Ataque do Latifúndio contra Sem Terras em Capitão Enéias – Norte de Minas Gerais.

Ataque do Latifúndio contra Sem Terras em Capitão Enéias – Norte de Minas Gerais.

A Violência do Latifúndio contra os Pobres do Campo. A impunidade e o latifúndio geram violência.

No ano que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nos chama a refletir na Campanha da Fraternidade o tema: Fraternidade e Superação da Violência, deparamo-nos com este fato. No dia 08 de março de 2018, pessoas ligadas ao Léo Andrade, fazem um massacre contra Sem Terras em Capitão Enéias, Norte de Minas Gerais.

Visitamos as famílias no local do massacre e pudemos sentir de perto os relatos das famílias. A ocupação na fazenda Norte América ocorreu em janeiro de 2017 e os Sem Terras ocuparam uma área próxima à sede, resultado de um acordo para a desapropriação da área. O processo parou e as 140 famílias ligadas à Frente Nacional de Lutas (FNL) ocuparam a sede da Fazenda Norte América em fevereiro de 2018. Havia ameaças e constantes disparos de armas de fogo contra os Sem Terras. Nesta semana as lideranças tiveram informações que pessoas ligadas ao fazendeiro iriam atacar a comunidade, inclusive informaram a PM local.

Por volta das 16 horas de ontem, dia 08 de março de 2018, segundo as famílias acampadas, um caminhão baú, que presta serviços para Léo Andrade entrou na fazenda alegando buscar pertences de Andréia, gerente da fazenda. No caminhão tinham vários jagunços fortemente armados que iniciaram os disparos contra as famílias. O primeiro a ser espancado foi um funcionário da fazenda que morava próximo à porteira. Também um idoso, de 74 anos, que estava na porteira, foi alvejado. Uma das lideranças aproximou-se do caminhão na estrada que dava acesso à sede. Os jagunços o renderam no chão e deram 3 disparos sobre ele: no abdome, na cabeça e na perna. Após os disparos, o colocaram em um carro, forçando-o a dirigir o veículo com os jagunços armados no banco traseiro. Na estrada, ao verem a PM, os pistoleiros abandonaram o carro, mas foram capturados pela polícia.

Os outros jagunços foram atirando em direção à sede. Muitos acampados correram, mas alguns foram capturados, amarrados e espancados pelos jagunços. Os bandidos queimaram muitos pertences das famílias, principalmente os documentos. Deram vários disparos de 12 e 44. Há várias cápsulas e marcas na parede da sede. Destruíram muitas coisas na sede da fazenda e reviraram os móveis como se procurassem algum objeto. O advogado Robson Lima e a gerente da fazenda, Andréia Beatriz, estavam junto com os capangas na ação, segundo os acampados, e foram presos.
A polícia prendeu 10 pessoas até agora. Importante recordar que os Sem Terra acampados fizeram várias denúncias de pedofilia, estupros e condições de trabalho análogas à escravidão praticados por Léo Andrade. Os depoimentos estão sendo feitos junto a polícia civil que instaurou um inquérito. Léo Andrade e Ruy Muniz estão sendo investigados por desvios de recursos públicos.
Duas lideranças foram baleadas e uma está em estado grave, mas fora de perigo de morte. Muitos foram espancados, inclusive adolescentes e idosos.

A mídia local não deixa claro que os acampados não reagiram ao ataque. Simplesmente fugiram. Basta observar que os 10 presos não tem nenhum ferimento.  Há muitos anos ocorrem denúncias de um esquema de milícias armadas nesta região entre Montes Claros e Capitão Enéias, envolvendo os latifundiários/coronéis locais. O Estado tem obrigação de agir de forma a acabar com esses bandidos acobertados e a serviço dos fazendeiros. Os conflitos estão sendo permanentes. No ano passado, as famílias do acampamento viveram o mesmo drama. É urgente a Reforma Agrária.

Solidarizamo-nos com as famílias Acampadas de Capitão Enéias, da fazenda Norte América.

Os pobres possuirão a terra! (Sl 37,11)
Montes Claros, MG, 09 de março de 2018.

Assina essa nota pública:

Comissão Pastoral da Terra de Minas Gerais (CPT/MG)

One comment

  1. “Acho que a sensibilidade e intuição são qualidades femininas gerais que são importantes para melhorar e ser diferencial no campo do trabalho”, introduz Josefina.

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