Vigília pascal de uma decisão cidadã – Por Marcelo Barros

No Brasil, neste 24 de outubro de 2026, há muita gente que pensa: Graças a Deus, amanhã, vamos ficar livres desse tempo pesado de polarização política e de divisão entre as pessoas, que convivem no mesmo ônibus, no mesmo trabalho, na mesma Igreja e até na mesma família.
Quem observa de forma crítica o que acontece no Brasil sabe que polaridade supõe dois polos que, igualmente, se confrontam e como, em uma partida de futebol, querem fazer gol na rede do outro.
Infelizmente, o que ocorre no plano político, tanto no mundo atual, como também no Brasil, não é isso. É que um grupo que se identifica como extrema-direita usa o ataque às instituições democráticas e às pessoas, como tática e estratégia para dominar o debate e para se impor. O próprio fato de usar os termos direita e esquerda já fazem parte dessa armadilha. Direita e esquerda são termos herdados da Assembleia Constituinte da França em 1789 e supõe dois lados da mesma institucionalidade, ou do mesmo regime.
Para nós, é significativo que 24 de outubro seja a data, na qual, no ano de 1945, nações do mundo inteiro publicaram uma Carta de Princípios, que criava nova ordem internacional: a Organização das Nações Unidas (ONU). Essa nova ordem explicitou-se na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que seria tornada pública no dia 10 de dezembro de 1948.
Todos nós sabemos que, quase 80 anos depois, a ONU está muito fragilizada e os direitos humanos, afirmados como básicos, pela Declaração da ONU, são desrespeitados, em quase todos os países do mundo. Em 1948, a ONU decretou que todo ser humano tem direito à vida digna, à alimentação, à saúde e à educação, assim como direito ao trabalho digno e remunerado. Todo ser humano tem direito de migrar e a ONU confirma que toda a humanidade é constituída por uma única e grande família humana, como insistiu o saudoso Papa Francisco, na encíclica Fratelli Tutti.
Nesse 24 de outubro de 2026, no Brasil, estamos na vigília cívica de um referendo, no qual cada brasileiro e brasileira poderá votar pela Democracia e pelo Estado de Direito, mesmo fragilizados e com todos os seus defeitos, ou votar para que o Brasil mergulhe em um tempo, como a Alemanha, a Itália e a Espanha entraram, nos anos 1930, que desembocou na barbárie do Fascismo e da guerra, com milhões de vítimas e toda a humanidade ferida.
Para quem vive a fé cristã, toda véspera de grande acontecimento recorda a vigília pascal. Era a madrugada de um domingo, marcado pelo silenciamento da vida e pelo domínio da força e da morte. O medo dominava até o ar atmosférico e parece que o próprio sol tardava em despontar. E de repente, um pequeno grupo de mulheres, vindas de outra região e estranhas naquela cidade, sem medo de ser feliz, saíram pelas ruas e pelos caminhos, como em uma conspiração de esperança e encontraram o túmulo vazio e a primeira barra de um dia novo de ressurreição. Jesus de Nazaré que tinha sido ali sepultado, não estava mais no mundo dos mortos e, a partir dali, se manifestaria em forma de comunidade e deveria ser descoberto na solidariedade às pessoas empobrecidas e excluídas pela sociedade dominante. A partir daí, a fé cristã não pode mais ser vivida no reduto fechado de uma seita religiosa e sim na inserção social e política da construção de um mundo novo possível.
No Brasil de hoje, somos chamados e chamadas a testemunhar essa fé teimosa no amor social e político. Você faz isso, ao votar Lula 13.