MENSAGEM EM PROL DA CAMPANHA EM DEFESA DAS SAGRADAS SERRAS – Por frei Gilvander

MENSAGEM EM PROL DA CAMPANHA EM DEFESA DAS SAGRADAS SERRAS – Por frei Gilvander Moreira

O Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, fundado em 1996, passa por oito municípios | Crédito: Foto: Arquivo / Agência Minas

Olá ouvintes do Programa de rádio de Frei Gilberto Teixeira, da Fraternidade Franciscana, do Distrito de Belizário, na Serra dos Puri (Brigadeiro), em Muriaé, Minas Gerais. Eu sou frei Gilvander Luís Moreira, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI/MG). Como sou camponês que saiu da roça, mas a roça não saiu de mim e virei migrante desde os quatro anos de idade, eu me identifico com várias serras, as serras lá do noroeste de MG, serra Geral, Serra do Curral, serra da Mantiqueira, serra da Canastra e me identifico também com todas as serras que estão sendo sacrificadas no altar da idolatria do mercado pela ganância sem fim das mineradoras com a cumplicidade do Estado.

Com alegria participo da Campanha em defesa das Serras da Zona da Mata mineira,  com o tema “Em Defesa das Sagradas Serras” e com o lema “Cuidar das águas, das terras e da vida”. A Zona da Mata de Minas Gerais foi reconhecida como Polo Agroecológico e é território de comunidades camponesas, indígenas e quilombolas, dentre outras comunidades tradicionais. Entretanto, a Zona da Mata está sendo brutalmente ameaçada pela mineração predatória, pelo agronegócio, por queimadas, desmatamentos, lixo, falta de saneamento, urbanização no entorno de parques e etc.

Conclamo todas as pessoas que nos ouvem a não medir esforços para participar de movimentos socioambientais que exijam do poder público Políticas públicas que de fato cumpram o art. 225 da Constituição Federal de 1988, que estabelece o direito fundamental de todas as pessoas e de todo ser vivo ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, determina que o meio ambiente é um bem de uso comum essencial à qualidade de vida, impondo ao Poder Público e à coletividade o dever de preservá-lo para as presentes e futuras gerações. A Bíblia diz em inúmeras passagens desde Gn 1 que a Natureza é sagrada, é “boa”, “é muito boa”. “E Deus viu que tudo era bom, muito bom” (Gn 1). A Natureza é sagrada e tem direitos que precisam ser garantidos por nós.

A polícia federal compartilhou com os IEFs (Institutos Estaduais de Florestas) dos estados um programa que a partir de satélites consegue enxergar e vistoriar todo o território brasileiro, inclusive mostrando postes de cerca, gado no pasto, vendo tudo. Logo, se não acontece fiscalização rigorosa não é por falta de aparelhos com alta tecnologia, mas por conluio com latifundiários e agronegociantes que se incomodam a verem a devastação que causam denunciada.

Temos que ser defensores intransigentes do meio ambiente e cuidadores e cuidadoras. As sirenes da emergência climática estão gritando. As tragédias criminosas como as que passaram por Juiz de Fora e Ubá estão acontecendo com mais frequência e cada vez mais letais. Não podemos ser omissos e nem cúmplices de nenhuma injustiça e violência socioambiental. Se você ver devastação ambiental, denuncie, cobre.

Não podemos aceitar que a especulação imobiliária nas cidades vá invadindo as áreas verdes e tratando a natureza como se fosse mercadoria para gerar lucro e acumular capital. Aqui em BH estamos há 20 anos na luta impedindo a devastação da Mata do Planalto e da mata do Jardim América, por exemplo. Participação social de todas as pessoas é imprescindível para conquistarmos justiça socioambiental.

Temos que ter responsabilidade coletiva, por amor, pois se não sofreremos muito e imporemos um sofrimento ainda maior às próximas gerações. Temos que ter responsabilidade geracional. Sejamos como o profeta Jeremias, que desde sua juventude, bradava: “Praticai o direito e a justiça” (Jer 22,3).

Que o Deus da vida nos guie e nos inspire sempre na luta coletiva por tudo o que é justo, bom e belo. Gratidão pela atenção e fique com um abraço solidário e agroecológico de frei Gilvander Moreira. Paz e Bem!

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