DENÚNCIA! CRIMINOSOS FAZEM RAJADA DE TIROS NO ACAMPAMENTO VIDA NOVA, EM JORDÂNIA, MG – Nota Pública

DENÚNCIA! CRIMINOSOS FAZEM RAJADA DE TIROS NO ACAMPAMENTO VIDA NOVA, EM JORDÂNIA, MG – Nota Pública

Foto antiga do Acampamento Vida Nova, com 25 famílias camponesas na luta pela terra há mais de 17 anos, em Jordânia, MG. Arquivo CPT/MG.

Na madrugada do dia 17 de Julho de 2009, a fazenda Altamira/Lua Nova, com mais de 900 hectares, localizada distante cerca de 45 quilômetros da cidade de Jordânia, no Baixo Jequitinhonha, MG, foi ocupada por trabalhadores rurais em sua maioria meeiros e diaristas que trabalhavam para fazendeiros nas proximidades do povoado de Ribeira do Capim Assu.

Nanoite do dia 12 de setembro último (2025), os trabalhadores camponeses da comunidade do Acampamento Vida Nova, no município de Jordânia, no Baixo Jequitinhonha, MG, foram surpreendidos com vários disparos de tiros na comunidade.

No Boletim de Ocorrência n. 2025-042647840-001, feito pelas famílias camponesas dia 13/09/2025, consta que “um ou dois motoqueiros na noite de 12/09/25, por volta das 21h07, passou ao lado do Acampamento Vida Nova, em Jordânia, MG, dando vários tiros. O ruído dos tiros foi ouvido por vários camponeses que estavam no Acampamento e captado pelas câmeras de segurança do Acampamento que registraram o barulho da moto e a iluminação gerada pelo farol da motocicleta. Os cachorros do Acampamento latiram ao perceber a presença de estranhos e os tiros. Suspeita-se de Wallace e Afrânio, os que, com um bando armado, atentaram contra os camponeses acampados dia 14 de fevereiro de 2025”.

Suspeitamos que mais este ataque tenha ligação com a ação criminosa que aconteceu no dia 14 de fevereiro de 2025 contra os trabalhadores daquela comunidade que ocupa há 17 anos uma fazenda que estava abandonada. A ação criminosa de 14/02/25 foi liderada por Afrânio conhecido por Afraninho do Estrela e por Wallace e demais homens criminosos conforme o Boletim de Ocorrência nº: 2025-0072239826-001.

CÂMERAS DE SEGURANÇA REGISTRARAM O ATAQUE DE JAGUNÇOS COM RAJADA DE TIROS AO ACAMPAMENTO VIDA NOVA, EM JORDÂNIA, NO BAIXO JEQUITINHONHA, MG, NA NOITE DE 12/09/25. EXIGIMOS INVESTIGAÇÃO E PUNIÇÃO, JÁ!

Na luta pela terra, ao longo de 17 anos, um dos momentos mais tensos foi quando pistoleiros armados se hospedaram na fazenda, na casa do vaqueiro, tentando se organizar para expulsar os trabalhadores rurais. Ameaças de morte foram feitas e queima dos barracos; ao todo foram cinco moradias transformadas em cinzas. Todos esses relatos foram feitos e outras formas de violências praticadas na área constam nos Boletins de Ocorrência registrados. O comando da polícia militar esteve no acampamento.

Fotos: Arquivo CPT/MG e STR de Jordânia.

Em outro atentado, as famílias acampadas do Acampamento Vida Nova, dia 14/02/25, no período da tarde, foram atacadas por mais de 15 homens, fortemente armados e com coletes à prova de bala. Além de serem alvos de centenas de tiros, foram espancados com socos, bastão tonfas e outras formas de espaçamento e torturas, tudo por causa da luta que estes camponeses e camponesas há 17 anos fazem pelo direito à terra e à dignidade!

A falta de agilidade das autoridades competentes em tomar providências em desfavor dos criminosos deixa abertura para novos ataques, pois a sensação de impunidade é muito grande. Sete meses se passaram após o ataque criminoso do dia 14/02/25, contra os trabalhadores e até o momento não foi realizada nenhuma audiência para tratar sobre o caso.

Não podemos aceitar ou esperar que vidas dos camponeses sejam ceifadas para que providências sejam tomadas. A Comissão Pastoral da Terra denunciou em Dossiê que o empresário Adriano Chafik Luedy estava ameaçando de morte os camponeses do Acampamento Terra Prometida. A denúncia foi feita às autoridades do Estado de Minas Gerais um ano e meio antes de acontecer o massacre de cinco Sem Terra do MST em Felisburgo, no Vale do Jequitinhonha, dia 20 de novembro de 2004.

As autoridades da Polícia Civil, do Ministério Público Estadual e Federal, da Polícia Militar, da Secretaria de Segurança Pública do Governo de Minas Gerais, do INCRA de MG e nacional, vão continuar se omitindo e, na prática, sendo cúmplices dos ataques a tiros que as famílias camponesas do Acampamento Vida Nova estão sofrendo?

Vale ressaltar que a comunidade do Acampamento Vida Nova existe há mais de 17 anos ocupando uma fazenda que estava totalmente abandonada. Agora estão dando função social à terra, com todas suas casas construídas, plantando e produzindo alimentos saudáveis na linha da agroecologia para o sustento próprio e alimento à Feira semanalmente na cidade de Jordânia e em outras cidades da região. É inadmissível a omissão do INCRA e das autoridades que já deveriam ter reconhecido legalmente a legitimidade das famílias em serem definitivamente assentadas na fazenda ocupada.

Além de produzir mandioca, milho, feijão, banana, produz também cacau, café, pomar e tem uma Farinheira Coletiva onde produzem farinha e goma/polvilho para o sustento e o excedente é vendido na Feira Livre na cidade de Jordânia. A cada 15 dias o transporte do poder público municipal leva a produção para ser comercializada na cidade.

A omissão das autoridades alimenta a ganância e a truculência de grileiros que insistem em invadir o acampamento aterrorizando com rajadas de tiros. Os tiros foram registrados por câmeras de segurança do Acampamento Vida Nova. Vídeo no link, abaixo.

DENÚNCIA! CRIMINOSOS FAZEM RAJADA DE TIROS NO ACAMPAMENTO VIDA NOVA, EM JORDÂNIA/MG: VÍDEO DO ATAQUE

Exigimos com urgência ação de todas as autoridades no sentido de apurar estes crimes, cessar os ataques e regularizar a posse definitiva das famílias camponesas da Acampamento Vida Nova, em Jordânia, Mg, nas terras que ocupam há mais de 17 anos.

Assinam esta Nota Pública:

Coordenação do Acampamento Vida Nova

Comissão Pastoral da Terra (CPT/MG)

Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Jordânia

Federação dos Trabalhadores na Agricultura (FETAEMG), Regional do Jequitinhonha.

Jordânia, MG, 18 de setembro de 2025.

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