Poema “Distância”, de Carlos Alberto de Moraes
Narração:Carmem Imaculada de Brito
Poema “Distância”, de Carlos Alberto de Moraes
Lá longe
a casa que me embalou menino
enraizada na rua logo abaixo da praça da igreja
ela sussurrava sementes
e ecoava futuros
sólidas paredes vestiam-se de epifania e cal
janelões abriam-se em azul, emprestando-se
para o céu de dezembro
assoalho de tábua fogão de lenha quitanda
cheiro de linguiça defumada cravo canela varanda
quintal pessegueiro balanço
joelho ralado afago de mãe descanso
joaninhas e pitangueiras
cerca de bambu fronteiras
o domingo tinha gosto de guaraná e macarronada
meu olho namorava lesmas
e a vida ia devagar
Ao findar o dia
quando a tarde conspirava estrelas
pai aquecia-se ao calor das brasas
e minhas pequenas mãos
eram pérolas
na concha de suas mãos calejadas
serenamente
minhas pálpebras semicerravam-se
a sonolência infantil engolia migalhas das ave-marias recitadas
e eu dormia certezas na espessura da noite
lá longe.
= = = = = =

Edição e Divulgação: Frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs, do CEBI, do SAB e da assessoria de Movimentos Populares, em Minas Gerais. Acompanhe a luta pela terra e por Direitos também via www.gilvander.org.br – www.freigilvander.blogspot.com www.cebimg.org.br – www.cptmg.org.br – www.cptminas.blogspot.com.br
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