Poema “A paz”, de Paulo Gabriel
Narração: Carmem Imaculada de Brito
Poema “A paz”, de Paulo Gabriel
Fascinados pelo mistério que fecunda o universo o coração como de garça rotas as fronteiras do corpo e das nações abertas para sempre as portas do universo.
Nesse dia caíram os Botha e Bush os Pinochet e os Videla
Como uma estátua de barro que o rio leva eles serão levados e não se armaram mais os povos para a guerra Porque não haverá mais impérios para alimentar o ódio!
E virá um tempo novo como um parto que se espera há séculos e nascerá uma espiga de milho homem-mulher da espiga renascidos tenra e frágil e será a nova era o tempo do amor!
Somos Um Grito de braços erguidos flor mineral fora do tempo fogo que arde na noite da Pátria Grande!
Estamos aqui para pronunciar a palavra castrada nos séculos passados nossa voz a voz que se levanta raio que corta o verde das horas.
Resgata nosso grito as vozes proibidas
Las Casas
Valdivieso
Camilo
Che Guevara.
A intrépida loucura de séculos paixão acumulada entre as pedras
Bolívar
San Martín
Caminhos que descendo se irmanaram seiva da mesma árvore
América Latina
Morelos e Zumbi
Romero e Marianella
Eu estava no Alto Boa Vista e havia vento aquela tarde.
Folhas secas fios de luz arrebentados calças no varau tremiam ao vento.
Aleijado também meu coração tremia na espera inútil.
Dançava um beija-flor na roseira de tão veloz imóvel e de repente eu vi a pedra e o menino e um novelo de penas no chão como quem despe a máscara e lembrei-me de ti Marianella e vi teu corpo ensanguentado.
Manoel Fiel Filho
Santo Dias
Suor
hora extra braços que cruzados se levantam a greve a classe avança!
Tempo este em que a bota do soldado pisa a fábrica e a operários crivados de balas na calçada como se Iquique voltasse.
Volta Redonda
redonda é a terra e gira!
Lenta irreversível emerge a consciência.
Arquedas
Suor Juana Inês de la Cruz Allende e Neruda
A voz que não termina camaradas irmãos e companheiros!
Chico Mendes presente! Remo de espelhos. Seiva Na Tormenta
Lágrima no açúcar. Antiga é a madeira
Relógio primitivo. O tempo indivisível
Palavra vertical. Parede na loucura
Mureré selvagem. Húmus na floresta.
Vereda entre as sombras. Caboclo em sanguentado. Relâmpago de giz. Pássaro na água.
Consciência redeviva.
Semente de utopias. Palmeiras genuína.
Raiz entrelaçada. Lua de pedra. Útero da terra. Seringueiro de estrelas. Causa indestrutível!
Na mata um ruído anuncia a tempestade
ira que cresce como o ventre fecundado
e são mais os homens que as árvores ceifadas
um rumor de vida nova na sofrida Pátria Americana.
No sangue dos mártires selamos compromissos apalpamos a sombra dos desaparecidos
O pranto das Mães loucas em todas as praças enxugamos.
Como os cavalos quebram os arames
perseguindo as inacessíveis folhas
alicerçamos a poesia e o futuro na profundidade da terra na flor da humanidade ali onde os seres se aproximam do infinito no êxtase do amor.
Faremos do poema
da marcha
da bandeira da dívida negada
da luta organizada
das cercas derrubadas
dos braços solidários
raízes e alicerces da nova construção.
Do duro dia a dia faremos andaimes para chegar ao Dia!
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Divulgação: Frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs, do CEBI, do SAB e da assessoria de Movimentos Populares, em Minas Gerais.
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