Carta na Madrugada a uma Jovem Amiga, de Alexandre Bollmann

Carta na Madrugada a uma Jovem Amiga, de Alexandre Bollmann

Narração: Carmem Imaculada de Brito

Carta na Madrugada a uma Jovem Amiga, de Alexandre Bollmann

Uma vez mais

A madrugada me interrompe o sono

Adverte-me que a hora não é de Morfeu

Pois ela ainda não morreu

O tempo é de vigília

De guardião atento

Ela, tão anciã em terra de Platão

Aristóteles e Sócrates

Ainda é uma jovem

Uma incauta jovem

Aqui em Pindorama

Ela, que por aqui,

Já foi defendida

Por outro Sócrates

Um doutor que jogava bola

Dando passe de calcanhar

Como para que confundir

Tanto a adversários como a censores

Pois, naquele tempo,

Futebol brasileiro ainda era arte

Mas voltemos à nossa jovem

Que precisa de proteção

Vejam só que ironia

Beira mesmo à agonia

Que corra risco, logo ela

Em sua amiga eleição

Porque quem disputa o jogo

Parece querer mudar tudo

E atear fogo

Ao próprio tabuleiro

Propaga o tempo inteiro

Fuzilar seus concorrentes

Prender ou exilar

Mandar pra ponta da praia

Onde se costumava matar

Ser escravo da constituição

Para em motim, rebelião

Dela se libertar

E quando ao filho escapa

Falar em fechar o Supremo

Com apenas cabo e soldado

Se papai for contrariado

Ele se apressa ligeiro

Em dizer: é de Psiquiatria

O caso de tal sandice

Ocultando o que o próprio já disse

Em TV que lhe deu acesso:

Prometeu fechar o Congresso.

Ah minha jovem te cuido

Para que também seja eu cuidado

Nunca pensei contemplar em vida

Ver polícia onde eu havia estudado

A não ser que o motivo fosse

Por ter sido o policial aprovado

Mas o motivo vejam só

(Quatro da madruga e eu ainda cismo)

Eram bandeiras de ícones da luta

E faixas contra o fascismo

Mas se é ele, fascismo

Quem mais ameaça minha jovem amiga

Eu canto essa cantiga

Para que nada se cale

Eu digo

E é bom que se fale:

Esse teu amigo

Não tem tanta força

Só a força da poesia

E a usarei pra defendê-la

Com minha rima atrevida

A você, querida jovem

Minha jovem democracia

Na madrugada de hoje

E por todo meu tempo de vida.

= = = = = =

Edição e Divulgação: Frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs, do CEBI, do SAB e da assessoria de Movimentos Populares, em Minas Gerais. Acompanhe a luta pela terra e por Direitos também via www.gilvander.org.br  – www.freigilvander.blogspot.com  www.cebimg.org.br  – www.cptmg.org.brwww.cptminas.blogspot.com.br   

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