Poema “A luta pela terra”, de Dulcirene Pereira Santos

Poema “A luta pela terra”, de Dulcirene Pereira Santos

Narração: Carmem Imaculada de Brito

Poema “A luta pela terra”, de Dulcirene Pereira Santos

Preste bastante atenção

Companheiros e companheiras,

Uma história eu vou contar

São relatos verdadeiros.

Vou falar da luta da terra

E do povo oprimido

Mas que temos um grande sonho

O da vida melhorar

Dando terra a quem precisa

E a Reforma Agrária já.

A partir da ditadura

E os trabalhadores revoltados

Foram criando mais forças

E os movimentos foram formados.

Passaram-se alguns anos

E as ligas se organizando

Houve muitos conflitos,

E o povo foi entendendo

Que todos tinham direito

Da terra ir cultivando.

João Pedro Teixeira

Líder das Ligas Camponesas

Homem forte e lutador

Foi morto sem piedade

Sua mulher fez uma promessa

Pra luta dar continuidade.

Com a crise no campo e na agricultura

E as migrações para as grandes cidades,

O desemprego veio acontecer

E o povo organizado, criou o MST

Famílias expulsas de uma reserva indígena,

Cansadas de andar sem rumo

Resolveram se organizar

Marchando já decididos

Para uma terra ocupar.

Neste dia teve início, a primeira ocupação

Não sabiam os governantes

Que estava a começar

Os retomados das lutas

Para as terras ocupar.

O primeiro grito de ordem

Desta Organização

Terra de Deus,Terra de irmãos

e Terra para todos.

Gritavam os companheiros

Com muita convicção.

A organização foi crescendo

Muito tinha que fazer

juntou-se a companheirada

Pro congresso acontecer.

Em janeiro de oitenta e quatro

Em Cascavel, no Paraná,

Reuniram-se as lideranças

De treze estados do Brasil,

Pra decidir o que iriam fazer

Em prol do MST.

Todos juntos a decidir

Os objetivos, formas e organização

A sigla do Movimento

E as primeiras reivindicações.

O objetivo do MST é

de fazer acontecer

As lutas dos trabalhadores

Que é a Reforma Agrária pra valer,

Sem explorados e exploradores.

Não ficou só por aí,

Os objetivos da Organização

Vamos trabalhar a situação política

Conjuntura e formação

Os direitos humanistas

Saúde e educação.

Trabalhamos os valores:

Determinação pela luta,

Capacidade de indignar-se

Vida enquanto há condições de viver

Pra ver a vida acontecer

Ter o direito de voz

Para gritar por justiça.

Depois de tanta injustiça

Muitos foram os torturados

Foram tantos os massacres.

O de Corumbiara, Carandiru

e Eldorado.

Muita morte aconteceu

João Pedro Teixeira,

Oziel e Teixeirinha.

O Massacre da Candelária

Onde muita criança morreu.

Não esquecendo os outros

Que nos trazem inspiração

Karl Marx, Paulo Freire

e Margarida Aves.

A morte dos companheiros,

É ferida que nunca sara

Não podemos esquecer

O saudoso Che Guevara.

Com a continuação da luta

Voltaram a reunir

Criando os gritos de ordem:

Ocupar, resistir e produzir.

Reforma Agrária uma luta de todos,

Quando o latifúndio quer guerra,

nós queremos terra.

Com estes gritos de ordem

A luta se acelera.

Durante todos esses anos

Foram muitas as conquistas

O prêmio Nobel Alternativo

Foi muita emoção

E o Prêmio Unicef

Pelo Programa da Educação.

O que marcou nos últimos dias

Foi a grande concentração

Com mil e quinhentos acampados

Todos bem organizados

Pra falar com FHC(1)

Diante de tanta pressão

Ele não teve saída

Nervoso tentou atender

As reivindicações do MST.

Com toda essa trajetória

Tivemos muitos sucessos

Somos duzentas mil famílias assentadas

E mais de sete milhões de hectares

Tirados do latifundiário

Criando trabalho e alimentando

E fazendo nossa história.

Não estamos satisfeitos

Muita coisa temos a falar

Fomos todos organizados

Pra Consulta Popular

Conscientizando o povão

Pra fazer uma grande marcha

Do pobre e do oprimido

Pra acabar com a farsa

Das classes opressoras

Por isto está aí a marcha.

Pra fazer Reforma Agrária

Vamos nos desafiar

Entrar na luta do povo

E o Brasil tentar mudar.

Nossa luta é social

Disto não duvido não

Tem o índio, o branco, o negro

Pra mudar essa Nação

Depois das lutas camponesas

Com mortes, vitórias e desenganos

Com muitas lutas e organicidade

O MST completa “15 anos”.

Já dizia Paulo Freire

Educar e educar-se

Na prática da liberdade

É tarefa dos que sabem e pouco sabem

Transformando o seu pensar

Pra mudar a sociedade.

Aqui vou finalizando

Com tanto contentamento

De falar dos quinze anos

Deste grande Movimento

É com grande emoção

Que retrato esta história

Da luta por nossa terra

Que ficará na memória.

Pátria Livre!

= = = = =

Divulgação: Frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs, do CEBI, do SAB e da assessoria de Movimentos Populares, em Minas Gerais.

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