Poema “Não me peçam”, de Pablo Neruda

Poema “Não me peçam”, de Pablo Neruda

Narração: Carmem Imaculada de Brito

Poema “Não me peçam”, de Pablo Neruda

PABLO NERUDA (Chile, 1904-1973). Pablo Neruda foi um poeta chileno, considerado um dos maiores em língua castelhana. Formou-se em Pedagogia na Universidade do Chile, por volta de 1921. Em 1927, inicia a carreira diplomática. Conhece o poeta Federico Garcia Lorca e Rafael Alberti. Com a guerra civil espanhola de 1936, é destituído do cargo de cônsul e escreve “Espanha no Coração” e algum tempo depois, elege-se senador. Recebeu em 1971 o Nobel de Literatura. Embora tenha entrado no Partido Comunista Chileno apenas em 15 de julho 1945, a aproximação de Neruda ao PC iniciou-se durante a Guerra Civil Espanhola, a partir de seu posicionamento inicial, antifascista e republicano. A motivação inicial, ainda na Espanha, um misto de revolta pelo assassinato covarde do poeta Federico Garcia Lorca e de solidariedade com a luta do povo espanhol, em si justas, levaram-no a avaliar a participação do PC estalinizado como positiva. Neruda inicialmente não aceita os sinais de degeneração do Estado Operário Soviético sob o stalinismo. Posteriormente, em “Confesso que vivi”, diz: “A tragédia íntima para nós, comunistas, foi nos darmos conta de que, em diversos aspectos do problema Stálin, o inimigo, tinha razão. (…) Apesar dessa responsabilidade pesar sobre todos nós, o fato de denunciar crimes nos devolvia à autocrítica e à análise – elementos essenciais de nossa doutrina – e nos dava as armas para impedir que coisas tão horríveis pudessem se repetir.”

Poema “Não me peçam”, de Pablo Neruda

Não me peçam

Pedem alguns que este assunto humano

com nomes, sobrenomes e lamentos

não os aborde nas folhas de meus livros,

não lhes dê a escritura de meus versos.

Dizem que aqui morreu a poesia,

dizem alguns que não devo fazê-lo:

a verdade é que sinto não agradar-lhes,

os saúdo e lhes tiro meu chapéu

e os deixo viajando no Parnaso

como ratos alegres no queijo.

Eu pertenço à outra categoria

e só um homem sou de carne e osso,

por isso se espancam a meu irmão

com o que tenho à mão o defendo

e cada uma de minhas linhas leva

um perigo de pólvora ou de ferro,

que cairá sobre os desumanos,

sobre os cruéis, sobre os soberbos.

Mas o castigo de minha paz furiosa,

não ameaça aos pobres nem aos bons.

Com minha luz busco aos que caem,

alivio suas feridas e as fecho.

E estes são os ofícios do poeta,

do aviador e do que trabalha na pedreira:

Devemos fazer algo nesta terra

porque neste planeta nos pariram

e temos que arrumar as coisas dos homens

porque não somos pássaros nem cachorros.

E bem, se quando ataco o que odeio

ou quando canto a todos os que amo

a poesia quer abandonar

as esperanças de meu manifesto,

eu sigo com as tábuas de minha lei

acumulando estrelas e armamentos

e no duro dever americano,

não me importa uma rosa mais ou menos.

Tenho um pacto de amor com a formosura,

tenho um pacto de sangue com meu povo.

= = = = = =

Pablo Neruda

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