AGNUS SEI – João Bosco & Aldir Blanc
AGNUS SEI – João Bosco & Aldir Blanc
Faces sob o sol, os olhos na cruz
os heróis do bem prosseguem na brisa da manhã.
Vão levar ao reino dos minaretes
a paz na ponta dos arietes,
a conversão para os infiéis.
Para trás ficou a marca da cruz
na fumaça negra vinda na brisa da manhã.
Ah! Como é difícil tornar-se herói.
Só quem tentou sabe como dói
vencer Satã só com orações.
Ê-andá pacatárandá
que Deus tudo vê
ê-andá pacatárandá
que Deus tudo vê
ê-andá, ê-orá
ê-mandá, ê-matá
Responderei: -Não!
Dominus, domínio, juros além.
Todos esse anos agnus sei que sou também,
mas, ovelha negra, me desgarrei,
o meu pastor não sabe que eu sei
da arma oculta na sua mão.
Meu profano amor eu prefiro assim:
a nudez sem véus diante da Santa Inquisição.
Ah, o tribunal não recordará
dos fugitivos de Shangri-lah…
O tempo vence toda ilusão.
Do álbum “Essa é a sua vida” (1981)
Ficha técnica:
Cidinho – percussão
Cristóvão Bastos – órgão e arranjo
Dom Chacal – percussão
João Bosco – violão
Nilson Matta – baixo elétrico
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Ao longo da carreira, Aldir Blanc associou-se a muitos compositores para escrever canções, mas a mais conhecida e celebrada parceria do letrista carioca é a que desenvolveu com João Bosco. Os dois se conheceram em 1971 e em 1972 já tinham produzido algumas composições, entre elas “Agnus Sei”, que foi publicada naquele ano em um compacto financiado pelo jornal O Pasquim. A primeira gravação de uma composição de João Bosco e Aldir Blanc foi selecionada para o lado B do compacto Disco de Bolso, que trazia no lado A o primeiro registro fonográfico de “Águas de Março”, de Tom Jobim. Sobre os surpreendentes desdobramentos da letra de “Agnus Sei”, que inauguram as múltiplas possibilidades de leitura dos textos de Aldir Blanc, Affonso Romano de Sant’Anna diz, no livro Música Popular e Moderna Poesia Brasileira, publicado em 1976: “Já no título (“Agnus Sei”) introduz-se aquilo que os formalistas russos chamavam de “estranhamento”: a expressão soa como conhecida, mas tem um outro sentido, apresenta um desvio determinado, que faz com que a leitura seja ambígua. Em vez de “Agnus Dei” temos “Agnus Sei”, que revela a consciência do indivíduo assumindo a pele de cordeiro sacrificado pelos interesses da sociedade”.

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