{"id":9516,"date":"2021-02-02T08:13:30","date_gmt":"2021-02-02T11:13:30","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=9516"},"modified":"2021-02-02T08:13:32","modified_gmt":"2021-02-02T11:13:32","slug":"creio-na-ressureicao-por-eliseu-lopes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/creio-na-ressureicao-por-eliseu-lopes\/","title":{"rendered":"CREIO NA RESSUREI\u00c7\u00c3O! Por Eliseu Lopes"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>CREIO NA RESSUREI\u00c7\u00c3O! <\/strong>Por Eliseu Lopes<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Creio-na-ressurrrei\u00e7\u00e3o-do-corpo-de-Rubem-Alves.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9517\" width=\"654\" height=\"865\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A imagem que me ocorre \u00e9 a do foguete. A de suas tr\u00eas\netapas: o artefato, o inc\u00eandio e o percurso pelos ares e a explos\u00e3o\nluminescente. Assim nossa vida. A etapa da vida uterina em que somos\npreparados. A etapa de nossa trajet\u00f3ria no tempo. A explos\u00e3o na eternidade. \u00c9 a\nressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O foguete \u00e9 fabricado para explodir. N\u00f3s somos concebidos e\ngestados para ressuscitar. A morte apenas demarca as etapas. N\u00e3o \u00e9 definitiva.\nDefinitiva \u00e9 a ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao morrermos para o \u00fatero materno,\nressuscitamos para o \u00fatero do mundo. Ao morrermos para o \u00fatero do mundo\nressuscitaremos para o \u00fatero de Deus. Se \u00e9 desproporcionada a vastid\u00e3o do mundo\npara a estreiteza do \u00fatero materno, a segunda e definitiva ressurrei\u00e7\u00e3o nos\nlan\u00e7ar\u00e1 na imensid\u00e3o do infinito e eterno. A despropor\u00e7\u00e3o ser\u00e1 maior ainda.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Reza a Teologia que a Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 o despertar para a\n\u201cVis\u00e3o Beat\u00edfica\u201d. Veremos&nbsp; a Deus com\ntoda a densidade do verbo ver. N\u00e3o deixa de ser um modo de privilegiar a Raz\u00e3o,\nenfatizando o total saciamento da intelig\u00eancia. Evidentemente transbordar\u00e1 para\na vontade, para o cora\u00e7\u00e3o totalmente plenificado. <\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ressurrei\u00e7\u00e3o\ne imortalidade s\u00e3o conceitos distintos. A filosofia grega admitia\ntranq\u00fcilamente a imortalidade. O ser humano, composto de corpo e esp\u00edrito, por\nser esp\u00edrito \u00e9 imortal. Repugnava-lhe por\u00e9m a id\u00e9ia da ressurrei\u00e7\u00e3o. Quando, no\nAre\u00f3pago, Paulo falou de ressurrei\u00e7\u00e3o, seus ouvintes ou zombavam ou pediam que\ndeixasse esse assunto para outra hora.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A\nRessurrei\u00e7\u00e3o do Senhor foi o grande impacto que deflagrou toda a reviravolta na\nvida de Paulo. De repente e contra todas as expectativas, o perseguidor feroz\ndo Evangelho se metamorfoseia no seu mais fervoroso arauto. A ressurrei\u00e7\u00e3o do\nSenhor foi, para ele, uma experi\u00eancia pessoal profunda e definitiva. E Paulo se\ntornou a testemunha ind\u00f4mita da Ressurrei\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o alicerce de toda a sua\nmonumental arquitetura doutrin\u00e1ria. A Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor \u00e9 o penhor da\nnossa pr\u00f3pria ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 o mist\u00e9rio\nseminal do qual se irradia a luz que d\u00e1 sentido \u00e0 Vida e do qual procede a\nenergia que move tudo no Universo. \u00c9 a plenitude, \u00e9 o coroamento, \u00e9 o ponto de\nconverg\u00eancia c\u00f3smica, \u00e9 o fecho de todas as rela\u00e7\u00f5es. Porque o Senhor ressuscitou,\na Vida venceu a morte e nele ressuscitamos. A Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 transfundida em\nnossas veias e pulsa em nosso sangue. J\u00e1 vivemos na condi\u00e7\u00e3o de ressuscitados.\nA morte ser\u00e1 uma simples transi\u00e7\u00e3o do tempo para a eternidade, ser\u00e1 o parto, a\npartida definitiva.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nosso\nestado al\u00e9m do tempo n\u00e3o deixa de ser estimulante para a imagina\u00e7\u00e3o. Como ser\u00e1?<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Uma\ncoisa \u00e9 certa: todas as pessoas conservar\u00e3o a pr\u00f3pria identidade. Todas ter\u00e3o\num nome, por ele responder\u00e3o e por ele ser\u00e3o reconhecidas. O emaranhado de\nrela\u00e7\u00f5es cerzidas na exist\u00eancia tempor\u00e2nea, la\u00e7os de sangue e de amizade e\ntantos outros la\u00e7os ser\u00e3o preservados, estreitados, aperfei\u00e7oados.\nIncompreens\u00f5es, impasses, recalques ser\u00e3o desfeitos a captados para a\ncomposi\u00e7\u00e3o da harmonia perfeita. N\u00e3o posso imaginar nem admitir a felicidade\ncompleta sem a companhia seleta de pessoas que contribuem para que eu me sinta\nfeliz. Espero que se eternizem os la\u00e7os de parentesco, que meu pai e minha m\u00e3e\ncontinuem meu pai e minha m\u00e3e, que continuem meus irm\u00e3os e minhas irm\u00e3s, muito\nespecialmente minha mulher e meus filhos e toda a constela\u00e7\u00e3o de amigas e\namigos. Ressuscitados, afirmar-nos-emos nitidamente. O c\u00e9u n\u00e3o pode ser\nconcebido como uma luminosa gel\u00e9ia impessoal, mas como uma vibrante comunh\u00e3o\ninfinitamente diferenciada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sem a espessura da corporeidade, os\ninter-relacionamentos h\u00e3o de ser totalmente livres e imediatos,\nproporcionando-nos a possibilidade de contato direto com as personalidades de\ntodos os tempos que, de uma maneira ou de outra, estiveram presentes na nossa\nhist\u00f3ria, como os Santos canonizados na Igreja Cat\u00f3lica Romana. N\u00e3o deve,\npor\u00e9m, vigorar no C\u00e9u nem o regime cantorial nem o tr\u00e1fico de influ\u00eancia que o\nexacerbado Culto dos Santos sugere e a propaganda devocional explora,\nvalendo-se da boa f\u00e9 e da crendice popular.<\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s&nbsp;\nde suas devo\u00e7\u00f5es e do di\u00e1logo entabulado com seus santos escolhidos, as\npessoas criam la\u00e7os de parentesco espiritual, constituindo verdadeiras fam\u00edlias\nque imagino, ter\u00e3o marcas distintivas e expl\u00edcitas na grande Comunh\u00e3o. Na abordagem\nde S\u00e3o Francisco de Assis, levo um trunfo na m\u00e3o porque ele \u00e9 o meu padrinho de\nBatismo. S\u00e3o Vicente de Paulo foi meu pai como Lazarista e S\u00e3o Domingos de\nGusm\u00e3o foi meu pai como Dominicano. Como casado, meu padroeiro \u00e9 S\u00e3o Jos\u00e9. E\nMaria, a m\u00e3e de Jesus e nossa M\u00e3e, ornada de tantos t\u00edtulos? Ser\u00e1 o mais\nfulgurante espelho do clar\u00e3o da Trindade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Geralmente\nse associa \u00e0 id\u00e9ia da morte a id\u00e9ia de descanso. Descanse em paz! Descanso\nsugere in\u00e9rcia e passividade. Nada mais oposto \u00e0 Ressurrei\u00e7\u00e3o. Dois elementos\nest\u00e3o na composi\u00e7\u00e3o dos seus corp\u00f3reos: o Ato e a Pot\u00eancia. Deus \u00e9 Ato Puro. Os\nAnjos hipoteticamente s\u00e3o Atos subsistentes, pois n\u00e3o tem corpo. Ressuscitados,\nisto \u00e9, ap\u00f3s a Ressurrei\u00e7\u00e3o, somos equiparados aos Anjos. Nossa Carne,\ntotalmente potenciada, adquire atributos espirituais que a libertam das leis do\ncorpo. Portanto nem gravidade, nem necessidades fisiol\u00f3gicas, nem in\u00e9rcia, nem\npassividade. Todas as potencialidades ser\u00e3o ativadas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O\nc\u00e9rebro humano \u00e9 mais potente do que o computador mais possante. O que acontece\n\u00e9 que apenas uma m\u00ednima parte de nossas potencialidades, quer&nbsp; corporais, quer espirituais, \u00e9 ativada. A\nRessurrei\u00e7\u00e3o liberar\u00e1 todas as&nbsp; nossas\nenergias e ser\u00e1 o pleno desabrochamento de todas as nossas potencialidades. Mais\ndo que um equ\u00edvoco, \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o comparar ao descanso nossa condi\u00e7\u00e3o\ndepois da morte. Compreende-se por causa do sofrimento que normalmente antecede\no momento fatal. Mas libertos de toda in\u00e9rcia potencial, entraremos de cheio no\ncircuito borbulhante do Ato. Seremos conectados com o Ato Puro e a Unidade\nvital de que comungam o Pai e o Filho e o Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nem\ndescanso, nem agita\u00e7\u00e3o, mas plenitude. Segundo Paulo Freire, o ser humano,\ndefinido como \u201canimal racional\u201d pode ser definido tamb\u00e9m como \u201cinconcluso\u201d.&nbsp; Diferentemente dos irracionais que geralmente\nnascem equipados para sobreviver e dotados de instintos, a pessoa humana nasce\ninerme e carente de tudo. Esta era a obje\u00e7\u00e3o alegada por Santo Tom\u00e1s de Aquino\nquando discutia superioridade da esp\u00e9cie humana sobre as outras esp\u00e9cies\nanimais. Refutando, ele explica que se Deus equipou os irracionais dos meios de\ndefesa e dos instintos para sobreviverem, dotou o ser humano da raz\u00e3o e da m\u00e3o.\nDa raz\u00e3o para captar as leis da natureza. Da m\u00e3o para aplic\u00e1-las na tecnologia.\nNa Ressurrei\u00e7\u00e3o, conquistaremos nossa conclus\u00e3o cabal. Ser\u00e1 uma conclus\u00e3o\nvitoriosa e apote\u00f3tica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o\npodemos esquecer que, inconclusos, vivemos a tens\u00e3o entre o j\u00e1 e o ainda n\u00e3o.\nJ\u00e1 ressuscitamos com Cristo, mas ainda n\u00e3o chegamos \u00e0 completude. A convic\u00e7\u00e3o\nde que j\u00e1 vivemos na din\u00e2mica da ressurrei\u00e7\u00e3o traz conseq\u00fc\u00eancias inexor\u00e1veis e\nurgentes. Em uma sociedade dominada pela cultura da morte, a F\u00e9 na\nRessurrei\u00e7\u00e3o&nbsp; exige que nos comprometamos\ncom a defesa da Vida amea\u00e7ada. O desenvolvimento dessa id\u00e9ia nos levaria muito\nlonge&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No\nprocesso evolutivo, a ressurrei\u00e7\u00e3o representa o ponto culminante. \u00c9 o ponto-X.\nO ponto Kr\u00edstico! \u201cEle \u00e9 a imagem do Deus invis\u00edvel, primog\u00eanito de toda\ncriatura, pois nele tudo foi criado, nos c\u00e9us e na terra, tanto os seres\nvis\u00edveis quanto os invis\u00edveis\u201d(Cl 1,15-16).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em\nrela\u00e7\u00e3o \u00e0 Ressurrei\u00e7\u00e3o, tenho minhas curiosidades. A primeira, a tomar\nconhecimento da p\u00e1gina de minha vida. Tudo o que me aconteceu, inclusive nos\nnove meses de vida uterina, deve ter sido registrado no livro da Vida. Terei\nent\u00e3o acesso a todas as informa\u00e7\u00f5es de minha biografia. N\u00e3o ser\u00e1 como em um\nfilme em que as cenas se suceder\u00e3o porque a sucess\u00e3o pertence \u00e0 din\u00e2mica do\ntempo. Ser\u00e1 uma vis\u00e3o sin\u00f3tica, total e simult\u00e2nea e aparecer\u00e3o um sem n\u00famero de\nlances e de rostos que, ao longo de minha exist\u00eancia, escaparam de minha\naten\u00e7\u00e3o e a mem\u00f3ria n\u00e3o gravou. Meu retrato aut\u00eantico, sem retoques, completo,\ncaptado pela objetiva do Pai que est\u00e1 no c\u00e9u, entre os inumer\u00e1veis retratos da\nincont\u00e1vel multid\u00e3o de pessoas na luminosidade de uma espl\u00eandida revela\u00e7\u00e3o.\nSaberei ent\u00e3o em profundidade quem sou. Quem Eu-Sou. Eu-Sou \u00e9 o nome pr\u00f3prio do\nnosso Deus. Descobrirei ent\u00e3o que a Humanidade inteira est\u00e1 mergulhada na\nDivindade. \u201cNela vivemos, nos movemos e somos\u201d (At 17,28).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Se Deus revelou a Mois\u00e9s que o seu\nnome \u00e9 Eu-Sou, ousemos tirar as conseq\u00fc\u00eancias dessa revela\u00e7\u00e3o. Em tudo que \u00e9,\nque existe, h\u00e1 mais do que um simples reflexo de Deus, gra\u00e7as \u00e0 sua iman\u00eancia.\nCondicionados, neste mundo, pelo tempo e o espa\u00e7o, somos muito sens\u00edveis \u00e0\ntranscend\u00eancia e pouco atentos \u00e0 iman\u00eancia. Sentir a presen\u00e7a de Deus em n\u00f3s e\na&nbsp; vibra\u00e7\u00e3o da divindade no mais \u00edntimo\nde n\u00f3s mesmos nada tem de pante\u00edsmo mas \u00e9 a pura express\u00e3o do mist\u00e9rio da iman\u00eancia\nque ser\u00e1 desvendado na Ressurrei\u00e7\u00e3o. No fulgurante clar\u00e3o da pausa,\ndescobriremos as incomensur\u00e1veis dimens\u00f5es do Corpo m\u00edstico de Cristo e o&nbsp; verdadeiro significado de ser Povo de Deus. O\nmist\u00e9rio da Unidade brilhar\u00e1 em todo o seu esplendor.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa\ntomada de consci\u00eancia resultar\u00e1 necessariamente em uma antecipa\u00e7\u00e3o com\nconseq\u00fc\u00eancias determinantes em um empenho efetivo na luta contra as\ndesigualdades sociais e no combate aos crimes contra a natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nas\nimagin\u00e1rias proje\u00e7\u00f5es paradis\u00edacas ligadas \u00e0 Ressurrei\u00e7\u00e3o, \u00e9 real\u00e7ado o aspecto\ndo prazer. Como geralmente se associa o prazer ao corpo, n\u00f3s cat\u00f3licos,\nformados em uma vis\u00e3o platonicamente dualista, o rejeitamos como algo\npecaminoso. \u00c9 uma lament\u00e1vel mutila\u00e7\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Prazer\nconota apetite. Somos dotados do apetite concupisc\u00edvel que se compraz no que \u00e9\nbom e do apetite irasc\u00edvel que evita o que \u00e9 mau. De certo modo, o apetite nos\nreveste como nossa pele e se irradia de nossos poros. S\u00e3o infinitas nossas\npotencialidades prazerosas e todas ser\u00e3o preenchidas na Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O\napetite concupisc\u00edvel ordena-se \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo e \u00e9 fonte do prazer\nda alimenta\u00e7\u00e3o ou se ordena \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie e \u00e9 fonte do prazer\nsexual. Quanto ao prazer alimentar, a distorcida moral cat\u00f3lica se permite\ncerta liberalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto\nao prazer sexual \u00e9 totalmente restritiva gra\u00e7as ao falso culto de um celibato\nclerical mais ou menos duvidoso. E \u00e9 o sexo que oferece a experi\u00eancia do prazer\nmais intenso. J\u00e1 ouvi algu\u00e9m dizer que o C\u00e9u dos seus sonhos \u00e9 um orgasmo sem\nfim. <\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; H\u00e1 algo\nde org\u00e1stico nas experi\u00eancias ext\u00e1ticas dos m\u00edsticos. N\u00e3o ser\u00e1 irrever\u00eancia nem\nsacril\u00e9gio nem blasf\u00eamia pensar que a circunsess\u00e3o entre as pessoas da Trindade\nDivina conjuga no Ato Puro eterno a experi\u00eancia do orgasmo e do parto. Sei que\nisso \u00e9 chocante para quem tem uma forma\u00e7\u00e3o moral asc\u00e9tica e ass\u00e9ptica que evita\na contamina\u00e7\u00e3o da realidade corp\u00f3rea. Mas se a Ressurrei\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o saciamento\nde todos os nossos desejos, por que n\u00e3o falar claramente de nossos apetites?<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto\nao apetite irasc\u00edvel, sua incid\u00eancia maior \u00e9 na \u00e1rea da injusti\u00e7a que provoca\nira e desejo de vingan\u00e7a. Mas a justi\u00e7a divina que h\u00e1 de vigorar no reino da\nRessurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 a compaix\u00e3o que se expressa no perd\u00e3o. Ressuscitados, n\u00e3o s\u00f3\nseremos perdoados, mas perdoaremos tamb\u00e9m. Viveremos na Paz, na Alegria e na\nFelicidade eternamente!<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Olhando-se\na confusa, profusa e exuberante paisagem da geografia humana, a tenta\u00e7\u00e3o\npredestinacionista \u00e9 muito forte. A Humanidade estaria dividida entre o\nbatalh\u00e3o dos eleitos e o batalh\u00e3o dos condenados. Argumentos b\u00edblicos n\u00e3o faltariam\npara justificar tal vis\u00e3o. Basta lembrar a cena do grande julgamento do\nEvangelho de Mateus.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos\ncaminhos da vida, topamos com pessoas que parecem ter nascido para o Bem e com\npessoas que parecem ter nascido para o mal. Os notici\u00e1rios nos bombardeiam com\numa explos\u00e3o de crimes e de viol\u00eancias. E a Ressurrei\u00e7\u00e3o nesse cen\u00e1rio?<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jesus\nentregou seu Corpo e derramou seu Sangue por todos. A salva\u00e7\u00e3o objetivamente\nuniversal \u00e9 o fundamento de nossa Esperan\u00e7a, de nossa certeza, pois ningu\u00e9m\nest\u00e1 exclu\u00eddo. Mas ent\u00e3o como fica? \u00c9 certo que todos ressuscitar\u00e3o. E\nressuscitar\u00e3o para a Vida. Ressuscitar para a Morte \u00e9 uma \u201c<em>contradictio in terminis<\/em>.\u201d Seria inadmiss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante\nda Ressurrei\u00e7\u00e3o, avulta o desafio do mal e da maldade. Em \u00faltima inst\u00e2ncia,\ntodos somos intimados a julgar-nos diante do tribunal de nossa pr\u00f3pria\nconsci\u00eancia. A Igreja Cat\u00f3lica Romana toma a liberdade de canonizar os Santos e\ngarantir seu triunfo no C\u00e9u. Mas se abst\u00e9m de definir se algu\u00e9m foi condenado,\nembora essa atitude s\u00e1bia e discreta n\u00e3o seja respeitada nos serm\u00f5es sobre o\ninferno, abuso acintoso de uma imagina\u00e7\u00e3o doentia. O resultado \u00e9 que ningu\u00e9m\nmais admite o inferno, pelo menos o rid\u00edculo inferno das prega\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apesar da obsess\u00e3o\ndefinit\u00f3ria e infalibilite do atual Papa,&nbsp;\ntamb\u00e9m est\u00e1 em baixa a cren\u00e7a no Dem\u00f4nio ou nos dem\u00f4nios cuja exist\u00eancia\nele afirmou categoricamente. Parece que a puni\u00e7\u00e3o eterna dos anjos rebeldes e\ndas pessoas celeradas e perversas \u00e9 uma exig\u00eancia da justi\u00e7a divina. Mas o que\nser\u00e1 a justi\u00e7a divina? Na B\u00edblia Deus se revela como Pai compassivo e\nmisericordioso, fonte inesgot\u00e1vel do perd\u00e3o. Como diz o povo, Deus \u00e9 justo, mas\nn\u00e3o \u00e9 vingativo. Ser\u00e1 que por tr\u00e1s da nossa reivindica\u00e7\u00e3o do inferno n\u00e3o se\nesconde a sede de vingan\u00e7a?<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Uma\ncoisa est\u00e1 fora de d\u00favidas: Creio na Ressurrei\u00e7\u00e3o da Carne, na Remiss\u00e3o dos\npecados, na Comunh\u00e3o dos Santos, na Vida Eterna. Am\u00e9m!<\/p>\n\n\n\n<p>= = = = = = = = <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refletindo sobre Ressurrei\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por Gilvander Moreira<a href=\"#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 assunto quer requer\nhumildade para trat\u00e1-lo, pois est\u00e1 para al\u00e9m do tempo e do espa\u00e7o. Dizia o\nfil\u00f3sofo pr\u00e9-socr\u00e1tico Emp\u00e9docles que se os bois tivessem um deus, o deus deles\nteria chifre. Conclus\u00e3o: H\u00e1 sempre o risco de projetar o nosso antropocentrismo\nno af\u00e3 de definir quem \u00e9 Deus, como \u00e9 o c\u00e9u, como seremos na ressurrei\u00e7\u00e3o. Para\nvacina contra proje\u00e7\u00e3o temos o fil\u00f3sofo Feurback. <\/p>\n\n\n\n<p>Deus \u00e9 sempre O OUTRO, \u00e9 inaferr\u00e1vel, n\u00e3o se enquadra\nem nenhum conceito, em nenhuma teologia. Podemos apenas ensaiar aproxima\u00e7\u00f5es. O\nte\u00f3logo Bonhoffer, v\u00edtima de um dos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazista, dizia que\n\u201ca humanidade precisava aprender a viver sem Deus\u201d, esta seria a melhor forma\nde agradar a Deus. No fundo, o ateu, aquele que assume a responsabilidade pela\npr\u00f3pria vida, intui as &nbsp;possibilidades e\ncapta os limites reais, este deixa Deus ser Deus, pois n\u00e3o fica tentando\napreender o mist\u00e9rio maior de amor e de infinitabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Met\u00e1fora da paineira e do milho de\npipoca. No nosso nascimento celebramos nossa primeira ressurrei\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>At 17: Paulo prega a ressurrei\u00e7\u00e3o que\npara os gregos \u00e9 loucura. Os gregos acreditavam na imortalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo hist\u00f3rico evolutivo da nossa de ressurrei\u00e7\u00e3o:\nIn\u00edcio no s\u00e9culo III a.C., em per\u00edodo apocal\u00edptico. <\/p>\n\n\n\n<p>Os fariseus acreditavam na ressurrei\u00e7\u00e3o; os saduceus,\nn\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cArgumentos\u201d b\u00edblicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Argumentos da natureza. Parodiando Lavoisier, podemos\ndizer que \u201cna natureza nada se cria, nada se perde, nada morre, tudo\nressuscita\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Argumentos das Ci\u00eancias (Cf. F\u00edsica Qu\u00e2ntica e Nova\nF\u00edsica, vis\u00e3o hol\u00edstica). <\/p>\n\n\n\n<p>Acreditamos na ressurrei\u00e7\u00e3o da Carne (= toda nossa\nconcretude hist\u00f3rica, material e espiritual), n\u00e3o se trata apenas de\nressurrei\u00e7\u00e3o da alma. <\/p>\n\n\n\n<p>Somos compostos por diversas dimens\u00f5es: F\u00edsica,\nsocial, emocional, afetiva e espiritual etc.<\/p>\n\n\n\n<p>A cultura persa introduziu a no\u00e7\u00e3o de anjos que povoam\nos c\u00e9us. A cultura grega introduziu as religi\u00f5es mist\u00e9ricas. Logo, anjos e\ncultos mist\u00e9ricos n\u00e3o s\u00e3o originalmente crist\u00e3os e se encaixam bem nas vis\u00f5es\ndualistas, que s\u00e3o caricaturais e mais mistificam a realidade do que a\ncompreende.<br><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Texto escrito por Eliseu\nLopes uma semana antes de partir para a vida em plenitude para o abra\u00e7o com o\nDeus Amor. Eliseu Lopes foi padre lazarista, frei e padre da Ordem dos Dominicanos,\nperseguido pela Ditadura militar-civil-empresarial de 1964, casou-se com Vera,\num talentoso biblista do CEBI (Centro Ecum\u00eanico de Estudos B\u00edblicos \u2013 <a href=\"http:\/\/www.cebi.org.br\">www.cebi.org.br<\/a> ) durante v\u00e1rias d\u00e9cadas. Eliseu\nLopes nos deixou um imenso legado espiritual, prof\u00e9tico e revolucion\u00e1rio, com\nmuitos textos publicados e muitos outros ainda n\u00e3o publicados. <\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em\nEduca\u00e7\u00e3o pela FAE\/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel\nem Teologia pelo ITESP\/SP; mestre em Exegese B\u00edblica pelo Pontif\u00edcio Instituto\nB\u00edblico, em Roma, It\u00e1lia; agente da CPT, assessor do CEBI e Ocupa\u00e7\u00f5es Urbanas;\nprof. de \u201cMovimentos Sociais Populares e Direitos Humanos\u201d no IDH e de Teologia\nb\u00edblica no SAB (Servi\u00e7o de Anima\u00e7\u00e3o B\u00edblica), em Belo Horizonte, MG.\nE-mail:&nbsp;gilvanderlm@gmail.com&nbsp;\u2013&nbsp;www.gilvander.org.br&nbsp;\u2013&nbsp;www.freigilvander.blogspot.com.br&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\n\u2013&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;www.twitter.com\/gilvanderluis&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\n\u2013&nbsp;&nbsp; &nbsp;Facebook: Gilvander Moreira III<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CREIO NA RESSUREI\u00c7\u00c3O! 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