uma chaga aberta<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Participamos de um semin\u00e1rio sobre Trabalho Escravo,\npromovido pela Comiss\u00e3o Pastoral da Terra &#8211; CPT. Eis a triste constata\u00e7\u00e3o: o\npouco que sabemos \u00e9 a partir das v\u00edtimas. Estima-se a exist\u00eancia de 12.300.000\npessoas trabalhando em situa\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 de escravid\u00e3o em todo o mundo. H\u00e1\n12 mil bolivianos sobrevivendo em situa\u00e7\u00e3o de \u201cescravid\u00e3o\u201d no Brasil. Trabalham\nnas confec\u00e7\u00f5es em S\u00e3o\n Paulo. A CPT estima a exist\u00eancia de cerca de 25 mil\ntrabalhadores sobrevivendo em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 de escravid\u00e3o no Brasil. S\u00e3o\nos trabalhadores das carvoarias, da monocultura da cana-de-a\u00e7\u00facar, do\ndesmatamento da floresta amaz\u00f4nica e principalmente na pecu\u00e1ria, onde foram\nregistrados o maior n\u00famero de ocorr\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Os escravos da era moderna n\u00e3o dependem da etnia nem\nda idade ou g\u00eanero. S\u00e3o negros, ind\u00edgenas, mulheres, jovens, idosos. J\u00e1 se\npassaram 118 anos ap\u00f3s a liberta\u00e7\u00e3o formal dos escravos, mas a mesma vergonha\nmarca a hist\u00f3ria do crescimento econ\u00f4mico do pa\u00eds. Os estados maiores\nexportadores de m\u00e3o-de-obra s\u00e3o o Piau\u00ed e o Maranh\u00e3o. O intermedi\u00e1rio entre os\nnovos senhores de engenho e as senzalas de hoje continua sendo o \u201cgato\u201d. Na\nhora de conquistar m\u00e3o-de-obra para o corte de cana, promete um para\u00edso, mas o\nque depois os trabalhadores experimentam \u00e9 um inferno. S\u00f3 na regi\u00e3o de\nJaboticabal, em 2005, morreram 12 trabalhadores no corte da cana. Muitos, ap\u00f3s\namargar a escravid\u00e3o, desabafam: \u201c<em>Pior\nque n\u00e3o conseguir trabalho \u00e9 n\u00e3o conseguir sair dele<\/em>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Nas novas senzalas, os trabalhadores s\u00e3o v\u00edtimas de\npromessas enganosas; est\u00e3o em alojamentos prec\u00e1rios sem nenhuma higiene. S\u00e3o\nsubmetidos a uma jornada exaustiva. Devem cortar 10 toneladas de cana por dia.\nS\u00e3o os conhecidos b\u00f3ias-frias. A \u00e1gua que consomem \u00e9 a mesma \u00e1gua suja dada aos\nanimais. Sem instrumentos de prote\u00e7\u00e3o, sem assist\u00eancia m\u00e9dica e sem receber\nsal\u00e1rio, vivem em sobressalto, amea\u00e7ados por uma d\u00edvida crescente apesar das\nlongas jornadas di\u00e1rias de trabalho.&nbsp;\nMuitos fogem para n\u00e3o morrer antes do tempo. <\/p>\n\n\n\n<p>A Pol\u00edcia Federal, por meio do Grupo M\u00f3vel\nanti-trabalho escravo,&nbsp; j\u00e1 resgatou\nmilhares de trabalhadores submetidos \u00e0 escravid\u00e3o nos \u00faltimos anos. Resgatar\nescravos \u00e9 importante, mais s\u00f3 isso n\u00e3o basta. \u00c9 preciso desmantelar a\nestrutura que viabiliza o trabalho escravo. As maiores causas s\u00e3o a impunidade,\na mis\u00e9ria e o analfabetismo, todas essas causas filhas do capitalismo que trata\no ser humano como mercadoria e quando n\u00e3o lhe conv\u00e9m, descarta.<a href=\"#_ftn3\">[3]<\/a> <\/p>\n\n\n\n<p>Olhando de cima, a monocultura da cana produz a\u00e7\u00facar e\n\u00e1lcool (energia limpa) e \u00e9 muito atraente, mas olhando a partir dos\ntrabalhadores escravizados \u00e9 tremendamente devastadora da pessoa humana e do\nmeio ambiente. O a\u00e7\u00facar produzido nas usinas da monocultura da cana tem o gosto\namargo das vidas perdidas, tem sabor de sangue.<\/p>\n\n\n\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para o trabalho escravo no Brasil (e no\nmundo) passa necessariamente pela realiza\u00e7\u00e3o de uma reforma agr\u00e1ria integral.\nEm 2005, a\nmonocultura da cana-de-a\u00e7\u00facar cresceu 27% no Brasil, que \u00e9 o campe\u00e3o na\nprodu\u00e7\u00e3o mundial de a\u00e7\u00facar. Produz 1\/3 de todo o a\u00e7\u00facar consumido no mundo. Nos\n\u00faltimos 20 anos, 150 mil postos de trabalho desapareceram com a mecaniza\u00e7\u00e3o do\ncorte da cana. A escravid\u00e3o \u00e9 um crime contra a humanidade. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>12 &#8211; Reforma\nAgr\u00e1ria integral<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De 7 a\n10 de mar\u00e7o de 2006 acontecer\u00e1, em Porto Alegre, a II Confer\u00eancia da FAO \u2013 ONU &#8211;\nsobre Reforma Agr\u00e1ria. Ser\u00e1 lan\u00e7ada a \u201cCampanha Global pela Reforma Agr\u00e1ria\nIntegral\u201d, isto \u00e9, uma reforma que mude a estrutura fundi\u00e1ria,\ndesconcentrando-a, que seja feita de forma r\u00e1pida e massiva, que respeite o\nmeio ambiente, a vida das comunidades tradicionais e que tenha os camponeses\ncomo protagonistas. <\/p>\n\n\n\n<p>No FSM, quem estava com um bon\u00e9 ou uma camiseta do MST era logo\ncumprimentado e elogiado. Foi animador observar como tanta gente pelo mundo\nafora conhece, respeita e admira o MST<a href=\"#_ftn4\">[4]<\/a> e\nquer ser solid\u00e1rio com uma luta que conquistou o respeito pela seriedade e\ncompromisso. Aumenta o nosso compromisso com esse movimento social que h\u00e1 tanto\nluta pela Reforma Agr\u00e1ria integral, nos moldes propostos pela Constitui\u00e7\u00e3o de\n1988, interpretada a partir dos princ\u00edpios fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">13 &#8211; LINUX&nbsp; &#8211; o Software livre<\/h2>\n\n\n\n<p>Em Caracas, muitas vozes se levantaram\nem defesa do Softwear livre, o LINUX. Ficamos sabendo que at\u00e9 a Microsoft, a\nNASA e o governo dos EUA est\u00e3o usando esse modelo de softwear. Em Uberl\u00e2ndia,\nsob iniciativa de um vereador, foi aprovada e sancionada uma lei que obriga a\nprefeitura a us\u00e1-lo. S\u00f3 na instala\u00e7\u00e3o houve uma economia de 50 mil d\u00f3lares.\nDevemos lutar pela aprova\u00e7\u00e3o de lei como est\u00e1 em todos os munic\u00edpios, \u00f3rg\u00e3os\ngovernamentais, ONGs, entidades e igrejas. \u00c9 uma forma de caminhar a passos\nlargos na inclus\u00e3o digital.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">14 &#8211;\nSolidariedade aos 4 estudantes da UFMG<\/h5>\n\n\n\n<p>Em Caracas, no VI FSM, o sentimento que tivemos, ap\u00f3s tomarmos\nconhecimento do acidente com o \u00f4nibus dos estudantes da UFMG que iriam\nparticipar do F\u00f3rum, foi o da permanente aus\u00eancia f\u00edsica dos jovens\ncompanheiros, no entanto, sentimos a presen\u00e7a viva e marcante deles no nosso\nmeio, nos mesmos sonhos. Assumimos, assim, o compromisso de redobrar os\nesfor\u00e7os na luta, porque eles continuam vivendo de forma plena, e tamb\u00e9m em n\u00f3s. Somaram suas\nvidas a de tantos m\u00e1rtires pela liberdade. O sangue deles corre, agora, em\nnossas veias. <\/p>\n\n\n\n<p>Aos parentes e amigos lembramos que se a\nmorte \u00e9 algo irrepar\u00e1vel, h\u00e1 de se entender e dar continuidade ao sonho de quem\npartiu desta vida lutando por um mundo melhor. Quando sentirmos saudade deles,\nlembremo-nos da mis\u00e9ria dos milh\u00f5es de crian\u00e7as, velhos, dos jovens sem\nperspectiva de trabalho, doentes e analfabetos explorados pelo sistema\ncapitalista. Por todos estes lutavam nossos queridos jovens. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>N\u00e3o\npodemos esperar mais<\/em>!\u201d, afirmou Hugo Ch\u00e1vez, ao falar para os milhares de\nparticipantes do VI F\u00f3rum Social Mundial em assembl\u00e9ia no est\u00e1dio Poliedro. Se\npassarmos os olhos por toda a Am\u00e9rica Latina, veremos que o n\u00edvel de explora\u00e7\u00e3o\ncapitalista e o avan\u00e7o do neoliberalismo chegaram ao limite. <\/p>\n\n\n\n<p>Aumenta a nossa indigna\u00e7\u00e3o saber que milhares\nde camponeses colombianos s\u00e3o expulsos de suas terras diariamente pelas\nmil\u00edcias paramilitares. Milhares s\u00e3o assassinados, v\u00edtimas de um regime\nneofascista. Contra esses o governo estadunidense\nn\u00e3o imp\u00f5e o respeito aos direitos humanos. <\/p>\n\n\n\n<p>O compromisso de solidariedade que\nassumimos n\u00e3o se restringe \u00e0s fam\u00edlias que perderam os seus entes queridos, mas\ntamb\u00e9m aos demais integrantes da comitiva da UFMG que passaram por horas\nintermin\u00e1veis de ang\u00fastia e dor em um pa\u00eds estrangeiro. Tudo isso&nbsp; obriga-nos a assumir a luta dos&nbsp; milh\u00f5es de trabalhadores sem terra em todo o\ncontinente, a luta contra a perpetua\u00e7\u00e3o do latif\u00fandio no Brasil, pelo fim do\ntrabalho escravo nas planta\u00e7\u00f5es de cana de a\u00e7\u00facar, nas carvoarias,&nbsp; pelo fim do desmatamento da Amaz\u00f4nia. O compromisso\ncom tantas crian\u00e7as que perdem a vida t\u00e3o prococemente nas favelas, no trabalho\ndegradante antes do tempo. A luta incans\u00e1vel contra a concentra\u00e7\u00e3o de riquezas\ne a op\u00e7\u00e3o pelo agroneg\u00f3cio em detrimento da agricultura familiar. Contra o\nmodelo de desenvolvimento capitalista falido no mundo inteiro causador de\noutras tantas gera\u00e7\u00f5es de desnutridos e analfabetos. Pelo fim da\nmercantiliza\u00e7ao da educa\u00e7\u00e3o ou da manuten\u00e7\u00e3o de um p\u00e9ssimo ensino p\u00fablico,\nacr\u00edtico, que nega o direito \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o do conhecimento t\u00e3o necess\u00e1rio a uma\nvida digna e cidad\u00e3. Universalizam-se diplomas e n\u00e3o conhecimento.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>Sejamos solid\u00e1rios com o povo boliviano,\nt\u00e3o expropriado, mas que, agora, se levanta com a elei\u00e7\u00e3o do primeiro\npresidente ind\u00edgena para poder usufruir as enormes reservas de riquezas\nnaturais e caminhar de forma soberana. <\/p>\n\n\n\n<p>Nenhuma vida se perde em v\u00e3o! O sonho de\n<strong>Pedro, Roberto Tadeu, Ta\u00eds e&nbsp; Thiers<\/strong> \u00e9 o que respiramos em Caracas, no\nVI FSM. Muitas iniciativas concretas de liberta\u00e7\u00e3o est\u00e3o em curso em toda a\nAm\u00e9rica Afrolat\u00edndia. A elei\u00e7\u00e3o de&nbsp; Evo\nMorales como presidente da Bol\u00edvia nos enche de esperan\u00e7a. De fato, um outro\nmundo poss\u00edvel est\u00e1 sendo constru\u00eddo. <\/p>\n\n\n\n<p>Cidad\u00e3os cubanos procuram ensinar como\nviver uma vida de amor ao pr\u00f3ximo, de solidariedade sem fronteiras e de\ndesprendimento. S\u00e3o 20 mil m\u00e9dicos cubanos alavancando uma revolu\u00e7\u00e3o no sistema\nde sa\u00fade na Venezuela. O povo cubano continua aguerridamente resistindo ao\nbloqueio e ao modelo hegem\u00f4nico do norte. O povo venezuelano, sob a lideran\u00e7a\ndo presidente Hugo Ch\u00e1vez, est\u00e1 empreendendo um processo de liberta\u00e7\u00e3o muito\npromissor. <\/p>\n\n\n\n<p>Aos lutadores que doaram a vida e aos\nque tiveram interrompido o sonho de participar do F\u00f3rum propomos que, mesmo com\no sentimento de perda, ao inv\u00e9s do vazio da saudade, agrade\u00e7amos a Deus por\ntermos no Brasil tantos jovens que acreditam e lutam por um \u201cOutro Mundo\nPoss\u00edvel\u201d, socialista, democr\u00e1tico-participativo e solid\u00e1rio! Que a luz, a vida\ne a grandeza de Deus, existentes em n\u00f3s, brilhem sempre na lembran\u00e7a de <strong>Pedro, Roberto Tadeu, Ta\u00eds e&nbsp; Thiers<\/strong>. Que a vida desses jovens possa\nser motivo de agradecimento a Deus pelo tempo que estiveram conosco e foram\npresentes para n\u00f3s aqui na Terra. Que o seu exemplo de luta e op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\nsejam nossos guias para toda a vida! <\/p>\n\n\n\n<p><strong>15 \u2013 E agora, Jos\u00e9?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em um\n F\u00f3rum Social Mundial\nconhecemos pessoas verdadeiramente humanas e lutas libert\u00e1rias que, como\n\u00e1rvores m\u00e3es, v\u00e3o construindo, dia-a-dia, em todos os cantos e recantos \u201cUm\nOutro Mundo Poss\u00edvel\u201d, necess\u00e1rio e urgente. Esse novo mundo, portanto, j\u00e1&nbsp; est\u00e1 sendo constru\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos de defender ag\u00fcerridamente os povos e os\nprojetos transformadores de Cuba, Venezuela e Bol\u00edvia. Primeiro, porque s\u00e3os\npovos que est\u00e3o em processo de liberta\u00e7\u00e3o, lutam com destemor contra o\nimperialismo e a opress\u00e3o capitalista neoliberal. Segundo, porque se estes\npa\u00edses, ora estrelas socialistas cintilantes, forem sofucados, as trevas da\nindiferen\u00e7a pelo ser humano cobrir\u00e3o toda a terra e estaremos em mais uma\ngrande noite escura, sem a luz da utopia.&nbsp;\n<\/p>\n\n\n\n<p>Deu para sentir que a integra\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-econ\u00f4mico-social e cultural\ndos povos latino-americanos est\u00e1 em curso, de baixo para cima, com respeito \u00e0\nautodetermina\u00e7\u00e3o de cada povo. A cada F\u00f3rum aumenta o n\u00famero de pessoas e\nentidades participantes. Afirma-se a convic\u00e7\u00e3o de que \u201cUm Outro Mundo Poss\u00edvel\u201d\nh\u00e1 se ser Socialista. Capitalista, jamais!<\/p>\n\n\n\n<p>Belo Horizonte, MG, Brasil, 10 de fevereiro de 2006.<br><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a>\nFrei e padre carmelita; doutor em Educa\u00e7\u00e3o pela FAE\/UFMG; mestre em Exegese B\u00edblica;\nassessor da CPT, CEBI, SAB, CEBs e de Movimentos Populares Socioambientais;\ne-mail: <a href=\"mailto:gilvanderlm@gmail.com\">gilvanderlm@gmail.com<\/a> \u2013 <a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\">www.gilvander.org.br<\/a> \u2013 <a href=\"http:\/\/www.freigilvander.blogspot.com\">www.freigilvander.blogspot.com<\/a>\n&#8211; <a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/gilvanderluis\">www.twitter.com\/gilvanderluis<\/a>\n&#8211; facebook: gilvander.moreira <\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a>\nDoutora em Direito P\u00fablico Internacional pela PUC\/MG, Mestre em Direito Constitucional,\nex-Professora de Direito Agr\u00e1rio da Faculdade Dom H\u00e9lder C\u00e2mara, advogada\nparticipante da RENAP \u2013 Rede Nacional dos Advogados Populares. e-mail: <a href=\"mailto:delzesantos@hotmail.com\">delzesantos@hotmail.com<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a>\nCf. o livro <em>Vidas roubadas<\/em>, sobre\ntrabalho escravo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a>\nMovimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VI F\u00d3RUM SOCIAL MUNDIAL, em Caracas, Venezuela: um mundo democr\u00e1tico-participativo e socialista em constru\u00e7\u00e3o Frei Gilvander Lu\u00eds Moreira[1] e Delze dos Santos Laureano[2] (Artigo publicado na Revista HORIZONTE TEOL\u00d3GICO, ano 4 n. 7 jan\/jun 2006,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7305,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,40,44,49,27,43],"tags":[],"class_list":["post-7303","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-direito-a-cidade","category-direito-a-memoria","category-direito-a-terra","category-direitos-humanos","category-pedagogia-emancipatoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7303","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7303"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7303\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7310,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7303\/revisions\/7310"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7305"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7303"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7303"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7303"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}