Poema “Índio, prepara o arco”, de Félix Giménez Gómez
Narração: Carmem Imaculada de Brito
Poema “Índio, prepara o arco”, de Félix Giménez Gómez (Paraguai, 1924-2011)
Chegará teu dia
e terá tua terra,
na terra minha,
na terra nossa.
Vibrarão tuas selvas,
cantarão teus rios
e se irá à lua
teu grande martírio.
E outra vez tuas mãos
fenderão a terra.
e outra vez teus gritos
encherão a serra.
E outra vez tua pátria
– a doce Guarania –
será tua, índio,
livre e soberana.
Eu levo teu sangue,
irmãozinho índio.
Minha carne é tua carne
de erva e tanino.
meus versos resumam
tua tristeza indígena,
tua verde esperança,
tua ansiedade antiga.
Irmãozinho índio;
prepara as flechas
e aperta em tuas mãos
tuas ânsias desfeitas.
Que afio minha pena!
Que grita meu povo
– nosso povo triste –
seu frustrado anseio!
Guarani, teu sangue
de erva e tanino,
tuas ânsias antigas,
a voz de teu rio.
Se fizeram guaranias
e se fizeram os fios
de nossos violões
e de nossas facas.
Indiozinho irmão,
a aurora chegará!
Levanta tua fronte, aponta tua
flecha
e lança aos ares
teu grito de guerra!
Aos “ñande’ÿva”1
que pisaram tua terra
com todas as forças
gritemos: Fora!
E empunhando o machado
– o fiel companheiro –
Aos “yvyjára”2
ganhemos a terra!
1: ñande’ÿva: forasteiros
2: yvyjára: próprios da terra.
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