Arcebispo de Uberaba, MG, e padres da cidade estão de parabéns pelo Manifesto em defesa da vida. Por Frei Gilvander

O Arcebispo de Uberaba, MG, e padres da cidade estão de parabéns pelo Manifesto em defesa da vida. Por Frei Gilvander Moreira[1]


A CPI da covid-19, no Senado Federal, comprovará que os negacionistas e os que fazem política genocida são criminosos, pois quadruplicam o número de mortos. 70% dos mais de 425 mil irmãos e irmãs nossos brasileiros mortos durante a pandemia poderiam estar vivos se tivéssemos autoridades éticas nos três poderes, nos níveis municipal, estadual e federal. Assim, cerca de 70% dos 800 irmãos e irmãs nossos mortos em Uberaba, MG, “pela covid-19” poderiam estar vivos, mas foram mortos não apenas pela covid-19, mas pelo negacionismo, pela falta de vacina para todos/as, por políticas que absolutizam o lucro à custa do sangue dos/as trabalhadores/as, pela falta de auxílio emergencial justo e digno, pelo enfraquecimento do SUS agravado com a Emenda Constitucional n. 95, enfim, pela falta de compromisso com políticas públicas que gerem condições objetivas que garantam a vida. Portanto, estão corretos e com postura justa o arcebispo Dom Paulo Peixoto e os padres de Uberaba ao publicarem o Manifesto em defesa da vida, fazendo denúncias necessárias e PROPOSTAS IMPRESCINDÍVEIS para se salvar vidas, tais como: “Considerando tal realidade desafiadora, não é hora de flexibilizar, mas de reforçar as medidas que auxiliem o controle da situação. Ainda que impopulares, buscar, com lucidez, estratégias corajosas e corretas, embasadas na ciência e na solidariedade. Assim, propomos:

Planejamento claro das ações do Executivo Municipal, acompanhado pelo Legislativo e Judiciário, incluindo lockdown rigoroso, coordenado e acordado entre municípios da região; auxílio emergencial suficiente à população pobre e renda mínima aos proprietários e funcionários das pequenas e médias empresas, pelo tempo necessário; incremento geral à economia; fiscalização mais efetiva com multas e cobranças das mesmas; rapidez no processo de imunização e maior descentralização de espaços para tal; audiências públicas em busca de soluções. À sociedade, advertimos sobre o risco da automedicação; sobre a necessidade da observância atenta aos protocolos de prevenção à COVID (usar máscara, higienizar as mãos, evitar aglomeração…) e outras iniciativas que ajudem a superar essa crise.”

Atenção! O arcebispo Dom Paulo Peixoto e padres se posicionaram de forma objetiva e justa mostrando o caminho concreto para se salvar vidas e, assim, estão sendo fiéis a Jesus Cristo e seu Evangelho. Por outro lado, negacionistas, por ignorância ou por motivos escusos, defendem a morte de irmãos e irmãs ao apoiarem políticas genocidas e por perseguirem bons pastores e profetas quem defendem a vida.

Bispos, padres e pastores de todas as cidades brasileiras precisam fazer Manifestos semelhantes ao de Dom Paulo e padres de Uberaba. Isso é medida necessária para se salvar vidas. Os omissos entrarão para a história como cúmplices do genocídio em curso no nosso país.

Dom Paulo e padres signatários do “Manifesto em defesa da vida”, encarem as críticas a vocês como elogios. Nota dez o conteúdo do Manifesto, abaixo, publicado na íntegra.

MANIFESTO EM DEFESA DA VIDA – Arquidiocese de Uberaba, MG

Dom Paulo Mendes Peixoto e padres da cidade de Uberaba

“Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”( Lc 10,33-34)

Nós, Arcebispo Metropolitano e padres da cidade de Uberaba, motivados pela exigência da fé e da nossa missão evangelizadora, dirigimo-nos ao Poder Público Municipal – Executivo, Legislativo e Judiciário –, bem como aos cidadãos e cidadãs uberabenses, para manifestar nossa preocupação, indignação e propostas frente ao cenário de dor, marcado pelo agravamento da pandemia do novo coronavírus, em nossa cidade.

Inicialmente, prestamos nossa homenagem aos aproximados 800 mortos pela COVID-19, em Uberaba. Às queridas famílias dessas vítimas dirigimos uma palavra de solidariedade, extensiva aos nossos irmãos e irmãs enfermos e desempregados. Apresentamos nossa gratidão sincera aos que se encontram nas chamadas “linhas de frente”, arriscando-se para salvar vidas.

O elevado número de óbitos e de pessoas testadas com resultados positivos nos últimos dias, a possibilidade de colapso no sistema de saúde, a crise social e econômica… confirmam que estamos vivendo o pior momento da pandemia, em Uberaba. Diante desse cenário sem precedentes, observamos, estarrecidos, o negacionismo genocida generalizado, a irresponsabilidade de grande parcela da população em relação às orientações para impedir a circulação do vírus, a morosidade da vacinação, a omissão de lideranças em relação aos mais pobres e vulneráveis, roubados em sua dignidade.

Sabemos que a responsabilidade é de todos, sobretudo de quem tem a missão primordial de cuidar da vida do povo e zelar pelo bem comum. Por isso, “não é justo jogar o ônus da imensa crise nos ombros dos mais pobres e dos trabalhadores”, assim nos adverte o Pacto pela Vida e pelo Brasil.

Como discípulos-missionários d’Aquele que abraçou radicalmente a luta pela vida (“Eu vim para que tenham a vida e a tenham em abundância”: Jo 10,10) com a tarefa de prosseguir a sua missão humanizadora (“Eu vos envio”: Jo 20,21), queremos contribuir para a mudança desse cenário.

Considerando tal realidade desafiadora, não é hora de flexibilizar, mas de reforçar as medidas que auxiliem o controle da situação. Ainda que impopulares, buscar, com lucidez, estratégias corajosas e corretas, embasadas na ciência e na solidariedade. Assim, propomos:

Planejamento claro das ações do Executivo Municipal, acompanhado pelo Legislativo e Judiciário, incluindo lockdown rigoroso, coordenado e acordado entre municípios da região; auxílio emergencial suficiente à população pobre e renda mínima aos proprietários e funcionários das pequenas e médias empresas, pelo tempo necessário; incremento geral à economia; fiscalização mais efetiva com multas e cobranças das mesmas; rapidez no processo de imunização e maior descentralização de espaços para tal; audiências públicas em busca de soluções. À sociedade, advertimos sobre o risco da automedicação; sobre a necessidade da observância atenta aos protocolos de prevenção à COVID (usar máscara, higienizar as mãos, evitar aglomeração…) e outras iniciativas que ajudem a superar essa crise.

Em meio a tanta “escuridão”, descobrimos fortes sinais de esperança: profissionais e servidores de “linhas de frente” arriscando-se para salvar vidas; ações solidárias e gestos de cuidado; a vacinação, sinalizando para o controle da pandemia; o número de atendidos e recuperados; o Pacto pela Vida e pelo Brasil… Somando-se a isso, o espaço fecundo das comunidades de fé, de onde brotam numerosos gestos de partilha, de conscientização e de cuidado.

Por fim, conclamamos toda a sociedade a assumir uma luta coletiva em favor da vida. A crise é oportunidade de mudar para melhor, como nos assegura o Papa Francisco. Então, queremos sair dela mais humanizados. E, no futuro, ouvir a leitura dos nossos nomes, escritos na página dos que permaneceram, não do lado dos que se omitiram, mas dos que cuidaram, ampararam e defenderam a vida.
“Ainda há esperança porque a história não terminou” (Mons. Juvenal Arduini).


Uberaba, MG, 04 de maio de 2021.

Obs.: Os vídeos nos links, abaixo, ilustram o assunto tratado acima.

1 – “Brasil à beira de colapso funerário, do ponto de não retorno da pandemia”, alerta Miguel Nicolelis

2 – Live – FRATERNIDADE E DIÁLOGO: LUTA PELA VIDA. Feliz Páscoa com vacina, já! E Fora, Bolsonaro!

3 – Saúde e Educação em Tempos de Pandemia. Vacina, Já! Auxílio Emergencial, já! Fora, Bolsonaro, já!

4 – Margareth Dalcomo, da Fiocruz: “Teremos o março mais triste de nossas vidas.” 14/3/2021

5 – “Não tenho ar”: o desespero de brasileiros na semana mais letal da pandemia – Fantástico – 07/3/2021

6 – Bolsonaro é “imoral” e “genocida”, afirma o Padre Adauto Tavares, da Paraíba, em missa – 04/03/2021


[1] Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em Educação pela FAE/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP/SP; mestre em Exegese Bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico, em Roma, Itália; agente da CPT, assessor do CEBI e Ocupações Urbanas; prof. de “Movimentos Sociais Populares e Direitos Humanos” no IDH e de Teologia bíblica no SAB (Serviço de Animação Bíblica), em Belo Horizonte, MG. E-mail: gilvanderlm@gmail.com  – www.gilvander.org.br  – www.freigilvander.blogspot.com.br       –       www.twitter.com/gilvanderluis         – Facebook: Gilvander Moreira III

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