Poema “Não cabe se fazer de desentendido”, de Rafael Larrea

Poema “Não cabe se fazer de desentendido”, de Rafael Larrea

Narração: Carmem Imaculada de Brito

RAFAEL LARREA (Equador, 1942-1995)

Rafael Larrea Insuasti fundou, junto a outros jovens poetas de esquerda, o grupo Tzántico que propunha superar o abismo que separava a poesia equatoriana da vida do povo, sempre conectados ao “poder da irreverência”. Larrea foi jornalista, ensaísta político, autor de canções populares e professor de música. Desde muito cedo foi militante do Partido Comunista Marxista Leninista do Equador, chegando a ser parte do Comitê Central. Encarregou-se por quase 20 anos da propaganda do partido, organizando o jornal Em Marcha, além de elaborar escritos teóricos e políticos importantes para ação do partido, da militância e da classe trabalhadora. É dele o poema

Poema “Não cabe se fazer de desentendido”, de Rafael Larrea

 Não cabe se fazer de desentendido

Depois do que vivemos,

que coisa melhor que saber que não terminaram

com a gente?

Resistimos com grande ternura,

sentimos a fé do científico em sua obra,

a paixão sempre renovável

do revolucionário.

Bonito é contar

com uma mínima parte da verdade

e assim dizê-la.

De que serve se fazer de desentendido,

de que não compreende o que se passa,

o que vem ocorrendo neste mundo?

Para que serve,

agora, pretender que nós não nos

equivocamos nunca.

Eu, sim, disse, em alto e bom som,

deste golpe,

saímos golpeados todos.

Os que avançamos, agora, entendemos melhor.

E sabemos distinguir

os que retrocederam a tempo.

Os que se abriram, os que se venderam,

os covardes, os confundidos, os temerosos,

os acomodados.

Para que queres mentir pra mim com tua cara,

se viro a quadra

e dou de frente com teus olhos avermelhados,

incrédulos,

que são berço e lenço

de desgraças maiores que as minhas?

Avante, trabalhadores,

siga o mundo seu caminho.

Pelo grande, magnífico,

irrepetível espaço,

vá a vida

iluminada com sóis e estrelas.

Quem pode se surpreender com o insólito?

Guardadas estão

as distâncias,

os sentidos,

os valores,

e cada um dos passos

que o ser humano deu

desde o primeiro dia.

Nenhum desses heroicos esforços

está perdido.

Só se afogou, quem se soltou de sua barca.

Não voltamos tampouco a começar.

Só estamos em outro estado.

Para cada geração,

um enigma distinto. Avante!

Avante, gloriosos povos!

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