Frei Henri des Roziers, dominicano e advogado popular da CPT, morreu e ressuscitou em Paris.

Frei Henri des Roziers, dominicano e advogado popular da CPT, morreu e ressuscitou em Paris.

Por frei Gilvander Moreira.

Frei Henri des Roziers, 87 anos, no Brasil do final de 1978 a 2013, como advogado popular e agente de pastoral da Comissão Pastoral da Terra (CPT), morreu e ressuscitou hoje, dia 26/11/2017, em Paris, França. Frei Henri, um dos grandes expoentes da Teologia da Libertação na prática, que nos deixa um imenso legado espiritual e profético. Frei Henri fez opção pelos pobres pra valer. Por essa opção frei Henri foi inúmeras vezes ameaçado de morte (e de ressurreição). O cristianismo libertador pode se tornar maior com o legado profético de frei Henri. Nossa eterna gratidão, frei Henri, pelo testemunho durante muitas décadas entre nós na Comissão Pastoral da Terra (CPT), sendo aguerrido defensor dos camponeses na luta pela reforma agrária, pela defesa da Amazônia, no combate ao trabalho escravo, na luta pela superação do capitalismo e construção de uma sociedade justa, solidária, ecumênica e sustentável ecologicamente. Na vida plena, frei Henri estará sempre vivo em nós e na luta por direitos sociais. Gratidão eterna ao nosso mestre frei Henri. Abraço solidário a todos/as que sentem a partida de frei Henri. Perdemos apenas a presença física dele.

Abaixo um pequeno texto de frei Betto publicado em O Globo hoje, 26/11/2017.

Obituário: Frei Henri des Roziers, defensor dos direitos humanos

Por frei Betto.

Frade dominicano que viveu no Brasil de 1979 a 2013 foi advogado da Pastoral da Terra. Frei Henri des Roziers defendeu os pequenos agricultores e os sem-terra no Pará. Faleceu neste domingo, em Paris, aos 87 anos, o frade dominicano Henri des Roziers, que viveu no Brasil de 1979 a 2013. Formado em Direito, atuou como advogado da Comissão Pastoral da Terra em Goiás e no Pará. Por defender os pequenos agricultores e os sem-terra do Pará, frei Henri foi ameaçado de morte na região de Xinguara (PA), onde residia, pelos fazendeiros locais. Na lista dos “marcados para morrer”, a sua cabeça valia R$ 100 mil. A da irmã Dorothy Stang, assassinada em 2005, R$ 50 mil.

Frei Henri atuou na condenação dos assassinos dos líderes sindicais João Canuto, morto em Rio Maria (PA) em 1985, e de seu sucessor, Expedito Ribeiro de Sousa, assassinado em 1991.

Em 1994, o dominicano foi condecorado com a Legião de Honra da França, e recebeu vários prêmios nacionais e internacionais por sua atuação em prol dos direitos humanos.

Devido a graves problemas de saúde, que dificultaram sua mobilidade, frei Henri retornou a Paris em 2013.

Em 2016 a editora Du Cerf, de Paris, lançou o livro de Sabine Rousseau, ainda inédito no Brasil, “Apaixonado por justiça”, que retrata a trajetória de frei Henri des Roziers.

* Frei Betto é escritor, autor de “A arte de semear estrelas” (Rocco), entre outros livros.

Fonte: https://oglobo.globo.com/brasil/obituario-frei-henri-des-roziers-defensor-dos-direitos-humanos-22116428#ixzz4za03z3o2

Cf. também inspirador texto de Leonardo Sakamoto “Morre frei Henri: o cristianismo que liberta ficou menor no Brasil”, em https://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2017/11/26/morre-frei-henri-o-cristianismo-que-liberta-ficou-menor-no-brasil

Abaixo, vídeo de reconhecimento da luta de frei Henri.

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