Poema “Terra de homens valentes”, de Paulo Gabriel

Poema “Terra de homens valentes”, de Paulo Gabriel

Narração: Carmem Imaculada de Brito

Poema “Terra de homens valentes”, de Paulo Gabriel

Eu venho de uma terra

onde o sol abrasa a carne

e o latifúndio mata a vida!

Terra de homens valentes retirantes

Sentinelas do dia e da noite

acostumados a enfrentar o Mato

A onça

A cobra

E o opressor.

Capazes de definir a história num lamento

num gesto de mão cortando o ar

num silêncio prolongado.

Conhecem de memória a cor da exploração

Sabem que a vida é um fato relativo

definitiva é só a terra!

Homens com o facão na mão para desmatar

para matar basta o olhar.

Povo sem terra fixa

Sem mulher fixa para amar

que vai de um lugar a outro

apenas por caminhar.

Homens que amam se o amor não custa caro demais

gente que usa revólver

Para garantir a paz.

Povo de vida curta

com muitos filhos atrás

Homens que morrem de pé

Na estrada que leva ao mar.

Eu venho de uma terra grávida de esquecimento.

= = = = =

Padre paulo Gabriel, poeta e missionário libertador e profeta

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