Poema “Bem aventuranças para o novo milênio”, de Paulo Gabriel

Narração: Carmem Imaculada de Brito
Poema “Bem aventuranças para o novo milênio”, de Paulo Gabriel
Felizes os que tecem sonhos na madrugada frágil
porque não se decepcionaram diante da crua realidade.
Felizes os que venceram os preconceitos de raça, nação, sexo ou religião.
Grande a alma, o coração cheio de estrelas
porque já sabem o que é a liberdade.
Eles anunciam o que há de vir.
Felizes os que amam essa terra como parte do seu corpo.
E porque somos um grão de areia no universo
sabem extasiar-se diante do mistério que é a vida
e abraçam o ipê e o vento e bebem água dos riachos e abençoam o tatu e a lua.
E se recolhem lixo da calçada vestem de beleza o mundo.
Felizes os que tem limpo o coração e há brilho em seu olhar
e vêm nos homens e mulheres seus irmãos e suas irmãs
e se alegram quando a bondade se irradia nos gestos cotidianos
e fazem dessa alegria seu canto
porque alimentam a esperança na casa dos humildes
baniram do seu peito a inveja, o ódio, a vingança.
Felizes os que abrem com seus braços caminhos para a paz
e na solidão da noite trabalham sua alma até purifica-la.
E porque amam o amor fazem da transparência seu escudo
e vão pela estrada estendendo a mão e acalentando a utopia.
Felizes os que ainda se indignam diante da injustiça
e sua palavra é martelo, faca e profecia.
O Deus que ouve o grito de seu povo os chamara de amigos.
Felizes os que amam gratuitamente e nada pedem
e no silencio profundo vestem-se da luz que vem da graça.
Eles já descobriram que no mundo novo não haverá bancos,
nem cartões de crédito, nem shopping centers,
nem haverá cadeias ou palácios ou delegacias de polícia
porque estaremos todos nós como nascemos
vestidos apenas da pureza original.
Felizes os homens e mulheres que constroem a vida
e a preservam e a reproduzem e nela se embebedam
e enxugam as lagrimas dos rostos excluídos, estrangeiros, machucados.
Porque fizeram um gesto simples de amor como limpar as feridas
ou saciar a sede com um copo d’água cristalina
ou vestiram e visitam o preso na cadeia
ou porque fizeram gestos complexos de amor até o martírio
como lutar contra o tirano
e gastaram seus dias doando-se generosamente para mudar as estruturas
que matam, excluem e geram pobreza.
Por isso Deus os beija.
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Fonte: No livro escrito a partir do diálogo que retrata a experiência de vida de um morador de rua de Belo Horizonte cujo título é: “O Beijo de Deus: o evangelho da rua segundo tio Maurício”, Editora Paulinas.
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Muito grata!!!
A Frei Gilvander
Pelas reflexões profunda.
Pelas palavras solidárias É coerentes.
Por nós contaminar com com a esperança.
Muito grata
A Carmem Brito
Pela voz que alvorece com poesias em nossos ouvidos.
Pela escolha delicada e sensível de cada poema.
Assim se formaram as mãos dadas em tempo de pandemia.
Assim se mantém a chama acessa.
Um abração aos dois
Bom dia ! Poesia bastante atual. Eu visualizo o mundo pos
pandemia totalmente leve, com menos consumismos e pessoas mais amorosas e generosas. Obrigada Carmem por doar sua voz e trazer paz aos nossos corações. Obrigada Frei Gilvander pelo trabalho abencoado que nos faz crer que ainda ha jeito no seres humanos. Tomara que sim!