Horta Comunitária substituindo áreas degradadas e abandonadas nas Cidades. Por Alenice Baeta[1]

Foto: Alenice Baeta – 05/6/2020.
Passando pela rodovia MG-40, onde se situa o bairro Santa Rosa, município de Sarzedo, que faz parte da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), MG, pode ser notada às margens da mesma uma iniciativa muito benéfica e exemplar de moradores locais. Márcio e Daniel Gomes tomaram a iniciativa de capinar nas horas de folga do trabalho uma faixa da zona de servidão da estrada, que sempre tinha muito mato e lixo de todo o tipo, e fazer deste espaço degradado um local agradável, saudável e limpo no bairro. Em geral, beira de estradas e lotes vagos nas cidades vêm sendo utilizadas de forma irresponsável como áreas de descarte de lixo, o que pode gerar risco de criadouros do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, além do zika vírus e da chikungunya, dentre outras enfermidades.
Foi feita uma mudança radical por estes cidadãos em Sarzedo. Criaram uma horta comunitária e plantaram árvores, criando um novo ambiente de convivência para os moradores. Na horta já foram plantados quiabo, jiló, cebolinha, coentro, rúcula, couve, almeirão, alface, mostarda e louro. Dentre as mudas de árvores constam Pau-Brasil e Ipê.
Neste momento de pandemia do novo coronavírus, que causa a Covid-19, que tem ceifado centenas de milhares de vidas no planeta e dezenas de milhares no Brasil, é hora de repensar um mundo com iniciativas, ainda que pequenas, que defendam a harmonia com a natureza, respeito à biodiversidade e a segurança alimentar, como as de pessoas cidadãs de Sarzedo e tantas outros projetos de hortas comunitárias desenvolvidos em calçadas, canteiros e áreas publicas, como nos bairros Lagoinha (“Hortelões da Lagoinha”) e Nova Cintra, na capital mineira, por exemplo.
É preciso aprofundar o debate a respeito de uma nova regulamentação e protocolos nos municípios que estimulem a agricultura familiar urbana e peri-urbana, plantio de ervas medicinais, como de árvores que combatam a poluição nas cidades. Incentivar ações comunitárias dentro dos princípios da agroecologia, o que implica a exclusão de qualquer uso de produtos químicos e agrotóxicos, visando a produção de alimentos saudáveis e sustentáveis, agindo também para a recuperação do meio ambiente urbano e formação de pessoas cidadãs conscientes, justas, éticas e solidárias. Trazer a natureza para dentro da cidade também significa gesto imprescindível para promover a cura e o bem viver e conviver de seus moradores e de seus territórios. Gratidão ao Márcio e ao Daniel. O exemplo de vocês nos inspira para o compromisso com a construção de uma sociedade sustentável, com respeito a todas as formas de vida.
Ibirité, MG, 07/6/2020.
[1] Doutora em Arqueologia pelo MAE/USP; Pós-Doutorado em Antropologia e Arqueologia-FAFICH/UFMG; Mestre em Educação pela FAE/UFMG; Historiadora e Membro da ONG CEDEFES (Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva) e do Movimento Serra Sempre Viva. E-mail: alenicebaeta@yahoo.com.br
Bom dia, Alenice Baeta.
Obrigada pelo artigo e reconhecimento do trabalho do meu esposo Márcio Eduardo. São pequenas atitudes que mudam o mundo!
Um abraço.
Eunice Célia.
Iniciativa Excelente!
Parabéns ao Márcio que tem feito um ótimo trabalho à comunidade, precisamos de mais iniciativas assim! Deus continue abençoando essa família.
Que atitude linda , isto é o verdadeiro exemplo de cidadania é cuidado com o planeta é cuidando do próximo… parabéns pela iniciativa Marcio Deus abençoe vocês.
Bom dia a todos! Fico muito grato primeiro a Deus, por ter me insperado a realizar esse projeto que infelizmente durou tão pouco tempo. Depois agradeço a todos aqueles que apoiaram e reconheceram o trabalho, a minha dedicação e incentivo como essa publicação da Dra. Alenice Baeta que foi a tesponsável por levar ao conhecimento de muitos através dos meios de comunicação. Isso faz com que a gente não desista de continuar fazendo as boas obras para as pessoas. Mas por outro lado quero também, demonstrar minha indignação pelo poder público que infelizmente apagou esse ou seja destruiu o projeto substituindo os concretos e ferragens pela natureza das arvores e plantas que a beira da BR existiam, nos forçando a viver e conviver com um ambiente extremamente, vazio e sem vida, prejudicando principalmente o meio ambiente, tirando a graça da alegria. A prefeitura na verdade foi astuta manifestar que quando tinhamos reuniões com alguns membros da comunidade, representantes administrativos do municipio, políticos, engenheiros da obra da duplicação da rodovia de que poucas arvores seriam suprimidas, deixaram o amargo do fel para o final com a retirada de todas, com a alegação de que a raiz dessas arvores comprometeriam o muro de arrimo até então ali existente. Para dar uma aparência de votação democratica, foi provocada uma reunião incentivada pelo até então vereador e representante do povo, Sr. “Zu” que nos apoiou, abraçando a causa da comunidade. Contudo tivemos somente dois votos a favor contra 10 contra numa votação que somente integrantes da prefeitura faziam forum. Hoje o que se vê, é um verdadeiro montoados de asfalto e concreto eliminando tudo de bom que a natureza pode oferecer. É, óbvio que aplaudimos a chegada do progresso com a mudança da rodovia que facilitou o trânsito para muitos, desde que conservamos a natureza, pois todos sem exceção precisamos dela.