Poema “SEM TERRA”, de Carlos Pronzato
Narração: Carmem Imaculada de Brito
Poema “SEM TERRA”, de Carlos Pronzato
Reforma Agrária É palavra Que dói na alma Que grita na calma De quem Não se levanta. Reforma Agrária É bandeira Que clama Revolta E apenas reclama “na lei ou na marra” Com uma palavra: Terra!
As cercas Crescem com o dia Demarcam A imensidão Do latifúndio E calam O murmúrio Das sementes Nas madrugadas O camponês Arma o coração Da derrubada O arame farpado Não deterá jamais O grito Da aurora Ocupada!
Quem te dará A terra Se não forem Tuas mãos?
Quem te dará A terra Se não forem Teus braços? Quem te dará A terra Se não fores tu Trabalhador do campo Que semeias Com suor E sangue O silêncio Que geme na terra O teu canto? Quem?
Teus pés Tocaram A terra ensangüentada Teu coração Decidiu Tomar as armas Tua cabeça Ajusta O alvo.
Oh Liberdade! Espalha no sereno As armas Da ocupação Somos cúmplices Das flores Abre a facão Uma clareira No tenebroso Latifúndio
Somos cúmplices Dos pássaros Assobia para nós Aquele cântico Infinito dos rebeldes Somos cúmplices Do vento Oh Liberdade! O teu coração Tem o cheiro Da terra Do outro lado Da cerca.
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