DEMOCRACIA TERRORISTA – Por padre Waldemir Santana

DEMOCRACIA TERRORISTA – Pe. Waldemir Santana, da Arquidiocese da Paraíba

A ordem democrática, em sua essência, está destinada à realização plena das pessoas e da sociedade em sua totalidade. Uma verdadeira democracia não pode prescindir de valores fundamentais como justiça, liberdade, soberania e autodeterminação, entre outros; do contrário, toda ordem democrática deixaria de atingir seus fins primordiais. Para que a democracia realize seu propósito, é indispensável o respeito ao ordenamento jurídico nacional e internacional, que lhe confere legitimidade.

Diante do recrudescimento da extrema direita, com sua ideologia radicalizada, toda ordem democrática atravessa uma crise significativa. O país mais poderoso do mundo no campo militar pretende impor aos seus desafetos uma democracia terrorista. Mas de que forma esse terrorismo americano se manifesta?

O terrorismo não é um crime, mas uma paixão. Essa definição do professor Jürgen Brauer está na base de todo ato terrorista, seja ele praticado por grupos ou por Estados. A lógica utilizada por uns e outros é a mesma. Atentados, invasões e sequestros — como no caso do presidente da Venezuela — sustentam-se em uma racionalidade que visa a objetivos claros e previamente desejados. O que os americanos buscaram na Líbia, no Afeganistão, na Síria, no Iraque e, por último, na Venezuela? O petróleo é a causa central da beligerância americana.

Os atos terroristas dos Estados Unidos nada têm de irracional; ao contrário, são movimentos bem planejados e calculados com precisão, como em uma partida de xadrez. Questões econômicas, aliadas a uma política imperialista, justificam as ações violentas perpetradas pelos americanos em várias partes do mundo. Essas ações terroristas passam, invariavelmente, pelo elemento econômico. Um país como os Estados Unidos da América, antes de agir, mede custos e benefícios, buscando sempre maximizar os resultados econômicos provenientes desse crime.

O terrorismo praticado pelos americanos possui maior alcance porque não se dirige apenas contra indivíduos, mas contra Estados soberanos. Os ganhos dessa opressão promovida pelos EUA são de duas naturezas: monetária e psicológica. Os ganhos psicológicos recebem ampla atenção da mídia burguesa, enquanto os monetários se manifestam na arrecadação de recursos, na conquista de territórios e na derrubada de governos.

A democracia, apesar de suas vulnerabilidades, ainda é o melhor sistema, pois regula as relações entre o Estado e a sociedade. Em síntese, democracia implica respeito ao Estado de Direito e à soberania dos países. Os americanos, em vez de fortalecerem esse sistema, acabam por enfraquecê-lo em diversas partes do mundo.

Sob a narrativa de combate ao narcotráfico, os EUA atuam no submundo da civilização, na ilegalidade, violando as normas do direito internacional. Com uma mentalidade imperialista, princípios democráticos são constantemente colocados em xeque, sempre em nome de interesses econômicos. É comum, nas ações americanas, a exploração do medo, ao proclamarem guerra contra o narcotráfico, o que gera desconfiança da população em relação às próprias instituições de seus países. Essa guerra contra as drogas existe apenas no plano metafórico, pois o suposto inimigo não possui capacidade real de implementar um contra-ataque à altura.

Os EUA, com seu projeto imperial, alimentam a pretensão de dominação global, embora já não se considerem invulneráveis. O dólar, como moeda creditícia, não possui mais a mesma força, visto que alguns países passaram a utilizar suas próprias moedas. Tal movimento representou um golpe significativo nos interesses americanos. Utilizar a força militar mais poderosa do planeta sob o pretexto de preservar os direitos humanos é subestimar a inteligência das pessoas. A narrativa americana de defesa dos direitos humanos é risível: não se trata de um favor à humanidade, mas da imposição de interesses próprios.

Diante das arbitrariedades cometidas pelos americanos no mundo, um país invadido somente resistirá se contar com apoio popular; caso contrário, sucumbirá.

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