Natal cósmico do Cristo e da Mãe-Terra – Por Marcelo Barros

Enquanto muitas comunidades cristãs celebram, nesses dias, os nove dias preparatórios que formam a novena da festa, neste domingo 17 de dezembro, a liturgia católica começa a Semana Santa de Natal.
O apóstolo Paulo afirmou que o Cristo Ressuscitado “ligará a si todas as coisas”. Sua ressurreição significa o começo de um universo reconciliado (Gl 6,2 e 2 Cor 5,14 ss). O Natal não pode ser apenas o aniversário do nascimento de Jesus. Celebramos essa festa no 25 de dezembro, data do solstício do inverno no hemisfério norte, para lembrar que o Cristo é o sol da justiça que vem do alto para renovar nossas vidas.
O mundo atual parece cada vez mais doente e dividido. Os efeitos da ressurreição do Cristo no universo ainda não são visíveis. Por isso, no Natal, celebramos a antecipação profética da renovação do universo cristificado, ou seja, totalmente assumido pela presença do Cristo ressuscitado.
Esse mês de dezembro começou por mais uma Conferência da ONU sobre mudanças climáticas. Nela, as mais diversas religiões se mostraram conscientes da sua responsabilidade em relação à mãe-Terra.
Nesses dias, as comunidades judaicas celebram Hanuká, a festa da Luz. Atualmente, não se acendem mais as lâmpadas do templo de Jerusalém, para trazer luz à escuridão do inverno. Agora, o templo de Deus é o universo e as luzes de Hanuká se acendem nas casas judaicas para que iluminem o coração e a vida de todas as pessoas de boa vontade afim de libertar o mundo da escuridão do desamor e da indiferença.
Na Amazônia, o povo Yanomami tenta escutar de novo os Xamãs que fazem ressuscitar os cânticos dos Xapiri, espíritos da floresta que é viva, embora ferida pelas queimadas dos grandes fazendeiros, pelas máquinas dos garimpeiros e mais ainda das grandes mineradoras que provocam destruições e podem ocasionar desastres como têm ocorrido tantos, em Maceió e nos mais diversos recantos da Terra.
É importante que as comunidades cristãs liguem a celebração desse Natal com o cuidado da terra, da água e de toda a natureza. Hoje, o universo é o verdadeiro presépio do Cristo Cósmico. Embora de forma ainda invisível, Ele vem, hoje, a esse mundo. A liturgia da última semana antes do Natal invoca Jesus como Salvador para o mundo de hoje.
Reginaldo Veloso, nosso saudoso irmão, traduziu de forma adaptada as invocações das antífonas Ó. A cada dia, uma nova invocação chama o Cristo Ressuscitado, um dia como Libertação e no dia seguinte como Mistério. A seguir, ele é invocado como Sabedoria. Um dia, o contempla como nova Sarça Ardente, na qual Deus se revela aos Moisés de hoje. Finalmente, é chamado de Emanuel, presença divina no meio de nós. Todos os dias, as comunidades concluem com um refrão que, durante nove dias, canta: “Vem, ó filho de Maria, vem trazer-nos alegria. Quanta sede, quanta espera, quando chega, quando chega aquele dia?, quanta sede, quanta espera, quando chega, quando chega