Poema “Cemitério de Sertão”, de Pedro Casaldáliga
Narração: Carmem Imaculada de Brito
Poema “Cemitério de Sertão”, de Pedro Casaldáliga
Para descansar
eu quero só
esta cruz de pau
com chuva e sol,
este sete palmos
e a Ressurreição!
Mas para viver
eu já quero ter
a parte que me cabe
no latifúndio seu:
que a terra não é sua,
seu doutor Ninguém!
A terra é de todos
Porque é de Deus!
Para descansar…
Mas para viver,
terra eu quero ter.
Com Incra ou sem Incra,
com lei ou sem lei.
Que outra Lei mais alta
já a Terra nos deu
a todos os pobres
sem voz e sem vez;
que os filhos da gente
são gente também!
Para descansar…
Mas para viver,
terra exijo ter.
Dinheiro e arame
não nos vão deter.
Mil facões zangados
cortam para valer.
Dois mil braços juntos
cercam terra e céu.
Para descansar…
Cemitério de sertão.
Dom Pedro Casaldáliga foi “enterrado”, melhor dizendo, plantado, dia 12 de agosto de 2020, no “Cemitério Iny – Karaja”, à beira do Rio Araguaia, em São Félix do Araguaia, no Mato Grosso, cemitério dos sem terra, dos pobres, deserdados, excluídos, migrantes, operários, peões, boias frias, indígenas, assassinados pelos grileiros, latifundiários…
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