O ensino do Medo, segundo Eduardo Galeano
Narração: Carmem Imaculada de Brito
O ensino do Medo, segundo Eduardo Galeano
No mundo que prefere a segurança a justiça há cada vez mais gente que aplaude o sacrifício da Justiça no altar da segurança.
Nas ruas das cidades são celebradas as cerimônias. Cada vez que um delinquente cai varado de balas a sociedade senti um alívio na doença que atormenta.
A morte de cada mau vivente surge efeitos farmacêuticos sobre os bem viventes.
A palavra farmácia vende pharmacos o nome que os gregos davam às vítimas humanas nos sacrifícios oferecidos aos Deuses nos tempos de crise.
As forças armadas latino-americanas mudaram de orientação depois do terremoto da revolução cubana de 1959: da defesa das fronteiras de cada país, que era a missão tradicional, passaram a se ocupar do inimigo interno a subversão guerrilheira e suas múltiplas incubadoras, porque assim o exigia a defesa do Mundo Livre e da ordem democrática inspirados nesses propósitos.
Os militares acabaram com a liberdade e com a democracia em muitos países. Em apenas 4, entre 1962 e 1966, houve nove golpes de estado na América Latina. Nos anos seguintes os fardados continuaram derrubando governos civis e massacrando gente conforme mandava o catecismo da doutrina de segurança nacional.
Passou o tempo, a ordem civil foi restabelecida, o inimigo continua sendo interno, mas já não é o mesmo. As forças armadas estão começando a participar da luta contra os chamados delinquentes comuns. A doutrina da segurança nacional está sendo substituída pela histeria da segurança pública. Em regra os militares não gostam nem um pouco desse rebaixamento à categoria de meros policiais. Mas a realidade o exige. Até 30 anos passados, a ordem teve inimigos de todas as cores, desde o rosa pálido até o vermelho vivo.
A chamada delinquência comum é uma opção universal. O delito se democratizou, está ao alcance de qualquer um: muitos o exercem, todos o sofrem. Tamanho perigo constitui a fonte mais fecunda de inspiração para políticos e jornalistas que em altos brados exigem mão de ferro e pena de morte; e também auxílio civil de alguns chefes militares. O pânico coletivo, que identifica a democracia com caos e a insegurança, é uma das explicações possíveis para o sucesso das campanhas políticas de alguns militares latino-americanos.
Trechos do livro de Eduardo Galeano “De pernas para o ar: a escola do mundo ao avesso”, pp. 81, 82 e 83.
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Edição e Divulgação: Frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs, do CEBI, do SAB e da assessoria de Movimentos Populares, em Minas Gerais. Acompanhe a luta pela terra e por Direitos também via www.gilvander.org.br – www.freigilvander.blogspot.com www.cebimg.org.br – www.cptmg.org.br – www.cptminas.blogspot.com.br
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