Pedro Casaldáliga, o “Homem de la Mancha”, o “Dom Quixote do Araguaia”, como desafio para um “novo anormal” do mundo e do episcopado na pós-pandemia. Por padre Gegê

Pedro Casaldáliga, o “Homem de la Mancha”, o “Dom Quixote do Araguaia”, como desafio para um “novo anormal” do mundo e do episcopado na pós-pandemia.Por padre Gegê Natalino

Dom Pedro Casaldáliga, comprometido com a causa dos Povos Indígenas até o último fio de cabelo.

(“𝙄𝙜𝙧𝙚𝙟𝙖 𝙚𝙢 𝙨𝙖í𝙙𝙖” é “𝙄𝙜𝙧𝙚𝙟𝙖 𝙚𝙢 𝙙𝙚𝙨𝙘𝙞𝙙𝙖”)

À beira do rio Araguaia, sob um montículo de terra avermelhada, com uma cruz de pau em cima, jaz um corpo-profeta que grita, conforme canção “Sonho impossível” de Chico Buarque de Holanda: “E amanhã, se esse chão que eu beijei for meu leito e perdão, vou saber que valeu a pena delirar”. Numa missa de finados no cemitério Karajás, Pedro pede para ser enterrado ali mesmo, junto aos desvalidos, aos massacrados, aos exterminados da terra; os sem nome. Eis o pedido “anormal” do bispo:“𝗤𝘂𝗲𝗿𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝘃𝗼𝗰𝗲̂𝘀 𝘁𝗼𝗱𝗼𝘀 𝗲𝘀𝗰𝘂𝘁𝗲𝗺 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗼 𝗯𝗲𝗺, 𝗽𝗼𝗿𝗾𝘂𝗲 𝘃𝗼𝘂 𝗳𝗮𝗹𝗮𝗿 𝗮𝗹𝗴𝗼 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗼 𝘀𝗲́𝗿𝗶𝗼: 𝗲́ 𝗮𝗾𝘂𝗶 𝗾𝘂𝗲 𝗲𝘂 𝗾𝘂𝗲𝗿𝗼 𝘀𝗲𝗿 𝗲𝗻𝘁𝗲𝗿𝗿𝗮𝗱𝗼”.

Para quem acompanhou de perto a longa e plurifacetária trajetória de Pedro Casaldáliga, para quem acompanhou à distância ou para aqueles e aquelas que pela primeira vez ouvem o seu nome, a providência divina assim o quis que à beira do rio Araguaia, sob um montículo de terra vermelha com uma cruz de pau, se expusesse, à céu aberto, uma tradução original,  eloquente, potente e desconcertante  do escândalo e da loucura da cruz do Cristo libertador – do Homem/Deus identificado “in extremis” com os vitimados do mundo. O mitólogo Joseph Campbel sustenta que “uma imagem vale mais que mil palavras”. Desse modo, acredito que, independente de crença, religião ou localização geográfica, nenhuma humana criatura diante da sepultura escolhida por Pedro (resumo e tradução de sua vida), não se sinta, no mínimo, tocada ou impactada por um mistério de amor/serviço/identificação/entrega/doação que ultrapassa sobremaneira quaisquer explicações ou discursos racionais ou eclesiásticos. Para além das caracterizações humanas (“esquerda”, revolucionário”, “vermelho” ou mesmo “santo”), estamos diante do mistério de uma humanidade extremada. Renunciando adornos, emblemas e penduricalhos, comuns aos prelados, Pedro exibiu em sua alma a potência divina em “flor sem defesa”. “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. A teóloga Maria Clara Bingemer faz memória de um Pedro “que durante sua vida teve um chapéu de vaqueiro como mitra, o anel de tucum e um calo nas mãos como anel episcopal e um bastão tosco como báculo”.

Teologicamente falando, o termo que o conjunto da vida de Pedro mais me evoca é “kénosis”, isto é, esvaziamento de si e “descida aos infernos”. Contemplando a esquisita sepultura escolhida por Pedro qualquer alma pode  dizer: “Deus baixou no Araguaia!”.

Pedro, em entrevista no programa “Papo Capital”, na companhia de Dom Tomás Balduíno, se autocompreende como 𝗽𝗼𝗲𝘁𝗮, 𝘀𝗼𝗻𝗵𝗮𝗱𝗼𝗿 𝗲 𝗿𝗲𝘃𝗼𝗹𝘂𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮́𝗿𝗶𝗼.  E diz: “Eu penso que a poesia tem servido muito para falar, para vibrar, para comunicar. Aliás, todos somos poetas; só que alguns exercem, outros não. Essa é a diferença. Eu acho que a Igreja, os militantes, os políticos, deveriam praticar mais a poesia (praticar a poesia), a arte…”. E cita Saramago: “A morte só se pode vencer pelo amor e pela beleza”. Creio, pois, nesse horizonte, que sob o montículo de terra vermelha com uma cruz de pau à beira do rio Araguaia jaz um espetáculo, à céu aberto, de amor e beleza; a “porrada da beleza”, nos termos da poeta Elisa Lucinda, ou “a loucura e o escândalo da cruz”, segundo a lógica esquisita e do Evangelho. A epifania irredutível e desconcertante desse montículo de terra avermelhada, como barriga de índia grávida, fala à natureza, ao mundo, aos seres humanos, às religiões, às igrejas cristãs e, com especial poder de interpelação ao episcopado  atual e vindouro.   

Quando penso no Papa Francisco tenho esperança de uma “Igreja em saída”; quando penso no atual episcopado, em geral, não. “Igreja em saída” exige “Igreja em descida; logo, “psiques em saída/descida”, isto é, mentes mais flexíveis, abertas, dialogantes e dispostas quixotescamente às aventuras da história. A meu ver, Francisco é o “Dom Quixote da Igreja” e Pedro Casaldáliga o “Dom Quixote do Araguaia” (e da igreja latino-americana). Nesse sentido, ambos oferecem no contexto de pandemia, e no esperado pós-pandemia, possibilidades de se partejar um “novo anormal” para a sociedade e para a Igreja, tão obstinadamente afeita à reedição do mito de Sísifo, isto é, o retorno ao mesmo, à padronização, ao igual – ao normal. Neste escrito, trago para o debate o lugar dos bispos no atual e crucial momento que vivemos. No reverso, à luz da trajetória com valor planetário de Pedro Casaldáliga (pastor, místico, profeta, ativista e poeta) digo: queremos bispos; mas bispos mais “loucos”, mais “em saída”, mais “em descida”, mais “anormais” e, em consequência, mais significativos para a comunidade humana e suas grandes pautas.      

 A Igreja, “Povo de Deus”, não se define pela hierarquia (bispos, padres e diáconos); batizados e batizadas, somos a Igreja viva de Deus. Contudo, considero, neste tempo desafiante de pandemia, a partir da exemplaridade gritante e interpelante de Pedro Casaldáliga, que o seu corpo sob o montículo de terra vermelha à beira do rio Araguaia constitua suprema interpelação à humanidade (independente de crença e lugar geográfico), mas, sobretudo, a todos os fieis católicos e mais fortemente ainda a todo o  episcopado latino-americano. Como ser bispo a partir de Pedro? O que diz aos bispos a sepultura-Pedro à beira do Araguaia? O bispo é somente um ente eclesiástico ou também um dom para o mundo, em especial para os mais pobres e vulnerabilizados (indígenas, negros, Terra…)? Em minha imaginação poético-eclesiástica, penso que todo eleito ao episcopado deveria antes da sagração visitar o túmulo de Pedro à beira do Araguaia. A propósito, não foi o próprio Papa Francisco que sugeriu que as altas autoridades eclesiásticas visitassem o cemitério para a cura da autossuficiência? O túmulo-Pedro à beira do Araguaia, como “O afogado mais bonito do mundo”, conto de Gabriel Garcia Marques, pode ser um dom para a renovação do episcopado atual e vindouro.     

Papa Francisco, corajosa e sabiamente, apontou 15 patologias encontradas na alta hierarquia da igreja. Acredito, profundamente, que a sepultura-Pedro ofereça remédio necessário para um episcopado atual, em boa parte, com insuficiente sensibilidade social, alheio às grandes pautas planetárias e demasiadamente aprisionados ao mundo eclesiástico sem diálogos de grande envergadura com o mundo, apesar dos horizontes abertos pelo Concílio Vaticano II. Para o psicólogo suíço Carl Gustav Jung, a vida pessoal e coletiva repousa sob base arquetípica. Nesse horizonte analítico, podemos considerar que estruturas eclesiásticas também escondem/revelam dinamismos psíquicos. Nascem, então, perguntas à luz da trajetória de Pedro: como forjar bispos, como o Papa Francisco e Pedro, cujas trajetórias sejam mais significativas para a história humana? Como forjar bispos mais sal da terra e luz do mundo? Como forjar bispos mais sensíveis às dores dos pobres, indefesos e vulnerabilizados? Como forjar bispos mais pastores e menos burocratas, mais místicos e menos “profissionais do sagrado” e, por fim, mais loucos/sonhadores/ “quixotescos” e menos padronizados e ensimesmados em seus palácios? 

Não tenho dúvida de que grande parte da rejeição (na prática) da hierarquia da Igreja ao papado de Francisco tenha, no fundo, razões psíquicas. Psicologicamente falando, é um perigo gente sempre igual, gente sempre “normal”, gente previsível, gente/bispo que não “amarrota”.  Francisco e Pedro, a meu juízo, desconcertam… constelam ou incorporam arquétipos quixotescos, conteúdos psicológicos que destronam a normalidade burra, fria e estagnada. É impossível uma “Igreja em saída” sem a dimensão quixotesca – “louca”, poética e sonhadora do Reino. Edson Martins, autor da obra “Nós do Araguaia” chama Pedro de uma “aberração”, algo incomum, fora do normal. Adverte oportunamente a psiquiatra Nise da Silveira: “Não se curem além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Vou lhes fazer um pedido: Vivam a imaginação, pois, ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas ajuizadas”.

Os loucos salvarão a terra (e também a Igreja; em especial, o episcopado). Em entrevista antiga Dom José Maria Pires (Dom Pelé) afirma que ninguém viveu, no concreto, mais que Pedro o “pacto das catacumbas”, “foi alguma coisa que fez com que ele até não se considerasse mais nem europeu, nem bispo, nem padre, mas aquele que está aqui a serviço dos indígenas”. Cumpriu, pois, o princípio que trazia no corpo e na alma: “Nada possuir, nada carregar, nada pedir, nada calar e, sobretudo, nada matar”.

O monge beneditino Marcelo Barros testemunha: “Através do Pedro a gente sentia em todos os poros da pele Deus nos visitando visivelmente”. Para o monge Pedro se esforçava para ser comum, mas não conseguia. Dom Adriano Ciocca, bispo de São Felix do Araguaia, diz sobre de sua presença no enterro de Pedro: “Não acontece todos os dias de acompanhar o sepultamento de um santo”.  Fala o bispo: “Dom Pedro nos últimos tempos era de uma fragilidade que dava dor até de ver. Era só uma coisinha, só pele e osso mesmo, tinha que dar de comer a ele, não tinha mais nenhuma autonomia”.

 Para Frei Betto, Pedro (“calçando apenas sandálias de dedo e uma roupa tão vulgar como a dos peões que circulavam pela cidade”) é “pastor de um povo sem rumo e ameaçado pelo trabalho escravo. E diz ainda o frei que Pedro, “trazia a alma sintonizada com as grandes conquistas populares na Pátria Grande latino-americana”. Boff no diálogo com a jornalista Regina Zappa diz que Pedro “é o último dos grandes profetas… o pastor que não está de costas para o povo…um poeta de grande altura…um grande santo…𝐮𝐦 𝐡𝐨𝐦𝐞𝐦 𝐪𝐮𝐞 𝐚 𝐡𝐮𝐦𝐚𝐧𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐩𝐨𝐝𝐞 𝐬𝐞 𝐨𝐫𝐠𝐮𝐥𝐡𝐚𝐫 𝐞 𝐝𝐢𝐳𝐞𝐫: 𝐨𝐥𝐡𝐚 𝐧𝐨́𝐬 𝐜𝐨𝐧𝐬𝐞��𝐮𝐢𝐦𝐨𝐬 𝐠𝐞𝐬𝐭𝐚𝐫 𝐚𝐥𝐠𝐮𝐞́𝐦 𝐪𝐮𝐞 𝐧𝐨𝐬 𝐡𝐨𝐧𝐫𝐚 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐡𝐮𝐦𝐚𝐧𝐨𝐬”.  

Pelo exposto, que é pouco diante da trajetória desse homem/bispo/povo gigante, pode-se dizer, sem hesitar, PEDRO NÃO FOI UM HOMEM NORMAL; em consequência, não foi um bispo normal, Graças a Deus! Jesus também não foi normal; Francisco de Assis não foi normal; e, porque não dizer: Francisco de Roma também não é normal! Todas essas figuras exemplares trazem consigo histórias de almas desconcertantes, trazem cravadas em suas peles um pouco mais do Deus que “sai”, “desce”, se identifica com os últimos e com eles faz morada. Compartilha emocionado, acerca de Pedro, o monge Marcelo Barros: “a minha impressão, a minha sensação é de uma luminosidade de santidade que transparece pelos poros da pele e ele tenta esconder, ele tenta disfarçar; ele quer ser comum e não consegue. A gente não querendo ver a gente vê que tem algo de Deus aí”.   

Descendo louca e apaixonadamente aos infernos dos desvalidos em toda sua trajetória, Pedro escolhe, em descida, o lugar de sua sepultura. Escreve o místico-poeta no poema “Cemitério do Sertão”: “Para descansar / eu quero só esta cruz de pau / como chuva e sol; / estes sete palmos e a Ressurreição”.  Dessa feita, Pedro se fez, desde as profundezas da terra vermelha, indígena, posseiro, peão, baleado, executado; Pedro se fez um sem nome… Seu nome e seu sangue misturaram-se aos desvalidos: todas e todos no coração de Pedro!

Eis a narrativa de uma “igreja em saída” apaixonada, de uma “Igreja em descida” radical, de uma igreja posicionada e identificada com os desvalidos, uma igreja com sabor de Deus. E cada cristão que assim o fizer, que dessa forma descer até aos infernos dos desvalidos, trará Deus para terra. Diz Dom Adriano Ciocca: “ser solidário até na sepultura com os indígenas e com os peões sem nome, deve ser uma escolha que define e continua redefinindo o posicionamento da Igreja dentro do tempo que estamos vivendo”.

 No artigo “O Deus desarmado”, sublinha a teóloga Maria Clara Bingemer: “O caminho para Deus não é uma subida, mas uma descida ao encontro dos pobres, dos oprimidos, dos agredidos, dos massacrados de todos os gêneros e latitudes”. Está a Igreja (hierarquia e laicato) disposta a esse movimento de saída/descida? Para que direção segue o episcopado? Não serve a trajetória-Pedro para um processo de “descanonização” da direita e “desdiabolização” da esquerda? Quantos bispos, padres, diáconos, religiosos e leigos foram expulsos ou se afastaram da Igreja em virtude da opção pelos pobres, contra a pobreza e pela justiça? Quantas dioceses patrocinam o triste divórcio entre santidade e compromisso social? A sepultura-Pedro não reivindica a cidadania da esquerda no universo católico? O que faz a Igreja temer a esquerda? Não teria a Igreja caído na arapuca das polarizações diabólicas (direita x esquerda, conservadores x progressistas, carismáticos x teologia da Libertação, santos x revolucionários)?  Não falta diálogo no interior da Igreja? Depois de Pedro, é possível dizer que a esquerda não produz santos? 

Da minha parte, penso que, no mínimo, Pedro deixa inescapáveis questões: como viver o Evangelho num mundo de injustiça, exclusão e morte? Por que a Igreja que, sob alegação da defesa da vida, vocifera quando o assunto é aborto e, quase sempre, se cala ante o genocídio dos povos indígenas, negros e tantos outros “condenados da terra”?  E para os bispos: à parte a caracterização direita/esquerda, como ser “pai dos pobres” sem se envolver com eles até as últimas consequências? O que faz um bispo: palácios, carros luxuosos, pompas, paramentos exuberantes ou sua opção concreta, como o Cristo, a favor dos pobres e da vida? Estão os bispos mais dispostos a servir ou serem servidos? Onde estão os bispos: no chão da vida e no coração da história como pastores da esperança ou confinados em confortáveis gabinetes como chefes de uma empresa religiosa? Por isso, mesmo desviando o olhar o montículo de terra, com uma cruz de pau, à beira do rio Araguaia, evoca e provoca – grita! 

Narra Frei Betto que certa vez Pedro foi visitar a família de um posseiro. A família ofereceu arroz branco e banana. Então, conta o frei: “a filha mais velha, constrangida, desculpou-se à hora do almoço: ‘se soubéssemos que viria o bispo teríamos feito outra comida’. A pequena Eva, de sete anos, reagiu: ‘Ué, bispo não é melhor que nós!’. Esta lição ele guardou, e sempre praticou, evitando privilégios e mordomias”. 

Escreve Pedro na Carta Pastoral (1971): “Ou possibilitamos a encarnação salvadora de Cristo neste meio, ao qual fomos enviados, ou negamos nossa fé, nos envergonhamos do Evangelho e traímos os direitos e a esperança agônica de um povo que é também povo de Deus…”.  Em que direção vai a CNBB?  Diz Pedro em entrevista: “Se Deus não optasse pelos pobres, Deus seria iníquo”.    

Para terminar, vale dizer que a trajetória-Pedro, ao fim e ao cabo, fala da aventura de um “Homem de la Mancha”, um sonhador, um poeta e um revolucionário que encarnou a sua vida o mistério da cruz – loucura e escândalo. Pedro borrou as fronteiras entre o sagrado e profano, entre fé e política, entre Igreja e mundo e entre Deus e a história concreta com os seus inúmeros conflitos. Pedro revela um rosto de Deus que muitas vezes a Igreja não quer ver, porque tira a Igreja de seus palácios, confortos, tronos e privilégios. Em Pedro a fé não é uma abstração e o Deus da vida toma partido; não é um Deus ocioso, apático ou em cima do muro. Em Pedro Deus desce aos infernos dos injustamente vencidos.  

Não sem razão, escreve Maria Clara Bingemer no Jornal do Brasil: “Em 1980, quando assassinaram Monsenhor Romero em El Salvador, Ignácio Ellacuria dele dizia: ‘Com Monsenhor Romero, Deus passou por El Salvador’. Agora, em lágrimas, mas cheios de gratidão a Pedro e Àquele que o criou, o chamou e o enviou, dizemos: ‘𝐂𝐨𝐦 𝐏𝐞𝐝𝐫𝐨 𝐂𝐚𝐬𝐚𝐥𝐝𝐚́𝐥𝐢𝐠𝐚, 𝐃𝐞𝐮𝐬 𝐩𝐚𝐬𝐬𝐨𝐮 𝐩𝐞𝐥𝐨 𝐁𝐫𝐚𝐬𝐢𝐥’”.  Completo: “E hoje o habita, adubando a terra vermelha com “amor de revolução”, à beira do rio. Dizem as más línguas que todo domingo, antes do raiar do dia,  Pedro mergulha no rio, pascalizado e feliz como um menino travesso; coisas de quem sempre viveu pelo avesso. E, segundo todos os peixes, o coração desse divino-homem-menino, feito um peixe vermelho inquieto,   é  mais cheio de nomes que o  Araguaia de água.  

𝐌𝐨𝐫𝐭𝐞, 𝐪𝐮𝐞 𝐧𝐚𝐝𝐚…  𝐏𝐞𝐝𝐫𝐨, 𝐏𝐞𝐢𝐱𝐞-𝐯𝐞𝐫𝐦𝐞𝐥𝐡𝐨-𝐫𝐞𝐬𝐬𝐮𝐬𝐜𝐢𝐭𝐚𝐝𝐨-𝐯𝐢𝐯𝐞-𝐬𝐨𝐧𝐡𝐚-𝐚𝐠𝐢𝐭𝐚-𝐫𝐞𝐯𝐨𝐥𝐮𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚-, 𝐧𝐚𝐝𝐚!

𝙀𝙨𝙩𝙚 𝙚𝙨𝙘𝙧𝙞𝙩𝙤 𝙚́, 𝙣𝙤 𝙛𝙪𝙣𝙙𝙤, 𝙪𝙢𝙖 𝙙𝙚𝙘𝙡𝙖𝙧𝙖𝙘̧𝙖̃𝙤 𝙙𝙚 𝙖𝙢𝙤𝙧 𝙖𝙤 𝘿𝙤𝙢 𝙌𝙪𝙞𝙭𝙤𝙩𝙚 𝙙𝙤 𝘼𝙧𝙖𝙜𝙪𝙖𝙞𝙖!

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