Com indígena Caiapó também, a “Ocupação Vila Maria” resiste a Despejo em Belo Horizonte!

Com indígena Caiapó também, a “Ocupação Vila Maria” resiste a Despejo em Belo Horizonte! Por Alenice Baeta[1]

Indígena Ribamar Caiapó, morador da Ocupação Vila Maria e guardião da mata vizinha que faz parte do
Parque Municipal Jacques Cousteau, no bairro Palmeiras, Belo Horizonte, MG. Indígena Caiapó é Guardião dos animais silvestres, nascentes e da mata vizinha. Belo Horizonte, MG. Foto: Alenice Baeta, março de 2022.

Importante registrar esta vitória! A organização e a mobilização popular conquistou no Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão do despejo de 120 famílias da “Ocupação Vila Maria”, no Bairro Palmeiras, que se situa ao lado do Parque Municipal Jacques Cousteau e do Anel Rodoviário, em Belo Horizonte, MG. A Defensoria Pública Estadual – DPE/MG recorreu judicialmente ao STF e o ministro André Mendonça proibiu o despejo, impedindo assim a invasão do batalhão de PMs, com cavalaria, cães farejadores e armamento para realizar o despejo que estava marcado para o dia 21/7/2022.

Conheça a história dessa importante luta e resistência popular por moradia e território de bem viver na capital mineira:

Cerca de 120 famílias da “Ocupação Vila Maria”, zona Oeste de Belo Horizonte, estão desde novembro de 2021 na luta pela moradia, para se libertar do pesado aluguel, da humilhação que é sobreviver de favor de parentes ou da desumanidade que é ficar nas ruas. As famílias estão ocupando um terreno que estava abandonado, ocioso, sem cumprir a sua função social, situado ao lado do pátio do DETRAN e de trecho do Anel Rodoviário. Trata-se de famílias de extrema vulnerabilidade social, sendo que a maioria ainda vive em barracos de lona preta. Ocuparam por necessidade, por estarem desempregados/as, despejados de aluguéis ou terem sido desabrigados nas fortes chuvas, conforme apontado nas conversas e denúncias das lideranças comunitárias locais.

Segundo as famílias ocupantes, o terreno é antigo espólio da empresa Continental de Material de Construção que existia no local, cujo dono morreu em 2011. Três famílias moram no terreno há quase 40 anos, tendo sido trabalhadores da própria empresa Continental. O terreno ocupado está ao lado do Parque Municipal Jacques Cousteau, e não dentro do Parque, conforme alegou a Prefeitura de Belo Horizonte em um absurdo pedido judicial para obter liminar de reintegração de posse (Cf. MOREIRA, 2022). A “Ocupação Vila Maria” está fora dos limites do Parque, contudo, ao lado do mesmo e distante das áreas de nascentes. Está respeitando 6 metros de distância ao lado da divisa dessa unidade de conservação municipal. As famílias da “Ocupação Vila Maria” não derrubaram árvores, aliás, estão plantando hortas, mudas e sementes, dizem adorar viver ali. Importante considerar que há na “Ocupação Vila Maria” um morador indígena Caiapó, o guardião da paisagem local. Segundo o Senhor Ribamar Caiapó, que mora na divisa com o Parque Municipal Jacques Cousteau: “Busco um lugar para morar em paz. Escolhi aqui. A responsabilidade nossa é aqui. Viver, permanecer e zelar pelo meio ambiente. (…) Sonho com os macacos pulando, araras, passarinhos… isto é uma grande riqueza para um índio como eu. Vamos cuidar muito deste lugar.

Ribamar Caiapó deveria ser considerado um importante parceiro e mestre, e não uma ameaça para a conservação da biodiversidade do parque e arredores, sobretudo na porção que faz divisa com a “Ocupação Vila Maria”, onde ele habita, pois se trata de um guardião ancestral e admirador das atividades de educação ambiental da unidade de conservação.  A luta destas 120 famílias da “Ocupação Vila Maria” é justa, legítima e necessária. Esperamos respeito aos seus moradores, justiça urbana e social. Solidariedade. Despejo, jamais!

Indígena Caiapó na Ocupação Vila Maria, em BH: 120 famílias sob risco de despejo. Vídeo 6 – 28/02/22

Fonte: MOREIRA, Gilvander https://gilvander.org.br/site/120-familias-da-ocupacao-vila-maria-no-palmares-em-belo-horizonte-mg-na-luta-pela-moradia-mas-sob-iminencia-de-despejo-nota-publica/

Março, de 2022.


[1] Doutora em Arqueologia pelo MAE/USP; Pós-Doutorado Antropologia e Arqueologia-FAFICH/UFMG; Historiadora e Membro do Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva -CEDEFES e do Movimento Serra Sempre Viva.

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