Poema “A poesia?! Serve para alguma coisa?”, de Antonio Souza Capurnan
Narração: Carmem Imaculada de Brito
Poema “A poesia?! Serve para alguma coisa?”, de Antonio Souza Capurnan
Para transmitir o rumo natural das coisas até o milagre. Até o mistério. E, pois, palavra boa, como água em mina, existe para ser servida. A poesia, em seu encantamento, tem o poder de afinar. E se afina, existe para a serenata dos galos, para o cântico dos peixes, para o desenredo dos rios e para o mergulho das matas. Poesia se põe na mesa e é para nada. Para o indizível… poesia de embrenhar-se. Telúrica. Desata a cerca para engravidar a terra e é, palavra de festa, de utopia e caminhada… serve a poesia para declinar senzalas, aflorar quilombos, para arrancar os saltos da ditadura. E poeta bom não erra tiro em pé de jagunço. O poeta é uma vírgula de Deus. E atento ao percurso sabe que na avenida de comatria todo poder sem festa morrerá à míngua, que é impossível política em comatria sem o afeto da língua.
“É preciso limpar a terra da tristeza, sujar as mãos, forçar a hora até mudar a história Sendo com o povo Povo mesmo”
Eu li essa blasfêmia quando tinha vinte anos.
Não lera antes poeta nenhum que me desse a arma e o chão da guerrilha. A flor vermelhíssima do desassossego.
Permaneço lá até hoje.
Na tocaia.
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