O Acampamento Nova Jerusalém, em Nova Serrana, MG, foi reerguido após sofrer três despejos.

O Acampamento Nova Jerusalém, em Nova Serrana, MG, foi reerguido após sofrer três despejos.

Ontem, dia 28/4/2018, junto com um grupo da Rede de Apoio de Belo Horizonte, MG, frei Gilvander Moreira, Albino, professora Tânia e outros apoiadores visitaram o Acampamento Nova Jerusalém, em Nova Serrana, região centro-oeste de Minas Gerais. Dia 26/4/2018, sob ordem do TJMG e do Governador Pimentel, a pedido do prefeito de Nova Serrana, Euzébio Rodrigues Lago (do PMDB), cerca de 300 policiais despejaram cerca de 150 famílias que ocupavam há 6 anos a Fazenda Canta Galo, ao lado do rio Pará. As famílias despejadas acamparam do lado de fora da fazenda Canta Galo, ao lado da porteira da fazenda, mas no dia seguinte, 27/4/2018, foram despejadas pela PM de MG, sem ordem judicial, uma arbitrariedade. Despejar sem decisão judicial é coisa de quem age fora da lei. O povo marchou uns 2 Kms e acampou na beira da BR 494, entre Nova Serrana e Conceição do Pará, mas à  tardezinha do mesmo dia, 27/4/2018, a Polícia Militar, pela 3ª vez, expulsou as famílias ameaçando de prisão quem resistisse. Mais uma vez sem decisão judicial, ação arbitrária e covarde.

Após serem despejadas três vezes em 2 dias, as famílias marcharam 5 Kms e acamparam ao lado do Rio Pará, próximo à fazenda Cantagalo e lá estão fortalecendo o acampamento.

Ontem, sábado, dia 28/4/2018, visitamos o Acampamento junto com representantes da Rede de Apoio de Belo Horizonte. Fizemos reunião com a coordenação do Acampamento Nova Jerusalém. Realizamos Assembleia Geral e também celebramos um Culto Ecumênico, sob coordenação de frei Gilvander Moreira, da CPT, com participação da pastora Maria Vilma e dos pastores Antônio e Oronildo. Agradecemos ao Deus da vida todos os apoios. Ouvimos a Palavra de Deus a partir da Bíblia e da realidade dura e injusta vivenciada pelas famílias do Acampamento. O povo renovou o compromisso de continuar firme na luta até depois da conquista da terra para plantar e viver com dignidade. E também até impedir a construção de um Aterro Sanitário ao lado do rio Pará, o que foi usado como desculpa para a realização do despejo de 150 famílias em nenhuma alternativa digna. Foi muito comovente ouvir relatos de várias pessoas que chorando narraram a violência que sofreram. Por exemplo, duas mulheres grávidas de 8 meses foram expulsas de suas casas e até os berços que tinham já comprado para a crianças que devem nascer em breve foram retirados delas pela PM a mando do poder judiciário. “Vamos ganhar neném sem terra, sem casa, sem o berço e as roupinhas que a gente estava juntando para nossas crianças que estão no nosso ventre”, disse uma das mães gestantes de 8 meses. Uma senhora clamou: “Eu sou diabética e já sofri AVC. Os policiais levaram até minha insulina. Estou há três dias sem insulina. Hoje, um filho de Deus me levou na cidade para tomar uma dose de insulina. Como pode o Estado pisar na gente desse jeito? E mais, nos tiraram da fazenda, mas deixaram lá o gado que fazendeiros criam lá comendo pasto da fazenda. É justo isso?”

O justo e necessário é o TJMG rever a decisão que mandou despejar, acolhendo positivamente a Ação Civil Pública da Defensoria Pública de MG e autorizar o retorno das famílias para a fazenda Cantagalo. Isso será um pouco de justiça agrária. Por isso as famílias, com o acompanhamento da Frente Nacional de Luta (FNL) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT/MG), com o apoio do Ministério Público da área de Conflitos Agrários, da Defensoria Pública de Minas Gerais da área de Conflitos Agrários e com uma crescente Rede de Apoio seguirão lutando até depois de conquistar a terra para plantar, morar e produzir alimentos saudáveis sem agrotóxico e convivendo de forma respeitosa com o meio ambiente.

Eis, abaixo, uma mostra fotográfica de ontem, 28/4/2018, no Acampamento Nova Jerusalém, em Nova Serrana, MG.

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