Poema “Maretórios de Saberes”, de Naetê Barbosa Lima Reis
Narração: Carmem Imaculada de Brito
Poema “Maretórios de Saberes”, de Naetê Barbosa Lima Reis
Territórios de gentileza e luta, abraçados pelo mar.
Horizontes de beleza e cultura, que a necropolítica não consegue calar.
Unindo vários povos costeiros, território maretório virou.
Organizados pela dor e pela esperança, em um mundo melhor que ainda não chegou.
CPP, Colônias, Confrem, MPP e Movimentos Sociais.
Tecem redes, articulam parcerias, defendendo direitos e ideais.
Mergulhados em um oceano de ideias, em que pontos de contato são fundamentais.
Bem como políticas públicas articuladas às bases, adequadas ao enfrentando de problemas reais.
Nesse cardume quem vier somar à luta é bem-vindo, sem hierarquias, com horizontalidade para romper com as amarras que têm nos excluído.
Com respeito ao histórico de luta dos povos tradicionais, por permanência e existência, diante de uma confluência de injustiças ambientais.
Nesse movimento se posicionar é fundamental, ao lado dos grupos subalternizados pelo Estado e pela ciência moderna, contra o extermínio colonial.
Para uma verdadeira resistência e um futuro à favor da diversidade, precisamos valorizar inovação e tradição, o presente e a ancestralidade.
A luta nunca foi fácil, envolve o enfrentamento à esquemas nacionais e transnacionais, um grande mercado organizado.
Coletivamente precisamos superar ruralistas e milícias, expor as obscenidades da bancada do boi, bala e bíblia.
Extinguir com o gabinete do ódio e a destruição que estão deflagrando em vários territórios.
É nosso papel impedir que a floresta vire pasto pro gado e que privatizem cada gota do oceano rumo a um futuro cada vez mais insustentável.
Pelos que virão, pelos que aqui estão e pelos que ainda vão chegar, não vamos deixar a política atual de destruição ambiental, nos esmorecer e nos desorientar.
Lutaremos contra todos os grandes empresários, insaciáveis por peixe, petróleo e territórios.
Que se nutrem pela destruição socioambiental e deixam o rastro de caos e dor para a população local.
Vamos nos posicionar contra a necropolítica e sua normalização, contra o racismo institucional sistêmico, gritaremos ele não!
Apesar de diariamente nos encucarem na mente que nada mais pode ser feito diferente.
Essa não é opção para boa parte da sociedade, nesse Brasil de infames desigualdades.
Dia e noite são desafiadores para quem é classificado como inferior em uma escala de opressão, que opera por espoliação, trabalho precarizado e pela ainda presente escravidão.
Acreditar em um outro possível é urgente, é muito mais do que utopia, é lutar por sociedades em que a economia está a serviço das pessoas, e não as pessoas a serviço da economia.
Utopia tecida em várias mãos, uma economia solidária que nos enriqueça de saúde, bem-estar, educação e paixão.
Que permita em todos os lugares o trabalho decente, que livre o povo da fome e de todas as formas de exploração e políticas vazias e incipientes.
A pandemia que vivemos nos alerta a crise de um modelo civilizatório.
Superar esse terrível momento é um exercício coletivo, você também é responsável.
Descascadeiras e filetadeiras de fundos de quintal, redeiros, chumbeiros e todos e todas das comunidades de pesca artesanal.
Nos colocamos em apoio às suas lutas, somos cientistas que buscam romper com velhas condutas.
Para além de retirar a ciência moderna de um falso pedestal, desejamos uma profunda transformação, em um processo intercultural.
Abaixo relações extrativistas de pesquisador e pesquisado, que se dá em um falso diálogo, ciência que é ciência não apenas pesquisa, mas se implica, se posiciona e tem lado, o lado dos grupos subalternizados.
Por movimentos de superação do paradigma venenoso do agronegócio.
Que respeitem os ciclos da vida, a segurança alimentar e a soberania, por um mundo agroecológico.
A ecologia de saberes é um dos caminhos para fortalecer essa diversidade, permitirá derrubar monumentos e conceitos que favorecem a torpe colonialidade.
De mãos dadas conscientes da nossa jornada, vamos derrubar um a um, os que querem privatizar nossas águas e passar a boiada.
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Edição e Divulgação: Frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs, do CEBI, do SAB e da assessoria de Movimentos Populares, em Minas Gerais. Edição: Nádia de Oliveira, colaboradora da CPT/MG. Acompanhe a luta pela terra e por Direitos também via www.gilvander.org.br – www.freigilvander.blogspot.com www.cebimg.org.br – www.cptmg.org.br – www.gilvander.org.br – www.cptminas.blogspot.com.br – www.freigilvander.blogspot.com.br
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