Poema “Consciência Negra”, de Alexandre Bollmann

Poema “Consciência Negra”, de Alexandre Bollmann

Narração:Carmem Imaculada de Brito

Poema “Consciência Negra”, de Alexandre Bollmann

Não me venha falar de consciência humana

Perceba a confusão que emana

E se urde nesse discurso

Finge que afaga

Com seu abraço urso

Consciência

É o lugar de que se olha

E percebe a existência

Consciência

Não é abstração etérea

Toma forma em nossa matéria

Nas nossas experiências

Vivências, sofrimentos

Não se resume a pensamento

Corre com o sangue

Escorre com o suor

Espalha com a música

Aqui tão miúda e única

Mas chega lá maior.

Consciência

Sempre teve o opressor

Do seu poder de causar dor

Consciência

Que nina os sonhos de poucos

Em berços esplêndidos, tão cegos

Para a necessidade do outro

Inflados nos próprios egos

Chamando de mérito a violência

Herdada em hereditariedade

Somente engano e vaidade

Não fazem enxergar

Que é hora de reparação.

Consciência

Que já se travestiu de ciência

Para afirmar superioridade

E negar a outra pessoa

(nem reconheciam pessoa)

A condição de tal humanidade

Não me venham falar de raça humana

Raça sempre foi categoria de privilégio

De quem frequentava

O melhor ensino

Desde o colégio

Chegando à universidade

Melhor emprego

Melhor salário

Futuro extraordinário

Presente, comodidade

Falar em raça só incomoda

Quando vira instrumento de luta

De informação, de afirmação

Dessa alma resoluta

Que toma consciência

De precisar ser resistência

Para continuar existência

Que bem sabe

As migalhas que sobram

Não bastam

É preciso virar a mesa

Enxergar-se beleza

Filhos da realeza

De orgulhosos ancestrais

Saber que o seu lugar

É onde bem quiser

Seja  homem ou mulher

No samba, na poesia

No esporte ou na política

Na ciência, na academia

No mundo de negócios também

Nem cárcere, nem senzala

A hora é de ocupar a sala

Onde se tomam as decisões

E decidir um mundo novo

Sem desigualdades e opressões

Celebrar a consciência negra

É celebrar a reconstrução da história

História de multidões

Que pulsam em nosso solo

Na batida dos corações.

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Edição e Divulgação: Frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs, do CEBI, do SAB e da assessoria de Movimentos Populares, em Minas Gerais. Acompanhe a luta pela terra e por Direitos também via www.gilvander.org.br  – www.freigilvander.blogspot.com  www.cebimg.org.br  – www.cptmg.org.brwww.cptminas.blogspot.com.br   

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